Prongs

6 Projeto em dupla, estreia no Quadribol e minha primeira ressaca


Notas iniciais
Foi especialmente DIFÍCIL achar um nome para essa capítulo hsdusahsauhsau Acontece muita coisa e espero que gostem :)

"Seu pai ficaria orgulhoso, ele era um excelente apanhador"– Minerva McGonagall, Harry Potter e a Pedra Filosofal

***

CAPÍTULO 6

Nas aulas de Trato das Criaturas Mágicas em meu quarto ano, a professora concedeu uma das tarefas mais estranhas que tivemos.

Cuidar de ovos de grifo.

Grifos eram raros porque seus ovos eram de ouro muito valioso. Naquele ano a professora encontrou uma fêmea machucada na Floresta Proibida. Ela morreu dois dias depois, deixando uma quantidade de dez ovos de ouros em seu ninho que não podiam ser abandonados.

– Os ovos precisam da temperatura do corpo da mãe para que se desenvolvam até chocarem – explicou. – Alguém sabe me dizer quanto tempo leva para isso acontecer?

– 3 meses? – respondeu Alice Prewett, sem ter muita certeza. – Acho que li em algum lugar...

– Está certíssima, srta. Prewett. Dez pontos para a Grifinória. Agora... o que vou entregar a vocês tornará suas responsabilidades. Esses ovos que estão vendo precisam dos cuidados da mãe, por isso cada dupla deverá fazer o trabalho da fêmea durante três meses. Usaremos alguns feitiços para simularmos o trabalho dela para esses pequenos orfãozinhos.

Ela entregou dez ovos, com muito cuidado, nas mãos de dez alunos que rapidamente começaram a escolher suas duplas.

Sirius, obviamente, me escolheu.

– E Potter está a frente do adversário, sua vassoura está sugando todo o ar dessa noite. Senhoras e senhores, ele avista o pomo-de-ouro e... – faz um gesto para Peter e Remus para começarem a reproduzir o som da torcida.

Sirius arremessou o ovo na minha direção. Corri depressa, observando e calculando onde ia cair. Pulei. E...

– Ooooooo! – os garotos da Grifinória exclamaram em expectativa. As meninas olharam apreensivas.

O ovo pairou no ar, flutuando. Olhei confuso, esperando cair na palma da minha mão, só que não caiu. A professora estava com a varinha erguida na direção do ovo, conjurando um feitiço de levitação.

– Vou ignorar que acabei de ver uma tentativa de homicídio, sr. Black.

– Eu ia pegar, professora – falei com convicção.

– Claro que sim, Potter. Cinquenta pontos a menos para a Grifinória por essa gracinha.

– Aí, foi mal Alice – despenteei meus cabelos, sem graça, para a garota. – Tiramos seus pontos.

Ela cruzou os braços, claramente zangada.

A professora então mandou:

– Potter e Black, não quero vocês juntos para esse trabalho. Escolham outra dupla.

Fui me aproximar de Remus, mas a professora decidiu ser realmente megera:

– Srta. Evans, troque com Black, por favor?

Ela, que observava docemente admirada o pequeno ovo que protegia em mãos, quase o derrubou quando ouviu isso. Afastou a franja que insistia em cair rebeldemente do cabelo preso e contorceu o rosto em indignação.

– Professora? – perguntou confusa. – Eu... o que eu fiz?

– McKinnon vai ser a dupla do Black. Sem discussões! Pelas barbas de Merlin, se derrubassem esse ovo... – aumentou a voz para a turma inteira. – Se derrubarem o ovo não passarão na minha matéria.

– E se for acidente, professora? – perguntou Dorcas.

– Vocês não irão perdoar a si mesmos. O nascimento de um grifo é uma das coisas mais belas da natureza das criaturas mágicas. Seria uma pena não verem isso acontecer.

Fiz um oi para Evans com a mão, e ela virou a cara para mim, ainda muito inconformada. Quando McKinnon passou por mim para se aproximar de Sirius, ela murmurou:

Muito obrigada, idiota.

Eu estava bem popular entre elas, pensei com graça.

Eu iria cuidar de um ovo de grifo ao lado de Lily Evans. Não via como isso ia dar certo, mas não reclamei. Poderia ter sido escolhido com Ranhoso, que era dupla de Avery, e isso me faria querer ser expulso de Hogwarts para não fazer o trabalho.

Evans não estava tão mal assim naquele ano.

– Posso segurar ele um pouco agora? – No final da aula eu me aproximei dela. Passou a manhã inteira recusando-se a deixar que eu encostasse a mão no ovo. Estava caminhando de volta para o salão principal quando fui até ela, e ajeitei a mochila no ombro. – Isso é meio egoísta, monopolizar o projeto, sabia?

Hesitou, mas no fim passou o ovo para minha mão com um cuidado anormal. Olhei para a expressão dela, divertindo-me.

– Relaxa, Evans... – eu disse, sorrindo. – O que de péssimo pode acontecer-

Fui me virar para analisar o ovo de ouro e me esbarrei em um rapaz do sétimo ano, que corria apressado. Consegui pegar o ovo a dois centímetros do chão. Acredito que se fosse outra pessoa sem o mesmo reflexo, o ovo já teria virado omelete.

– Potter – Lily exclamou desesperada. – Isso é uma vida mágica, sabia? Pare de brincar com ela!

– Foi sem querer, relaxa! Caramba, que paranóia. Isso não vai fazer nenhum bem para o... – dei mais uma olhadinha no ovo. – Haroldo.

