Promise
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Como inspiração eu usei muitas músicas tristes, então eu não sei qual recomendar a vocês.
A temática da one-shot se assemelha um pouco a minha próxima fic Itasaku Réquiem, que não tem nada haver com ela, é apenas um comentário.
Não sei se esta bom, mas espero que esteja. ^^
Sakura era uma garota de classe média, embora muito problemática com a estranha habilidade de complicar os próprios problemas. A resolução deles eram quase impossível, mas um fato em especial ela tentava solucionar. Numa tarde comum ela caminhava pelas ruas, fazia um frio inacreditavelmente forte. Não tinha neve nas ruas, apenas o vento que soprava gelado por todos os lados. Ela carregava nas mãos uma sacola com alguns doces, Dangos , e na mente memórias.
“Você foi à única pessoa que realmente compreendeu como eu me sentia.”
Ela se perdia em devaneios enquanto caminhava, lembranças distantes tomavam sua mente misturando-se ao presente e alimentando-se da angustia. Os sentimentos mais profundos apertavam seu peito e abriam caminho para a tristeza.
Sakura sentiu o vento gélido e forte passar por seu corpo, o frio lhe arrepiava a espinha e a força do mesmo conseguiu arrancar seu cachecol do pescoço soprando-o para longe. A peça que servia para protege-la do frio foi parar no topo de uma árvore onde ficou preso. Os cabelos róseos voavam e balançavam freneticamente, enquanto ela encarava o acessório com seus olhos verdes e atentos.
Isso a levou a um momento distante, se pudesse fechar os olhos o veria ali, no topo daquela árvore. Ela se lembrou do momento em que o conheceu, Uchiha Itachi, o ser mais misterioso e melancólico da face da terra, e ainda assim o mais gentil.
...
Era uma tarde de inverno e naquela época ambos ainda eram crianças. Sakura tinha nítida em sua mente a imagem do garoto de quatorze anos subindo até o topo da árvore para pegar o objeto feito de lã vermelha, combinava com ela. Como era uma criança com aquela idade estava acostumada a chorar quando algo lhe acontecia, ainda era nova. Suportar a dor e as frustrações não era uma tarefa fácil, a rosada vivia imersa em um mundo de escuridão. Itachi era a própria escuridão que lhe trazia algum aconchego.
– Aqui está.- Itachi entregou-lhe o cachecol sem demonstrar emoção alguma, embora tivesse um sorriso sutil. Mesmo para alguém como ela aquilo significava um gesto grandioso
Aquele sorriso que ele esboçou ao entregar o objeto, esboçado de canto, singelo, gentil, ela jamais o esqueceria. Talvez seu coração nunca tivesse batido tão forte como naquele momento. Ele era admirável. Ela estava encantada.
Antes que ela percebesse ele deu um peteleco na testa. – Tome mais cuidado com as suas coisas. Até logo. – Ele caminhou solitário a caminho de casa.
...
Sakura parou por um instante diante daquela árvore, era exatamente igual. De qualquer modo, aquele “até logo” se cumpriu. Ambos se viram diversas vezes depois daquilo. A medida com que iam crescendo ela se tornou uma mulher cada vez mais esbelta e temperamental. E Itachi? Ele que já tinha um rosto extremamente belo, na medida em que o tempo passava, aqueles traços tornavam-se cada vez mais másculos. O tornando algo próximo a uma divindade, era a única forma real de descrevê-lo. Como sua amiga Ino costumava dizer “A Familia Uchiha tem uma genética abençoada.”
– Ino estava realmente certa, mas a verdadeira beleza sempre esteve... Em sua alma. Itachi... – Sussurrou para si mesma. Percebeu que se atrasaria para encontra-lo. Desejava mais do que tudo vê-lo, poder tocá-lo, poder se desculpar. Então decidiu correr e se apressar, o tempo ameaçava fechar. Nuvens negras pintavam o céu que antes estava acinzentado.
Ela tentou, mas não conseguiu fugir do temporal. Gotas de chuva já caiam incessantemente e banhavam a cidade. A rosada parou debaixo de um ponto de ônibus para se proteger da chuva, ficava em frente a uma praça. Quando menos esperava, ela logo viu sua silhueta de Itachi se desenhar entre a chuva. Uma mera ilusão. Uma lembrança qualquer escondida.
“Chorar também te torna mais forte.”- Ele disse uma vez. Parecia que o céu chorava junto de seu coração. Forte. Isso parecia bobagem, ela estava prestes a fraquejar.
...
Há uns três anos atrás, quando tinha dezessete, Sakura fugiu desesperada de casa. Não era o tipo de fuga de alguém que está simplesmente com raiva, ou uma afronta direta aos pais. Naquela noite ela estava realmente confusa, perdida, sem saber para onde ir. Chovia muito, era como se o céu fosse desabar acima de sua cabeça. As trovoadas soavam como o grito desesperador de seu interior. Era como se o céu estivesse conectado a seus sentimentos expressando cada centímetro de dor. Ela tinha acabado de perder alguém importante para si, para variar, a morte é o fim e o começo.
