Prongs
3 Sobre primeiro namoro e azarações na biblioteca
Notas iniciais
Verão de 1972. Eleanor Rogers foi minha primeira namorada.
O que um garoto e uma garota de 12 anos fazem quando estão namorando? Fácil. Ela me emprestava suas anotações e se sentia na obrigação de ficar o tempo todo comigo. Em troca, eu dizia a todos que ela era minha namorada, sem saber o que isso realmente significava de verdade. As pessoas pareciam gostar mais de você quando se tinha uma namorada.
Segui o conselho de meu pai sobre conhecer Eleanor melhor. Ela tinha seus pontos positivos, mas eu não estava curtindo essa experiência de tê-la o tempo todo comigo. Era quase impossível sair com meus amigos sem que ela se aproximasse para ficar grudada em mim.
Quando Sirius, Remus e Peter combinavam de treinar azarações, Eleanor chegava batendo os pés.
– Não era para nos encontrarmos na biblioteca para você me ensinar a transfigurar penas, James Potter?
Lembro de uma ocasião em que Evans estava por perto e disse:
– Vai com sua namorada e nos deixe em paz!
E eu, sei lá porque, retruquei:
– Ela não é minha namorada!
Eleanor ouviu e tivemos nossa primeira briga.
Agora com a Capa da Invisibilidade, Sirius, Peter, Remus e eu ficávamos acordados até mais tarde nos esgueirando pelo castelo, então eu tinha mais sono do que o normal de manhã nas aulas, e Eleanor se queixava que eu não estava dando mais atenção a ela.
Ela não falou comigo por dias, e isso me fez perceber que eu até sentia falta dela e das suas inúmeras histórias sobre como ganhou o mini-puffe de seus pais no Natal. Não queria que ela ficasse chateada comigo, então me aproximei dela perto do jardim naquela tarde.
Estava sozinha, com a cabeça nos joelhos flexionados, chorando.
– Eleanor, desculpa. Eu não quis dizer que você não era minha namorada.
Ela levantou a cabeça e eu percebi que tinha aflição de ver garotas chorando em minha frente. Queria dizer ou fazer qualquer coisa para vê-la sorrir. Enxugou o rosto e fungou.
– Não estou chorando por sua causa – tirou satisfação. – Estou chorando porque minha gata morreu hoje.
Fiquei mal por ela. Fiquei mesmo. Sentei-me ao seu lado, hesitante. Ela parecia mesmo muito chateada, e não me expulsou de seu lado. Achei aquele um bom sinal.
Ficamos em silêncio por vários minutos, eu cutucava a grama.
– Sinto muito – eu disse, pigarreando. – Sei que gostava da sua gata.
Ela girou os olhos castanhos para mim e foi a primeira vez que reparei que ela tinha olhos castanhos, mesmo tendo passado o final do meu primeiro ano com sua constante companhia.
Tirei a minha capa do uniforme quando percebi que ela estremeceu pela brisa do fim daquela tarde. A voz de meu pai sempre em minha cabeça. “Temos que ser gentis e nunca, nunca deixar de mostrar que você quer que elas queiram você.”
Apoiei a capa do uniforme em seu ombro para esquentá-la. Ela parou de chorar, nesse momento, e nossos olhos se encontravam, ao mesmo tempo em que desviavam.
Foi um momento bem estranho quando ela disse baixinho:
– Eu realmente gosto dos seus óculos, James.
E trouxe o corpo para perto do meu. A sensação era muito parecida com a de querer fugir, mas ao mesmo tempo... se eu sair daqui, parecerei um covarde. E com a aproximação dela, eu me senti o garoto mais corajoso do mundo.
Estava escurecendo e Eleanor comentou:
– Hoje será noite de lua cheia. Quer ficar aqui pra assistir ela aparecer?
Tinha planos mais interessantes com Sirius de entrarmos na sessão proibida da biblioteca e encontrarmos livros de azarações avançados. McGonagall nos proibiu de alugarmos livros depois que passamos uma semana testando o conteúdo deles em alguns colegas. Brincadeiras inofensivas como deixar Ranhoso gaguejando e passando o dia no banheiro, por exemplo.
A expressão de Eleanor fechou.
– Tudo bem, você prefere ficar com seus amigos.
– Não – eu disse. – Posso ver a lua cheia com você.
Ela sorriu para mim. Gostava de como era fácil fazê-la sorrir.
Em dez minutos, a lua cheia apareceu no céu de Hogwarts. Eleanor se encostou ainda mais em mim quando ouvimos uivo de lobos. Ela ficou com medo.
