Proprietário
7 Não penses nele como um fã
Notas iniciais
– Yugyeom! — Gritou Bambam correndo em direção ao mais alto. Jackson só teve tempo de se afastar mais para o lado antes de Bambam saltar literalmente para os braços de Yugyeom.
– Não esperava ver-te aqui, Kunpimook. — O noivo sorriu amavelmente enquanto retribui-a o abraço apertado do amigo e fazia-o girar no ar numa cena digna de filmes.
Jackson sentiu-se incomodado com aquela troca de afeto mesmo em frente aos seus olhos. Olhou para a irmã esperando também encontra-la incomodado ou até mesmo chateada por Bambam lhe “roubar” o noivo, mas ela apenas sorria divertida. Novamente, Jackson tinha a sensação que todos sabiam sempre mais do que ele.
– Não sabia que o teu verdadeiro nome era Kunpimook. — Disse a rapariga sorridente quando os rapazes se separam.
– Claro que não sabias, é impronunciável. — Murmura Jackson entre dentes. Mas foi ignorado por todos.
– O Yugy estava sempre a falar-me de ti e que queria te visitar quando cá visse, mas nunca imaginei que fosses tu! — Continua Yuri.
– E eu não sabia que o “Yugy” que tanto falavas era ele. — Ri Bambam voltando a ser abraçado pelo mais alto.
Jackson olhou para os três com uma expressão agressiva no rosto. Como se já não bastasse a própria irmã não lhe ter informado que o noivo chegara hoje, ainda tinha que ver Bambam sorrir tão feliz e abraçar outra pessoa. Ele próprio nunca tinha visto o mais novo sorrir tão alegremente.
– A Yuri sempre me falou de um tal “Bambam” mas não sabia que te chamavam assim. — Sorri Yugyeom despenteando o mais baixo.
– Aish! Alguém me pode explicar o que se passa? — Reclama Jackson já farto de estar a ser esquecido. Assim que falou, a expressão de Bambam voltou a ser apática, a única que Jackson podia conhecer, segundo o loiro.
– Desculpa. — Sorriu Yugyeom amavelmente. — Eu e o Kunpimook éramos colegas de escola.
– E aqui o nosso pequeno Bambam tinha uma paixonite pelo meu amado e adorável Yugi! — Risse Yuri.
– TU CONTAS-TE!? — Gritou Bambam agredindo o amigo.
Yugyeom segurou facilmente os pulsos do amigo mantendo-o quieto. A jovem ria descontroladamente e Jackson tinha os olhos ligeiramente arregalados por ver Bambam a gritar, a sorrir, e a ficar corado com as coisas que Yugyeom fazia e dizia.
– Não te chateies com ele Bambam. — Pede Yuri afastando o amigo do noivo. — Eu encontrei a carta de amor que lhe escreveste no dia dos namorados. — Sorri matreira.
Novamente o rosto de Bambam fica da cor de um tomate.
– PORQUE RAIO AINDA TENS ESSA MERDA?! — Gritou voltando a tentar atacar Yugyeom. Se os olhos de Jackson pudessem ficar mais arregalados, com certeza saltariam das orbitas nesse momento. — Já foi há muitos anos! Nunca aconteceu nada entre nós, Yuri! Eu juro! — Esclareceu visivelmente em pânico. Jackson cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha esperando que o mais novo também lhe jurasse aquelas palavras, mas ele parecia simplesmente te-lo esquecido.
– Nós nunca deixamos de ser amigos, apenas a guardei para a usar contra ti eventualmente. — Sorri o rapaz inocentemente, ficando também um pouco envergonhado por admitir isso. — Era um plano B para que me ajudasses quando eu precisasse…
– Planeavas chantagear-me por uma coisa que escrevi há anos?! EU VOU QUEIMAR ESSA CARTA KIM YUGYEOM, E DEPOIS QUEIMO-TE A TI! — Gritou Bambam completamente revoltado.
– Não me deixes viuva tão cedo, Bambam! — Sorri Yuri alegremente. Para infelicidade de Jackson, até a irmã parecia conhecer aquele lado de Bambam que ele desconhecia. Isso irritava-o.
