Prometida - EM REVISÃO
1 Capítulo I

CAPÍTULO I
Konoha, uma aldeia famosa pelos seus guerreiros ninjas, com Clãs de habilidades extraordinárias e costumes tão diferentes uns dos outros. Haruno era uma das poucas famílias que não era composta por Clã, mas era também uma das famílias mais respeitada de toda Konoha.
Haruno Kizashi, um homem poderoso no grande país do fogo, tinha grande influência em todos os Clãs e era um dos conselheiros do grande Hokage, Namikaze Minato. Casado com Mebuki, uma mulher bela, que estava esperando seu primeiro bebê, mas que já tinha seu destino traçado antes mesmo de nascer.
Um dos Clãs mais poderosos de Konoha eram os Uchiha, seu líder Fugaku um homem rigoroso com os filhos e sábio aos olhos de seus seguidores, também era um dos conselheiros do Hokage e melhor amigo de Kizashi. Casou-se novo, pois era costume de seu Clã terem o casamento arranjado com uma moça de família respeitada e assim poder gerar novos herdeiros.
Era madrugada e a bela Mebuki dava toda sua força para que seu bebê pudesse finalmente nascer. Os homens da família ficavam na sala esperando o choro do bebê encher aquele lugar, o que não demorou muito e o pequeno bebê já chorava a plenos pulmões, para alegria do pai.
— Parabéns meu amigo – disse o líder Uchiha a seu amigo e companheiro.
— Obrigado Fugaku, se for homem nossos filhos serão grandes e fortes ninjas.
— Não tenha tanta certeza disso – sorriu zombeteiro Fugaku.
— Por que diz isso? – sorridente
— Conversei com Ayako essa noite, antes de me chamarem para vir aqui e ele alertou-me que grandes possibilidades viriam com o nascimento de seu filho e que nossa amizade ficara mais forte.
— Pois eu lhe digo que se for mulher, lhe dou sua mão para seu filho – sorriu mais abertamente.
— Que seja assim então meu amigo – apertaram as mãos selando aquele contrato de amizade, respeito e confiança.
A parteira chegou à sala sorridente, mas tímida diante de homens tão poderosos e disse que Kizashi já poderia ver seu mais novo herdeiro. Ao subir as escadas rapidamente, seguido de seu amigo logo atrás de si, viu sua adorada esposa ainda cansada pelo esforço eminente de minutos atrás e lhe deu um beijo cálido na testa em forma de respeito, carinho e gratidão, por lhe ter dado o mais valioso dos presentes, seu filho, seu sangue e agora sua vida.
Olhou para os braços da mulher e viu olhos verdes expressivos o encarando de forma doce e angelical, jamais vira tanta beleza em apenas um olhar, mas assim que se encontraram sentiu seu coração se aquecer e teve vontade de segura-la nos braços e jamais solta-la, para que ninguém a tomasse de si.
— Parece que vamos ser da mesma família finalmente – sussurrou o amigo Uchiha. Kizashi o olhou com os olhos marejados e sorriu assentindo.
— Como irá chamá-la querido? – perguntou docemente sua esposa, sem tirar os olhos de sua pequena.
— Sakura...Minha princesa Sakura...
Seis anos depois...
Sakura, a cada dia se tornava ainda mais bela, a mais bela flor de Konoha, Kizashi não deixava sua filha jamais sair sozinha nas ruas movimentadas de Konoha, sua beleza exótica e incomum atraia todos os olhares e isso o perturbava, já que ainda tinha medo de que a tomassem de si.
A doce menina, dona de cabelos rosados mais claros que o do pai e olhos ainda mais verdes que os da mãe, sua pele como porcelana parecia tão frágil. A rosada jamais se portava mal diante das pessoas e sempre fora gentil, mesmo ainda sendo uma menina tão pequena.
Passava horas nos jardins da grande mansão de sua casa, zelada pelos pais amorosos. A menina não brincava com outras crianças, sempre sozinha, mas não sentia falta. Como dizia seu pai “apenas sentimos falta daquilo que já tivemos e que depois não temos mais”.