E então aconteceu. Um dos maiores momentos da vida de um garoto. O momento em que ele passa a ser mais do que um garoto e vira um homem.
Eleanor colocou a boca dela na minha. Rápido três segundos. Mas ela se afastou de mim e eu me afastei dela sem dar tempo de entender o que aconteceu ali.
Depois disso, ela se levantou e saiu correndo.
Uma garota me beijou.
Foi estranho.
Um estranho bom, porque percebi que voltei para a Sala Comunal sorrindo.
Sirius perguntou por que eu estava atrasado. Eles tinham jurado solenemente que nunca pegariam minha Capa da Invisibilidade sem minha permissão, então estavam ansiosos. Só consegui contar quando estávamos no meio do corredor para a biblioteca.
– Eleanor me beijou.
Então vieram as perguntas.
– Como foi?
– Foi de língua?
– Você viu ela pelada?
Ignorei a última pergunta de Peter.
– Foi... úmido. Ela estava chorando porque a gata dela morreu. – Não tive muitos outros detalhes para contar, então mudei de assunto do mesmo modo que o comecei: – Esquecemos de chamar o Remus.
– Remus precisou voltar para a casa de novo – disse Sirius. – Essa tarde.
– Doente?
– Disse que a avó dele faleceu.
– A avó dele já faleceu uma vez esse ano – estranhei.
– Talvez seja a outra avó – supôs Sirius.
– Hum.
Comecei a ter alguns pressentimentos estranhos de que o segredo de Remus não tinha a ver com ele ser um bruxo mestiço.
Joguei a Capa da Invisibilidade por cima de nossas cabeças e entramos na sessão proibida da Biblioteca. No entanto, logo vimos que não éramos os únicos alunos do primeiro ano com as mesmas intenções.
Dois garotos da Sonserina, Mulciber e Avery, estavam tentando encontrar algum livro enquanto falavam aos cochichos:
– Isso pode dar um jeito na sangue-ruim. Veja esse feitiço, Avery.
– Parece fácil.
Avery era magrelo e tinha olheiras profundas embaixo dos olhos minúsculos, enquanto Mulciber parecia ter pelos na face, além de espinhas nojentas. Não eram nada amigáveis. Muito menos bonitos.
– Mas prefiro algo mais sutil, tipo uma poção.
– Severus é melhor do que a gente com poções, podemos pedir a ele.
– Severus nunca faria mal aquela sangue-ruim. É a melhor amiga dele!
– Podemos mentir. Podemos dizer que é para Mary Mcdonalds, outra sangue-ruim imunda...
Eu senti meu estômago embrulhar e não tinha nada a ver por eu ter dado meu primeiro beijo, nem com o fato de eu estar com fome. Era uma sensação como se meu estômago estivesse pegando fogo de raiva, de ódio, com uma vontade tremenda de azará-los. Ou de machucá-los.
Sirius pegou meu braço quando notou que eu já tinha tirado a varinha do bolso.
Não podemos ser descobertos.
É verdade.
Tive que sibilar aos sussurros: Wingardium Leviosa.
Mulcebir deu um gritinho quando um livro saiu da estante e flutuou acima de seu cabeção. Empurrou Avery:
– Pare com brincadeira!
– Não estou fazendo nada!
Parei o feitiço. O livro caiu bem na cabeça de Avery.
Aterrorizados, sacaram suas varinhas e olharam para todos os cantos.
Então Peter espirrou.
– Tem alguém aqui – perceberam.
Sirius e Peter se estapearam embaixo da capa, Sirius sussurrando que Peter era idiota e que ia nos revelar, mas, sentindo a raiva ao ouvir aqueles garotos da Sonserina se referindo a Lily Evans como “sangue-ruim”, sem contar que pretendiam causar alguma coisa contra ela... eu saí debaixo da Capa da Invisibilidade e me revelei atrás da estante.
Não abaixei a varinha.
– É melhor eu não escutar você dizendo essas coisas de novo, Avery!
Eles me viram.
– Ou o que, Potter?
Mulcebir se aproximou de mim perigosamente, com seus dois metros de altura e largura. Estalou os dedos.
– Potter fracote, está defendendo uma sangue-ruim e vai perder os dentes.
– Rapazes, rapazes – eu disse. – Agressões não levam a nada. Por que não discutimos isso de um modo civilizado... sem as pernas!
Dizendo isso, fiz a primeira coisa que veio a minha cabeça:
Colloshoo!
