Prometidos
1 Capítulo 1, capitulo 2
natan
Capítulo 1
A cidade estava em chamas, caos para todo o lado, pessoas aterrorizadas correndo por suas vidas, um mar de sangue ao meu redor, casas em pedaços, nunca tinha visto nada como aquilo. As sombras se espalharam sobre as redondezas e delas surgiu uma criatura imensa, a sua presença era o suficiente para fazer o terror consumir todo meu corpo. A criatura era irreconhecível, tinha a silhueta semelhante à de um urso gigante, grandes garras que pareciam cortar tudo e olhos vermelhos que pareciam arder de puro ódio.
A fera destruía tudo ao seu redor sem deixar nada passar. Ao sentir minha presença veio em minha direção e me encarou, aqueles olhos vermelhos penetrantes me fizeram entrar em desespero. A única coisa que conseguia pensar era em minha morte eminente. A fera estava preste a me perfurar com suas garras. Com medo fechei os olhos e senti uma enorme dor no meu corpo, para minha surpresa eu não me sentia como se estivesse morto.
Quando abri o olho, percebi que estava suando frio e deitado no chão ao lado de uma cama. Uma dor de cabeça enorme me abateu, não conseguia levantar. Olhei ao redor e vi que não sabia onde estava porem o lugar me parecia muito familiar. Um quarto pequeno e simples, com uma cama de solteiro, uma mesa de madeira com vários livros em cima e uma porta ao lado da mesa.
Tentei levantar do chão me apoiando na cama sem nem ao menos saber o que realmente tinha acontecido, mas meu corpo não me permitia levantar. Esforcei-me ao máximo para levantar, mas a única coisa que consegui fazer foi cair no chão novamente.
Arrastei-me até a porta, mas não consegui me levantar para alcançar a maçaneta. Esforcei-me o máximo que pude para me levantar, ate que consegui me apoiar na maçaneta, para minha tristeza a porta estrava tranca. Olhei pelo trinco da porta para ver se descobria onde estava. Nesse momento uma luz forte veio do cômodo que eu estava tentando ver. Por algum motivo parecia ter alguém dentro da luz. Naquele momento perdi todas minhas forças e fui ao chão mais uma vez e adormeci.
Quando acordei a dor de cabeça havia aumentado, tudo ao meu redor estava escuro. Assustado com tudo que havia ocorrido tentei me mexer, mas meus braços e pernas estavam amarrados com cordas, foi quando eu percebi que estava com uma venda em meus olhos.
Ao que parecia estava dentro de um carro em movimento, notei que estava com minha boca livre, então tentei conversar com quem estava dirigindo para ganhar informações sobre onde estava, mas quando fui abrir a boca, uma voz me interrompeu:
— Se falar vai se arrepender!- falou uma voz suave e calma, parecei ser a voz de uma mulher.
Com medo do que poderia acontecer, fiquei calado esperando entender tudo o que se passava, mas por algum motivo a pessoa misteriosa me deixava calmo apenas com sua presença como se fosse alguém familiar, me dava esperança de que tudo ia melhorar então resolvi esperar para entender o que estava acontecendo.
Enquanto esperava parecia que já havia se passado horas dentro daquele carro. Um silêncio que parecia eterno pairava sobre o interior do carro apenas com o som dos pneus em contato com o asfalto. De repente o carro para, e surge um barulho como se as portas de um carro velho estivessem sendo abertas. Uma voz vinda de longe disse:
— Finalmente você voltou Raissa! — uma voz grave e com um tom de alegria dirigida a pessoa misteriosa. –Não deveria se preocupar comigo Filipe. –diz ela respondendo ao estranho do lado de fora.
— Então ele é a aberração que você tinha sentido?- disse o rapaz com tom de duvida. – Ele pode não parecer agora, mas tenho certeza que ele tem alguma coisa haver com isso tudo. – disse a menina misteriosa. – Eu não sei como funciona esse negócio de sequestro, mas eu tenho quase certeza que não é uma boa se chamar pelos nomes. – falei em um tom sarcástico, que na hora pareceu ser uma boa ideia.
