Proprietário

12 Desespero


Notas iniciais
Hey pessoas do Nyah! Eu esqueci-me completamente de postar a fic aqui, ela já está no cap 18 no spirit por isso agora vou postar um monte de caps seguidos aqui ^^" Desculpem Vemo-nos nas notas finais, boa leitura o/

Quase três horas tinham passado desde que Bambam ficou trancado no quarto. Nesse tempo todo tinha tentado dormir já que estava sem telefone, sem internet e sem televisão. Não tinha nada para se entreter por isso tentava dormir. Mais uma hora passou e o pânico do rapaz só aumentava. O seu pai tinha saído, mas sabia que quando voltasse iria falar com ele.

– O que será que o Jackson está a fazer…? — Murmurou enquanto olhava para a varanda. Tinha dito ao rapaz para só voltar quando o avisasse, mas o pai tinha-lhe tirado o telemóvel por isso não conseguia falar com ele. — Sou tratado como uma criança…

Enquanto resmungava, começou a vasculhar a estante de livros que tinha no quarto. Como era apenas a sua casa de férias, não tinha lá muita coisa, e a maioria eram cadernos em branco que ele preenchia para ocupar o tempo que passava naquela terrinha atrás do sol posto, já que não havia mais nada para fazer.

Ouve alguém destrancar a porta e fica logo direito, esperando que quem quer que fosse entrasse. Não se admirou ao ver o seu pai entrar, mas admirou-se quando o homem se aproximou em passos largos e deu-lhe um forte murro que o fez cair sobre a estante.

– Pai…? — Bambam fez os possíveis para manter o rosto apático e voz séria que o seu pai tanto exigia, mas ao ser apanhado de surpresa não conseguiu conter que a voz saísse assustada e pequena.

– Não me voltes a chamar isso, criatura! — Gritou o homem com o rosto vermelho de raiva. Tanto insistia que o filho devia esconder as emoções que ele próprio se estava a esquecer da sua regra numero um. — Como te atreves a envolver-te com um homem!? Não sabes o quanto isso suja o nosso nome!?

– Pa-pai… O Mark é meu primo! — Defendeu-se enquanto se levantava. Tinha as costas doridas e sentia o sabor metálico do sangue na boca, mas tentou ao máximo não demonstrar que sentia dor.

– Eu não estou a falar do Yi-En! — Gritou. Tirou o telemóvel de Bambam do bolso e atirou-o à cara do filho, acertando-lhe no olho. O loiro gemeu de dor, mas manteve sempre o rosto sério. Agora, finalmente, entendia a regra do pai, não lhe ia dar a satisfação dele ver a dor que lhe provocava, quer física quer emocionalmente… — Queres me explicar quem é esse Jackson? Han?

Bambam não respondeu. Manteve-se sério a olhar para o homem a quem anteriormente chamava de pai com muito orgulho.

– Não vais responder? Então explica-me porque tens mais de cinquenta mensagens dele e umas setenta chamadas, só neste tempinho em que te confisquei o telemóvel!? — Voltou a gritar.

– Não posso ter amigos? — Respondeu num tom provocador que lhe rendeu um forte pontapé na canela.

– Amigos que te mandem mensagens piegas destas, NUNCA! Já foi difícil livrar-te de um escândalo, não te atrevas a meter-te noutro. Se não, vais destruir o bom nome desta família e arruinar o teu futuro!

– Sim, porque um pai agredir um filho daria uma óptima noticia de primeira página, não te parece… “pai”? — Mesmo mal aguentado em pé e não conseguindo abrir um olho, Bambam não iria demonstrar a parte fraca para aquele homem, nunca.

– Tu não me desafies… — Respondeu em tom baixo, enquanto puxava os cabelos do filho até ter o seu rosto bem próximo. — Já me livrei do Yi-En, queres que me livre do Jackson também?

– O que é que fizeste ao Mark!? — Gritou Bambam, empurrando fortemente o pai para longe.

– Liguei para a agência dele, para o levarem de volta para a América. Ele não é boa companhia para ti, não me interessa se é filho da irmã da tua mãe. Eu nunca gostei desse miúdo.

– A mãe sabe? — Bambam sentia a raiva a corroer-lhe por dentro. Não conseguia entender como aquilo tinha acontecido.

– Nunca vai saber, pirralho. — O homem voltou a aproximar-se do filho e deu-lhe um forte murro na barriga, fazendo o rapaz cair. — Tal como nunca vai saber sobre isto. Tu vais ficar aqui trancado até eu mandar. Se te portares bem talvez tenhas alguma comida… Mas não muita. Sabes bem que odeio essa tua cara redonda de criança. — Disse com nojo, dando outro murro no filho.

Bambam já estava no chão, a tentar respirar. Mas nunca deixava de encarar o homem à sua frente com o seu rosto apático.

