CAPÍTULO V

Itachi não sabia por onde começava e muito menos como poderia ajudar seu irmão, mas sabia que algo tinha que ser feito, antes que Sasuke perdesse o controle na frente de outras pessoas.

— Olha, pergunta ao papai Sasuke – suplicou, passando as mãos nos cabelos.

— Não. Ele não ia conversar comigo sobre isso e você que veio com esse assunto há dois anos. É sua obrigação como irmão mais velho me ajudar, me dá um remédio sei lá. Isso deve ser uma doença. – Itachi riu do desespero do irmão.

— Olha não é doença. A tendência é piorar, mas tem controle.

— Não tem cura? – arregalou os olhos

— Não, é pra sempre, ou pelo menos para alguns homens.

— Eu estou perdido.

— Olha é só ficar calmo, isso que você sente é vontade se fazer sexo – deu de ombros.

— E você fala isso na maior naturalidade seu idiota? Como vou ficar perto da Sakura se ficar desse jeito?

— Pensa em outra coisa, desvia o olhar, sei lá.

— Você não está ajudando...

— Olha – suspirou – você pode fazer uma coisa pra aliviar a “tensão” – Sasuke o olhou confuso para Itachi que estava corado.

— O que?

— Você pode se tocar.

— Como...- Sasuke parou pra pensar e Itachi o olhou sugestivamente – você faz isso seu pervertido? – acusou

— Não, seu idiota. Diferente de você eu tenho mulher e posso fazer certas coisas à hora que eu quiser – disse entre dentes.

— Isso não me convenceu.

— Na sua idade eu tinha que me virar. Também não podia ficar agarrando a Izumi por ai.

— Hn.

— Acho bom você se controlar, porque isso vai piora e Kizashi sabe o que acontece com os garotos na adolescência.

— Então é por isso que ele fica nos vigiando – Sasuke colocou a mão no queixo pensando

— É. Ele conversou com papai e ele concordou com isso, por um lado eles estão certos. Eu também não deixaria Mai, sozinha com nenhum garoto.

— Isso é ridículo. Eu jamais iria encosta nela.

— Ela também está diferente não é? Acha que ela iria se importar se você tocasse nela? – Itachi perguntou de forma obvia.

— Ela é muito quieta e certinha – com exceção de algumas coisas. Pensou – eu nunca a toquei, mas nos meus sonhos...eu fico vendo as pernas dela...e ela...

— Para – gritou Itachi, tapando os ouvidos – eu não quero saber dessas suas fantasias – bufou – eu sabia que sua percepção com relação a sexo iria mudar, mas tinha que ser agora? – Itachi falava pra si mesmo.

— Me ajuda – Sasuke suplicou

— Já te disse o que pode fazer para atenuar as coisas, mas ficar afastado da Sakura e de qualquer outra mulher também ajuda.

— Eu não olho pra outras mulheres.

— Isso é bom, mas quando as coisas apertarem você vai ficar doido. – Sasuke grunhiu e saiu do escritório sem dizer nada, batendo a porta com força. Itachi fechou os olhos e fez cara feia com o “baque” da porta. – É agora que a luta começa.

Sakura estava no jardim de sua casa, deitada na grama, era fim de tarde e Ino já havia ido embora, para se encontrar com Sai. Olhava o céu rosa e alaranjado, com as nuvens se dissipando no ar, flutuavam lentamente.

Os raios de sol iluminavam seu rosto e deixavam seus olhos mais brilhantes, não percebeu que era observada por alguém que estava logo atrás de si, mas não se preocupou, provavelmente era seu pai, já que Sasuke só via aos finais de semana.

— Está bonito – Sakura olhou curiosa pra trás e surpresa.

— É, mas o que faz aqui? – perguntou confusa.

— Eu vim conversar o com seu pai sobre a missão que me deram.

— Ah. – se virou e continuou olhando as nuvens. Sasuke se sentou ao lado dela, mas um pouco afastado.

— Você vai também. – Sakura se sentou rapidamente e arregalou os olhos.

— Co-como assim?

— O Hokage nos deu uma missão, ele sabe que você se formou na escola e mandou eu, você e Naruto para uma missão simples no País da Água.

— Eu, eu não posso acreditar – sorriu – isso é a melhor notícia que eu já recebi – os olhos da menina estavam mais brilhantes do que antes.

— Hn.

— Meu pai me permitiu ir com vocês? – parou de repente para pensar, não acreditava que um dia seu pai iria deixá-la sair da vila, ainda mais com dois homens, mesmo um deles seja seu noivo.

— Bom, haverá um ninja experiente liderando a missão, Kakashi Hatake.

— Ah, mas mesmo assim. Isso é maravilhoso. – Sasuke não disse nada, apenas olhava para as árvores ali. – aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupada, vendo a cara séria de Sasuke.