– Haroldo? Você não acabou de dar um nome para o ovo...

– Não é só um ovo, é uma vida – abri um sorrisinho e achei que pela primeira vez desde que a conheci, ela sorriria com algo que eu disse. Mas se recusou a deixar isso rolar. – Certo então. Vou ficar com o Haroldo essa semana, semana que vem é a sua vez.

– Não – ela teimou, jogando o braço na minha direção para tentar pegar o ovo. Ergui meu braço o mais alto possível. – Potter!

– Você é baixinha, Evans – reparei nisso agora, quando ela ficou nas pontas dos pés para tentar alcançar minha mão.

Ela bufou, estressada. Nunca ia alcançar o ovo com aquela altura. Então foi sensata:

– Precisamos estabelecer algumas regras.

– Odeio regras – confessei. – Mas pode perder seu tempo.

– Segunda e quarta-feira eu fico com o ovo.

– Haroldo.

Ovo. E, terças e quintas, você vai tentar não estragar o projeto.

– Fechado. Quem fica com ele nas sextas?

– Eu. Você não entrou no time de Quadribol e precisa fazer treinos na sexta?

– Como é que você sabe?

– Como é que alguém com ouvidos não saberia? Não para de se gabar, é patético. Bom, hoje é quarta-feira. Então, por favor, pode me devolver o ovo?

– Só porque pediu por favor.

Eu entreguei o ovo em suas mãos. Ela não percebia, mas o protegia segurando-o contra o peito.

Foi então que eu notei que estava olhando para os peitos de Evans.

Ela não reparou nisso, só me deu um olhar de desagrado e resmungou algo como “garoto insuportável” antes de ir embora.

Todo mundo levou esse projeto a sério. Mesmo tendo flagrado Sirius tentando equilibrar o ovo na testa antes de dormirmos, eu sabia que ele e McKinnon estavam dividindo seus tempos para cuidarem do ovo com dedicação.

– Lavou?

– Lavei.

– Usou o feitiço para deixar a casca aquecida?

– Usei.

– Notou alguma diferença na textura?

– Notei.

– E anotou isso?

– Achei que você ficava com a parte das anotações.

– Nós dois temos que anotar, Black! Ai, me encontra na biblioteca pra fazermos isso direito então.

Saiu apressada com o ovo na mão. Sirius virou a página de uma revista de motocicletas que comprou em uma loja trouxa nas férias de verão e constatou preocupado.

– Ela me quer.

– Quem? – perguntei, distraído, sentado no chão enquanto enfeitiçava meu cachecol com a temperatura exata que precisava para aquecer a casca do ovo. Assim eu não teria que me preocupar em usar a varinha toda hora, só precisava envolver o ovo no meu cachecol.

– McKinnon. Ta afim de mim, certeza. Quer que eu vá a biblioteca...

– Sirius, ela realmente te chamou para ir à biblioteca para fazerem o trabalho – disse Remus folheando o livro de Feitiços em cima da mesa de centro perto da lareira. – Não para amassos.

– Nah. Você não entenderia.

– As meninas estão levando muito a sério o projeto do ovo de grifo – concordou Peter.

– As meninas e o James – Sirius acrescentou, erguendo uma sobrancelha.

– Nunca vi você se dedicando tanto com um trabalho – comentou Remus, divertido. – Isso tem a ver porque sua dupla é a Evans?

– Não – eu disse, dobrando o cachecol da Grifinória ao redor do pequeno ovo. Sua estrutura dourada ficou ainda mais brilhante, então deu certo. Sorri, satisfeito. – Apenas fiz a merda de dar um nome ao ovo e acho que me apeguei demais.

Acha? Você está aí faz duas horas aquecendo esse cachecol para o trabalho!

– Tem razão – eu disse franzindo a testa e levantando o ovo na altura de meus olhos. – Estou parecendo uma menina! Ontem me peguei fazendo carinho nele... EVANS!

Ela estava passando pela porta da Mulher Gorda com Adam O’Conner do quinto ano, quando me levantei depressa e me aproximei deles.

– Evans, por Merlin, pode ficar com o ovo esse fim de semana. Acho que estou infectado com fofura paternal.

Ela não tentou pegá-lo rapidamente da minha mão, como sempre fazia quando trocávamos de turno. Ao invés disso, ela corou. Sim, Lily Evans corou, porque disse:

– Potter, tem como você ficar com ele só até domingo? Sábado eu...

– O quê? O que pode ser mais importante do que cuidar do Haroldo? – perguntei.

Ela pareceu um peixe fora d’agua, até que fechou os olhos como se não me devesse satisfação alguma a mim ou a ninguém:

– Isso não é da sua conta.

Mas segui com o olhar a mão de O’Conner pousar em suas costas, para chamar sua atenção e perguntar:

– Combinado amanhã, Lily?

Se aquela mão descesse um pouquinho mais...

– Nos vemos lá, Adam.

Que sorriso foi aquele que Evans deu para um quintanista? Mostrava todos os dentes.

– Pode levar o ovo se quiser, não vai ter nenhum problema – ele disse e achei interessante azará-lo em uma próxima oportunidade. Imaginei como ele ficaria com os pelos saindo do ouvido.

– Pode me dar o ovo então, Potter.

Eu estava ainda pensando em azarações, então não a ouvi.

– Eu disse que fico com o Haroldo – repetiu e saí dos meus devaneios para afastar o ovo de sua mão estendida.

