Prometido.
1 Piloto.
Notas iniciais
O tempo que se passa a historia é indefinido, então não se prendam nisso. Queria avisar que vão ter elementos antigas e atuais.
Eu pretendo fazer um jornal para explicar a pronuncia dos nomes mais complicados que aparecerem.
Boa leitura!
Eu fui educado perfeitamente. Visto as melhores roupas que alguém poderia fazer. Como dos melhores pratos e moro na melhor casa que alguém poderia querer. Isso claramente é uma vida de rei. Desde quando estava no ventre de minha mãe, eu já ia para as melhores festas. Do acordar ao deitar sou elogiado de todas as maneiras possíveis e impossíveis e sempre ouço um “ele esta no topo de tudo, ele é praticamente tudo”. Quando se olha de longe, estar onde estou é realmente bom. Quem não gostaria de poder escolher tomar café da manhã usando nada mais e nada menos que um paletó exclusivo feito com fios de ouro? Bem, estar no topo nem sempre é bom, pois muitas vezes te colocam lá sem saber se você tem medo de altura.
Caso seja de seu interesse, meu nome é Colin Carbrey, e eu sou o seu príncipe.
***
Ouço batidas leves na porta, ontem provavelmente já virou hoje. Com a voz rouca peço que entre.
— Com licença Alteza, – Arlin fez uma pequena reverencia – já é hora de conhecer seu hoje. – ele disse com um sorriso. Eu e Arlin temos essa brincadeira de “conhecer seu hoje” desde que tinha nove anos, ele já é bem antigo aqui no palácio, por isso tem mais intimidade com a minha família. – O café da manhã será servido daqui a quinze minutos. O que vestirá hoje?
— Bom dia, Arlin – digo o mais alegre possível, imagino como dever ser chato decorar tanta coisa para dizer todos os dias, para as mesmas pessoas. – Usarei o azul marinho com os botões dourados da vovó e os sapatos pretos de bico largo.
Levanto da cama e vou para o banheiro enquanto Arlin ajeita minhas roupas. Banheiras são complicadas demais. Opto por um banho rápido de chuveiro: simples e pratico. Diferente de Américo, que adora banhos demorados de banheira. Américo é do tipo que trocaria uma viajem à Olcity por um gel de cabelo importado da costa leste – mas ninguém aqui nunca precisou ponderar sobre o que quer, apenas escolhe as duas opções. Ele é meu meio-irmão, filho da primeira – e falecida – mulher de meu pai, a rainha Evanna. Após sua morte, meu pai encontrou minha mãe “caminhando sobre tudo o que ele mais precisava” como o próprio diz. Desde então, Américo vive conosco no palácio.
— Sua tolha, Alteza. – Arlin me entrega a toalha de um milhão de fios e eu começo a usá-la para o que foi inventada. – As roupas estão penduradas em cabides no closet juntamente com os sapatos lustrados. Se precisar de mim, estarei lhe aguardando no quarto.
— Arlin, eu não tenho a menor ideia do que seria de mim sem a sua ajuda. – enrolo a toalha na cintura e vou para o espelho – Obrigado mil vezes. – sorrio em sua direção e me volto para o espelho.
Ele faz uma reverencia e sai da porta do banheiro. Meu cabelo tem uma forma esquisita. Gosto de dizer que é como se fosse abrir uma caixa de molas que podem saltar a qualquer minuto – não duvide dele, é quase pecado. Mas de um jeito ou de outro, consigo ajeitá-lo de maneira que fique bem até mamãe passar as mãos sobre eles e voltar à bagunça que é.
Após estar completamente vestido e parecido com um ser humano, saio do quarto acompanhado de Arlin. Eu sempre achei o palácio um lugar grande demais, talvez seja porque na infância eu tenha me perdido aqui umas cinco ou seis vezes – por dia. Meu quarto fica no quinto andar junto com a suíte do rei e da rainha, no final do corredor, – cada um deles tem a sua, mas como disse minha mãe “Nosso amor é do tamanho desse palácio, mas cabe em um quarto apenas” – depois vem o quarto de Américo, em frente ao meu, e o de Elliot na outra ponta do corredor. Entre o nosso quarto e o de Elliot tem um corredor que leva para outra área do palácio. O quarto de Elliot é onde ficava o antigo quarto da irmã de mamãe, Bridget Roussin, que morava no castelo conosco e morreu num ataque a realeza. Ele disse que preferia ficar ali, para não dar problema aos meus pais e para lembrar-se da mãe. Ele será um ótimo geógrafo no futuro, esse é o seu sonho, mas por enquanto só tem dez anos.
Chego ao segundo andar e me dirijo à sala de jantar. Antigamente, quando eu tinha cinco anos e Américo seis, nós costumávamos apostar corrida até aqui e quem chegasse primeiro sentaria ao lado do rei. Nós não levávamos isso a serio, mas olhando agora, doze anos depois, acho que desde sempre nós competimos pela afeição do senhor August. Vejo Emma arrumando a mesa.
— EU NÃO QUERO SABER EMPREGADA, APENAS FAÇA O QUE EU MANDO! – Américo grita no corredor – Some da minha frente, praga.
Américo entra marchando e provavelmente fazendo as cristaleiras tremerem. Ele se joga a duas cadeiras de distancia de mim enquanto bufa e resmunga qualquer coisa que uma criança choraria ao ouvir.