— Não, nada que você tenha que se preocupar – continuou olhando para as árvores, onde o vento batia e sacudia as folhas.

— Hn. Você ficará para o jantar? – perguntou sorrindo

— Não, tenho que arrumar algumas coisas para amanhã. Sairemos cedo, então arrume suas coisas também. – Sakura assentiu, estava feliz e mal via à hora de poder sair da vila e viver uma aventura, como as que seu pai lhe contava quando era pequena.

A relação de Sasuke e Sakura mudou muito, agora eles se comunicavam mais, mas não tocavam em assuntos românticos, muitas das vezes se pegavam um encarando o outro. Sasuke já tinha conhecimento de seus sentimentos, mas Sakura achava tudo muito estranho, mesmo tendo uma idéia de como era o tal do “amor”, mas duvidava que sentisse isso por Sasuke, ainda.

Achava que com o tempo ela iria se apaixonar por ele e sentir tudo que Ino descrevia ou pelo menos tentava descrever os sentimentos que sentia por Sai, mas naquele momento a única coisa que pensava era se especializar nas coisas que Sasuke havia a ensinado e a ter muitas aventuras pela frente.

Depois de um tepo Sasuke havia ido embora e Sakura animada já arrumava suas coisas em uma mochila, como comida, armas e primeiros socorros caso fosse preciso, mas duvidava que fosse usar, ainda mais com o mundo ninja tão calmo, sabia que era errado, mas no fundo torcia para acontecer uma luta nessa viagem e assim sentir a adrenalina percorrer por seu corpo. Ouviu alguém bater a porta de seu quarto e pediu que entrasse.

— Filha? – chamou Kizashi. Sakura olhou sorridente e animada para o pai, que tinha o semblante sério e um pouco triste.

— O que foi papai? – seu sorriso se desfez ao olhar as feições do pai.

— Como sairá em missão amanhã eu lhe trouxe algo – Sakura olhou para uma caixa nas mãos do pai e ficou confusa.

— O que é? – perguntou curiosa.

— Na missão de amanhã não seria bom ir de kimono, então eu tenho uma coisa que pode ajudar nesse caso. – Kizashi deu a caixa para a menina que estava surpresa com a atitude do pai.

Abriu a caixa e lá estava um conjunto de coisas, um short preto, uma saia rosa claro, uma blusa vermelha, como a parte de cima de um kimono da cor vermelha e tinha o símbolo do clã Uchiha nas costas, já que agora ela era uma Uchiha “praticamente”, havia botas pretas também, que iam até um pouco abaixo do joelho, tensores para cotovelos da mesma cor da saia e outras coisas.

Sakura sentiu os olhos marejarem, estava feliz, como jamais fora e ainda mais por Kizashi parecer aceitar o sonho dela. Deixou a caixa de lado e abraçou o pai, agradecendo. Kizashi fechou os olhos e acariciou os cabelos da filha que enterrara a cabeça em seu peito. Suspirou, sua filha estava crescendo e a cada dia se tornava uma mulher delicada, inteligente, forte e ainda mais bela.

Sakura acordara bem cedo para se arrumar e naquela noite mal havia dormido de tanta ansiedade. Tomou um banho quente, colocou a roupa ninja que seu pai havia lhe presenteado e prendeu os longos cabelos em um rabo de cavalo, deixando duas mechas escaparem, assim moldando seu rosto.

Olhou-se no espelho e sorriu, estava orgulhosa de si mesma e satisfeita com o reflexo da ninja refletido no espelho. Não fez maquiagem, deixou seu rosto limpo, mesmo querendo pintar pelo menos os lábios e os olhos, achou que para aquilo não era necessário aquele tipo de coisa.

Pegou sua mochila e desceu as escadas, o sol nem havia nascido e ela já estava pronta para sair, mas precisava tomar café e colocar alguns alimentos na mochila para finalizá-la. Foi até a cozinha, mas se assustou com a presença de seu pai ali, sentado em um banco alto, perto do balcão com uma xícara nas mãos.

— Que susto papai – disse, com a mão no peito.

— Desculpe – disse

— Tudo bem – sorriu

— Hn. Vejo que já está pronta pra ir.

— Sim, sairemos bem cedo.

— Ah! Sakura, quero que saiba que aceitei essa missão, apenas por Sasuke estar indo junto e por um ninja mais experiente acompanhá-los também.

— Eu já suspeitava disso – confessou

— Mesmo assim quero que se cuide e sei que Sasuke fará o trabalho dele em te proteger – Sakura fez uma cara feia – esse é o trabalho dele também, você ira como auxilio, mesmo a missão sendo básica, a muitos perigos por ai.