– E se fossemos jantar? — Pergunta Jackson sorridente, tentando chamar alguma atenção para si. O baixista aproximasse de Yugyeom e de Bambam e passa um braço pelos ombros dos dois. Sente Bambam ficar tenso de repente mas ignora.
– Na verdade… Eu e o Yugyeom temos uma reserva num restaurante… Tu e o Bambam jantam cá, eu já fiz o jantar. — Sorri Yuri, sempre muito amável.
– Mas não me tinhas convidado para jantar com vocês? — Pergunta Bambam confuso. Ele próprio tinha ajudado a fazer o jantar, pensava que iam ficar lá os quatro.
– Bem está a fazer-se tarde! — Comenta Yugyeom segurando a mão da noiva.
– Muito tarde mesmo! Adeus rapazes! — Yuri agarra na mala e Yugyeom entrega-lhe um casaco e ambos dirigem-se à porta. — Não estraguem nada e não se matem! — Grita enquanto a porta é fechada deixando dois rapazes a olhar estupidamente para a porta.
J❦B
Após verem com atenção todas as músicas que Junior tinha escrito ao logo dos tempos, os dois rapazes sentiram fome e decidiram ir comer qualquer coisa num restaurante ali perto.
Estavam a divertir-se na presença um do outro, o incidente que acontecera na garagem já tinha desaparecido das suas mentes. Mark já se sentia confortável com Jinyoung, já não o via como um fã mas sim como um bom amigo. Ele tinha excelentes canções e era um óptimo músico.
No final da refeição, combinaram voltar à garagem para ouvir as letras que Junior escreveu com um acompanhamento instrumental. Durante todo o caminho de volta, conversavam animadamente sobre os seus gostos e contavam histórias engraçadas do tempo de escola. Também falaram bastante sobre o facto de Bambam e Mark serem primos. Junior tinha-se sentido muito feliz após descobrir isso, não tinha gostado nada das teorias dos amigos que diziam que Mark tinha namorado Jackson e que agora namorava Bambam. Obviamente que agora sabia que ambas eram mentira e sentia-se estúpido por ter mesmo pensado sobre o assunto.
– É verdade! — Risse Mark após contar uma história que Jinyoung não acreditara. — O Bambam era uma criança muito chorona e só se calava quando eu cantava!
– Estás a mentir! — Reclama Junior também a rir.
– As vezes a mãe dele tinha que ligar a minha mãe para eu cantar ao telefone para ele parar de fazer birra. — Continua divertido com a lembrança.
– Não consigo imaginar o teu primo, sendo tão sério, a fazer birras por coisas tão sem sentido.
– Ele não era assim tão sério. — Diz Mark, ficando sério de repente. — Na verdade…
– Oh! Olha! — Grita Junior começando a correr. — Um cãozinho… Tão fofo!
Mark sorri e aproximasse onde o mais novo estava agachado. Há sua frente, estava um cãozinho ainda bebe, todo branco como a neve. Parecia abandonado… Estava magro, todo sujo e despenteado.
– Vem cá cãozinho, não te quero fazer mal. — Sussurra Junior tentando agarrar o animal que se encolhia no chão com medo.
“Talvez tenha sofrido maus tratos” Pensou Mark, ao ver como o animal queria recusar contacto humano.
Junior agarrou facilmente o pequeno animal e aconchegou-o no seu colo, tapando-lhe com o casaco. O pequeno cãozinho ainda tinha tentado fugir, mas parecia fraco de mais para isso e acabou por se aconchegar mais em Junior e aproveitar o calor que ele lhe proporcionava.
– Vais leva-lo ao canil? — Pergunta Mark fazendo uma pequena festa na cabeça do cão.
– Eu quero ficar com ele… — Murmura com voz infantil. — Também queres ficar comigo, não é? — Jinyoung segura no animal e eleva-o até à altura da sua cara, forçando o cão a olhar para si. — Ele disse que sim! — Sorri animado voltando a abraçar o animal.
– E como essa menina se vai chamar?
– Menina? — Junior volta a agarrar no cão e olha atentamente para a sua barriga. — Tens a certeza?
