Sakura chegou em casa acompanhada do pai que nenhuma vez lhe pronunciou uma sequer palavra. Sayuri já estava informada do que havia acontecido e ficou triste pela relação aparente do marido e da filha que sempre foram muito apegados, mas sabia que Sakura não havia feito por mal e de certa forma Hikaru estava triste por ela ter mentido para eles.


Sakura foi para seu quarto e se jogou na cama, chorando. Ao lembrar que Sasuke iria embora e eles apenas iriam se ver depois de longos dois anos a torturava, lembrar do rosto decepcionado dele a deixava ainda mais triste. Não sabia quanto tempo havia ficado ali deitada, apenas deixando as lágrimas deslizarem pelo seu rosto, se encolheu na cama e abraçou as pernas, ficado como um casulo, os olhos vermelhos e inchados devido ao choro e ardiam um pouco.


Bateram na sua porta e ela não respondeu, ouviu a empregada abrir a porta lentamente e lhe comunicar que fora ordenada a arrumar as malas da menina que apenas assentiu. Não queria tratar a mulher de forma mal educada, mesmo não estando bem. Suspirou e decidiu que teria que ser forte, por ela e Sasuke, mostraria a todos os Uchihas que ela seria a mulher perfeita e que Sasuke sentiria orgulho dela, prometeu a si mesma que jamais iria decepcioná-lo novamente, nem a ele e nem a seus pais.


Chorar não iria fazer que a punição para seus atos fossem absolvidas e que Sasuke voltasse atrás na sua decisão de ir para o mundo dos dragões. Levantou-se lentamente e foi para o banheiro, precisava tomar um banho, não adiantaria ficar deitada chorando, já não podia fazer mais nada, a não ser seguir o que lhe foi imposto e dessa vez seguiria ao pé da letra.


Sasuke arrumava suas coisas para ir com Takahashi, mesmo sendo dali a dois dias, não queria perder tempo com aquilo depois. Ouviu a porta de seu quarto bater, suspirou e pediu que entrasse, se arrependendo logo em seguida quando viu ali seu irmão.


– Me arrependi – murmurou


– Ora vamos, sei que está chateado, mas não precisa de tanto assim. – Itachi fechou a porta atrás de si e se sentou na beira da cama de seu irmão.


– O que quer? – Sasuke se apressou em perguntar, não estava a fim de conversar com ninguém naquele momento.


– Vim ver como estava e lhe explicar umas coisas...


– Não quero saber de nada que venha de você. Você é um dos culpados por tudo isso.


– Como posso ser o culpado se eu nem sabia da história da Sakura e muito menos do papai lhe mandar para o mundo dos dragões.


– Mas sabia que eu me encontrava com Sakura escondido. Vai me dizer que não foi você que me dedurou para o senhor Uchiha?


– Por incrível que pareça, realmente não fui eu que lhe dedurou. – Sasuke riu debochado.


– E espera que eu acredite em você?


– Sim, pois sou seu irmão e jamais iria o traí-lo dessa forma.


– Se não foi você, quem foi?


– Como ele mesmo disse, papai não é tolo Sasuke, como eu percebi sua mudança, ele também notou. Ele deve ter feito o mesmo que eu e mandado alguém atrás de você.


– Isso é estupidez, eu me sinto uma criança.


– E se porta como uma.


– Eu já não sou mais criança – alterou-se


– Se julga o que então?


– Eu já sou um homem.


– Então é melhor se portar como tal. Muita coisa ira mudar, espero que você entenda e respeite a decisão do nosso pai.


– Eu respeito, mas tenho escolha?


– Não. — Itachi fechou os olhos e suspirou, levantou-se e foi até a porta a abrindo. – Vou sentir sua falta – disse sincero.


– Faltam dois dias ainda...


– Amanhã cedo irei a uma vila, tratar de...negócios.

– Hn.


– Cuide-se.