— Eu posso me defender sozinha – Kizashi riu sem humor.

— A escola ninja não ensina como agir numa situação de risco ao extremo. Morte – Sakura tremeu com aquela palavra

— Papai eu sei dos riscos, mas o senhor tem que confiar em mim, eu consigo – Kizashi suspirou

— Está bem, mas me prometa que vai se cuidar e que vai obedecer tudo que Sasuke lhe disser — Sakura assentiu séria – Tome seu café – sorriu para o pai, que deixou apenas um pequeno sorriso fraco brotar em seus lábios.

Kizashi estava inseguro em deixar a filha ir, mas precisava confiar nela e em Sasuke, que lhe jurou proteger fielmente, mas mesmo nessas condições ele se preocupava. Achava Sakura muito frágil e não queria aquela vida para a filha, se sentia honrado e feliz por saber que ela se orgulhava dele e de seu antigo “trabalho”, mas imaginar a filha correndo tais riscos o perturbava, por isso não conseguiu dormi e foi tomar um chá para se acalmar e por sorte pode ver a filha ali também.

Sakura entendia a preocupação do pai, mas queria que ele tivesse um pouco mais de autoconfiança sobre ela. Tomou seu café da manhã calmamente e hora ou outra olhava de canto para seu pai que a observava enquanto comia, mas ele parecia distraído, não parecia realmente vê-la. Terminou o café e limpou o que havia sujado, já que não achava justo acordar a criada para fazer seu café e nem deixar as coisas sujas para que ela lavasse, Kizashi apoiava a atitude humilde da filha nesses assuntos.

Colocou a mochila nas costas e olhou para o pai que fez questão de acompanhá-la até o portão da mansão. Ao chegar lá Sakura olhou pro céu que havia poucas estrelas, e o sol já começava a nascer, deixando um lado azul escuro pela noite e o outro de um roxo indo para o rosa onde o sol estava nascendo. Sakura se virou para o pai e lhe deu seu melhor sorriso, Kizashi por sua vez fez algo que há muito tempo não fazia. Beijou-lhe a testa e Sakura fechou os olhos.

— Tome cuidado – disse

— Tomarei.

— A propósito, você ficou linda nessa roupa – Sakura sorriu e corou.

— Obrigada – abraçou o pai

— Eu te amo minha princesa. – Sakura sentiu o seu coração aquecer e apertou mais o abraço. Sentiu seu pai suspirar e se separaram.

Kizashi olhou para o lado e viu a silueta de Sasuke aparecer, se separou da filha e Sakura olhou na direção que seu pai olhava. Viu Sasuke vestido com roupas pretas, botas ninjas e nas costas uma espada e além da mochila azul. Seu rosto era sério, nem mesmo demonstrou a reação de deslumbramento ao ver Sakura, como de costume, o que há deixou um pouco confusa. O moreno parecia muito...concentrado.

— Bom dia – disse sério, olhando diretamente a Kizashi

— Bom dia Sasuke. – respondeu o senhor Haruno também sério

— Bom dia – a voz de Sakura saiu um pouco tremula, mas nem mesmo ela sabia o porquê, já que não estava se sentindo nervosa, ou envergonhada. Normalmente esse era o efeito que lhe causava ao ver Sasuke tão...bonito. Porém não era o caso, sabia. Ele estava indiscutivelmente bonito como sempre, mas ela estava ansiosa, para irem logo.

— Bom, já está na hora de irmos Sakura. Vamos? – perguntou de forma fria, Sakura arqueou a sobrancelha e assentiu ainda confusa.

— Sasuke não abaixe a guarda – alertou Kizashi, mas para Sasuke o aviso soou como: “Proteja minha filha e não tire os olhos dela”, Sasuke se limitou apenas assentir ao aviso de seu quase sogro.

Sakura acenou para o pai pela última vez, que sorriu brevemente ao ver a filha e seu genro indo em direção ao portão da vila.

Sakura caminhava ao lado de Sasuke e o olhou de relance. Constatou que o rosto do mesmo continuava muito sério, talvez ele estivesse com problemas em casa ou era costume do mesmo agir assim durante as missões, pensou.

— Não saia de perto de mim – disse, olhando para frente. Sakura assentiu, mas também sentiu seu coração se contrair, pois Sasuke não tinha confiança nela, como seu pai também parecia não ter. Isso a irritou.

Sasuke notou o símbolo de seu clã, bordado atrás da blusa que Sakura usava e se sentiu ainda mais responsável por ela, ela era dele. Pensou possessivamente. Quando olhou a garota vestida naqueles trajes sentiu o calor dominar seu corpo como sempre acontecia nos sonhos que tinha, mas ele não podia perder o controle, ainda mais na frente de Kizashi. Mas ao olhar as pernas em desenvolvimento de sua noiva, suas mãos começaram a suar. Achou melhor agir indiferente, assim se manteria mais concentrado em outras coisas e não no corpo de Sakura.