– Não, obrigado. Não quero que ele veja.

– Veja o quê?

– Você e Adam O’Conner aos amassos, é claro.

Dessa vez eu virei as costas.

Não aguentei muito tempo. Acabei voltando a procurá-la com o olhar. Seu cabelo solto estava quase chegando a cintura e tão ruivo que se destacava dos demais cabelos das garotas daquela sala. O’Conner se afastou para outro canto, não antes de dar um beijo no rosto dela. Bem em cima daquelas sardinhas.

Arranquei um pedaço de pergaminho da minha bolsa, amassei e joguei na direção de Helena Jones, sentada perto da janela discutindo algo importantíssimo com a amiga, sobre cantores de bandas ou algo assim.

– Que foi, James? – ela perguntou quando o papel caiu em seu colo e lhe chamou atenção. As duas pararam de conversar.

– Estou livre no sábado. Oito horas em Hogsmeade então?

Ela não fez outras perguntas, só sorriu e apoiou a mão no queixo.

– Pode ser.

Voltou a conversar com a amiga, sem tirar aquele sorriso no rosto.

– Você e Sirius são iguais – Remus disse e percebi que ele esteve me observando encontrar algo com o que me ocupar no sábado. – Acho que toda vez que falo com uma garota eu fico achando que estou transformado. Vocês só precisam mexer no cabelo.

– É, não é justo – lamentou Peter.

Sirius sorriu. Eu despenteei meu cabelo com uma mão e, nesse momento, uma garota passou por trás do sofá sorrindo:

– Oi, lindinhos! Um dos dois tem alguma pena para me emprestar?

– Claro – falei, entregando-lhe a minha.

– Acabaram de ilustrar exatamente o que quis dizer – exclamou Remus, inconformado, quando a garota do sétimo ano se afastou.

– Não se preocupe, deve ter garotas que curtem algumas mordidas também – ajeitei meus óculos ao dizer aquilo. Sirius gargalhou.

– Muito engraçado. Aposto que vocês dois ficam passando as férias inventando essas piadas – Remus girou os olhos.

– Você não faz idéia, Moony – disse Sirius, sem tirar os olhos da revista de motocicletas. – Você não faz idéia.

***

Meu pai me ensinou a não ter expectativas, mas ainda assim a ser bastante confiante. Pensei nisso quando fiz os testes para ser o apanhador. Acabei mostrando habilidade na vassoura, mas como eles ainda tinham um apanhador no time, eu estava na “reserva”. É, James Potter na reserva aos 14 anos. Mas isso mudou em outubro.

O capitão do sexto ano me elogiou ao final do treino, quando me viu brincando com o pomo-de-ouro, capturando-o há trinta centímetros da minha cabeça durante o aquecimento. Ele brigou pelo péssimo desempenho do outro apanhador, Terencio Ward, e disse que eu poderia substituí-lo na próxima partida contra a Sonserina.

Meu sonho se tornando realidade.

O rapaz jogou a vassoura contra o gramado e saiu amaldiçoando a mãe de todo mundo, inclusive a dele.

– O que aconteceu com Terencio? – perguntei.

Impedi que Sirius tentasse azará-lo para eu ter uma chance de pegar o seu lugar. Nunca burlaria Quadribol, era meu esporte favorito e ele, para mim, era a representação do meu pai – pois ele nos unia de uma forma que eu não via em outras famílias. Eu nunca enganaria.

Eu gostava de saber que eu era mesmo bom e que isso não tinha a ver com trapaça.

Então eu realmente estava curioso para saber por que ele foi expulso daquele jeito. O capitão respondeu:

– Ele comeu minha irmã, isso o que aconteceu. Está fora do time.

– Ele pode fazer isso? – perguntei a Roberta Davis, goleira do sexto ano, quando Wood foi embora. – Tirar o cara por causa disso?

– O capitão pode fazer o que ele quiser desde que seja o capitão – ela disse, com um sorriso divertido no rosto. E deu um tapinha amigável em meu ombro, antes de se afastar para o vestiário. – Bom treino hoje, James. Mal posso esperar para a sua estréia como apanhador. Na minha opinião, você deveria ter jogado desde o começo do ano. Faz umas pegadas ótimas. E não estou falando com as garotas. É, fiquei sabendo que arrasa corações do quarto ano! Com esse rostinho lindo, como não?

Ela apertou minha bochecha e só me restou rir. Roberta Davis era grandalhona e engraçada. Uma das poucas moças do sexto ano que eu podia conversar normalmente sem imaginar ela pelada. Então era bem fácil me relacionar com ela.

– Estreia contra a Sonserina ainda – comentou Arnold McNamara, um dos batedores, jogando um braço ao redor do meu ombro enquanto saíamos do campo, sujos pelo treino daquela tarde. Ele tinha dezessete e falava cheio de experiência. – Vai ser uma responsabilidade gigantesca, cara. Se nos ajudar a ganhar, todas as grifinórias vão querer dormir com você. Todas.

– As corvinais também não são de se desperdiçar – comentou o outro batedor, Jeffrey Miller.

– Não vejo a hora então – eu disse para mostrar confiança. E os caras deram risadas. Apesar de ter passado quatro anos xingando aquele time por nunca terem vencido uma taça de Quadribol, compensavam por serem pessoas legais. Durante o vestiário eu ouvia mais sobre os peitos das garotas do sétimo ano do que vivendo quatro anos com Sirius Black no mesmo dormitório.