“A morte é o fim de uma existência, mas o começo de sua perpetuação. O começo das lembranças e da eternidade. A morte finda aquilo que torna-se eterno. A morte é irônica”
Naquele dia, ela desejava que um buraco se abrisse diante de seus pés. Quando o viu encharcado correndo pela chuva, ele gritava seu nome. Ele precisava dela.
“Sakura”.
Gritava como se sua vida dependesse disso, preocupado, quase desesperado, mas não fora de si. Ele era um amparo, uma luz no fim do túnel, a escuridão acolhedora que ressalta o brilho das estrelas. Itachi a abraçou forte, tomando-a nos braços, permitindo que desabasse, permitindo que falhasse. Não havia mal em chorar. Não havia razão em repeli-lo, ela queria estar ali.
Parecia extremamente egoísta estar entrelaçada a aqueles braços, estar imersa em seu perfume. Era estranhamente errado afundar suas magoas no braço de seu ex-cunhado e primeiro amor, mas parecia de algum modo certo. Ambos estavam sofrendo, Sasuke estava morto, mas tinha realmente alguma razão para aquilo soar como um pecado?
“Eu não fiz nada de errado”. – Pensou consigo mesma. E o que teria sido? Ela só lembrava que naquele momento sentiu as pernas fraquejarem e as lágrimas saírem se misturando a chuva. Estava anoitecendo. Com certeza ele também sofria. Com certeza seu coração também estava em pedaços, mas Itachi permanecia ali em pé, forte, firme, suportando todo seu egoísmo e sofrimento. Talvez ele fosse a pessoa mais forte que já conheceu
...
A chuva passou, Sakura se apressou para cegar logo em seu destino. De que adiantava mesmo se já estava encharcada? Não fazia diferença. Aquelas memórias aleatórias pareciam ser apenas um castigo, apenas a traziam ao momento atual. Como um ciclo interminável.
Há cerca de dois dias atrás amos tinham brigado. Sakura ainda era atormentada por fantasmas do passado, sua incerteza diante de sua relação com Itachi o magoavam, embora ele tenha tentado de todas as formas ser paciente. Declarar seus sentimentos não foi uma tarefa fácil, aceita-los diante daquela dor era uma tarefa mais difícil ainda.
Sakura o avistou ao longe, caminhou apertando a sacola de dangos. Era a comida favorita dele, então de algum modo tentaria fazer as pazes dessa forma. A rosada reconhecia que tinha sido infantil ao correr naquele dia entre os carros no transito, deixa-lo preocupado daquele jeito de novo? Mesmo assim Itachi permanecia silencioso sem dar uma palavra. Ele nunca ficou tanto calado, mas daquela vez era diferente.
– Eu sei que você me odeia. – Ela disse baixo com a voz falha. Sentia seus joelhos tremerem, prestes a fraquejar. Aquela afirmação era inacreditável até mesmo para ela.
“Eu prometo que nunca vou te odiar. Eu prometo que sempre vou ficar do seu lado.” – Mais uma lembrança surgiu para atrapalhar seu raciocínio, Sakura estava realmente cansada.
– Talvez não odeie. Eu realmente não sei o que dizer, você nunca ficou tanto tempo sem falar comigo e eu não sei mais o que você. – As palavras saíram rápidas, quase sendo atropeladas, ela gaguejou uma ou duas vezes. – Trouxe sua comida favorita, mesmo não sendo muito. Por favor, apenas não me ignore, apenas me de uma palavra. Seu silêncio me mata por dentro.
“Eu prometo...”
– Apenas não quebre sua promessa. – Naquele momento Sakura olhou para os orbes negros e profundos dele estampado em uma foto no porta retratos. Suas palavras eram jogadas ao vento, ela caiu perdendo as forças e tocou a pedra gélida diante de sua frente. Um túmulo. Onde o qual, não fora enterrado apenas o amor de sua vida, mas suas esperanças. Há dois dias Itachi estava morto, mas ela recusava-se a aceitar.
Quando corresse no meio da chuva, quando gritasse em desespero, quando as lágrimas caíssem não teria mais ninguém para ampará-la.
Sakura se lembrava de que ele estava profundamente magoado por sua falta de tato, por não poder se desapegar do passado e pensar no futuro. A relação tornava-se difícil a cada dia, não conseguia ver que seguir em frente era a melhor opção. Então após uma discussão ela saiu correndo atravessando a pista de carros, Itachi tentou segui-la preocupado e impediu que ela fosse atropelada sacrificando a própria vida. Não tinha mais volta. Ela se arrependia profundamente pelo acidente, por tudo, por sua fraqueza. Por perdê-lo.
Tudo o que restou foi o silêncio eterno e uma lembrança vazia de uma promessa.
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Fim.
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