Chegaram aos portões da vila, onde viram Naruto chegando ao mesmo tempo em que eles. Naruto ao ver Sakura vestida daquela maneira, arqueou as sobrancelhas em surpresa, jamais imaginaria que Sakura iria na missão e de que Sasuke permitiria, muito menos ser vivo para ver a garota vestida com aquelas roupas nada costumeiras. Sasuke percebeu os olhos do Uzumaki sobre Sakura e serrou os punhos, havia gostado das roupas novas de Sakura, isso facilitava sua visão para certos locais do corpo da menina, mas vendo Naruto a olhar achou que talvez não fosse uma boa ideia ela estar vestida daquele jeito.

Ficaram esperando ali, sem dizer nenhuma palavra, mesmo que Sakura sentisse a necessidade de ouvir pelo menos alguma reclamação, mas parecia que nem mesmo Naruto estava muito a fim de falar, hora ou outra olhava para a garota ainda confuso.

— Quer para com isso? – perguntou Sasuke entre dentes.

— Hã? – perguntou Naruto, confuso.

— Para de ficar olhando pra ela desse jeito.

— Ah, foi mal – Naruto sabia do temperamento do Uchiha – Olha, mas ta meio difícil – sorriu sem graça, coçando a nuca.

— Tente a partir de agora, antes que eu me aborreça.

— E já não está?

— Não – sorriu de canto – nem queira ver.

Naruto ira responder, mas foi interrompido por Kakashi que acabara de chegar. Sakura estava aérea e não sabia nem mesmo o porquê daquela conversa deles, mas sabia que a mesma estava envolvida. Agradeceu a Deus por Kakashi ter chego, achava que Sasuke estava mais estranho que o normal e com uma expressão sádica no rosto.

— Bom dia – disse bocejando

— Bom dia – respondeu Sakura e Naruto naturalmente

— Hn. – Sasuke olhava Naruto ainda, o analisando

— Vamos? – perguntou sem delongas. Sakura sentiu um frio na barriga e sorriu.

Todos começaram a andar e logo passaram pelo portão da vila. Kakashi analisou a situação quando chegou e deduziu que o clima entre Naruto e Sasuke estava meio pesado, mas como não ouve conversa, nem ofensas achou melhor ficar apenas de olho em ambos. Notou a animação da menina de cabelo rosa e sorriu discretamente, gostaria que ela ficasse feliz assim até o fim da missão, porém ele acreditava que não seria assim, de qualquer maneira ela precisava ver e aprender o que lhe espera pelo mundo a fora.

Já andavam algumas horas e Sakura estava se esforçando para acompanhá-los, não estava acostumada com todo aquele esforço, mas não queria mostrar que era fraca ou incompetente para aquele ato tão simples de um ninja, correr sobre as árvores. Kakashi achou que já estava na hora de uma parada, para comerem e beberem alguma coisa e assim o fizeram.

Sakura se sentou sobre uma pedra e Sasuke se colocou ao lado dela, mas um pouco afastado, Naruto os observava e achou Sasuke muito estranho, mais do que o normal quando realizavam missões. Kakashi não tinha muito intimidade com eles, então decidiu puxar assunto.

— Por enquanto que comemos, por que vocês não falam um pouco de vocês? – perguntou indiferente, mordendo um bolinho de arroz.

— Sobre o que? – perguntou Naruto

— Sobre vocês, o que gostam de fazer, seus planos para o futuro, etc. – Naruto sorriu e começou a falar agitado.

— Eu sou o melhor ninja de Konoha, depois do meu pai que é o Hokage – alertou, apontando o dedo para o alto, de forma convencida – gosto de comer ramen e ver a... – olhou para Sasuke e para Sakura brevemente que ficou confusa, mas Sasuke entendeu o que ele iria dizer – continuando. Meus planos para o futuro é me tornar Hokage, me casar com uma garota muito linda e viver feliz para sempre – Kakashi e Sakura sorriram. Sasuke se manteve ainda indiferente, mas não gostou muito do fato do seu “amigo” apreciar ficar observando sua noiva.

— Muito bom – elogiou Kakashi – agora é você...Sakura. – Sakura assentiu e sorriu.

— Bom eu não tenho muito o que falar – o rosto da menina ficou corado – gosto de mexer com as flores do jardim da minha casa e meu sonho para o futuro é me tornar uma ninja bem forte.

— Hn. Interessante. Seus pais aprovam sua decisão?

