Sakura saiu da casa dos Uchiha decidida, se sentiu envergonhada por ter sido pega daquela maneira com Sasuke, mas respirou fundo e ergueu a cabeça, iria superar tudo e faria as coisas diferentes de agora em diante. Por Sasuke.


Alguns dias haviam se passado e Sakura nesse momento estava em seu quarto, com Ino. A loira contava como andava sua vida com seu noivo, todas as cartas, declarações, beijos escondidos. Sakura sorria quando ela se empolgava em certos momentos, o que deixava a Yamanaka constrangida, por se alterar.


– Ino, vocês são um casal perfeito. – disse terminando de fazer sua trança. Ino a olhou durante alguns segundos e depois arqueou as sobrancelhas.


– Por que não corta um pouco esse cabelo? – perguntou indiferente, mudando radicalmente o assunto.


– Não sei – Sakura olhou brevemente para seus cabelos róseos e o analisou em sua mão – nunca pensei nisso. – confessou


– Hn. – Ino suspirou e passou a mão em sua franja, para trás – eu já pensei em cortar o meu, está muito grande, daqui a pouco ira varrer o chão – riu – mas só um pouco, não devo ficar bem com o cabelo muito curto.


– Seu pai lhe mataria caso cortasse o cabelo. Ele mesmo deixa o dele enorme – sorriu debochada. Ino cruzou os braços emburrada.


– Eu já conversei com ele sobre isso, mas ele disse que é tradição do clã e blá, blá, blá. – se jogou na cama cansada. Sakura olhou para amiga e sorriu mais abertamente. Ino sempre esteve ao seu lado para qualquer momento e a cada dia se tornava uma ótima companhia e amiga. – e como anda as coisas com Sasuke? – Sakura sentiu seu corpo tremer com aquele nome, mas se recompôs rapidamente.


– Não nos vemos muito, como sempre. Ele está se recuperando ainda. Os médicos do clã não o liberaram para realizar missões e treinamentos pesados.


– Hn. Mas não foi isso que eu quis dizer. Como as coisas entre “vocês dois”. – Sakura arqueou as sobrancelhas pra amiga maliciosa e se jogou na cama, ficando assim ao seu lado.


– Você é mesmo curiosa em – Sakura a empurrou levemente com o ombro e Ino sorriu


– Há, tenho que ficar a par de tudo. Afinal, somos melhores amigas – Sakura a abraçou fortemente.


– Sim – concordou.


– Então? Como andam as coisas?


– Bom, não estamos nos falando muito. Meu pai fica de marcação quando vou até a casa dele e parece que Itachi fica nervoso quando nos vemos juntos, o que é muito estranho, porque antes ele não agia dessa forma.


– Talvez ele ache que vocês vão se atacar – gargalhou. Sakura corou fortemente e empurrou agora com violência.


– Não seja boba, nem mesmo nos beijamos – mordeu os lábios, se lembrando de seu primeiro beijo e do seu quase beijo, enquanto Sasuke estava dormindo. Sentiu-se mal, por ter mentido para a amiga, mas não queria contar aquele fato para ninguém, pelo menos não naquele momento.


– Mas deviam. Não sabem o que estão perdendo – piscou pra Sakura que corou novamente. Ino pegou o travesseiro da cama e iria começar uma guerra com Sakura, mas ouviram batidas na porta o que a desanimaram.


– Entre – pediu Sakura desanimada. A porta foi aberta e a criada disse que Inoichi estava aguardando a filha no andar de baixo, para irem para casa. Inoichi naquela tarde estava conversando com Hikaru sobre assuntos da vila, então Ino havia lhe pedido que a levasse junto até a casa dos Haruno, assim ela poderia ficar com Sakura.


Muito desanimadas as meninas se despediram com um abraço, mas Ino lhe assegurou de que voltaria em breve, ou se fosse o caso, Sakura poderia ir até sua casa. Sakura achou melhor ela ir à casa da amiga, pois não agüentava mais ficar em casa, estava enjoada, então se sentiria melhor se daquela vez ela fosse até a loira. Então assim combinaram.


Sasuke estava sentado no píer que havia no lago e olhava alguns peixes que passavam mais na superfície. Pensava no que Sakura poderia estar fazendo e acabou por se lembrar do dia em que ela se declarou, depois do acontecimento eles se viram novamente, mas parecia que nada havia sido dito, mas pra Sakura, Sasuke não fazia idéia do que ela havia lhe dito, quanto estava “dormindo”, mas Sasuke notou que ela agora o olhava compulsivamente e as vezes se distraia e acabava sendo pega. Sasuke sorriu ao se lembrar quando pegou Sakura o olhando e suas bochechas coradas.


– Está no mundo da lua? – perguntou Sai. Sasuke bufou e olhou pra trás, olhando a figura branca atrás de si, com um sorriso debochado.


– O que faz aqui? – perguntou sem delongas, voltando a olhar para os peixes.


– Meu pai está conversando alguma coisa com o seu pai e Fugaku disse que você estaria aqui. Entendi o recado de que eles precisavam ficar sozinhos.


– Hn.


– E então...- Sai se aproximou mais de Sasuke, se sentando um pouco afastado, mas ao seu lado. – está melhor?