Quando ia dormir, seu pai lhe contava histórias de quando era jovem, das lutas que enfrentou com sua equipe, as perdas, as vitórias, de tudo aquilo que ele viveu. E fascinada pelas histórias decidiu que seguiria os passos do pai. Desde o momento em que o mesmo lhe falara da satisfação de missão cumprida e da volta pra casa como um herói por ter defendido sua aldeia, Sakura ficava maravilhada e prometeu a si mesma que seria uma ninja tão boa quanto ele.
Mais uma tarde estava vestida como uma verdadeira princesa, seus cabelos cumprimos caindo como uma cascata em suas costas, ajoelhada no pequeno campo de flores atrás de sua casa fazendo um lindo ramo. Sua mãe havia lhe dito que naquele dia a mesma teria uma surpresa e com isso a menina não tirava o sorriso dos lábios ao imaginar o que poderia ser. Lembrava-se da expressão de seu pai ao falar da tal surpresa e sorriu, já que seu pai emburrado era algo muito divertido para ela.
— Pai falta muito? – perguntou o menino manhoso ao andar ao lado do pai e do irmão mais velho.
— Não estamos andando há muito tempo Sasuke. Como quer ser um grande ninja se nem aguenta uma caminhada curta? – repreendeu o pai. O menino olhou para o chão com a face triste, mas refletiu sobre as palavras do seu pai e começou a andar mais depressa e seu irmão mais velho que também os acompanhava, arqueou as sobrancelhas, se divertido com a atitude do irmãozinho.
— Sasuke, não precisa correr também.
— Um grande ninja sempre está adiantado. – fechou os olhos convencido e o Uchiha mais velho sorriu diante do entusiasmo do seu filho mais novo.
— Muito bem Sasuke, mas você sabe pra onde estamos indo? – perguntou sério.
— O senhor apenas me disse que estávamos indo ao meu futuro – disse com uma carinha confusa.
— Isso mesmo.
— Mas eu ainda não entendo – cruzou os braços.
— Vamos conhecer sua futura esposa – disse seu irmão mais velho, que deu um sorriso gigante, o que fez com que o pequeno fizesse uma careta.
— Isso é verdade papai? – perguntou ainda confuso. Tudo aquilo era novo para o pequeno Uchiha e não fazia ideia do que o aguardava.
— Sim. O que Ryo lhe disse no seu aniversário?
— Disse que eu devia proteger com a minha vida aquela prometida a mim.
— Seu dragão é seu guardião, tudo que ele lhe falar é para o seu bem.
— Então eu vou ter que cuidar de uma mulher? Mas e as batalhas ninjas?
— Eu não diria que ela é uma mulher, mas ela será sua responsabilidade e seu futuro.
— Grande coisa – deu de ombros e voltou a andar. Seu pai sabia que ele ainda era muito jovem para entender o sentido daquelas palavras, mas via o espírito forte que foi designado a ele ao nascer.
— Acha que ele vai da muito problema? – perguntou seu filho mais velho
— Não, todos se encantam com a beleza da filha de Kizashi, e não me surpreende nada o fato dele mantê-la afastada dos olhos alheios. Sasuke não será diferente quando a ver, seu encanto cativou até mesmo Ayako, aquele dragão velho – riu
— Eu não devia, mas estou ansioso para conhecê-la também.
— Seu compromisso é com Izumi. Isso que dá ser designado ao dragão do amor – debochou
— Dragão vermelho – sussurrou entre dentes.
Os Uchiha chegaram a grande mansão dos Haruno e foram atendidos pela criada, que os pediu gentilmente para que aguardassem na sala. Ao chegar à sala o Kizashi sorriu abertamente ao se deparar com suas visitas.
— Fugaku, que surpresa. E vejo que trouxe os meninos – foi até o amigo e lhe deu um abraço.
— Trouxe Sasuke para conhecer Sakura.
— Sim, claro. Ela está no jardim – todos seguiram para o jardim e se encontraram com Mebuki.