— Sim – assentiu

— Bom, mas porque não fala o que você faz, mais sobre você. – Kakashi achava Sakura muito calada e queria que ela se soltasse mais um pouco. Uma pessoa muito calada, não era muito bom para o trabalho em equipe. O Hatake acreditava que para uma boa convivência e um bom resultado nas missões, os ninjas precisavam conhecer bem seus companheiros de time.

— Não tenho o que falar.

— Você não tem amigos? – insistiu

— Tenho uma amiga. – Kakashi sorriu

— O que vocês fazem quando estão juntas.

— Conversamos – deu de ombros

— E nos finais de semana?

— Eu não a vejo.

— Por quê? – Sakura estava ficando constrangida com todas aquelas perguntas e Sasuke também não gostou muito, achava que o Hatake estava sendo muito entrometido.

— Nos finais de semana eu fico com Sasuke – deu de ombros. Kakashi ficou confuso.

— Vocês são amigos?

— Não. – Sasuke disse, já estava irritado com todo aquele questionário – chega de perguntas. – Kakashi o olhou confuso, mas o garoto tinha razão. Bem que sua esposa o alertara de sua curiosidade exagerada.

— Muito bem, então é sua vez Sasuke.

— Isso é patético.

— Não é patético, vamos. – insistiu. Sasuke revirou os olhos e bufou – o que você costuma fazer?

— Missões e treinamento.

— E o que gosta de fazer?

— Isso não é da sua conta. – Kakashi achava o Uchiha muito estressado, mas mesmo sendo errado ainda queria matar sua curiosidade sobre a relação do Uchiha com a Haruno.

— Seus planos para o futuro.

— Vou me casar – o olhou desafiante e sorriu de canto. Kakashi arqueou a sobrancelhas e se surpreendeu com a resposta de Sasuke.

— Engraçado. Soa com um futuro muito próximo – riu

— E é – Sasuke ficou sério novamente e olhou sugestivamente para Sakura. Kakashi arregalou os olhos, então era aquilo. Essa era a relação deles, Sakura era então a famosa “princesa” dos Uchihas, mas como não havia percebido isso antes. Se perguntava.

— Ah sim.

— Agora é sua vez – disse Naruto, enchendo a boca de mais ramen

— Eu gosto de ler livros e meus planos para o futuro o caminho da vida me leva – sorriu. Todos ficaram decepcionados, Sasuke achava aquele ninja muito inconveniente.

Depois de um tempo, terminaram de comer e beber, se ajeitaram e continuaram com a missão. Sakura pensou na conversa que tiveram no caminho e se sentiu incomodada com o fato dela não ter respostas para a primeira pergunta. Como ela era? Como ela podia falar dela, se nem mesmo ela sabia como se descrever e o que gostava de fazer, sua vida era limitada a casa, treinamentos para saber como uma Uchiha se comportava e como tratar seu marido devidamente.

A única parte boa e a qual ela não podia mencionar era os treinamentos com Sasuke o que não estava sendo muito freqüente nos últimos tempos, já que seu pai ficava os vigiando quando estavam juntos, e nem conseguiam escapar com alguma desculpa. Lembrar disso a deixou intrigada e fez uma nota mental de que quando chegasse em casa, ou quando tivesse uma oportunidade conversaria com seu pai sobre toda essa marcação.

Sakura, Sasuke, Naruto e Kakashi, já haviam terminado a missão e agora estavam voltando para casa. A missão era realmente simples, apenas trazer um pergaminho de relatórios de ninjas desertores e assassinos, mas tinham que ser discretos, pois os nomes poderiam cair em mãos erradas.

Sakura ficou um pouco decepcionada, pois não teve a “ação” que gostaria que tivesse tido, mas por outro lado também estava feliz em realizar sua primeira missão com sucesso. Já era noite e estavam cansados, decidiram parar um pouco para descansar, comer e dormir, assim pela manhã já estariam chegando em casa.

Sakura depois de se alimentar, foi à procura de algum lago, rio ou cachoeira para se molhar. Pediu permissão a Sasuke para ir, mas ele disse que iria a ajudar a procurar, Sakura assentiu e ambos foram à procura de água. Kakashi olhou os dois sumirem de suas vistas, mas antes disse para Sasuke ficar de olho e não abaixar a guarda, Sasuke escutou, mas o ignorou, seguindo atrás da rosada. A Haruno por sua vez percebeu que aquele momento seria perfeito para conversarem, então começou.

— Sasuke, posso te fazer uma pergunta?

— Diga – respondeu sem emoção, tentava ficar concentrado, para não se arrepender depois.

— Bom...é que...Sabe o porque de meu pai ficar de marcação serrada com a gente? Ele anda meio estranho e não agia como um carcereiro antes...- Sasuke quis rir, mas se controlou, não acreditava que Sakura havia percebido o jeito novo de seu sogro.