– É nestas alturas… — Diz o loiro com pouco folgo. — Que quero fazer tudo bem e ficar com os negócios. — O homem sorri satisfeito, quase que orgulhoso do filho. — Para depois roubar-lhe tudo e o mandar para a prisão até o seu corpo virar um saco de boxe sem alma e sem vida! — Gritou com toda a força que tinha.

O sorriso no rosto do homem foi subitamente substituído por uma careta de raiva. Foi tudo muito rápido para Bambam perceber. Apenas sabia que nunca tinha apanhado uma sova tão grande. Só conseguia sentir uma forte dor e de repente estava a ser levado pelo vazio e uma enorme escuridão engoliu-o.

J❦B

Entretanto na América…

O avião tinha acabado de aterrar e quando Mark finalmente saiu, foi surpreendido por um monte de fotógrafos, fãs e anti-fãs. Todos estavam ali reunidos a tentar falar com ele. O rapaz nunca teve tanto medo das pessoas como naquele dia. Achava mesmo que o iam agredir. Conseguia ouvir palavras horríveis e ameaçadoras dirigidas a si. Por sorte, o seu manager conseguiu afasta-los o suficiente para Mark sair do aeroporto e entrar no carro em segurança. Ainda ouvia as pessoas a gritar e algumas a bater nos vidros do carro. Mark detestava admitir, mas estava realmente assustado.

– Para onde vamos? — Perguntou ao manager.

– Para a agência, obviamente. Querem falar contigo sobre o escândalo. — Mark assentiu mas o homem viu que o rapaz estava perturbado por isso tentou acalma-lo, afinal, já era amigo de Mark há vários anos. — Tem calma, de certeza que tudo se vai resolver com uma conferencia de imprensa. Não és o primeiro ídolo com problemas com bebida, ao menos não foi droga. — Sorri o homem.

Mark apenas concordou com a cabeça e forçou um sorriso para acalmar o seu manager. O caminho para a agência ainda era longo por isso ele tentou descansar um pouco.

Quando lá chegaram, uma multidão igual à do aeroporto esperava-o. Mark estava realmente assustado. De onde tinha vindo tanta gente, e como sabiam que ele ia chegar hoje?

– Podemos entrar pela garagem? — Perguntou para o manager.

O homem olhou-o confuso mas acabou por concordar.

Estacionaram o carro na garagem privada da agência, livre de pessoas desconhecidas, e entraram no edifício. Dirigiram-se diretamente ao escritório do chefe, onde iriam ter a reunião.

Tal como o manager tinha dito, iriam tratar de tudo com uma conferencia de imprensa onde Mark iria explicar toda a história. Para desviar as atenções do escândalo, nessa mesma conferencia, Mark iria anunciar o seu novo álbum.

O cantor não estava muito feliz com isso. Ainda não tinha ensaiado nenhuma das músicas do álbum e, supostamente, estava de férias. Queria voltar o mais rápido possível para a Coreia e não ficar ali, a lançar o novo álbum que nem tinha sido ele a compor como a sua agência fazia questão de anunciar.

Nos seus outros cd’s, havia sempre uma ou duas musicas que diziam que tinha sido Mark a escrever, mas a verdade é que o rapaz nunca tinha feito nada. Não era porque não sabia, simplesmente não confiavam no seu talento e isso deixava Mark furioso. Desta vez ia ser muito pior, iriam dizer que o todo o álbum seria composto por ele.

J❦B

Numa pequena aldeia na Coreia, Junior dormia profundamente na sua cama após uma longa crise de choro. Jaebum, Jackson e Youngjae tinha tentado de tudo para apoiar o rapaz, mas ele apenas chorava e chamava por Mark. Foi um alivio para todos quando ele adormeceu agarrado ao JB. Com bastante cuidado, levaram o rapaz para a cama e deixaram-no a descansar.

Jackson tinha tentado contactar com Bambam outra vez mas ele nunca respondia, estava a começar a ficar preocupado e nessa mensagem ameaçou que iria aparecer em casa dele à noite caso não responda até lá.

Youngjae tinha-se sentado no chão a olhar para Junior. Apesar das coisas maldosas que ele tinha dito em relação aos homossexuais, não conseguia ficar chateado com o seu amigo. Junior era sempre muito emotivo e tinha emoções muito fortes quer sejam de tristeza ou alegria, levava tudo ao extremo. Essa era uma das razões pelas quais JB e Youngjae ocultavam do amigo a sua relação. Prezavam demasiado a amizade para deixar que uma coisa assim os afastasse.

– O que foi? — Perguntou Jaebum sentando-se no chão ao lado de Youngjae.

O mais novo apenas encostou a cabeça no ombro do namorado e continuou a olhar para Junior.

– E se o Mark nunca mais voltar?

