Proposta Irrecusável
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Durante as próximas férias de verão de NYADA, Finn e Rachel ficaram presos em Nova York, sem poder visitar Lima, por estarem ambos envolvidos com projetos de trabalho. E estas acabaram não sendo as únicas férias sem qualquer possibilidade de viagem, para o jovem, talentoso e ocupado casal.
Na verdade, eles só tiveram folga de suas demais ocupações, ao mesmo tempo, pela primeira vez, quando Rachel ia começar seu último ano em NYADA, e, ainda assim, a volta à cidade natal não se estendeu por um período muito longo. Os dois também aproveitaram aquelas mesmas férias para levarem suas coisas para um novo apartamento, no qual, finalmente, morariam juntos, depois de terem decidido que, por enquanto, não precisavam de um casamento, com papelada e festa, mas que não queriam mais adiar a experiência de uma vida a dois.
Àquela altura, sem que tivesse acontecido mais nenhuma briga séria entre eles e com o amadurecimento trazido pela vida nova em Nova York, sem a presença protetora dos pais e encarando faculdade e bastante trabalho, os dois estavam bem mais seguros em relação um ao outro e ao sentimento forte que os unia. Um casamento já não parecia mais ser algo precipitado e não havia qualquer dúvida de que a opção por ficarem juntos, e formarem uma família, era uma escolha baseada exclusivamente em amor e não na falta de outros sonhos e planos, como um dia talvez tivesse sido.
Por outro lado, justamente por estarem tão certos do que estavam fazendo, já não precisavam tanto de Rachel carregando um anel no dedo e usando um vestido branco, ou de juras públicas de amor eterno. Sabiam que um dia teriam tudo isso e estavam de acordo em esperar, para que o anel pudesse ser comprado à vista, em uma boa loja, o vestido, escolhido em uma revista e feito especialmente para ela, a cerimônia, realizada em um lugar bonito, cheio de flores, com um festa depois, com todos os detalhes com que pudessem sonhar, e não feita às pressas no cartório e seguida de um lanche improvisado para poucos amigos.
Foi isso que eles disseram ao Sr. Schuester, quando encontraram o antigo mentor, e ele lamentou a falta de comemoração, confessando que tinha alimentado a esperança de ser o padrinho de Finn. Garantiram que, um dia, ele seria, sim, padrinho do rapaz, e que, durante o jantar de ensaio e a festa, não lhe faltariam oportunidades para fazer brindes recheados de discursos emocionados e inspiradores, como ele tanto gostava. Em troca, foram convocados para ir à escola, no dia seguinte, e dar sua contribuição à motivação do novo grupo de alunos que assumiria o coral quando as aulas recomeçassem, mas a verdade é que a intimação recebida era mais do que bem vinda!
Ir ao McKinley, agora que todas as lembranças ruins eram mesmo só lembranças, e havia muito mais razões para rememorar tudo de bom que eles tinham vivido naquelas salas e corredores, foi uma ótima experiência. Cantar para meninos e meninas que os viam como celebridades foi mais um momento inesquecível, em um auditório que simplesmente guardava uma coleção deles! E Don’t stop believing, décadas depois de ter sido gravada pelo Journey e anos depois de ter sido escolhida por Finn para uma apresentação decisiva em grupo, continuava com sua força motivadora indiscutível, ainda que somente o casal e Will soubessem que eles mesmos, no passado, tinham sido salvos por ela, de uma extinção prematura.
“E o que vocês vão fazer agora?” Will perguntou, logo que a garotada foi embora, praticamente expulsa, após ter ouvido várias músicas, como Faithfully e I just can’t stop loving you, e feito quase um interrogatório ao casal, sobre sua época de coral e, ainda, sobre faculdade, Nova York e as experiências de ambos com teatro.
“Encontrar o Mike, a Mercedes e a Sugar.” Rachel respondeu.
“O Sam, o Puck e a Tina chegam amanhã, mas tá todo mundo doido pra se encontrar logo!” Finn completou. “Não quer vir com a gente?”
“Não, não. Obrigado. Eu tenho certeza que vocês não querem um velho professor com vocês por aí.”
“Você não é velho, Will!” O amigo riu.
“Ele tá querendo exatamente que a gente diga isso.” A garota concluiu, sorridente.
“Ok, ok. Eu não sou velho e... sim, eu gosto de ouvir isso, uma vez ou outra, porque minha idade tá ficando cada vez mais distante da dos meus alunos e isso me faz sentir, sim, um pouco velho.” Lamentou. “Mas, infelizmente, eu não posso ir. Um outro dia talvez, mas não hoje que a Emma prometeu fazer meu prato favorito, mesmo tendo dito que eu não merecia, porque tinha marcado encontro do coral bem no meio das férias.”
“Amanhã, então.” Rachel sugeriu. “E você leva a Sra. Schuester com você. Eu quero mesmo vê-la, antes de ir embora. A gente não se vê desde o seu casamento!”