— Ele está certo. – colocou a mão nos bolsos e olhou em volta, tentando escutar algum barulho de água e ouviu algo ao leste.

— Porque acha isso?

— Ele quer...te proteger. – deu de ombros

— Do que? Você é meu noivo não é? – perguntou confusa, já não entendendo mais nada do que ele queria dizer.

— É, mas algumas coisas mudaram...

— O que mudou? – Sasuke sentiu um nó na garganta, mas antes que pudesse responder ouve uma explosão na direção do acampamento deles. Sasuke olhou atônico pra Sakura e sentiu medo pela primeira vez na vida, medo de que algo pudesse acontecer com ela. – O que é isso? – perguntou espantada.

— Sakura fica atenta, devemos estar sendo atacados. Fica perto de mim – Sakura tremeu, suas pernas ficaram bambas e suas mãos suadas. Achava que naquela altura não havia mais esperanças para uma batalha e sua reação estava sendo totalmente diferente daqui gostaria. Medo, angustia, eram os sentimentos que a dominavam naquele momento.

Sasuke queria ir ajudar seus amigos, mas não queria que Sakura fosse junto e não podia a deixar ali. Então instintivamente pegou a mão da rosada que estava petrificada, mas recobrou a consciência quando a mão do moreno pegou na sua.

— Olha, fica calma. Fica perto de mim, eu não vou deixar nada acontecer com você. – Sakura engoliu em seco, mas assentiu.

Sasuke sabia que Sakura estava nervosa e que não iria lutar, ele não deixaria. Correram cautelosos pela floresta e ao chegarem perto do acampamento, Sasuke pediu a Sakura que se escondesse perto de um arbusto ali. Sakura fez o que ele pediu e se agachou ali. Sasuke deu uma ultima olhada nela e foi ajudar seus amigos.

Naruto lutava com um homem e não parecia ter problemas, Kakashi também não parecia ter problema em lutar com dois ao mesmo tempo. O que Sasuke não esperava era que mais ninja três ninjas iriam o atacar por cima. Rapidamente pegou sua espada e bloqueou o golpe. Sakura estava vendo tudo e tampou a boca para não ser denunciada pelo quase grito.

Naruto conseguiu derrotar seu oponente e logo foi ajudar Sasuke, que ficou com dois agora, não sabia o que eles queriam, mas teriam que se defender. Não conversavam, apenas se ouvia o som das kunais, shurikens se chocando ali. Kakashi derrotou um de seus oponentes. Sasuke estava furioso com toda aquela luta, desviava facilmente dos golpes e não achava que aqueles ninjas eram páreo para ele, o que Sasuke não contava era que um de seus oponentes fosse desviar a atenção de si e fosse atrás de Naruto que se mantinha concentrado contra seu rival que nem percebeu uma kunai em sua direção.

Sakura viu a kunai indo em direção a Naruto, iria atingir a nuca do loiro e por reflexo acabou se expondo e indo parar na frente da kunai, a parando com outra, um golpe certeiro.

— Ora, ora. Tem uma mulher com eles – o ninja que atirou a kunai para cima de Naruto pronunciou zombeteiro. Sasuke olhou atônico para o lugar onde Sakura deveria estar, mas não estava mais lá. Olhou na direção de Naruto e lá estava ela, tremendo com uma kunai em mãos, os olhos dela estavam assustados. – Você é a garota mais linda que eu já vi, pena que eu vou te matar – sorriu de modo sádico. Sakura engoliu em seco e viu o homem correndo em sua direção. Sasuke se desesperou e terminou por cravar sua espada no peito do homem, que caiu cuspindo sangue no chão.

Kakashi estava ocupado demais, pois o seu oponente era o líder do bando e conseqüentemente o mais forte, não havia como ajudar Sakura naquele momento. Naruto por desviar a atenção pra Sakura acabou levando um soco no rosto, Sasuke após ter matado seu oponente, correu em uma velocidade incrível, parando na frente de Sakura que fechou os olhos, esperando pelo impacto. O ninja arregalou os olhos, sentindo a boca se encher de sangue, Sasuke havia acertado seu coração, o Uchiha chutou o peito do homem que caiu no chão e deixou sua espada banhada em sangue. Sasuke caiu de joelhos, ofegante.

Sakura abriu os olhos vagarosamente e encontrou Sasuke cuspindo sangue, com as mãos no chão. Desesperou-se e colocou a mão em suas costas o apoiando, Sasuke não conseguia nem a olhar, o homem havia conseguido atingir seu braço com uma kunai e pro seu azar, estava envenenada. Kakashi fez um genjutsu e prendeu seu oponente em uma ilusão, assim conseguiu o matar, cortando-lhe a garganta.