– Absoluta. — Sorri Mark. — Para de olhar assim para uma menina, seu tarado!
Jinyoung sorriu alegremente voltando a caminhar em direção à garagem com a cadela ao colo.
– E se fosse Coco?
– Como a Chanel? — Perguntou Mark franzindo as sobrancelhas para o rapaz.
– Ela faz lembrar um casaco que a minha irmã queria da Chanel. — Sorri Junior sobre o olhar escandalizado de Mark. — Mas aqui a minha pequena Coco não será um casaco, pois não? Pois não? — Repete para a cadela com voz infantil.
Finalmente chegaram à garagem e pousaram o animal no sofá que começou logo a ganir.
– Tens alguma coisa que ela possa comer? — Pergunta Mark abrindo o frigorifico e vendo que o mesmo não tinha nada além de bebidas. Tirou de lá uma das muitas garrafas de água e despejou numa tigela para ela beber.
– Esgotamos o stock e ainda não reabastecemos. — Responde Jinyoung, referindo-se ao frigorifico vazio. — Quando chegar a casa alimento-a. Agora as lojas já fecharam todas.
– É melhor dares-lhe um banho também. — Comenta Mark atirando-se para o sofá e pegando na pequena ao colo.
– Vai ficar linda, amanhã nem a vais reconhecer! — Junior agarrou na sua guitarra e sentou-se confortavelmente no banco que lhe servia de apoio enquanto tocava. Tinha aquele sorriso enorme e olhos brilhantes que dantes tanto assustaram Mark. Agora o cantor apenas o achava divertido. Era visível o seu amor à música e Mark ficava feliz por saber que partilhava o mesmo amor que Junior.
– Isso quer dizer que estou convidado para voltar amanhã? — Pergunta Mark divertido enquanto lhe passava o caderno com as letras das músicas e alguns apontamentos e acordes.
Junior deixa o caderno cair desajeitadamente mas logo o apanha e encara o cantor envergonhado.
– Se quiseres… — Murmura pousando o caderno aberto ao seu lado e começando a dedilhar acordes soltos mas de forma melodiosa.
– Claro! E tinha de vir de qualquer maneira, o JB fez-me prometer-lhe que voltava para vos ajudar.
– Hn… — Assente Jinyoung sem parar de tocar.
– Mas eu não viria se não me quisesses cá.
Junior erra o acorde na guitarra, fazendo um som mais estridente do que deveria. Levanta bruscamente o rosto para observar Mark mas o mais velho já estava a brincar com a cachorrinha.
Se Mark tinha dado pelo erro de Junior, não disse nada. Se tinha reparado que o Junior o observava com um sorriso contido durante vários minutos, esquecendo-se inclusive de tocar, também não disse nada. Já não achava o mais novo nada assustador, até se sentia aquecido por receber tanto carinho de alguém. Talvez devesse rever a sua regra de “não sair com fãs”, ou então seguir o conselho de Jackson e simplesmente não ver Junior como um fã.
Jinyoung acabou por se cansar de encarar o mais velho e começou a tocar e cantar algumas das músicas que ele escrevera mas ainda não tinha mostrado aos membros da banda por vergonha. Algumas eram bem diferentes do que a banda estava habituada a tocar, eram mais calmas e amorosas, outras simplesmente mais agressivas e cheias de ódio. Não era difícil adivinhar o que Junior sentia na altura em que escrevia as letras, ele era muito expressivo e um excelente compositor.
Mark nunca precisou de o corrigir em nada. A noite foi passando e a única coisa em que Mark realmente se sentiu útil foi em ensinar alguns passos de dança ao mais novo. Eles nunca dançavam em palco por causa dos instrumentos, mas Junior insistia que queria aprender algo que ajudasse a sua carreira no futuro.
– Vou morrer! — Reclama Jinyoung enquanto se atira para o sofá com uma garrafa de água na mão.
– Ainda não te ensinei quase nada! — Exclama Mark. Ao contrário de Jinyoung, ele estava perfeitamente bem e nem parecia que tinha estado a dançar.
– Estou cansado! Até a Coco já está a dormir.