O homem me puxou de dentro do carro, me desamarrou e tirou a venda de meus olhos. O homem a minha frente era aparentava medir um pouco mais de um e noventa, era magro, branco cor da neve, olhos azuis e cabelo castanho escuro curto, estilo exercito. Usava roupas de fazendeiro, um macacão marrom, uma camisa branca por baixo e botas de couro. Suas roupas estavam sujas como se ele estivesse trabalhando em um lamaçal.
Olhei para o lado e vi a pessoa misteriosa, era uma mulher com cerca de um e sessenta de altura, cabelos longos e ruivos que chegavam ate o final de suas costas, sardas por todo seu, e o que mais chamava atenção era seus olhos esverdeados. Usava uma camisa branca e um macacão no estilo fazendeiro. Tirando o seu humor ela era encantadora.
Olhei ao redor e percebi que estava em uma pequena vila no meio do deserto, com no máximo cinco casas a vista. O carro era vermelho com uma faixa branca no centro, aparentava ser um Mustang caindo aos pedaços. Ele estava estacionado em frente de uma pequena casa de madeira e caindo aos pedaços, parecia uma casa de filme de faroeste. Ao lado da casa tinha um estabulo pequeno com dois cavalos que pareciam ser de raça, um totalmente preto e o outro branco manchado com marrom.
Querendo saber um pouco mais sobre mim, Filipe e Raissa me convidaram a entrar na pequena casa a nossa frente. Sem recuar eu aceitei o convite e entrei na casa. O lugar era apertado, com uma sala e quatro portas fechadas, a mais perto da porta de entrado parecia ser a da cozinha e as outras deveriam ser quartos ou banheiros, mas o que mais chamava atenção era o cheiro de mofo, tinha um sofá e uma mesa de centro na sala. Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa o rapaz se virou para mim e disse:
—Pode sentar no sofá se quiser- disse Filipe em um tom amigável. Aceitei o convite e me sentei. Logo depois Filipe sentou ao meu lado e Raissa ficou de pé em frente a mesa. — Desculpe a falta de educação da minha amiga. Eu sou o Filipe prazer em conhecê-lo. — disse ele em um tom amigável. — Meu nome é Raissa prazer em conhecê-lo. — diz ela em um tom irônico como se estivesse sendo forçada a dizer aquilo. — Eu não estou entendendo vocês me sequestraram para conversar? – falei em um tom desafiador para tentar conseguir respostas.
Depois disso esperei para ver se alguém respondia, mas apenas ouvi as risadas baixas de Filipe e senti o ar de desgosto ao redor de Raissa. Logo depois Filipe se voltou para mim e disse:
—Não seja tímido, se apresente também. – Disse Filipe esperando uma resposta.
Querendo um pouco de informação resolvi me apresentar já que eles aparentavam ser amigáveis. Nesse instante foi quando percebi que por algum motivo não lembrava o meu próprio nome. Filipe me olhou e percebeu a confusão em meu rosto, logo em seguida olhou para o rosto de Raissa com a um olhar de “eu te disse”. Eu estava confuso sobre o do porque eu não lembrar o meu nome, o estranho é que o tempo todo eu nem havia parado pra pensar sobre isso.
Pensei mais afundo até que algo veio em minha mente, um nome que parecia vir do lugar mais profundo de minha mente, mesmo não lembrando se esse era realmente meu nome resolvi usar ele já que eu não me lembrava de mais nenhum. Então respirei fundo e disse:
— Meu nome é... Natan, eu acho. Agora vocês poderiam falar onde estou e oque esta acontecendo aqui? – Perguntei com ânsia por uma resposta que pudesse saciar minhas duvidas.
Os dois se olharam e novamente Filipe estava com o olhar de “eu te disse”. A cada instante que passava ficava pensando em voltar para casa e ver minha família. O que me era estranho é que por algum motivo eu não conseguia lembrar da minha família, ou de qualquer outra pessoa do meu passado, ate que percebi que não tinha nenhuma memoria, apenas conhecimentos básicos como palavras, lugares, objetos e outras coisas que eu nem sabia como havia aprendido, e oque era mais estranho era que eu não lembrava nem minha aparência . Eu entrei em desespero e comecei a ter uma “crise existencial”, literalmente.