— Olá Mebuki – cumprimentou o Uchiha mais velho.
— Olá Fugaku – sorriu e então percebeu mais duas crianças – Nossa Itachi como cresceu – Itachi, filho mais velho de Fugaku sorriu e a cumprimentou. A senhora Haruno olhou pra baixo vendo mais um menino com os braços cruzados e com as feições emburradas. – Parece que Sasuke não está muito feliz – riu
— Ele só está chateado, pois queria está treinando. – Itachi bagunçou os cabelos do irmão.
— Bom viemos para que Sasuke conhecesse Sakura.
— Há sim, bom ela está ali – apontou na direção onde o jardim era mais florido.
— Por que enquanto as crianças se conhecem, nós não esperamos lá dentro tomando um chá? – perguntou gentilmente a mulher.
— Sim. Itachi fique de olho no seu irmão – alertou Fugaku, Itachi assentiu e assim os mais velhos foram para sala. Itachi respirou fundo quando não estava mais diante dos olhos do pai e olhou para o irmão.
— E então? – perguntou
— Então o que? – olhou furioso Sasuke
— Vamos lá conhecer a sua noiva – sorriu debochado. O menino bufou e deu de ombros seguindo seu irmão que ia para o jardim.
Ao chegarem lá viram uma linda menina ajoelhada no gramado e montando uma linda coroa de flores coloridas. Sasuke ficou hipnotizado com a beleza que a mesma tinha e não conseguia desviar os olhos dela. Itachi também estava maravilhado com aquele ser tão delicado e ingênuo a sua frente, que ainda não havia notado a presença de ambos.
O vento sacudia seus cabelos longos, de um rosa claro lindo, sua pele tão branca como porcelana, suas pequenas mãozinhas trançando os fios nas flores deixava a imagem ainda mais encantadora. O vestido vermelho com o símbolo de sua família nas costas parecia o contorno de um circulo da cor branca e ficava em um contraste perfeito.
Itachi finalmente se deu conta do que estava fazendo e empurrou o irmão para que chegasse mais perto e falasse com a menina.
— Olá – disse Itachi chamando a atenção de Sakura.
Sakura ouviu uma voz diferente atrás de si e se assustou, levantou-se rapidamente do chão ajeitando seu vestido e olhando curiosa para seus novos visitantes.
— Olá – disse sorridente.
— É...eu sou Itachi e esse aqui é meu irmão Sasuke – empurrou o menino que quase caiu, mas se recompôs rapidamente.
Sasuke estava tão maravilhado com a menina a sua frente que não conseguia parar de olha-la, como se fosse algo que pudesse sumir a qualquer momento e ele não poderia perder qualquer segundo daquilo. A menina curvou-se em sinal de respeito diante dos meninos, o que os deixou sem graça, pois jamais alguém foi tão formal com eles, ainda mais sendo criança.
— Olá Sasuke – deu seu melhor sorriso
Sakura estava feliz por estar conhecendo pessoas novas e ela nunca teve amigos, pois seu pai sempre a mantinha dentro de casa. A menina pensava que jamais havia visto alguém tão bonito como seus dois visitantes, mas se sentia intrigada com o mais novo a sua frente que não pronunciava nenhuma palavra.
— É...Sasuke fala alguma coisa – disse Itachi, já sem graça, pois a menina não parava de os encarar com seus chamativos olhos verdes.
— Vamos? – pediu nervoso.
— Por que você não fica aqui enquanto eu vou lá fala com nosso pai. – antes que Sasuke pudesse responder seu irmão já havia saído correndo.
— Você quer brincar? – perguntou Sakura gentilmente
— Não. – disse simplesmente. Sakura ficou confusa, mas voltou a fazer sua coroa.
— Sabe Sasuke, quando eu crescer eu serei uma grande ninja, como meu papai foi – Sasuke arqueou as sobrancelhas e riu achando graça nas palavras que Sakura acabara de dizer.