– Isso te importa desde quando?


– Na verdade não me importo – deu de ombros – mas é bom ficar informado – sorriu novamente.


– Você e a Ino fazem um par perfeito – Sai revirou os olhos. Não era a primeira vez que ouvia aquele tipo de coisa.


– Sei. Mas e você e a Sakura?


– O que tem ela? – Sasuke não gostava de conversar sobre Sakura com ninguém, mas às vezes era obrigado a desabafar com seu irmão, por motivos...óbvios.


– Há vocês estão bem?


– Acho que isso não é da sua conta. – Sai adorava ver Sasuke irritado. Ele tinha um pavio muito curto na opinião do Uchiha, mas sentia certa adrenalina, como se Sasuke fosse o atacar a qualquer momento. Ele não recusaria uma batalha.


– Sakura conversa muito com Ino...- Sasuke der repente se sentiu mais alerta as palavras de Sai – digamos que falam de você, bom a Haruno fala de você. – estimulou

– Fala o que? – perguntou de forma desinteressada, mas estava se corroendo de tanta curiosidade.


– Isso não é da minha conta – Sasuke serrou os punhos e olhou lentamente para trás, mas Sai já estava andando de volta pra a casa.


– Idiota – disse entre dentes.


No dia seguinte, Sakura pediu permissão para ir até a casa do Yamanaka, para ficar com Ino e seu pai lhe permitiu. Hikaru estava mais liberal com a filha, com relação a andar desacompanhada na vila. Desde o acontecimento com Sasuke, Hikaru achou melhor sua filha se mais independente, mesmo que Sasuke, ou os Uchihas não achassem o melhor ela andar sozinha, mas ele pensava que acima de tudo ele era o pai e sabia o que era melhor para a filha, e no caso seria ser “ativa”.


Sakura andava pelas ruas e algumas pessoas a cumprimentavam, Sakura sentia-se desconfortável com alguns olhares masculinos, mas os ignorou. Sakura estava indo até a casa dos Yamanaka, mas viu uma pessoa que aflorou sua mente e a fez muda seu rumo, engoliu em seco e seguiu aquela pessoa. Desde seu exame, Sakura nunca mais havia visto Shizune, mas ao ver a moça passar se lembrou de outra pessoa e mesmo não querendo aquilo, acabou por se lembrar das palavras dela.


Quando avistou as entradas do hospital engoliu em seco, já havia tido aquela idéias algumas vezes, mas havia prometido a Sasuke e com toda certeza o clã não iria permitir aquilo, mas a idéia de ser fraca, impotente e talvez nunca ajudar Sasuke quando precisasse a torturava, então engoliu todo o seu medo e adentrou o local.


Caminhou em passos lentos ate à recepcionista e lhe perguntou onde poderia falar com Tsunade, a mulher serrou os olhos. Conhecia Sakura, mas não fazia idéia do que a Haruno fazia ali e muito menos o que queria com sua chefe, já que os Uchihas e o pai da Haruno não se davam muito bem com a loira. Mesmo assim a mulher disse que ela tinha sorte, pois a mulher não estava ocupada e que poderia ir até sua sala, Sakura se reverenciou, em forma de agradecimento.


Quando chegou a sala que foi lhe dita, bateu lentamente duas vezes e ouviu um “entre” abafado. Ao entrar na sala, Sakura se deparou com a moça lendo alguns papeis e nem se deu ao trabalho de olhar quem havia entrado em sua sala.


– Boa tarde – Sakura começou. Tsunade não reconhecendo aquela voz, desviou sua atenção dos papeis e olhou surpresa para a figura da Haruno, ali parada diante de si, nervosa.


– Ora, ora. Se não é a princesinha dos Uchiha – Sakura serrou os punhos, não gostava e nunca gostou daquela forma como a chamavam e como a viam, desde que o noivado com Sasuke foi oficializado. – O que devo à honra? – sorriu debochada. Aconchegou-se mais a sua cadeira e encostou suas costas confortavelmente nas costas da cadeira, sem deixar o sorriso presunçoso do rosto.


– Bom, eu estou aqui para pedir sua ajuda. – Sakura não queria que aquilo se prolongasse muito, ainda mais se fosse para ganhar um “não”.


– E do que estamos falando? Suponho que os Uchihas e seu pai não saibam que está aqui não?


– Não senhora.


– E então...?


– Fiquei sabendo que é uma excelente médica, talvez um das melhoras.


– E?


– Eu gostaria que me ensinasse. – Tsunade a olhou desafiadora.


– Interessante, mas sabe os problemas que isso causaria a mim e até mesmo para você? Seu pai e os Uchihas não iram aceitar esse tipo de coisa. – Sakura engoliu em seco – Está disposta a desafiar e passar por cima das regras?


– Sim – respondeu convicta.


– Ótimo. – se levantou de forma bruta da cadeira.


Sakura sentiu seu corpo tremer. O que acabara de fazer? Pensou. Tsunade não queria saber o porquê daquilo, mas tinha uma leve idéia do que poderia ser, mas adorara a idéias, seria um prazer passar por cima da opinião machistas dos Uchihas e de Hikaru.