Meus pais prometeram que estariam nas arquibancadas quando eu disse que jogaria como apanhador pela primeira vez para o time da Grifinória. Eu não dormi na noite de sexta feira para sábado, muito ansioso. Fiquei lendo um livro de Animagia que Sirius achou na biblioteca quando foi fazer o trabalho com McKinnon. Era de Transfiguração avançado para nível de N.I.E.M’s, mas se eu prestasse bastante atenção em cada palavra, era possível entender tudo. Compreender todo o processo.

Remus disse que todo o Animago era obrigado a se registrar no Ministério da Magia, mas essa não era a minha intenção, muito menos a de Sirius e Peter. Só queríamos fazer uma companhia a Remus durante a lua cheia. Ele esteve bastante preocupado que a morte da fêmea Grifo pudesse ter sido de sua responsabilidade e, durante uma aula de Defesa Contra as Artes das Trevas sobre lobisomens, o professor comentou sobre as mudanças relativas no comportamento de um lobisomem quando chega a uma certa idade. Ele poderia ficar ainda mais agressivo...

Então nossa vontade de virar animago não era uma mera vontade, aquela que temos quando queremos comprar alguma coisa na vitrina. Era mais que isso. Era necessidade, era um modo de ajudarmos Remus naquelas noites de lua cheia.

Passei horas lendo e quando acordei, foi com Sirius me chacoalhando.

– Você não tem um jogo de Quadribol para vencer, cara?

Estava com o gigante livro contra o peito e os óculos no rosto, então pulei assustado da cama e comecei a me vestir.

Quando cheguei ao Salão Principal para o café da manhã, fui recebido com animação pelos torcedores, colegas e amigos. Meu time tentou acalmar meus nervos, embora eu estivesse apenas com uma fome insuportável. Peter ficou empoleirado ao meu lado no banco.

– Não fica nervoso, James!

– Vai dar tudo certo!

– Nós vamos ganhar, to pressentindo isso!

Helena Jones jogou os braços ao redor do meu pescoço e me lascou um beijo na boca, antes de me deixar seguir o caminho até o campo com meus colegas de time.

– Boa sorte! – ela me beijou mais um pouco. – Ganha pra mim, ok?

Prometi que o faria, mas no instante em que montei minha Nimbus 1500 não pensei em mais nada, e, dentro do campo, há quinze metros do chão, observei cada uma das arquibancadas ao meu redor.

Eu podia dar uma volta de 360 graus e aquela nunca deixaria de ser a cena mais incrível de todos os tempos. Você no topo do mundo.

A narradora do jogo, Alison Johnson, apresentou os jogadores e demorou mais em mim – devo acrescentar que fui recebido calorosamente. Acho que eu transmitia algum tipo de otimismo a torcida. Eu sabia que existia pressão para cima de mim e muita exigência de todos os grifinórios, e lufanos e corvinais, porque todos odiavam a Sonserina e eles mereciam perder. Será que meu posto também será azarado e vou ter que perder para a Sonserina? Só de pensar no Ranhoso dizendo a Evans: “Falei que ele era um perdedor, Lily”, fez de algum modo meu corpo ferver com a adrenalina e eu me recusar a pensar na possibilidade de perder aquele jogo.

Ou qualquer outro jogo que eu viesse a ter como Apanhador.

Confiança, James.

Lembrei de meu pai e o quão orgulhoso estava. Dei uma breve observada na arquibancada dos professores/pais. Mas, antes que eu pudesse apertar os olhos para procurá-los, o apito de Madame Hooch soou todos os perímetros de Hogwarts.

Era uma movimentação alucinante, para todos os cantos. Muito diferente de quando você está assistindo das arquibancadas. Os batetores do meu time começaram fazendo um bom trabalho impedindo que os balaços me atingissem. E a goleira Davis se sentia inspirada o suficiente para não deixar as goles entrarem.

Estava disputadíssimo.

Não existiu mais nenhum som ao meu redor quando meus olhos imediatamente captaram a imagem do pomo-de-ouro ziguezagueando por perto. O vento ricocheteava por toda a pele do meu rosto, mas meus óculos eram protetores. Eu não tirei os olhos do objeto dourado, eu era incapaz, enquanto o perseguia.

Mas o apanhador da Sonserina começou a travar uma disputa entre nossas duas vassouras. Nesse momento, eram tentativas de chutes, empurrões, ombreadas, uma verdadeira violência.

Mas, eu não precisava. Tive uma estratégia. Quando percebi que o grandalhão tentaria me dar uma cotovelada no rosto, eu imediatamente freei a velocidade da vassoura. O cara perdeu o equilíbrio quando socou o ar e sua vassoura começou a perder o senso de direção. O idiota foi levado com a força do vento até se chocar violentamente contra a madeira dos pilares da arquibancada.

Eu estava sozinho agora. Somente eu e o pomo-de-ouro. Mais ninguém, mais nada. O engraçadinho achou que podia me enganar, mas uma das coisas que eu aprendi com a quantidade de jogos que já vi ao lado de meu pai foi que o melhor apanhador era apenas o melhor porque ele pensava como o pomo-de-ouro.

Por isso estiquei o braço. Sabia que em algum momento o pomo mudaria de rumo, e eu decidi que estaria preparado para isso.

Agarrei o pomo imediatamente, quando achou que ia consegui se desviar da minha visão. Nesse esforço o meu corpo pendeu para o lado e eu só não caí da vassoura porque de alguma forma consegui prensar meus pés no cabo de madeira.