Eles saíram do colégio juntos, pegando os carros no estacionamento. Will tomou o rumo de casa, e Rachel e Finn foram em direção a um restaurante novo que os pais de ambos tinham elogiado muito. Mike e Mercedes já estavam lá, tomando uma cerveja cada um, e Sugar chegou mais ou menos meia hora depois, pedindo champagne e mostrando que continuava eficiente em gastar o dinheiro do pai, enquanto não parecia encontrar vocação nenhuma para fazer qualquer outra coisa.
O restaurante, então, virou o “point” daqueles cinco, e dos outros três amigos que chegaram à cidade na tarde seguinte. Foi lá que eles jantaram, ou pelo menos beberam até tarde, depois de jantarem com suas famílias, por treze noites seguidas. Algumas vezes sozinhos, outras acompanhados de Wiil e Emma, foi lá também que eles relembraram histórias antigas, compartilharam coisas novas sobre suas vidas fora da cidade, e lamentaram a ausência dos companheiros de coral que não tinham voltado para casa naquelas férias.
“A Santana tá grudada naquela Dani, né?” Sam perguntou, ao saber que ela não estava trabalhando, mas a namorada, sim.
“Pior é a Quinn com aquele velho!” Puck não escondeu o ciúme que sentia do namorado da loira, alguns anos mais velho que eles, já formado e dono de um personagem fixo em uma nova série de TV que estava fazendo grande sucesso.
“E o Kurt? Não veio por quê?” Indagou Mercedes.
“O Blaine tá em Nova York e ele fez questão de hospedar o melhor amigo.” Rachel debochou, fazendo todos rirem, porque ninguém engolia aquela história de que os dois eram somente amigos, mesmo que não estivessem oficialmente juntos, o que, provavelmente, só não acontecia porque Anderson estava fazendo faculdade na Califórnia.
“Queria ver o Artie.” Finn comentou. “Ninguém conseguiu mesmo nem falar com ele?” Inquiriu, preocupado.
“Eu não consegui falar, mas a mãe dele me garantiu que ele está muito bem. Bem até demais pro gosto dela, com uma garota indiana que quer levar o filhinho dela pra viver num país esquisito, de cultura estranha.” Riu.
“E a Britt?” Rachel quis saber. “Pensei que ela estaria aqui.”
“Ela tá dando aula de dança pra crianças. E, agora, acho que ela tá num desses acampamentos de férias com os alunos.” Sam foi quem respondeu, porque era quem tinha mais contato com ela, visto que ambos moravam em Ohio. Ela continuava em Lima e ele estudava na faculdade comunitária de uma cidade vizinha, onde ganhara uma bolsa por causa do futebol.
“Eu sinto saudades de todos nós juntos.” Tina observou, cabisbaixa, molhando uma batata frita no molho barbecue, sem vontade real de comê-la. “Será que ano que vem a gente consegue juntar todo mundo?” Perguntou, mas sabia muito bem que ficava cada vez mais difícil.
“Aquela garçonete ali é bem gostosinha, hein?” Observou Puck, que não gostava nadinha de quando o clima ficava assim, nostálgico. Ele mudou os rumos da conversa e fez as meninas revirarem os olhos para o comentário machista, mas é preciso dizer que elas bem que gostaram do tratamento vip que acabaram recebendo nas outras noites no restaurante, depois que o amigo levou a tal garçonete para a cama dele.
Cama esta que também foi usada por Rachel e Finn, algumas vezes, porque, por mais que eles já estivessem morando juntos em Nova York, nenhum dos dois quis deixar de se hospedar na casa dos próprios pais, e eles acabaram passando as noites separados. Durante o dia, eles aproveitavam as oportunidades que surgiam, e não tinham culpa se Puck vivia deixando os dois sozinhos, para ir jogar basquete, comprar bebidas ou encontrar algum amigo só dele. Na verdade, Rachel começou a desconfiar que ele e Finn tinham feito algum acordo sobre essas saídas repentinas, quando aconteceu pela terceira vez, mas é claro que ela não iria se queixar!
Também não reclamaria nunca das surpresas que ele vivia fazendo, mesmo que deixassem os dois parecendo os adolescentes que eles eram quando moravam naquela cidade. Era gostoso deitar em um cobertor, estendido sobre a grama do parque, perto do lago, e comer sanduíche de creme de amendoim com geleia, tomando suco levado na garrafa térmica, em copos de plástico vermelho, e trocar carinhos sutis, enquanto crianças corriam e gritavam em volta deles. Dava uma sensação de paz imensa observar as estrelas, tomando vinho branco bem gelado, sentada ao lado dele, na beira da piscina da nova casa dos Hummel, com os pés descalços dentro da água. Era uma aventura inesperada transar no banco de trás de um carro deixado na oficina de Burt por um cliente qualquer.