Naruto ficou irritado com o soco, correu para cima do ninja, que tinha o sorriso de vitoria no rosto, Naruto segurou o ninja pelos ombros e o forçou a ficar de joelhos. Rapidamente ficou atrás do homem e o quebrou o pescoço, assim caindo desfalecido no chão.

Sasuke não conseguia falar e não parava de tossir, queria olhar Sakura e saber se ela estava bem, ou se sofreu algum ferimento, sua visão já estava ficando turva e as forças se esvaiam a cada segundo. O veneno era muito poderoso, Sakura não sabia o que fazer, estava com medo de que Sasuke morresse e se sentiu culpada. Era culpada por ele ter se ferido e seria culpada pela sua morte. Pensava. Quando Sasuke caiu no chão desmaiado sua única reação foi apenas gritar por Kakashi.

Kakashi corria o mais rápido que podia, com Sasuke em suas costas desmaiado, já não estavam tão longe de Konoha e Sasuke precisava de um médico com urgência, antes que o pior acontecesse. Sakura tentava acompanhar Kakashi, se esforçando o máximo, Naruto se mantinha a seu lado, para não deixá-la para trás. Partia-lhe o coração ver a rosada com o rosto molhado pelas lagrimas que não paravam de cair um segundo.

Chegaram aos portões de Konoha e Kakashi nem parou pra falar com os guardas, foi direto para o hospital. Dois minutos atrasados, Sakura e Naruto chegaram ao hospital, viram Kakashi conversando com uma mulher loira, alta com os seios avantajados e de expressão severa. Naruto e Sakura chegaram perto do ninja para pedir informações de Sasuke, mas ficaram constrangidos de interromperem a conversa.

— Tudo bem, mas acho melhor avisar o Clã Uchiha – Sakura sentiu seu coração apertar e mais lágrimas vieram aos seus olhos. Pensou que talvez fosse tarde demais. – Vamos tentar tirar o veneno de seu sangue, deixe me ir, já devem estar me esperando, logo traremos noticias. – Kakashi assentiu. A mulher olhou brevemente para Sakura e deu as costas para eles, indo até a sala onde Sasuke seria tratado.

— Irei avisar o pai de Sasuke que estamos aqui e o que aconteceu, posso até ver brigas pela frente – massageou as têmporas – fiquem aqui e em silencio, isso foi pra você Naruto, Sakura fique calma, tudo vai dar certo e o Sasuke vai ficar bom. Tsunade é a melhor médica de toda a aldeia. – Sakura tentou enxugar um pouco as lágrimas do rosto e assentiu, ela e Naruto foram se sentar em uma das cadeiras que haviam ali.

Seus joelhos subiam e desciam, via algumas macas passarem, hora com alguém, outra vazia. As mãos frias e molhadas devido ao nervosismo estavam depositadas sobre as pernas, com os olhos vermelhos e sem deixarem de cair lagrimas a todo o momento. Naruto até tentou a confortar, mas foi ignorado. O garoto entendia o nervosismo da rosada e não iria se sentir ofendido com o comportamento frio dela naquele momento, entendia que ela estava nervosa e ansiosa por noticias.

Mais médicos e enfermeiras passavam por ali e ninguém via lhes dar noticias, já passava das quatro da manhã.

Sakura olhou assustada quando viu o pai de Sasuke, com Itachi adentrando o hospital desesperados, abaixou a cabeça e chorou mais, tremendo, esperando alguma ofensa e critica vindo dos Uchihas.

— Onde está o meu filho? – perguntou alterado

— S-se acalme senhor, logo Tsunade estará aqui com noticias de seu filho. – a recepcionista ficou nervosa diante dos olhos negros e furiosos de Fugaku.

— Meu filho não ficara aqui. Vamos, chame Tsunade. Meu filho será tratado no Clã Uchiha. – a mulher assentiu e foi à procura de Tsunade, desengonçada.

Itachi olhou para o canto da sala de espera e viu Sakura com o rosto traumatizado, engoliu em seco e foi até a menina. Não sabia o que fazer para acalmá-la, queria dizer que ficaria tudo bem, mas ele não sabia o que havia acontecido realmente e o que ela tinha visto pra ficar daquela maneira.

Tsunade chegou à recepção e olhou furiosa para Fugaku, que sustentou seu olhar. Sakura sentiu o clima pesado e entendeu o que Kakashi quis dizer sobre brigas futuras.

— Onde está meu filho Tsunade? – perguntou de forma exigente, Tsunade serrou os punhos.

— Calma, já tiramos o veneno de seu corpo, agora ele está em observação para sabermos como ira reagir ao antídoto. Por sorte o veneno não tem efeito imediato e os esforços de Kakashi para chegar o mais rápido possível aqui foi de grande ajuda.