— Claro que não – cruzou os braços. Sakura o olhou com o semblante sério.
— Por que não? – perguntou triste
— Porque as mulheres Uchiha não são ninjas – deu de ombros
— Mas eu não sou uma Uchiha oras – sorriu docemente. Sasuke rolou os olhos e voltou a falar.
— Você vai casar comigo, então será uma Uchiha – Sakura abriu a boca de espanto fazendo um pequeno “O” e piscou algumas vezes. Perguntava-se como aquele menino podia falar uma coisa daquelas.
— Não irei casar, serei uma grande ninja e vou cuidar dos bebês – deu de ombros.
— Você vai sim, o Ryo me disse que eu vou casar com você e ele nunca mente.
— Quem é Ryo? – perguntou confusa
— Ryo é meu dragão – bufou
— Você tem um dragão? – perguntou maravilhada
— Sim, todo Uchiha tem um dragão. – deu de ombros
— Seu pai lhe comprou um?
— Não sua boba. Quando um Uchiha nasce o Shaman do nosso clã vai até o mundo dos dragões e pega a nossa metade, que é um dragão – disse desinteressado.
— Nossa que legal – Sakura largou as flores e chegou mais perto do menino, que recuou dois passos para trás. Assim que Sakura chegou perto dele, sentiu o corpo tremer. – conta mais sobre seu dragão – pediu
— Ele é o dragão azul, o dragão da força e do raio. Meu irmão tem o dragão vermelho, que é o dragão do amor – fez careta
— Ai que lindo, eu quero um dragão também – seus olhos verdes brilharam ainda mais com a luz do sol que batia levemente em seu rosto.
— Você não pode – os olhos de Sakura começaram a marejar – as mulheres não tem dragões, somente os homens.
— Mas eu quero um – baixou a cabeça deixando as lágrimas caírem, era primeira vez que chorava.
— Não chora – pediu Sasuke desesperado, pois se sentiu mal por fazê-la chorar.
— Mas eu preciso de um dragão pra ser uma grande ninja – voltou a olhá-lo e tentou enxugar as lagrimas que rolavam pelo seu rosto.
— Meu dever é proteger você, então não precisa ser ninja. Eu e Ryo vamos te proteger para sempre.
Seis anos depois...
Sakura ficava a cada dia ainda mais bela, seus cabelos batiam até sua cintura e seu rosto deixou o arredondado de criança, pra ficar um pouco mais fino como de uma pré-adolescente. Seu pai ainda a mantinha dentro de casa, sem deixá-la sair sozinha.
Sasuke se tornava um grande ninja e era um dos melhores de seu Clã, perdia apenas para seu irmão mais velho, mas do jeito que estava, logo, logo iria o superar.
No Clã Uchiha, Sasuke estava treinando sob os olhos de seu dragão Ryo, um dragão gigante, com as escamas tão negras que parecia azul na luz do sol ou da lua, seus olhos eram amarelos, o que o tornava ainda mais assustador.
Sasuke tentava fazer o jutsu que teria que usar na cerimônia da lua azul, a qual Sakura seria oficialmente sua noiva, mas quando estava quase terminando seu dragão de raio, ele perdia o controle do chakra e o dragão se desfazia no céu.
— Você precisa se concentra mais – a voz do dragão era grave e alta, ele falava olhando seriamente nos olhos de seu dono.
— É fácil pra você falar – resmungou
— Se não sabe, eu também tenho meu papel na cerimônia.
— Grande coisa, você terá apenas que lançar chamas – olhou zombeteiro
— Isso requer muita sabedoria e controle.
— Mas não é você que vai fazer uma tatuagem, nem acender uma fogueira com um dragão de raio.
— Cada um com seus meios – sorriu, mostrando suas presas gigantes e afiadas.
— Nessas horas que vejo que Itachi se deu bem. Na cerimônia dele com Izumi, ele só teve que fazer um dragão de fogo e o fazer se misturar com as chamas da Cho.
— O elemento da Cho é fogo e o meu é raio, por isso você tem que acender a fogueira com o raio...