Gritei triunfante, acompanhado a torcida e o time da Grifinória. Enxergava tudo de ponta cabeça, como um morcego, e se eu caísse naquele momento era bem possível que eu quebrasse meu pescoço, mas eu mostrei o pomo quietinho na palma da minha mão e pouco me importei com outra coisa.

Eu nunca me senti tão bem, nunca me senti tão incrível.

Quando o sangue começou a circular meu cérebro, achei que era melhor voltar a sentar na vassoura. Não sei como consegui levantar meu dorso para isso, mas, a próxima coisa que eu percebi, era que eu estava sendo arrastado por uma multidão de grifinórios até a Sala Comunal, comemorando o melhor dia da minha vida.

– Parabéns, James! – não conseguia distinguir quem tanto me abraçava, mas não deixei de notar, meio satisfeito, que a maioria eram garotas. Em um momento Helena me puxou para si, agarrando a manga do meu uniforme, e disse a uma das garotas que me abraçou:

– É o meu namorado, ganhou para mim, então fica longe dele!

Eu queria beber e discutir cada momento da minha capturada do pomo, a primeira vitória que consegui para a Grifinória depois de anos azarados, com meus amigos em uma festa de comemoração. Não podia ficar grudado com ela.

– Escute, Helena, acho que devíamos terminar – eu me ouvi dizendo.

– Você ta brincando, né? – o queixo de Helana caiu. Acho que foi mais porque eu disse isso displicente, do que por apenas querendo terminar. Não conseguia parar de sorrir. Acho que era o whisky de fogo. Foi a primeira vez que experimentei a bebida. O capitão do time disse que se um jogador estreante ajudasse o time a vencer, ele precisava tomar whisky de fogo.

– Bem... – eu tentei dizer otimista. – Não ia dar certo mesmo, não é? Gosto de você e tudo o mais, mas...

Senti minha bochecha ser espatifada no chão... ou melhor, bofeteada pela mão de Helena. Arderam todas as extremidades da minha pele. Pareceu até uma azaração. Meus óculos pularam do meu rosto.

Sirius e Remus olhavam para mim sem saber se deveriam gargalhar, assim como todo mundo da festa. Até Evans, entre McKinnon e Meadowes estava com a expressão de quem achou aquilo extremamente merecido. Ela estava usando o cabelo solto dessa vez e reparei que ela usava as cores da Grifinória, igual aos outros torcedores.

Quando Helena virou as costas e saiu pela Mulher Gorda batendo os pés a cada passo, eu comecei a massagear a bochecha freneticamente.

– Um balaço cairia bem melhor agora, hein? – comentou Sirius. – Ótimo jogo, cara. Péssimo fim de namoro.

– Sério – concordou Remus. – Se insensibilidade descontasse pontos, a Grifinória estaria zerada agora por sua causa, James.

– Ela vai ficar bem – convenci-me, provavelmente dando razão para o que Remus dissera. Eu não estava me preocupando com Helena. Eu acho que não me preocuparia por outra coisa por um bom tempo.

Tomei um gole profundo do whisky outra vez e subi com os pés no sofá para chamar a atenção de todos. Sorri com os olhares.

– Eu só queria dizer, meus amigos... – fiz uma mesura, quase levando o meu nariz até o joelho ao me inclinar. – De nada, de nada! Foi um prazer derrotar aqueles malditos sonserinos!

Fui apoiado quando levantei o copo. “GRIFINÓRIA!” exclamaram.

– Vamos vencer o próximo contra a Corvinal! – discursei. – Podemos não vencer a Taça esse ano, mas eu prometo que enquanto eu, James Charlus Potter, for o apanhador... eu vou dar a vitória a essa casa até o dia em que eu morrer!

Mais gritos de guerras. Fiquei inspirado.

– Ele ta bêbado – ouvi Sirius dizer ali perto. – Remus, me ajuda a tirar ele dali antes que...

– Eu quero ouvir um “VAI VENCER” depois que eu gritar “GRIFINÓRIA!” Grifinória!

Eles gritaram:

Vai vencer!

– Grifinória!

Vai vencer!

– Como diria meu grande amigo Remus John Lupin! – Fiz um uivo de lobo e foi nesse momento que os dois me tiraram de cima do sofá às pressas. Cambaleei para apoiar os pés no chão, e me segurei entre os dois, rindo.

Queria poder me lembrar de mais detalhes da minha primeira festa de comemoração. Mas só sei que depois daquele momento, eu acordei deitado em minha cama, vestindo ainda o sujo uniforme número sete, com a maior dor de cabeço que alguém poderia ter, prometendo que nunca mais ia tomar whisky de fogo na minha vida.

Entrei no banheiro e tirei minha camisa em frente ao espelho. Meus cabelos estavam caídos para todos os lados possíveis e meu rosto era de alguém que tinha acordado depois de anos hibernando. Estava cansado para caramba, mas tive a sensação de que valeu a pena. E arregalei os olhos ao reparar que tinha um chupão no meu pescoço. Eu não consegui formar alguma imagem disso acontecendo – não lembrava de ter ficado com alguma garota. Ou fiquei?

Remus me contou tudo naquela manhã:

– Você participou de um jogo de verdade ou desafio com o pessoal do quinto ano. Alguém desafiou Zac Westwick a chupar o seu pescoço e...

– Ahhhhhh! – comecei a enfiar todas as torradas dentro da minha boca, desesperado.