– Pronto, está bem, vamos parar. — Mark sorriu e caminhou até ao seu casaco que estava em cima do sofá. Tirou de lá o telemóvel mas ainda não tinha nenhuma mensagem do primo. “Aquele idiota sabe bem que não posso voltar para casa sem ele! O que ele espera que eu diga aos seus pais?!” Pensou revoltado ao ver que Bambam ainda não tinha dito para voltarem para casa. “O que raio ele estará a fazer…?”
– Algum problema? — Pergunta Junior que reparara na cara irritada de Mark.
– Ainda não posso voltar para casa. Deve ser mais uma noite em que durmo fora. — Resmunga amuado. Não queria nada ter que dormir outra noite no sofá desconfortável de Jackson.
– Dormiste em casa do Jackson, não foi?
– Sim. No sofá nada confortável.
Junior ri fazendo Mark rir também.
– Qual é a piada?
– Eu conheço bem aquele malvado sofá. Tenta dormir lá com o desgraçado do Youngjae a dar-te pontapés! Tudo porque o idiota do Jaebum trancou-se no quarto de visitas e o Jackson tinha companhia nessa noite. Estávamos tão bêbados nessa noite que nenhum teve vontade de voltar para casa e encarar os pais. — Junior continuou a rir com a memória mas Mark ficou perdido em pensamentos por um bocado.
– Então… O Jackson costuma ter muitas… companhias para dormir?
– Oh sim! Imensas!
Mark não pareceu satisfeito com a resposta e Junior ficou preocupado.
– Isso incomoda-te? — Pergunta Junior enquanto vê Mark sentar-se ao seu lado no sofá e pegar na cachorrinha adormecida, apenas para a pousar em cima das suas pernas e brincar com o seu pelo.
– Não quero que ele magoe o Bambam, só isso.
– Ah… Então é isso… — Murmura sorridente. Ainda lhe custava admitir que Jackson e Bambam pudessem vir a ter alguma coisa, mas custava-lhe muito mais pensar que Mark pudesse ter esses gostos também.
– O quê?
– Pensei que… — Junior começou a falar, mas quando olhou para Mark viu que ele o observa sério. — Deixa lá! — Sorriu e esticou-se o máximo que pode no sofá, ficando semi deitado entre o sofá e o chão. — Então e o que queres fazer agora? — Perguntou enquanto fechava os olhos.
Esperou um bocado mas não ouviu resposta do Mark. “Será que adormeceu?” Pensou sem se mexer. A verdade é que estava confortável naquela posição e quase que podia adormecer ali.
De repente, ouve o barulho das velhas molas do sofá a rangerem em sinal que Mark se estava a mexer. Mal abre os olhos para ver o que se passava e já estava a fecha-los logo a seguir. A última coisa que vira foi o rosto de Mark muito mais próximo do que devia. “Tão bonito…” Pensou entorpecido pelo sono. Após essa visão, fechou os olhos ao sentir os lábios do rapaz colarem-se aos seus num beijo tímido.
Junior ficou o tempo todo na mesma posição, de olhos fechados. A sua cabeça estava leve como se estivesse sedado com alguma anestesia bastante forte. Apenas conseguia mexer os lábios e corresponder àquele beijo tão doce e adoravelmente tímido. Parecia que Mark tinha medo de o magoar. Isso deixava-o feliz…
“MARK!” Assim que esse nome lhe ecoou pela mente, já não se sentia tão calmo.
Empurrou o mais velho bruscamente, acabando por cair sentado no chão devido à maneira como estava deitado. Ouviu Mark chamar o seu nome mas ignorou-o. Levantou-se rápido do chão e limpou a boca com a manga da camisola cuspindo para o chão em seguida.
– Isto é nojento! Eu só queria ser teu amigo! Que horror! — Gritou Jinyoung saindo logo da garagem a correr.
Mark suspirou pesadamente e deixou-se cair no sofá ouvindo logo um chiar da pequena cadela.
– Ele também de abandonou, Coco? — Sorri tristemente para o animal antes de abraçar e deitar-se com ela. — Se não gosta de mim dessa maneira porque insistiu tanto? — Perguntou a Coco enquanto sentia lágrimas escorrerem dos seus olhos.
Continua...
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