— Eu sei, eu sei..- interrompeu, sentou-se no pequeno cas que ficava no lago atrás de sua casa e olhou o céu que agora estava nublado, devido ao seu jutsu.
Deitou-se ali e fechou os olhos lembrando-se da sua futura noiva, tão bela e delicada. Jamais iria deixar alguém tocar nela a não ser ele. Sakura sempre foi muito quieta, a única vez que a viu ser tão falante foi quando eles se conheceram pela primeira vez, mas depois era como se tivessem apagado aquele brilho de menina aventureira de seus olhos, dando lugar a uma garota simplesmente perfeita para se casar.
— Pensando na Sakura moleque? – zombou Ryo
— Não – respondeu entre dentes e voltou a abrir os olhos, respirou fundo e se colocou de pé. – vamos termina isso hoje.
Na casa dos Haruno uma linda jovem estava sentada de frente para sua penteadeira escovando seus lindos cabelos rosados. Suspirou entediada e levantou-se decidida indo até o escritório de seu pai, o encontrou analisando alguns pergaminhos, mas que foram logos deixados de lado quando o mesmo notou sua presença.
Seu pai sempre deu prioridade a ela e sempre fazia de tudo para agradá-la, com apenas algumas exceções.
— Minha princesa – disse Kizashi sorridente ao encontrar sua filha na soleira da porta. Sakura sorriu de volta e foi até seu pai receber seu costumeiro beijo na testa.
— Há papai, eu gostaria de lhe pedir algo – sentou-se na cadeira de frente para a mesa de seu pai e o olhou seriamente.
— Diga o que quer e o terá – Sakura sorriu mais abertamente do que antes, achando que sua vontade seria feita.
— Eu gostaria de ser uma grande ninja como senhor foi – jamais havia falado seu sonho para alguém, a não ser Sasuke, que estava inclinado a não deixá-la seguir seu sonho.
— Me sinto muito orgulhoso de você filha, mas sabe que algumas decisões não cabe a mim tomá-las.
— Mas o senhor é meu pai – questionou pela primeira vez seu pai
— Sim, mas é a Sasuke que em breve terá sua vida nas mãos minha flor. Terá que pedir a ele depois que o ritual da lua azul acontecer você será mais uma Uchiha.
Sentiu seus olhos marejarem e saiu correndo para seu quarto. Aquilo era muito injusto para ela, se sentia sufocada, sem o controle da própria vida. Sasuke jamais iria deixá-la frequentar a escola de ninjas, ele a queria como uma verdadeira boneca, que fica em uma estante bem no alto para que ninguém tocasse ou cogitasse a ideia de desejá-la.
Deitou-se na cama, abraçando as pernas e deixou-se chorar. Será que jamais iria ser realmente feliz? Será que todos teriam que tomar decisões por ela?
Era um final de tarde e como de costume Sasuke estava a olhando mexer nas flores do jardim. Sakura não pronunciava uma palavra enquanto Sasuke ainda se mantinha em transe toda a vez que a via, para ele a cada dia que passava ela se tornava ainda mais bela.
— Sasuke – finalmente quebrou o silencio
— Hn. – Sasuke não conversava muito com Sakura, apenas gostava de observá-la.
— Depois da cerimônia você será o responsável por mim não é? – perguntou já sabendo da resposta. Sasuke assentiu e ela fechou os olhos. – Você terá que me dar um presente certo, para simbolizar sua gratidão aos meus pais – mais uma vez ele assentiu, ficando interessado no rumo que aquela conversa estava tomando. – Posso escolher meu presente então?
— Depende – foi cauteloso, sabendo que apesar de Sakura se portar como ingênua e delicada, era inteligente e astuta.
— Conversei com meu pai e lhe pedi para que me deixasse frequentar a escola ninja e ele me disse que agora devo pedir permissão a você...
— Não – disse curto e grosso
— Mas, Sasuke esse é o meu sonho – largou as flores que estavam em sua mão e foi até ele, parando de frente para o moreno.