– MAS! – acrescentou Sirius, com um sorrisinho. – Ele se recusou a fazer... então adivinha quem foi no lugar dele?

– Não, não vou adivinhar nada... aliás, estou com náuseas e...

– Prudence Cooper, do sétimo ano.

Derrubei a torrada no meu prato, lentamente. Com a boca cheia, perguntei:

– Uma garota do sétimo ano fez isso em mim?

– Eu estou pensando em fazer os testes no ano que vem – comentou Peter. – É incrível como as garotas ficam por jogadores.

– Tem meu apoio, Peter – disse Sirius –, quando conseguir ficar dois metros acima do chão sem cair.

Nós rimos e Peter ficou vermelho.

Um mês foi o suficiente para a escola parar de falar sobre como eu havia capturado o pomo de ouro. Eu estava em um momento da minha vida que nada parecia que ia dar errado. Tudo bem, disseram que Helena Jones ainda estava chorando pelos cantos e faltava isso aqui para ela me amaldiçoar, mas não era como se outras garotas me odiassem também.

– Olha isso, parece que agora temos espectadoras – comentou Roberta Davis em um dos treinos. Quando olhei para a arquibancada, Mary Mcdonalds e suas amigas acenaram para mim, dando o maior apoio do mundo. Acenei de volta e observei que elas deram risadinhas tímidas. Quando eu capturava o pomo, aplaudiam animadas.

Os três meses haviam se passado desde que recebemos a tarefa de cuidarmos de ovos de grifos. O ovo de Frank e de Alice estava com uma coloração bem estranha, de Remus e Peter estava amassado, o de Marlene e Sirius estava rachado (depois uma discussão que terminou em Marlene sentando em cima). Outros alunos quebraram os ovos, acidentalmente, alguns ficaram inteiros até o fim (incluindo o meu e de Evans), mas em três meses nenhum nascimento esperado aconteceu, o que decepcionou muita gente.

Sirius, Peter, Remus e eu estávamos na biblioteca, tarde da noite, oito horas. Livros como Animagia – Como Alcançar a Forma Perfeita, Os Perigos e as Vantagens da Animagia durante o Último Século, Encontrando Seu Animago Interior, Transfiguração para Animagia volume 75 estavam empilhados em nossa mesa. Como era terça-feira, meu dia de cuidar do Haroldo, deixei o ovo ao meu lado, envolto pelo cachecol da Grifinória. Ele ainda continha a coloração dourada, nenhum risco, rachadura, amasso, estava até mesmo com a casca mais firme e brilhante. Evans e eu havíamos feito um ótimo trabalho.

Remus estava lendo um trecho de Encontrando Seu Animago Interior e discutindo com Sirius que sua personalidade batia exatamente com a de um cachorro, quando o ovo começou a ficar vermelho. Em brasa.

Olhei depressa, parando de prestar atenção. O ovo começou a se mover sozinho, para um lado e para o outro. Nossa professora avisou que esse era um dos primeiros estágios antes do nascimento.

– Aonde ta indo, James? – perguntou Sirius quando me levantei depressa da cadeira.

– Evans me pediu para chamá-la se o ovo começasse a ficar assim. Já volto. Guardem os livros, ninguém pode ver o que estamos pesquisando...

Eles fizeram o que eu mandei quando girei os calcanhares para começar a correr. Se ao menos eu tivesse um mapa para saber onde Lily Evans estava, eu ficaria imensamente agradecido. Mas o primeiro lugar que procurei foi na Sala Comunal da Grifinória, então não cansei muito.

Ela estava lá.

Eu esperava encontrá-la sentada com suas amigas discutindo sobre bandas e artistas de rock maravilhosos, mas foi uma cena completamente diferente e totalmente inesperada.

Eu parei imediatamente de correr no minuto em que entrei pela porta da Mulher Gorda. A primeira coisa que eu poderia ver era um garoto do primeiro ano tentando malabarismo com mini-puffes ou um grupo de garotos do terceiro ano jogando snaps explosivos e duas garotas em uma disputa de xadrez acirrada.

Ao invés disso, eu vi Lily Evans e Adam O’Connor se beijando em um cantinho escuro da sala, sozinhos, longe de olhos curiosos.

Meu estômago ficou esquisito. Não de um jeito “eca, Evans beijando um cara”, mas de um jeito “Ela está beijando.” E não era um beijinho do tipo “nos vemos mais tarde”, mas sim do tipo “estamos fazendo isso há um tempo suficiente longo para já estarmos usando nossas línguas”.

Mas ela não tinha um jeito afobado, como se quisesse morder e lamber cada pedaço do rosto de O’Connor – víamos bastante isso entre casais, inclusive em garotas que ficaram com Sirius. Evans não pedia atenção nem quando estava aos amassos. Meus pés ficaram grudados no chão e eu não consegui desviar o olhar daquela cena, querendo que ela fosse de outra maneira.

O que estou pensando? Não quero ter nada a ver com isso.

Uma carta do baralho de snaps explodiu e o som ecoou por toda a sala. Feliz, achei que eles iam se soltar de susto, mas isso não aconteceu. A única mudança foi O’Connor tirar a mão da cintura dela para afogá-la nos cabelos ruivos.

Decidi voltar para a biblioteca quando notei que eles não se soltariam tão cedo.