Ele foi atingido por um lampejo esverdeado que veio da minha varinha.
Mulcebir tentou se aproximar de mim, mas seus pés ficaram grudados no chão. Seu corpo pendeu para frente e para trás como um boneco mole e inerte. Avery tentou segurá-lo para que não caísse de costas, mas o corpo de Mulcebir era cem vezes maior que o dele. Achei a chance de desfazer o feitiço para Mulcebir cair em cima de Avery e esmagá-lo com seu peso.
– Isso não tem graça, Potter!
– Tem para mim.
Quase não vi Avery sacando sua varinha na minha direção e exclamando algo parecido com: “Avida Kidavra”.
Não aconteceu nada.
Foi bem constrangedor. Tive que dar um ponto positivo para ele pelo esforço e ambição, mas acabei rindo.
– Você realmente tentou usar uma maldição imperdoável contra mim? Estamos no primeiro ano! Patético, Avery, patético!
Recusando-se a se humilhar, ele berrou:
– Petrificus Tot-
Mas uma avalanche de livros caiu em cima dos dois. Eu não tinha feito nada, então imaginei que tive uma ajudinha de Sirius. Antes de agradecer, a voz do zelador Filch estourou o silêncio da madrugada naquela sessão da biblioteca.
Eu estava com uma varinha na mão, metade dos livros da estante caídos em dois alunos da Sonserina. E Sirius e Peter estavam invisíveis.
É, me encrenquei sozinho dessa vez.
A próxima coisa que eu percebi era que estava sendo bruscamente arrastado pelo sr. Filch. Minha orelha estava sendo repuxada com tanta força que achei que fosse perdê-la. Resmungando sobre garotos idiotas, levou-me até a sala de Minerva McGonagall.
Ela atendeu a porta, com o rosto contorcido de sono e roupão.
– Zelador Filch, o que...
– Acredito que esse garoto é sua responsabilidade, professora Minerva. Brigando com dois sonserinos, feitiços, azarações, na minha frente, na sessão proibida, aargh!
– Solte a orelha do Potter, sr. Filch – pediu McGonagall antes de tudo. – E deixe-me ouvir a explicação do garoto, já que ele sempre tem uma, aparentemente.
Falei depressa:
– Avery e Mulcebir estavam na sessão de Artes das Trevas da biblioteca tramando alguma coisa contra Lily Evans. Eles a chamaram de...
Não consegui repetir. McGonagall sabia.
– Sr. Filch, como disse, eu tenho responsabilidade pelo Potter então pode voltar a... o que quer que estava fazendo.
Com um último olhar de desprezo que sempre enviava para mim e todos os alunos do castelo, Filch foi embora. McGonagall me encarou.
– Eu não sei o que estava fazendo na biblioteca a uma hora dessas, sr. Potter. E não se atreva a dizer que estava se preparando para os testes de Transfiguração...
– Eu não ia. Eu confesso, eu tentei machucar Avery e Mulcebir assim que ouvi o que eles estavam dizendo.
– Eu não sei se fico incomodada ou me admiro pela forma como assume o que faz tão facilmente, Potter.
– Eles estavam tramando alguma coisa, o que queria que eu fizesse?
– Relatasse a mim antes de se precipitar com brigas.
– A senhora acreditaria?
Ela não respondeu. Todos nós sabíamos que não.
– Desculpe, professora – eu disse, sem me sentir culpado. – Eu achei que deveria cuidar disso sozinho. Eles ficavam chamando Evans de-
– Não precisa repetir a palavra, sr. Potter. Eu acredito em você, mas...
– Nós fizemos também! Nós estávamos juntos! Nós ajudamos!
Foi com grande surpresa que vi Sirius e Peter correndo. Ofegante, Sirius parou ao meu lado, olhou McGonagall e disse com bravura:
– Eu ajudei, professora. Se der detenção para ele, tem que ser para mim também.
Pisou no pé de Peter, cuja barriga estava maior do que o normal e entendi que eles esconderam a minha capa embaixo da camisa dele. Peter falou depressa:
– Pra mim também!
McGonagall tinha uma expressão difícil no rosto. Piscou algumas vezes, olhando para nós três.
– Filch teve certeza que viu somente o Potter.
– Estávamos escondidos!
– Tem certeza disso, sr. Black?
– Eu estava lá, saberia dizer, professora.
– Nesse caso, detenção para os três, amanhã em minha sala depois dos testes. E – acrescentou lentamente – cinquenta pontos tirados de cada um por estarem fora da cama e terem sido encontrados na sessão proibida da biblioteca a essa hora, após brigarem com dois outros alunos.