Jackson levantou o olhar do telemóvel ao ouvir aquilo e encarou o amigo com uma expressão preocupada. JB abraçou o namorado e beijou-lhe a testa.

– Eu acho que ia morrer se tu fosses embora…

– Que dramático. — Sorriu JB apertando mais o abraço.

– Eu também vou morrer se o Bambam continuar a ignorar-me… — Murmurou Jackson, que estava sentado na cadeira da secretária.

– Também queres um abracinho, é? — Risse JB.

– Quero, mas não é de ti.

– Eu também não deixava! — Responde Youngjae apertando JB de forma possessiva.

Jackson sorri feliz para os amigos mas volta a sua atenção para o telemóvel. “Porque não respondes?”

– Mas eu estava mesmo a falar a sério. — Diz Youngjae voltando a sentar-se direito e olhando para Junior. — O que vamos fazer com ele? Ele estava de rastos! Nem aceitou a pizza que trouxemos…

– Vamos pensar nisso quando ele acordar. — Respondeu JB também sério.

Jackson apenas concordou com a cabeça, olhou para Junior a dormir e voltou logo a olhar para o ecrã. Estava com um mau pressentimento…

J❦B

O quarto de Bambam estava completamente às escuras. A única fonte de luz provinha da rua, da lua brilhante que entrava pelos vidros das enormes janelas. O rapaz loiro estava deitado onde o pai o deixara, quando acordou. Estava todo dorido e à sua volto havia sangue salpicado, provavelmente de si mesmo.

Ganhando forças que nem sabia que tinha, Bambam tenta levantar-se, usando a estante para ter apoio. Entretanto, a prateleira onde se agarrou soltou-se e caiu em cima dele, juntamente com os livros que estavam em cima dela. Isso fez com que Bambam voltasse a ir ao chão mas o rapaz não ia desistir. Voltando a erguer-se com dores. Arrasta-se até à casa de banho do seu quarto e prepara-se para tomar um banho relaxante.

Não se preocupou em tirar as roupas que vestia, apenas entrou na banheira com muita dificuldade e abriu a torneira no frio. No inicio sentiu a água fria causar-lhe arrepios e até mesmo dor, mas isso ao menos fazia-o sentir vivo. Deixou que a água chegasse a metade para ligar a água quente que logo normalizou a temperatura da água gelada até ficar natural.

Bambam encostou-se na berma de olhos fechados e deixou-se ficar imóvel enquanto sentia todo o seu corpo doer. Ficou assim por um longo tempo, só começou mesmo a tomar banho quando a água tinha voltado a ficar gelada.

Nesse tempo todo, nunca tirou as roupas que usava, nem mesmo quando saiu e sentiu-as molhadas, pesadas e frias agarradas ao seu corpo. Não queria ver os estragos que o seu pai tinha feito e por isso também evitou olhar para um espelho pois tinha a certeza que teria um olho negro e o lábio rasgado, se é que não estava negro e inchado…

Coxeou de volta para o quarto mas parou quando viu o seu telemóvel partido no chão. O ecrã tinha uma racha enorme e a bateria tinha saltado quando lhe batera na cara. Arrastou-se para o chão e montou as partes tentando liga-lo. Nada aconteceu. Estava totalmente estragado…

– Jackson… — Pela primeira vez naquela noite, Bambam estava a chorar. — Salva-me, por favor… — Agarrou fortemente o telemóvel e ficou ali, no chão a chorar baixinho enquanto pedia que Jackson o salva-se.

J❦B

Jackson acordou sobressaltado após um sonho horrível que não conseguia lembrar. Tinha adormecido em casa de Junior, assim como JB e Youngjae que estavam sentados contra a parede abraçados. Não se lembrava de ter adormecido… Olhou para a cama de Junior mas reparou que ele já não lá estava.

Agarrou no telemóvel e viu que já estava a ficar bastante tarde e nenhuma resposta de Bambam, apenas umas quantas mensagens de Yuri a perguntar onde estava. Respondeu rapidamente à irmã dizendo que ia demorar e agarrou nas suas coisas. Estava decidido, ia ter com Bambam.

Quando desceu as escadas, encontrou a mãe de Junior e a irmã do rapaz a cozinhar. Ele cumprimentou-as mas logo disse que precisava de sair. Estranhou quando a senhora Park disse que estava a fazer conta com ele para jantar, mas a irmã de Junior explicou logo que Jinyoung tinha dito que os amigos estavam a dormir no quarto dele.

– Onde ele está? — Perguntou curioso.

– Foi passear a cachorrinha. É adorável não é? — Disse a senhora Park com um enorme sorriso. — Ele esteve o dia todo muito abatido, fechado no quarto. Mas acho que a vossa vinda e o facto de lhe terem oferecido uma cachorrinha o animou.