— Parece que a Alteza acordou num ótimo dia. – diz Emma no meu pé do ouvido enquanto ajeita todos os milhões de talheres de cada lado do meu prato. Emma é uma ajudante de tudo, ela faz o melhor biscoito da madrugada além de ter as melhores histórias de terror do mundo.
— Está melhor do que ontem, Em. – disse escondendo o riso. Desde que ele descobriu que era da realeza, – mais ou menos há uns dez anos atrás – não tem um dia que ele sorri antes do meio dia. – Relaxe. Até onze e cinquenta e nove ainda é hoje.
Emma faz a melhor cara falsa de frustração e vai para o prato ao lado. Ela é ótima no que faz. Ajudar. Ela diz que um dia irá parar de trabalhar no palácio e vai começar a estudar arquitetura. Quando não estou no escritório, estou com ela na biblioteca estudando. Ela diz que esta aqui para juntar dinheiro para o casamento e quando conseguir irá sair daqui. Eu torço por ela sempre, e ajudo como posso.
— Bom dia para todos os que sabem falar cinco línguas diferentes! – bradou meu pai com sua voz forte. Apenas ele sabia falar cinco línguas diferentes. Eu adoro esse humor polido dele. – Mas bom dia para vocês também.
Eu ri. Alguns ajudantes me acompanharam. Américo não. O rei entrou seguido da mamãe e Elliot logo atrás. Cada um tomou seu lugar à mesa. Eu de um lado, Américo e Elliot de outro. Mamãe e papai nas pontas. Se olharem de longe nem parece que o rei já teve dois infartos em menos de três meses por causa de discussões entre Américo e eu e que a rainha já tem cabelos brancos por conta de todas as vezes que Elliot se escondeu. Mas éramos felizes. Somos.
O café estava delicioso – como sempre – mas o dever me espera. Subo de volta ao quinto andar onde ficam os escritórios. Meu pai comentou que a família real de Harmony viria passar uma semana no palácio e que eu deveria programar alguma recepção e Américo prepararia a festa de boas vindas. Não tenho ideia do que eles gostam, mas sei que o povo de Harmony é extravagante e gosta de estar sob os holofotes sempre. Chego ao meu escritório compartilhado com Américo e desabo na cadeira. Isso tem três horas para ficar pronto. Resolvo apresentar um brunch simples com alguns pães, queijos, bolos e frutas frescas.
***
O grande dia da recepção chegou. Era meio dia em ponto e o dia ensolarado ajudava a deixar um clima mais agradável. Desço os largos degraus até o térreo que dão para o enorme Hall onde será a recepção da família real de Harmony. A ultima vez que eu os vi foi há três anos. Então lembro-me vagamente deles. Sei que tem muitos filhos e é muito calorosa. Da ultima vez que vieram, Américo e eu ficamos fazendo brincadeiras sem graça com a princesa Audrey – provavelmente porque éramos acéfalos. Eu ainda tinha a pele oleosa com um pouco de acne nos cantos. Eu não sei por que, mas estou um tanto ansioso pela chegada deles.
Quando os dois guardas abrem as gigantescas portas de madeira clara e deixa a luz do sol invadir todo o salão passam pelas mesmas uma – grande – família. Eu não lembrava que eram tantos e também duvidava da capacidade de tantas pessoas sorrirem juntos por tanto tempo. Antes mesmo de serem anunciados, a rainha Camille – que já esta um pouco velha, mas ainda tem a beleza natural das pessoas de Harmony – e mamãe correm na direção uma da outra e se abraçam no mais longo e amistoso abraço que esse castelo viu. Noto que Américo vai à direção do rei Brandon – Brandon é o filho mais velho dos Blancvier, e com a morte de seu pai, o rei Étienne, Brandon casou-se com Carlota e agora são os reis de Harmony. Elliot e Noel – o filho mais novo da família – também vão de encontro um ao outro e correm pelo hall até entrarem num corredor e sumirem. Papai também vai de encontro a Brandon para se conversar sobre coisas de gente com responsabilidades. Emille e Víctor Hugo também vieram nos prestigiar – Emille é irmã gêmea de Brandon, casou com Víctor Hugo Dufontaine e mudou-se para Olcity, de onde são reis. Estão todos eles no centro do grande salão conversando alto o suficiente para se ouvir do terceiro andar. Percebo que ainda estou ansioso – e parado na ponta da escadaria. Antes que meus pés decidam se mover, uma coisa prende minha atenção na porta.
Provavelmente sou apenas eu, mas eu vejo um dos seres mais lindos de toda ilha de Adell. Com os olhos castanhos escuros como jabuticaba grudados aos meus ela vem flutuando até mim num vestido tomara que caia – tomara – que começa azul quase branco e desce infinito até um azul escuro. Seus antigos cachos louro-escuro estão agora mais soltos e com pontas mais claras. Ele escorre esvoaçante por suas costas nua e para no cóccix. Ela esta vindo em minha direção com um sorriso tão brilhante que o sol e todos os outros astros pararam para ver e reverenciar. Então ela está na minha frente depois de uma caminhada que parecia infinita.
— Olá, Colin Panaca. – ela faz uma reverencia.
— Olá, Audrey Babaca. – digo fazendo uma reverencia.
Deus abençoe a puberdade!
Notas finais
Vou postar o próximo em breve.
Até logo!
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