Capitulo 2
Minha cabeça estava repleta de duvidas, parecia que ela iria explodir a qualquer momento. Depois de alguns segundos tentando aceitar tudo isso eu percebi que Raissa e Filipe poderiam saber quem ou o que eu era. A primeira coisa que me veio à cabeça sobre a forma que a Raissa havia me chamado, então me virei para ela e perguntei:
— Eu não sei muito sobre mim, na verdade eu não sei quase nada, mas eu sou tão estranho a ponto de ser uma aberração?- falei inconformado com um leve tom de ironia – Desculpe sobre isso, olhando de perto você ate que não parece muito uma aberração. – disse Raissa em um tom sarcástico.
Naquele momento eu não sabia se ela estava me cantando ou tirando uma com a minha cara, mas resolvi aceitar como a primeira opção. Filipe e Raissa pareciam saber de tudo que estava acontecendo comigo, como já tivessem passado por isso. Filipe se levantou e disse:
— Nos passamos por algo parecido, se quiser podemos tentar explicar o que sabemos até agora, mas acho melhor você ver por si mesmo. Me siga por favor. – disse Filipe.
Ele abriu a porta a esquerda mais perto da porta de entrada. Lá havia um pequeno banheiro, com um chuveiro, privada, pia e um espelho. Antes de eu entrar no banheiro Filipe me impediu, olhou para mim e disse:
— O que você vai ver agora vai mudar sua vida por completo, quer mesmo fazer isso? – Advertiu Filipe em um tom de seriedade.
De inicio fiquei meio preocupado, mas a curiosidade me consumiu e eu resolvi entrar. Quando entrei no banheiro me virei para o espelho, eu vi um homem com cerca de um e oitenta de altura, pele branca e levemente bronzeada, cabelos ruivos com a cor do fogo, olhos castanhos claros, e muitas sardas pelo rosto. Vestia um pijama branco com mangas azuis e um chinelo azul escuro.
Novamente olhei para o meu rosto, mas dessa vez algo estava diferente. Minha visão ficou turva, um clarão veio de todos os lados e de repente eu não estava mais no banheiro. Eu estava me sentindo como no pesadelo que tive, nesse momento entrei em desespero achando que aquela fera poderia aparecer de novo, mas dessa vez estava em uma construção antiga destruída, sem nenhum sinal da fera. Os restos da construção pareciam algo no estilo da Grécia, ao redor dela, uma floresta gigante que não era possível ver o fim, o céu estava cinza reluzente, mal era possível olhar fixamente.
Andei pelo lugar até achar algo diferente do normal. Entre um dos escombros tinha uma tabua de rocha com uma escritura. Curioso sobre o que estava escrito fui até ela, e comecei a ler: “No dia em que a treva reinar e os doze ... estiverem reunidos, a luz poderá voltar. Necessitará do sangue e do ...” Faltava uma parte nas escrituras, como se alguém não quisesse que alguém soubesse daquilo.
Logo depois tinha o resto das escrituras: “e a fera ira cair pelo preço da vida”. Sem entender o que estava escrito procurei o resto das escrituras. De baixo dos escombros tinha o resto das escrituras, mas ao se aproximar tudo ao meu redor começou a sumir. Antes de tudo desaparecer por completo consegui ler uma palavra: “prometidos”.
Quando voltei à realidade meu corpo estava parado em frente ao espelho, como se o tempo não tivesse passado. Tentei entender o significado das escrituras, mas nada fazia sentido, e pra minha sorte eu lembrava de cada palavra claramente . Olhei para Filipe ao meu lado, ele parecia curioso para saber o que aconteceu. Então ele me falou:
— E ai como foi? – com um tom sutil e sarcástico. – Eu também estou tentando entender, mas eu conto. – falei com um tom irônico.
Ele riu e desceu as escadas, segui ele até a sala onde estava Raissa, eles se sentaram e me olharam com ar de curiosos. Eu os olhei e disse:
— Tudo bem, vou falar, mas depois vocês vão ter que responder minhas perguntas. — com um tom tentando demonstrar autoridade.
