Notas iniciais
Gente, gente, gente... Aqui está, o último capítulo. Bom, por onde começar? Adorei escrever para vocês, e gostaria de agradecer a cada comentário que me ajudou a progredir na fic. Também queria dar um beijão na MaliaMultiboooks e na Isadora Feresin pelas recomendações que derrubaram meu forninho


POV Rose:

Assisti o ano-novo chegar em um muro, ao lado de Scorpius Malfoy. Assistimos nosso futuro chegar.

De mãos dadas, juntos.

Como sempre faríamos.

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Era isso.

Toda nossa história passou diante de minha mente.

Agora, aqui estava eu. Sozinha, presa em um corpo que mal parecia meu. Enrugado, entrevado e envelhecido. Mas cada momento que passei nesse receptáculo valeu a pena.

Agora, meus filhos já estavam crescidos. Draco, Arthur e Hermione. Eu ainda vivia em nossa antiga casa, recusando-me a ir para o St.Mungus. Eu permanecia com a memória de Scorpius.

Falava com ele. Não como uma velha gagá louca, mas como alguém que simplesmente ainda amava outra pessoa. Nunca deixei de sentir sua falta, de sentir sua mão envolver a minha quando as coisas ficavam difíceis.

" — Rose Weasley. Eu quero ser algo com você. Algo que já temos. Quero ser oficial e completamente seu, como já sou agora. Juntos. Você aceita meu coração, Rose?"

Foi assim. Meu pedido de casamento, o melhor que jamais poderia pedir. Ele me levara para Hogwarts novamente, e me pedira ali, na porta da Sala Comunal.

"Sim" era a única palavra que me vinha à mente.

Minha memória jamais falharia com ele. Lembrava de cada momento que tivemos juntos. Dos olhares hostis que Ron e Harry lançavam no começo para Draco. Mas eles se acertaram, afinal.

Eu e ele conseguimos remediar anos de rivalidade entre os Malfoy e os Weasley.

Como eu segurei sua mão em nosso casamento, em Hogwarts. Foi lá, inegavelmente, onde tudo começou. E jamais mudaria nossa escolha de lugar.

Todas as noivas ficavam nervosas no tal "Grande Dia". Estranhei quando não senti nada. Eu já sabia do final, sabia que selaria meu destino com a pessoa que amava. E não me arrependeria disso jamais. Era o que eu sempre sonhara. Caminhar entre os jardins floridos, até encontrá-lo em nossa rocha. Onde mergulháramos no Lago Negro.

E onde mergulhamos novamente logo depois do "Sim". Sem medo, sem guelricho. Éramos um, mergulhado na água fria, e deixando todos os presentes no casamento embasbacados.

Éramos assim, afinal. Inusitados, inesperados.

Quando Draco, nosso primeiro filho nasceu, foi o caos. Lembro-me da confusão, das dúvidas, e de Molly, Hermione, Ginny e Astoria desesperadas para nos ajudar. A cor do quarto? Azul ou verde? A comida? Em que idade poderíamos dar isso ou aquilo?

Juntos, passamos por tudo. Ele cresceu, um ruivo de olhos azuis. A coisa mais linda que eu já vira, e segurá-lo me lembrava de como tudo ainda estava feliz.

Arthur teve o quarto verde, afinal. Era loiro, com olhos castanhos. Ele e Draco teimaram em ter um bichinho de estimação. Indecisos, acabamos com um gato e um cachorro.

Hermione teve cabelos amendoados, e olhos cor de mel. Seu quarto foi a mistura de nossas cores, sendo um lindo tom de turquesa. Nossa última filha, que cresceu para ser tão inteligente quanto seu nome sugeria.

Os almoços que fazíamos para reunir todos em nossa casa.

O enterro de Molly e Arthur, que partiram sem dor. Deixaram-nos sem fala, sem o que dizer. Não havia melhor maneira de nos despedir de quem vivera com amor do que com mais amor. Lembrá-los e honrá-los.

Isso era envelhecer. Permanecer vivo enquanto todos os que viveram antes de você encontravam a paz. Era superar, para ser derrubado novamente por uma despedida.

Eu tinha pena daqueles que ficavam velhos sozinhos. Porque foi graças à Scorpius que eu conseguira me recompor sempre.

Ele foi a única coisa que eu não consegui deixar para trás. Não superei.

Sem perceber, vi lágrimas rolarem por meu rosto enrugado. Eu estava folheando nossos álbuns de fotografias, encarando por minutos seguidos o rosto de meu único amor.

Guardei, com dificuldade, o livro de couro que estava em minhas mãos.

Meus filhos viriam me visitar hoje. Não lembrava qual deles viria, por mais que me esforçasse. Minha varinha estava guardada, mas minha memória falhava e já não me recordava onde. Acontecia com frequência ultimamente.

Peguei o andador, um curioso instrumento trouxa que me ajudava a caminhar com menos dificuldade, e fui até a porta de minha casa. Um passo de cada vez, andei e andei. Até nossa árvore, um enorme carvalho na colina ensolarada perto de casa. Era onde descansávamos e olhávamos as nuvens sempre que as coisas pesavam.

Merlin, minhas pernas já não eram as mesmas.

Suspirei, e continuei a subir, ignorando a dor.

Eu chegara. Avistei o balanço de madeira que penduráramos na árvore balançar com o vento. A marcação de nossos nomes no tronco.

Sentei-me, ofegante, na grama. Era confortável, e quase podia sentir meu marido ao meu lado.

– Rose! — Uma voz jovial me saudou. Era ele. Seus cabelos loiros, sua pele macia. Estava ali novamente, com a mesma aparência que estava em nosso quinto ano em Hogwarts.

– Scorpius? — Exclamei, incrédula.

Eu pude vê-lo, engalfinhado no topo da árvore e sorrindo para mim. Aquele sorriso que eu nunca fora capaz de desvendar completamente. Ele assentiu para mim e desceu da árvore, vindo ao meu encontro.

– Você... Você voltou...

– Eu nunca saí, Rose. — Ele sentou ao meu lado, passando a mão em meus cabelos. — Não pude.

As madeixas que cobriam minha cabeça, antes grisalhas e quebradiças, tomavam cor e forma, ruivos como antes.

A mão de Scorpius tocou minha bochecha, e todas as rugas de minha pele pareceram ser sugadas para dentro. Eu não estava mais aprisionada dentro daquele corpo. Eu me senti leve, curada.

Foi quando eu entendi tudo aquilo.

Eu estava cumprindo a minha parte da promessa. Scorpius quebrara a sua, fizera antes a única coisa que deveríamos ter feito juntos.

Eu estava partindo. Naquela colina, à sombra do nosso carvalho.

Sorri para o loiro à minha frente, abraçando-o e apreciando seu cheiro. Juntos, por Merlin, novamente.

– Eu te amo. Nunca deixei.

– Eu também, Rose. Eu também. — Senti-o suspirar entre meu cabelo. Naquele abraço, tudo estava em seu devido lugar. Eu sabia que meus filhos já estavam encaminhados, prontos.

Agora era minha vez.

Segurei sua mão, e descemos aquela colina juntos. Deixara um corpo para trás, meu corpo.

A promessa, de permanecermos unidos, que fizemos em nosso casamento estava cumprida.

Estávamos juntos.

Finalmente.

Notas finais
Espero que tenham curtido. Eu gostei muito do resultado final, e essa fic vai deixar saudades no meu coração hahahah Enfim, obrigada! Se tiverem qualquer tipo de opinião ou crítica, é só comentar
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!