– Cinquenta? – Peter fez as contas nos dedos. Quase um minuto depois, reclamou: – Cento e cinquenta pontos tirados da Grifinória?!
– Você tem alguma reclamação, sr. Pettigrew?
Ao olhar de Sirius, Peter ficou calado.
– Então, estamos conversados.
– O que vai acontecer com Avery e Mulcebir? – perguntei. – E se eles fizerem alguma coisa contra Evans ou outros alunos nascidos-trouxas?
– Eles não farão nada. Sabe por que tenho certeza? Eles não são brilhantes. E serão expulsos se tentarem alguma coisa, eu garanto.
E McGonagall resolveu dizer:
– Eu estou tentada a aumentar cinquenta pontos por mostrarem certa lealdade entre vocês. E... por tentarem defender uma colega, apesar de azarações não serem, em quesito nenhum, a solução para resolver problemas. Espero que aprendam isso da próxima vez. Agora voltem para suas respectivas camas. É bom ficarem assustados com os testes finais dessa semana.
O final do meu primeiro ano foi assim... detenções, azarações e tentando me concentrar para os testes finais daquela semana. Não foram tão assustadores como os professores faziam parecer que era. Frank Longbottom quase desmaiou de nervoso no teste de Defesa Contra As Artes das Trevas e Dorcas Meadowes foi acalmada por uma gentil e determinada Lily Evans ao garantir que ia ensiná-la a fazer transfiguração mesmo que ficasse acordada a noite toda praticando com a amiga.
De algum modo, isso chamou minha atenção. Evans realmente ajudou Meadowes a passar em Transfiguração, colocando-a na confiança de outros colegas que começaram a pedir sua ajuda. Eu não teria reparado ou me importado com isso, se eu não tivesse ficado tão nervoso ao ouvir alguém tendo ideias de machucá-la por ela ser nascida-trouxa. Até o final do primeiro ano, Evans foi uma das alunas que se destacaram nas aulas, mais na parte prática do que teórica (ela ainda era um pouco insegura em chamar atenção ao levantar o braço, embora nas poucas vezes que fez suas respostas renderam alguns pontos para a Grifinória). Era como se magia estivesse em seu sangue desde que nasceu, embora viesse de uma família trouxa. Sem contar que ela sabia usar contra-feitiço na maioria das azarações que Sirius e eu pregávamos em Snape... então a habilidade e inteligência dela podia ser bem incômoda ao mesmo tempo que impressionante.
Sirius e eu também nos saímos muito bem, considerando o tempo que não prestamos muita atenção nas aulas. Peter preocupou-se por ter confundido algumas respostas e Remus voltou para a escola depois dos testes, com o rosto e o braço arranhado como se tivesse entrado em briga com um gato ou um tigre. O diretor Dumbledore deixou que ele fizesse os testes na semana seguinte.
Fiquei a espreita para ver se Avery ou Mulcebir tentariam demonstrar suas intenções com algum aluno que não era sangue-puro. Foi quando vi, no jardim, Evans se aproximando para conversar com Ranhoso bem no momento em que ele estava saindo do castelo com Avery e Mulcebir.
Imediatamente parei de prestar atenção em algum relato de Peter, me levantei e corri para alcançá-la.
– Evans! – chamei seu sobrenome. Ela gostava de me ignorar. – Evans. Não ande com eles.
– Por acaso é meu pai, Potter?
– Estou dizendo, eles...
– Tire as mãos dela!
Ranhoso sacou sua varinha de forma rápida e me pegou desprevenido. A azaração me atingiu bem nos meus pés, fazendo com que eu começasse a perder o equilíbrio. Caí no chão nas três tentativas que tentei me levantar.
– Ranhoso... seu... grande otário! Não consegue ser original? Só porque me viu usando!
Ouvi risadas e meu sangue ferveu. Concentrei-me, peguei minha varinha e usei o contra-feitiço para impedir que eu continuasse perdendo o equilíbrio. Quando me mantive em pé... não pensei duas vezes.
– Besus Nasus!
Snape foi atingido por um lampejo acinzentado na cara. Ele não caiu, não perdeu o equilíbrio, ficou estático. Fez uma expressão horrorosa e, para horror de todos, espirrou.
Saíram besouros das duas narinas gigantes dele.