“Meu amor, o que você tá fazendo aí, ainda? Tá todo mundo lá embaixo! Vem!” Ela chamou, em tom de reprovação, ao ver que Finn continuava sentado em frente ao computador, no antigo quarto dela, depois de ter sido instado, algumas vezes, a se juntar a ela, Leroy, Carole e Burt, na sala, enquanto Hiram terminava de preparar o jantar de despedida deles, na última noite do casal em Lima. O fato de o namorado não estar aproveitando os últimos momentos com a família, sim, era algo digno de queixa!
“Eu tava só... dando uma estudada numa coisa.” Respondeu, fechando o navegador da Internet e levantando.
“Estudando Funny Girl?” Indagou, tendo visto claramente o que ele estava assistindo, antes que fechasse o youtube. “Eu pensei que esse era o MEU filme e que você não aguentava mais ver comigo!” Riu e ele riu também, mas ela percebeu que ele tinha ficado sem jeito.
“Vem cá, Rach.” Ele pediu, segurando a mão dela e a puxando até a cama, onde sentaram-se. “Eu preciso conversar com você.” Completou, sério.
“Algum problema?”
“Não. Que dizer... eu não sei. Pode ser que seja um problema, ou... que não.” Respondeu, nervoso. “Acontece que o Rupert me pediu pra pesquisar musicais, e indicar a ele alguns, que não estejam atualmente em cartaz, mas que tenham sido sucesso, pra ele remontar dois. E Funny Girl logo veio à minha cabeça, porque é tudo o que ele quer, e porque eu sei que você é louca por ele!”
“Sim! É uma ideia genial!” Ela se mostrou empolgada e ele ficou ainda mais preocupado.
“Só que...” Ele coçou a cabeça e respirou fundo. “Rach, eu sei o quanto você gostaria de estar nesse musical... sei que você sofreria, se fosse outra pessoa, que não você ou a própria Barbra, no papel da Fanny e... bem, eu... eu não poderia te garantir isso. Eu não poderia sequer participar da escolha do elenco, se você fosse fazer o teste! O Rupert sabe quem é você e, mesmo se não soubesse...”
“Calma, Finn.” Ela segurou a mão dele e olhou em seus olhos. “Tá tudo bem!”
“Eu poderia indicar outras peças. Tem muitas outras legais e eu... eu sempre posso deixar Funny Girl pra quando eu mesmo for dirigir um musical e, assim, eu escolheria você. Não precisaria fazer nenhum teste, nem nada disso.”
“Não, Finn. Você vai, sim, dizer ao Rupert que pensou em Funny Girl e deixar que ele monte a peça, se achar que deve.”
“Eu não quero que isso seja um problema entre nós, Rach.” Disse, sincero. “Que idiota que eu sou! Eu não devia nem ter pensado nisso!”
“Você não é idiota, e isso não vai ser um problema entre nós, Finn.” Garantiu, sorridente. “Acontece que é tão importante pra mim MERECER o papel da Fanny, quanto é INTERPRETAR a Fanny. E eu só vou poder conseguir esse papel por mérito próprio se alguém montar a peça e NÃO estiver montando PRA me chamar pro papel. Entende?”
“Entendo, mas... e se ele não te escolher?” Questionou. “E se ele não escolher você JUSTAMENTE porque você é minha namorada? Como eu vou me sentir?” Completou, querendo deixar claro que não duvidava que ela tivesse o talento necessário, mas que muitas coisas poderiam acontecer, caso a montagem fosse realmente feita.
“Ele vai me escolher!” Falou, confiante, levantando-se da cama. “Eu sinto que meus pais não colocaram Barbra no meu nome a toa, e que eu vou estrear na Broadway num musical que ela protagonizou. Eu simplesmente... SEI!”
“Ok, então." Respondeu, derrotado. "Vamos descer e comer, né? O pessoal tá esperando e o assunto, pelo jeito, tá resolvido.” Ele também se levantou, segurando a mão dela e indo em direção à escada. Não conseguiu conter um suspiro, pois temia que as coisas não fossem tão simples no mundo competitivo do teatro, mas sabia que, depois de ter falado com ela, tinha chegado a um ponto do qual não poderia retornar. Ela saberia, se ele não indicasse a peça a Rupert, e veria sua decisão como uma espécie de traição.
“Finn.” Ela parou no caminho para a escada e olhou fixamente nos olhos dele. “Eu sei que você quer o melhor pra mim! Pra nós dois! E, se você vai ficar mais tranquilo, eu te juro, do fundo do meu coração: mesmo que ele não me escolha, eu não vou culpar você, e nós não vamos ter problemas! Eu te amo!” Assegurou.
“Eu também te amo, Rach.” Ele respondeu, mais aliviado, porque sabia que, se ela tinha jurado, poderia até ficar realmente triste, caso não conseguisse conquistar a vaga no musical, mas estava forte o suficiente para ganhar ou perder a batalha que iria começar.
E, pela experiência de Finn Hudson, quando Rachel Berry mostrava sua força, ela normalmente chegava onde queria.
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