Sasuke surpreendeu-se com a ordem de seu pai e quis rir, mas se manteve sério. Enquanto esteve no mundo dos dragões ficou pensando que cedo ou tarde finalmente seu pai tocaria naquele assunto, já que ao que parecia a situação do clã não era muito boa. Profecia idiota, pensou.


– Acho que certas coisas são inevitáveis, pai.


– Sei disso, mas as chances são de cinqüenta por cento, preciso que aumente essas chances entende?


– Hn. Vou cumprir com o meu dever. – disse indiferente. Nem poderia contestar nada, afinal ele tinha um dever como marido e Uchiha.


– Fico feliz com essa resposta filho, a outra conversa deixaremos para quando Itachi chegar. – disse, depois voltou a olhar para os papeis em sua mesa. Sasuke saiu da sala de seu pai e foi para seu quarto, pensar nos dias que viram e agora seu único problema, “Sakura”.


Sakura, Eiko e Mikoto estavam andando pelas lojas de Konoha a procura de alguns enfeites para o casamento, não havia muita coisa a fazer, as cores eram algo que não podia ser mudado, apenas comprariam algo que combinasse com o ambiente. Sakura olhava alguns arranjos de cristal, uns mais simples, outros mais elaborados, por ela escolheria os mais simples, mas Mikoto fazia questão de escolher os mais elaborados sinuosos. Fizeram a encomenda de tudo que faltava e logo estavam voltando pra casa, Eiko sentiu vontade de tomar um sorvete e as Uchihas foram até a sorveteria ali perto, mas o animo de Sakura piorou ao encontrar Sawaii ali.


– Ora, que coincidência encontrar as Uchihas aqui. Como vai senhora Uchiha? Eiko, Sakura – ao dizer o nome da rosada olhou desafiadoramente para a Haruno e sorriu maliciosa. Uma cobra, Sakura pensou da mulher, sentia cada vez mais vontade de arrancar fio por fio laranja da cabeça da Hitomi.


– Como vai senhorita Sawaii? – perguntou Mikoto educadamente, sem deixar sua antipatia pela moça transparecer. Sabia que a Hitomi sentia pelo seu filho e as afrontas que tinha com Sakura e se surpreendia cada dia mais com o controle de sua nora, se mostrando cada vez mais uma Uchiha perfeita.


– Muito bem, ansiosa para o grande casamento neste sábado – sorriu falsamente.


– Todos nós estamos. Bom se a senhorita nos de licença, precisamos ir. – pegaram e pagaram seus sorvetes e foram embora. Sawaii ficou ali as olhando e sorriu, pretendia infernizar a vida de Sakura o máximo que pudesse, se ela teria Sasuke tudo bem, mas não seria por muito tempo e mesmo que não tivesse sucesso em seus planos faria com que Sakura não fosse feliz.


Sakura chegou cansada do “passeio” turbulento e achou que um banho gelado naquela tarde quente poderia ser bom para esfriar a cabeça. Foi até o banheiro e colocou sua banheira para encher, fez todo o processo de colocar pétalas de rosas e sais aromatizantes, voltou para o quarto desfazendo o laço de seu kimono e se assuntou com Sasuke sentado na beira de sua cama, tapou a boca no reflexo para não gritar, quando finalmente sua respiração voltou ao normal o olhou fria e enraivecida.


– O que está fazendo aqui? – perguntou num sussurro, colocando a mão sobre o coração acelerado.


– Fique tranqüila, ninguém ira nos ouvir. – disse sério


– Por favor, saia. – pediu calma.


– Precisamos conversar.


– Não com você aqui no meu quarto, isso não está certo.


– Desde quando temos essas formalidades quando estamos sozinhos?


– Desde que você se foi, as coisas mudaram Sasuke.


– Eu sei, mas eu não esperava que você também – levantou-se e caminhou em passos lentos até a moça, que a cada passo do moreno, chegava um para trás. – vamos Sakura, eu sei que você não é assim.


– Vo-você po-pode sair do meu quarto? – se amaldiçoou por ter gaguejado, mas não podia ceder, não agora que faltava tão pouco.


– Eu senti tanto sua falta – disse ele finalmente estando perto o suficiente para poder acariciar seu rosto. Sakura fechou os olhos e suspirou como toque gélido das mãos do Uchiha em seu rosto quente.