As risadas foram mais altas dessa vez e eu me peguei sorrindo de lado também, triunfante, enquanto Ranhoso espirrava besouros. Nem Evans e nem ninguém conseguiu esconder a expressão de nojo. Mas Evans se recompôs quando percebeu que Ranhoso não parava... e exclamou com a varinha:
– Finite!
Não adiantou nada. Os besouros estavam aumentando de tamanho. Snape me fuzilou com o olhar e saiu correndo, para terminar de espirrar besouros longe da vista de todos.
– Estou cansada das suas brincadeiras! – Evans disse com a voz alterada e ficou bem a minha frente. Ela era mais baixa que eu, mas sempre mostrou que tamanho não era documento. – Por que não faz isso entre você e seus amigos? Acha que é um espetáculo humilhar as pessoas só para parecer que é melhor do que os outros, mas na verdade isso é ridículo!
O garoto me azarou primeiro e ela esperava que eu fizesse o quê? Fiquei zangado com Evans e sua complexidade de defender aquele otário o tempo todo. Então eu disse:
– Olha, Evans, eu só estava provando um ponto aqui.
– O ponto de que você é um idiota?
– De que Ranhoso não se chama Ranhoso à toa. Todo mundo viu o que sai de dentro daquele nariz! Imagina o que deve sair do...
Ela me olhou com desgosto. Eu não estava acostumado a ter pessoas olhando assim para mim, sempre fui adorado em todos os lugares que ia, então aquele olhar foi me calando lentamente.
– Cresça, Potter – disse baixinho e, cansada, deu as costas.
Se havia mestres em dar as costas, um deles era Lily Evans.
Ainda bem que teríamos o período das férias de verão, a verdade era que eu não gostava de brigar com Evans e esperava que até o próximo ano letivo ela já deixasse que sua raiva por mim diminuísse. Apesar da amizade com um sonserino, Evans se encaixou na Grifinória como luva de ouro e muito orgulho, pois vi que todas as meninas, antes de pegarem o trem para casa, vieram correndo abraçá-la.
– Foi muito bom te conhecer, Lily!
– Não se esqueça de nos enviar uma carta!
– Escreverei toda semana pra você!
– Prometo responder todas!
Ela era uma fofa com todo mundo, menos comigo. Que justo.
Por outro lado, todos os garotos da Grifinória vieram apertar minha mão. Peter me deu um abraço e achei que ele ia chorar, mas Sirius o afastou de mim para darmos um aperto de mão forte.
– Se eu não der sinal de vida em alguns dias... – pediu desesperado.
– Mi casa és su casa.
– Foi um ano interessante – disse Remus, quando me aproximei para apertar sua mão. – Espero nos vermos o quanto antes, James.
– Foi? – eu me fiz de desentendido. – Como você sabe se fugiu das aulas todo mês?
Ele não riu da piada. Abaixou a cabeça, aparentemente chateado com alguma coisa. Quis dizer algo, mas ficou calado e só restou forçar um sorriso que acabou se tornando verdadeiro.
– Você vai nos contar o seu segredo um dia. – Ele olhou preocupado com o que eu disse. – Se não contar, vamos descobrir de qualquer maneira. Boas férias, Remus.
Ajeitei meu malão e dei uma última olhada na construção do castelo de Hogwarts. Sorri com todas as diversões e as coisas interessantes que aprendi em meu primeiro ano. E ainda faltavam mais seis...
Eu não tinha pressa alguma.
Estava para me aproximar de minha mãe e meu pai perto do trem junto com outras famílias, quando uma figura feminina me parou.
– James, precisamos conversar agora.
Ela estava séria.
Jogou seus cabelos loiros para trás, respirou firme e disse com muito custo:
– Não posso mais ser sua namorada.
Dei uma olhadinha para trás, onde Sirius, Peter e Remus abafavam as risadas e assistiam ao meu primeiro fora. Quis mandá-los calarem a boca. Mas voltei a olhar Eleanor Rogers para dizer com toda a dignidade de um garoto de 12 anos:
– Tá bom, tchau.
Ela não me deixou ir embora tão fácil assim. Precisava se explicar. Sério, eu não estava chateado. Até fiquei aliviado... toda essa coisa de namoro era sufocante.
– Você é um garoto legal, mas eu acho que eu preciso de alguém que realmente goste de mim e não me troque por Quadribol. Entende? Por isso... acabou. Boas férias, James.
Eleanor Rogers cresceria para arrasar corações, mas o meu não foi um deles. Éramos apenas crianças na época e eu ainda teria muito que aprender sobre o que realmente namorar alguém significava.
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