Na manhã seguinte, na aula de Tratos de Criaturas Mágicas, nós dois estávamos fazendo nossas anotações semanais do desenvolvimento do ovo quando ela soltou um riso que me assustou. Olhei para os lados e depois me lembrei da cena que vi na noite anterior. Certeza que estava rindo de algo super engraçado que O’Connor deve ter falado a ela.

– Evans, pelo menos finja que não passou a tarde inteira aos amassos ontem, sim? Está dando muito na cara.

Ela me ignorou.

Na verdade, não me ignorou, estava bem distraída, porque no segundo seguinte mandou:

– Segure.

Jogou sua pena e pergaminho em meus braços. Estávamos perto do lago e Evans começou a tirar suas meias, descobrindo boa parte de suas pernas que a saia do uniforme não cobria. Eu fiquei olhando muito atentamente. Até ajeitei meus óculos. Ela trouxe o ovo para si e, sem aviso prévio, entrou com os pés finos na água rasa da beirada do rio. A água cobria suas canelas. Começou a explicar:

– Li ontem que ovos de grifo, quando passam da última fase de desenvolvimento, precisam de um lugar úmido e quente para nascerem. A água de um lago pode ajudar a criatura a sair do ovo... acho que é por isso que a maioria dos ovos começou a ficar com uma coloração escura... Eles devem ser colocados dentro de um lago para não perderem substâncias.

A professora estava passando por perto quando ouviu o que Evans tinha falado e ficou bastante impressionada.

– Vinte pontos para a Grifinória. Descobriu o segredo e o motivo dos ovos ainda não terem sido chocados, srta. Evans. E ótimo trabalho com o ovo de vocês. – Virou-se para a turma, que rapidamente se aproximou quando percebeu o que Evans estava fazendo no lago. – Os ovos com a coloração preta são os ovos que perderam substâncias por não terem sido mergulhadas na temperatura do lago no momento certo. O grifo já estaria morto dentro dele... Mas não quero que se abalem, é natural que isso aconteça.

Naquela manhã, vimos pela primeira vez o nascimento de um grifo. Em especial, do Haroldo. Sua personalidade exigia que fosse solto na Floresta Proibida e conseguiria, dali, encontrar uma maneira de viver. Percebi que Evans e outras garotas ficaram emocionadas e sensíveis, mas muito felizes por terem cuidado deles.

Enquanto caminhávamos para dentro do castelo depois da aula, Frank estava consolando Alice. Seu ovo não chocou, o que significava que o embrião do grifo não havia se desenvolvido.

– Não sabíamos, Lice...

– Devíamos ter desconfiado, eu devia ter pesquisado mais...

Mas eles não foram os únicos que perderam os ovos. Algumas duplas da Sonserina também. Avery exclamou ao passar por perto:

– Matéria patética.

E arremessou o ovo contra o chão. Líquido amarelo e avermelhado esparramou ao redor da rachadura. Algumas meninas e os meninos olharam horrorizados para a cena. Ao lado de Ranhoso, Avery começou a rir de nossas expressões.

– É só um bicho morto! Quem quer um espetinho?

Sacou a varinha e proferiu:

Incendio!

As chamas deram um fim à criatura que já estava morta dentro da casca. Ele fez aquilo por pura maldade.

Expelliarmus

A varinha de Avery escapou de sua mão e as chamas cessaram. Dei passos pesados contra ele para azará-lo. Mas senti alguém se aproximar com o punho na minha direção. Mulcebir me socou no rosto, derrubando meus óculos. Na verdade, rachando a lente deles.

Nesse momento, Sirius já estava com a varinha em mãos para fazer o corpo de Mulcebir ser arremessado para longe.

Quando me recuperei da dor do soco, vi Ranhoso sacar a varinha para apontar a Sirius, mas eu já estava com a minha nos punhos, só esperando ele fazer aquela besteira.

– Vamos, faça o que pretende fazer, Ranhoso – eu disse friamente, apontando a varinha para a nuca dele. – Já não basta ser um covarde como seus amiguinhos aqui... só vai me dar mais motivo para azarar você agora.

Ele abaixou a varinha. Achei que ia guardá-la, comportado, mas só fez menção. A próxima coisa que vi foi a ponta dela bem no meio da minha testa.

Não me movi.

– Acha que é esperto – Ranhoso disse com desprezo. – Mas precisa dos amiguinhos para defendê-lo.

Percebi que Remus e Peter também estavam com as varinhas empunhadas na direção dele.

– Depois eu que sou o covarde – continuou. – Não resolve as coisas sozinhos. Nunca resolveu.

– Posso acabar com você em dois segundos em um duelo.

– Faço você beber acidentalmente um suco que o faria perder os poucos miolos que tem, Potter.

Eu soltei uma risada fria.

– Aprendendo muito na Academia de Comensais da Morte agora? – debochei.

– CALEM A BOCA!

Pensei que era Evans se aproximando, mas me enganei ao ver Alice, vermelha no rosto. Com raiva, zangada, ressentida.

– Será que vocês não podem parar um minuto? Pouco me importa o que um sabe fazer contra o outro. Caso não tenham reparado, acabamos de ver uma atrocidade contra a cria das criaturas mágicas mais raras do mundo!

Nunca vi Alice Prewett daquele jeito. Caminhou a passos pesados para ficar cara-a-cara com Avery. Havia repúdio e muito desprezo em sua voz.

– Você será assombrado até a morte pelo que fez ao ovo daquele jeito. Como tem coragem? Bem, não acho que coragem seja a questão aqui, a não ser uma pura falta de amor próprio. Sonserinos me dão nojo.