Eles concordaram com a cabeça. Então comecei a contar:
— Eu tive um sonho, na verdade era mais do que isso, era como se eu realmente estivesse lá. Nesse sonho eu estava em uma floresta e havia vários escombros, em alguns deles havia algo escrito, como se estivesse lá de propósito, como se fosse programado. Neles diziam No dia em que a treva reinar e os doze ... estiverem reunidos, a luz poderá voltar. Necessitará do sangue e do...- respondi com duvida se eles acreditariam em mim. Para minha sorte eles pareciam interessados, então a Raissa disse:
— E do? O que tinha depois? – disse curiosa. – Eu não sei, não tinha nada depois, mas em outra parte estava escrito e a fera ira cair pelo preço da vida, antes de eu voltar a mim eu também consegui ler prometidos. – falei com esperança que eles pudessem me ajudar a desvendar.
A sala ficou em silêncio por um tempo, todos estavam pensando o que era tudo aquilo, foi quando lembrei que eles aceitaram responder minhas perguntas. Então gritei entusiasmado:
— Então, preciso que vocês respondam por que me raptaram, onde estamos e o que está acontecendo aqui! –falei querendo o mínimo de resposta.
Eles se entre olharam, depois olharam novamente pra mim, e Raissa disse:
— Sequestrei você porque de alguma forma eu senti sua presença, mas da ultima vez que eu senti, eu achei que era um de nos, mas na verdade era uma aberração, ai dessa vez resolvi ir preparada, mas acabou que você é como nós. Já o lugar onde estamos é segredo. – disse Raissa com um tom de arrependida. – Já o que está acontecendo aqui, nem nós temos certeza, mas por algum motivo todos nós perdemos a memória e quando nos olhamos no espelho após perder a memoria, aconteceu algo, digamos que fora das leis da natureza, no meu caso eu consigo conversar com animais. Eu sei que parece sem graça mas tem suas vantagens. – disse Filipe completando a frase anterior de Raissa.
Logo depois de Filipe terminar, Raissa continuou dizendo:
— E no meu caso quando eu olhei pela primeira vez no espelho...- naquele momento um som de passos pesados veio de fora da casa.
Raissa e Filipe parecia preocupados com o que estava acontecendo. Foi ai que eu lembrei sobre a tal aberração que eles comentaram. Filipe retirou uma arma de dentro de sua roupa e foi calmamente em direção à porta, nesse momento eu me arrependi pelas piadas que tinha feito, já que Filipe estava armado, tive sorte de ele ter bom humor.
Raissa fez sinal pedindo para fazer silêncio. Alguns segundos depois um som estrondoso de tiro destruiu o silêncio. Preocupada Raissa correu para o lado de fora. Eu a segui em direção a porta. No momento que olhei para fora fiquei espantado. A alguns metros de mim, estava uma silhueta humanoide e no chão estava Filipe aparentemente inconsciente e sangrando. Aterrorizado com o que vi comecei a entrar em choque. Mesmo sem conhecer Filipe por muito tempo fiquei preocupado e tentei ajuda-lo. Chegando perto só consegui pensar uma coisa, aquilo não era humano.
Ao olhar para seus olhos entrei em desespero, ele tinha os mesmos olhos que a fera do meu pesadelo. Com medo do que poderia acontecer recuei. Olhei para o resto de seu corpo para tentar identificar o que era aquilo. Seu rosto calvo e parecia estar com graves queimaduras pelo corpo todo, vestia apenas uma calça marrom de fazendeiro, o que mais me preocupava eram as unhas em suas mãos que mais pareciam garras ou até mesmo laminas.
Ele correu em minha direção como se quisesse me matar, o medo me tomou e entrei em choque. Uma forte luz veio de trás de mim, virei para ver o que era, por algum motivo Raissa estava brilhando de uma maneira incrível. Meu corpo ficou pesado e sonolento, foi ai que percebi o motivo de eu ter adormecido naquele quarto mais cedo. O clarão tomou conta do meu corpo e mais uma vez adormeci.
Novamente eu estava no lugar mais aterrorizante que já fui. Eu havia voltado ao pesadelo, mas dessa vez a cidade estava calma como antes da fera atacar, ao meu lado estavam onze pessoas, duas delas eu sinto que reconheço, mas não consigo ver seus rostos os outros nove são totalmente irreconhecíveis. O que mais chama atenção era um deles coberto por sangue. Tentei me aproximar para ajudar, mas não conseguia me aproximar, como se a cada passo que eu dava eu ficava mais distante. Aos poucos tudo ao meu redor começa a se desfazer e eu só conseguia pensar uma coisa: “isso realmente é apenas um sonho?”.
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