– Po-por favor, Sasuke, saia do meu quarto. – Sasuke bufou e fez o que ela pediu, mas saiu pela janela, de onde havia entrado. Sakura sentiu-se aliviada quando finalmente ficou sozinha e encostou-se na parede, foi descendo até o chão, pois suas pernas estavam bambas, Sasuke estava a enlouquecendo a cada dia.


O céu estava de um cinza quase negro naquele começo de noite, mas era pra ser uma noite bonita, calorosa e estrelada, mas o humor de Sasuke estava tão a flor da pele que era impossível se controlar agora, podia explodir uma floresta com seus raios a qualquer momento.


– Olá Sasuke – olhou para trás, amaldiçoando aquele ser que foi perturbá-lo justamente quando estava querendo se acalmar. – nossa não precisa me olhar com essa cara, só vim desejar boas vindas. – Sai levantou as mãos para o ar em sinal de paz, Sasuke suspirou e lhe pediu desculpas, para logo depois agradecê-lo. – parece que anda nervoso. – comentou indiferente.


– Isso é novidade? – perguntou zombeteiro.


– Não. – riu – Problemas?


– Sempre – deu de ombros


– Sakura? – estimulou.


– Hn.


– Posso imaginar o porquê. Ela mudou bastante não é? – Sasuke bufou – No começo achava que ela não ia agüentar, mas seu pai é bem centrado no que quer – riu – ela também é bem determinada, nunca vi uma Uchiha se portar tão perfeitamente como ela seja onde for. Sakura é um exemplo aqui no clã.


– Não queria que ela fosse um exemplo. – confessou


– É, mas ela fez isso por você e para não dar mais problemas a sua família. Acho que eu e Ino também somos culpados de certa forma por isso.


– Não tenho duvidas – riu sem humor.


– Mas pense pelo lado positivo. Talvez depois do casamento ela volte ao normal ou quando vocês estiverem sozinhos – piscou malicioso – Sabe Sasuke, a única coisa que não posso reclamar do casamento é que posso ter certas coisas a hora que eu quiser e sem mentiras, esconderijos etc. Há suas vantagens – Sasuke ficou olhando Sai ir embora e depois voltou sua atenção para o céu, onde estava canalizando sua raiva, mas esse agora voltava ao normal, significava que ele não estava tão nervoso como antes e sua pequena conversa com Sai havia feito efeito.


Ficou refletindo sobre o que ele falou. Será mesmo que depois do casamento Sakura voltaria ao normal, ou quando eles estivessem sozinhos, mas casados? Desejou que esse casamento chegasse logo para que suas duvidas fossem respondidas e essa tormenta em sua cabeça acabada.


Sawaii estava no escritório com seu pai, esse por sua vez naquele momento revirava os olhos ao pedido fútil da filha.


– Sawaii, minha querida, ainda não é o memento – respondeu já ficando irritado.


– E quando será? – perguntou nervosa


– Quando eu achar que é. Por hora ficaremos apenas observando, ambos queremos algo, precisamos esperar. Paciência é uma virtude minha querida. Bom, eu vou passar um tempo na aldeia do som. Ficara bem?


– Sim – respondeu de forma mimada. – Quando volta?


– Daqui a alguns meses.


– Mas é muito tempo papai.


– Ora, não ficarei aqui para presenciar esse fato lamentável. E quem ouvisse você dizer isso acharia que ira sentir minha falta – riu sem humor.


– Há papai, eu sentirei, mas não posso dizer que não gosto quando não está aqui para me controlar – sorriu


– Só peço que seja discreta.


– Pode deixar – sorriu animada e bateu palmas.


– Muito bem então. – deu um beijo na testa da filha e saiu do escritório, rumo à aldeia do som, onde tinha assuntos pra tratar com uma pessoa que não gostava de ter contato.


Sawaii correu para seu quarto e foi para seu closet, pegando um lindo vestido azul, com alguns detalhes em pequenos dragões, colocou o vestido na frente de seu corpo e se olhou no espelho, pensando em como ficaria no dia que usá-lo.


– Há Sasuke, você será meu – sorriu maliciosa e mordeu os lábios, imaginando suas fantasias com o moreno.