Dizendo isso, deu um tapa na cara dele. Causando um alvoroço de risos e aplausos, Alice virou as costas com sua dignidade.

Avery ficou roxo.

– Sua simpatizante de SANGUE-RUIM.

A coisa mais covarde que um bruxo poderia fazer era atingir um oponente pelas costas. Piorava quando a ofensa era desse tamanho.

Sirius e eu pensamos e agimos no mesmo segundo:

Levicorpus!

O corpo de Avery pendeu para o ar antes que ele machucasse Alice. Não abaixei a minha varinha, muito menos Sirius.

– Ei – Sirius disse em tom de conversa casual, como se não tivesse um sonserino flutuando em nossas cabeças. – Ouvi dizer que a lula-gigante está tentando achar uma namorada. Sabe como é, James, época de acasalamento.

– Bem lembrado, Sirius – sorri de lado. Ignorando os xingamentos de Avery contra nossas mães, movemos o corpo dele até o perímetro do lago. As pessoas se aproximavam para observar, ou melhor, admirar. – E dizem que ela é para casar.

– Imagina os filhos. Que aberrações seriam...

– Espero que goste de tentáculos, Avery.

– ME SOLTEM DESSA AZARAÇÃO SEUS TRAÍDORES DE SANGUES FILHOS DE UMA PUTA.

Ele já estava há cinco metros abaixo do lago.

– Te soltar? Claro, por que não? No três, Sirius?

– Um...

– Dois...

– BLACK E POTTER, O QUE SIGNIFICA ISSO?

McGonagall estava se aproximando com Evans ao seu lado.

– Professora, estávamos apenas... como posso colocar isso em palavras? – cocei o queixo, pensativo.

– Arranjando um encontro para o sr. Avery com a lula-gigante, eu compreendi muito bem isso – ela nos cortou rispidamente, fazendo Remus e Peter abafarem as risadas. – Coloque o garoto no chão, vocês dois.

Fizemos o que McGonagall mandou. Controlamos o corpo dele de volta para o jardim.

Avery caiu no chão e tropeçou quando tentou correr. Mas McGonagall apanhou sua própria varinha e o garoto paralisou com isso:

– Nem mais um passo, sr. Avery. A srta. Evans me contou o que fez com o ovo de grifo, isso é um crime, e eu vi muito bem o que tentou fazer pelas costas da srta. Prewett agora há pouco.

– Então a sangue-ruim me dedurou, é? – ele riu fraquinho, sarcástico, frio, olhando com desprezo de McGonagall para Evans que, por sua vez, não mudou o olhar duro, justo, contra o garoto. Na verdade, erguia o queixo. Acho que nunca conheci alguém como Evans. Ela não era arrogante, tampouco cheia de si. Mas ela reconhecia, de algum modo, que ela merecia ser uma bruxa.

E das boas.

– De que foi que o senhor a chamou, sr. Avery? – McGonagall tinha os lábios em linha reta e estreita.

– Sangue-ruim, todos – disse, com desprezo. Eu apertava minha varinha com tanta força que meus dedos estavam brancos. – Mas querem saber? Pouco me importa... é só uma questão de tempo até o Lorde das Trevas dar um jeito para acabar com toda essa imundice!

Remus me segurou para me impedir de atacá-lo. Acredito que se fosse outra pessoa, eu teria o empurrado. Mas Remus estava sério. McGonagall levou Avery para detenção, mesmo que eu acreditasse que detenções nunca resolveriam o problema dele e da maioria dos Sonserinos daquela época. Uns amassos com a lula-gigante, aí sim, resolveriam todos os problemas.

Snape andou até Evans, começando a dizer alguma coisa, mas pela primeira vez eu a vi cortá-lo com certa frieza.

– Depois conversamos, Severus.

Com os livros sobre o peito, começou a alcançar a Alice.

Lily, que foi?

Ela se virou como se a pergunta tivesse sido bem besta.

– Você viu o que ele estava fazendo e nem se mexeu para impedir Avery de fazer aquilo com o ovo que também era responsabilidade sua. Ficou só olhando...

– Está exagerando.

– Aquilo foi pura maldade. E posso estar exagerando, mas isso não muda o fato de que ele também tentou apunhalar minha amiga pelas costas e você insiste em defendê-lo. Tchau, depois conversamos.

Decidiu ficar ao lado de Alice. As duas se afastaram para o castelo, cochichando juntas. Ela deixou Snape parado no jardim claramente sem saber para onde ir sem a companhia dela dessa vez, como nos primeiros anos.

Notas finais
Oi gente! Estou tentando respeitar o máximo que consigo da história original... Imagino que foi a partir do quarto ano que Lily começa a notar que Snape está se relacionando com Avery e Mulcebir. Em sua memória, Lily dizia que a ideia de diversão dos dois era "maligna" e que não entendia porque Snape andava com eles. E também acho que não foi de uma hora pra outra que o James se viu apaixonado por ela, então acredito que o desenvolvimento dos sentimentos dele já deveriam começar no quarto ano. O quinto ano dele terá mais de um capítulo... afinal de contas, é onde a história deles basicamente começam, sem contar que é a época que a guerra bruxa começa a eclodir, por causa dos Comensais da Morte. E sempre imaginei que os marotos passaram horas e horas escondidos na biblioteca para conseguirem adquirir a habilidade de, no quinto ano, se transformarem em animagos. Espero que tenham gostado e até o proximo!