– Você também – Sasuke olhou para o irmão mais velho e assentiu se forma respeitosa. Não gostava de brigar com Itachi e muitas coisas estavam confusas em sua cabeça, tantas coisas realmente iriam mudar em sua vida? Perguntava-se se quando voltasse do treinamento, em como as coisas estariam.



No dia seguinte, Sakura levantou-se e se aprontou para o café da manhã, seu pai a levaria até o distrito Uchiha, junto de sua mãe e lá se despediriam.


Os Harunos andavam pelas ruas, alguns cumprimentavam educadamente, outros apenas olhavam curiosos, pois já havia se espalhado a noticia de Sakura ter feito o parto de Ino e isso era algo incomum ali, ainda mais Sakura sendo uma futura Uchiha.


Ao chegarem à casa principal, Sakura cumprimentou seus “sogros”, deixou seus pais conversando com os mesmos e pediu licença para ir até o lago, chegando lá encontrou Sasuke sentado perto da beira, brincado com Mai, sorriu ao pensar que Sasuke seria um bom pai. Logo sentiu um aperto no peito ao lembrar que não o veria mais, tinha apenas aquele dia para se despedir. Uma noite.


Sasuke estavam tão entretido na brincadeira de pega-pega da sobrinha que não se deu conta de que Sakura estava o observando atrás. Mai pegou algumas amoras que haviam caído da arvore ali perto e começou a jogar no tio.


– Titio não me pega – gritou. Sasuke correu mais depressa e pegou a sobrinha no colo, a rodopiando no ar. Mai deu um gritinho fino de surpresa, Sasuke a abraçou e apertou a pequena contra seu peito. – titio eu não co-consigo re-respila.


– Eu te amo muito princesa e vou sentir sua falta – sussurrou no ouvido da menina que sorriu, mostrando o sorriso banguela.


– Olha titio, se você me trazer um dragão como a Cho eu deixo você comer minha geléia de uva – sussurrou também. Mai olhava cautelosa ao redor, para se certificar de que ninguém havia ouvido, parou os olhos em Sakura, ali parada com cara de boba. – titia – gritou animada e tentou se desvencilhar dos braços de Sasuke, que até então só se deu conta da presença da rosada quando Mai gritou por ela.


Mai era louca por Sakura, a achava a mais bela de todas as mulheres que havia visto e dizia que Sakura era uma verdadeira princesa de conto de fadas. Sakura por sua vez, olhava a pequena Uchiha como uma irmãzinha, uma que nunca teve, mas se pudesse escolher seria exatamente como Mai.


Ambas se abraçaram e Sakura a pegou no colo. Sasuke olhou para Sakura e se deslumbrou como sempre ficava ao ver a rosada. Perfeita, pensou.


Depois de algumas horas, os Harunos almoçaram e tomaram chá com os Uchihas. Sayuri se despediu da filha aos prantos e pediu a Mikoto que tomasse conta dela, Sakura revirou os olhos diante da cena, pois ela apenas havia mudado de casa e cedo ou tarde ela teria que ir viver ali mesmo, sua mãe poderia a visitar sempre que quisesse, mas como se tratava de Sayuri deixou ser relevante.


Hikaru despediu-se da filha e lhe aconselhou a ter juízo e que ela lhe orgulhasse, Sakura abraçou o pai e lhe prometeu jamais decepcioná-lo novamente. O senhor Haruno se despediu do amigo Uchiha e de Sasuke, lhe desejando boa sorte em seu novo treinamento, Sasuke agradeceu educadamente.


Já noite, Sakura havia ficado com o quarto que fora de Itachi quando era solteiro, o quarto ficava de frente para o de Sasuke, isso deixa Sakura inquieta imaginando, em como Sasuke estaria e o que ele estava fazendo naquele momento. Tanta coisa queria dizer antes de seu amor partir.


Deitada na cama suspirou e virou de lado, deixando de encarar o teto, seu coração falhou ao ouvir a porta de seu quarto sendo aberta lentamente.