— Sasuke será tratado no clã. – Tsunade achava o jeito mesquinho de Fugaku um absurdo e trincou os dentes com a ordem do pai de seu paciente, mas como ele era de fato o “pai” não poderia fazer nada e não seria uma boa coisa armar uma briga ali, uma luta na verdade. Há tempos não ia com a cara de Fugaku, pois ele julgava o hospital da vila inferior aos médicos Uchihas.

Kakashi chegou com o Hokage, Naruto olhou para o pai que se mantinha concentrado agora no amigo e em sua madrinha. Pensava em um modo de amenizar aquela situação, mas parecia que não havia conversa com Fugaku, quando se tratava dos filhos.

— Madrinha – chamou Minato. Tsunade olhou para o afilhado e suspirou.

— Não se meta Minato. – disse revirando os olhos.

— Deixe Fugaku levar Sasuke, ele é o pai e sabe o que é melhor para o filho dele. – Tsunade trincou os dentes, odiava ser contrariada. Deu de ombros, não poderia contrariar Minato, ainda mais quando esse usava aquele tom de voz sério, mostrando que ele falava como Hokage e não como seu afilhado.

Fugaku se sentiu vitorioso e disse para Itachi chamar os médicos do clã para transportarem Sasuke até o distrito Uchiha. Assim depois de cinco minutos já estavam levando Sasuke, Sakura assistiu tudo calada e agora mais calma, sabendo que Sasuke estava bem e precisava de descanso, Itachi a garantiu que o mesmo ficaria bem, e que se ela quisesse mais tarde quando descansasse, ela poderia ir vê-lo.

Haviam ido avisar Kizashi do ocorrido e que sua filha se encontrava no hospital. Todos sabiam que foram atacados, mas não souberam o real motivo de Sasuke ter sido atingido. Sakura se sentiu um lixo por não ter feito nada e se sentiu ainda pior por ter desejado uma batalha. Naruto ficava olhando atônico para a garota, sem saber o que fazer para que a doce menina não sofresse. Fugaku olhou para o amigo Kizashi que chegou alarmado, preocupado com a filha, mas se acalmou quando a encontrou sentada a cadeira. Sentiu o coração em pedaços ao ver o rosto da filha tão abatido, abriu espaço para que os médicos passassem, olhou brevemente para Sasuke na maca, dormindo em um sono profundo.

— Fugaku, o que aconteceu? – perguntou. Sakura correu para os braços do pai, chorando assim que ouviu sua voz. O Haruno abraçou a filha e pode sentir o quanto ela estava nervosa. Sakura não esquecia imagem de Sasuke ficando em sua frente, cuspindo sangue e dos homens sendo mortos por ele e por seus amigos. Tudo aquilo não era como ela pensava que seria, se arrependeu amargamente de ter ido naquela missão e jamais queria sentir aquele medo de perder Sasuke de novo.

— Eles foram atacados. Pelo que Kakashi disse eram seis ninjas, todos caíram, mas Sasuke ficou ferido. – Kizashi assentiu e olhou para a filha assustada em seus braços, mais do que nunca sabia que aquele mundo não era pra sua menina e se arrependeu de ter deixado-a ir, mesmo que Sasuke fosse o que tomava decisões sobre o que ela devia fazer agora. Se ele soubesse que ela ficaria daquele jeito, desolada, jamais teria deixado e passaria por cima de tudo e todos.

Kizashi falou com o amigo e lhe disse que depois iria até o clã saber de Sasuke, Fugaku assentiu, Itachi se despediu dos Harunos, olhou Sakura com pena de seu estado. Sabia que aquela vida era muito dura e não esperava menos que a menina ficasse naquele estado por algo daquele tipo. Fugaku nem ao menos olhou para Tsunade, quando passou pela mesma. Minato e Naruto já haviam ido para casa e Kakashi apenas foi embora quando Sasuke já estava aos cuidados dos médicos Uchihas. Disse a Sakura que tudo ficaria bem e ela assentiu, ainda abraçada ao pai, todos haviam ido embora, restando apenas Kizashi, a filha e Tsunade que observava a menina com ironia.

— Pa-papai, vamos embora? – perguntou com a voz embargada

— Sim princesa. – Sakura enlaçou o braço no do pai.

— Ei garota! – chamou Tsunade. Sakura a olhou confusa – Não seja fraca, aprenda com seus erros. Ficar chorando e se lamentando não vai atenuar as coisas – Sakura abaixou a cabeça diante da forma fria e dura que Tsunade lhe falou. Kizashi franziu a testa, não gostando do modo como Tsunade havia se dirigido a filha, porem preferiu a ignorar.

— Vamos filha – deram as costas a Tsunade, mas antes Sakura a olhou pela uma ultima vez.