– A mãe nunca gostou de animais em casa. — Diz a jovem. — Mas como foi uma prenda ela não pode negar. Obrigada! Sempre quiz um animal. — Sorri a rapariga.

Jackson sorri e desculpou-se mais uma vez por ter de sair. Disse que a irmã estava à espera dele para jantar. E só depois de uma pequena conversa, que pareceu gigante para o Jackson apressado, é que conseguiu sair de casa. A mãe de Junior era uma pessoa realmente encantadora. Mesmo não tendo muito dinheiro, nunca recusava receber os rapazes em casa, tratava-os como se fossem os próprios filhos.

J❦B

Já farto de chorar, Bambam levanta-se decidido. Iria sair dali. Tira o cartão do telemóvel e guarda-o dentro da carteira. Seleciona algumas roupas casuais e poucos objectos pessoais ou com valor sentimental e mete tudo dentro de uma pequena mochila. Aproxima-se de uma moldura com uma foto de família onde todos estavam sorridentes e felizes. Tira a foto e rasga o seu pai, levando o resto consigo onde ele estava a ser abraçado pela mãe. Era uma imagem velha pois ele agora estava maior que a mãe, mas a senhora continuava igual na sua opinião.

Vestiu um casaco por cima das roupas molhadas e calçou uns ténis desportivos. Agora vinha a parte difícil… Descer pela árvore. “Se Jackson consegue é porque não é impossível!” Pensou motivado enquanto abria a janela e trepou para o ramo mais próximo, sentido logo o corpo rasgar-se de dor. “Mas o Jackson está em melhor forma e não deve ter o corpo neste estado…” Gemia baixinho de dor enquanto se esticava por entre os ramos até ficar perto o suficiente do chão para saltar. Acabou por cair mal e sentiu os ossos do pé estalarem de maneira bastante dolorosa. Conteve o grito enquanto sentiu o seu corpo cair duro no chão. Mordeu fortemente o lábio para não fazer barulho mas não impediu as lágrimas de escorrerem e desfocarem-lhe a visão.

“Preciso… de sair daqui” Pensou enquanto se tentava levantar mas com pouco sucesso. “Se ele me apanha a tentar fugir…” Dominado pelo medo, uma força sobre-humana faz com que se consiga levantar, mas apenas apoiando-se num dos pés. “Espero que não esteja partido…”

Muito lentamente, começa a andar pelas ruas, queria ir ter com Jackson mas tinha medo de não aguentar até lá. Estava a sentir-se tonto e as dores juntamente com a fome estavam a faze-lo sentir-se demasiado fraco…

J❦B

Jackson correu o mais rápido que pode para casa de Bambam. Quando lá chegou viu que a varanda estava aberta e a luz acesa. “Estás mesmo a pedir para um dia seres assaltado…” Pensou antes de começar a subir a árvore e saltar para a varanda que ligava ao quarto do rapaz.

– Quem és tu? — Jackson congelou a ouvir uma voz grossa e rude, ao invés do seu lindo e adorável Bambam.

Olhou para o dono da voz e viu o pai de Bambam, reconheceu-o das fotos e das noticias que já tinha visto com ele. Ao seu lado estava uma jovem fardada de empregada. Ainda em choque por ter sido apanhado, olhou à volta à procura de Bambam mas apenas viu o quarto revirado e destruído.

– Senhor… É este o jovem que estava cá no outro dia. — Disse a jovem com um rosto apático. Provavelmente o pai de Bambam só queria pessoas assim perto dele.

– Ah! Então tu és o Jackson, certo? O namoradinho do meu filho? — Perguntou com um sorriso mortal enquanto se aproximava do baixista que estava congelado no local.

– Onde está o Bambam? — Respondeu na defensiva.

– Isso é o que eu quero saber! — Gritou empurrando Jackson contra a parede, ao lado da janela. — O que fizeste ao meu filho!?

Jackson ignorou o facto de ter sido agredido no momento em que ouviu aquilo.

– O Bambam… desapareceu? — Perguntou realmente preocupado.

– Não te faças de inocente! Sei bem que o levas-te! — Acusou voltando a empurrar o rapaz contra a parede.

– Eu não fiz nada! — Defendeu-se.

– Só podes ter sido tu. Eu deixei-o inconsciente da última vez que estive com ele. Com aqueles ferimentos ele não ia longe. E no entanto tenho os guardas à procura dele e ninguém encontra o fedelho! — Respondeu gritando alto a última parte.

Jackson cerrou fortemente os punhos e rangeu os dentes, avançando um passo desafiador em direção ao homem.

– Você fez o quê ao Bambam?

Contiunua...

Notas finais
Tan tan taaaaan *música de suspense* Não tenho nada a dizer em relação ao cap, espero que tenham gostado e sabem que gostava de saber isso nos comentários xD