— Você é minha noiva.
— Mas eu quero ser uma ninja, por favor – suplicou já sentindo os olhos marejarem
— Não.
— Eu prometo ser a esposa perfeita, sem nenhum defeito, a melhor de seu Clã, só lhe peço isso em troca, por favor.
— Já disse que não. Minha mulher não ira ser uma ninja! – deu às costas a menina. Sentiu-se mal por deixá-la daquela maneira, mas a ideia de Sakura ser rodeada por olhares alheios e correr qualquer tipo de risco o deixava nervoso, mas também se sentia ainda pior a magoando daquele jeito.
Sasuke se sentia mal por ter magoado Sakura, mas ele não podia passar por cima dos costumes de seu Clã e de sua vontade. Como futuro marido dela era dever dele protegê-la e mantê-la a salvo, mas era mais do que isso era ciúmes e medo de que alguém a roubasse de si.
Era de madrugada e não conseguia dormi ainda pensando nos olhos tristes da garota que tanto amava, amava sim, pois assim que a viu sentiu que aquilo era pra sempre e toda vez que a via sentia seu interior aquecer, como se estivesse próximo a uma fogueira.
Perguntava-se se valia a pena deixá-la feliz e burla algumas regras, mas se isso fizesse Sakura sorrir, como sorriu a primeira vez pra ele quando o falou sobre Ryo, seria o mais valioso dos presentes. Então decidiu que naquela manhã iria conversa com seu pai sobre Sakura frequentar a escola ninja.
Sakura acordou sentindo os raios de sol em seu rosto, abriu os olhos lentamente, mas não quis levantar da cama, ficou deitada apenas ouvindo o canto dos pássaros do lado de fora, como tinha inveja deles. Lembrou-se de uma pessoa que não queria, pois ele era único que negava sua liberdade, até mesmo seu pai, não questionava a ideia dela ir a uma escola ninja, por outro lado talvez seu pai não estivesse questionado porque sabia das regras do Clã Uchiha, assim mesmo que ele quisesse ela não poderia ir.
Sentiu vontade de gritar e correr para longe daquele lugar, mas foi interrompida por batidas leves na porta.
— Entre.
— Bom dia senhorita, seus pais a aguardam na mesa para o café da manhã – assentiu e viu a criada sair do quarto de cabeça baixa.
Odiava toda aquela cordialidade e todos a paparicando como se ela fosse quebrável ou se a qualquer momento precisasse que alguém a segura-se para não tropeçar e cair. Mas ela queria cair e se machucar, ela queria ter experiências e o pior de tudo é que sabia também seu lugar e jamais se portaria mal diante de seu pai ou diante de qualquer pessoa para não envergonhar sua família, queria apenas que eles dessem uma oportunidade, uma chance para mostra que ela era mais do que tudo aquilo.
Respirou fundo e se levantou, tomou um banho, colocou seu vestido branco com flores rosas e penteou os cabelos, os deixou soltos como de costume e desceu as escadas, indo até a sala de jantar.
— Bom dia papai, bom dia mamãe – cumprimentou cada um com um beijo e se sentou em seu lugar, de frente para sua mãe.
— Boa dia princesa – odiava se chamada de princesa, mas jamais iria fazer aquela indelicadeza com os pais. Tomaram café em silencio até que a criada disse que os Uchiha os aguardavam na sala. – Estranho Fugaku aparecer aqui tão cedo. – Kizashi limpou a boca com o guardanapo e foi até a sala receber seu amigo, sua esposa e sua filha vinham logo atrás.
Sasuke estava feliz, mas ao mesmo tempo triste por está sendo o primeiro a contornar as regras de seu clã, mas feliz por talvez fazer Sakura feliz.
— Fugaku, que surpresa vê-lo aqui tão cedo.
— É me desculpe por isso, mas é que Sasuke estava um pouco ansioso.
— Há – disse Hikaru confuso. Olhou para sua filha ao lado de sua esposa e depois para Sasuke – Do que se trata então? – perguntou diretamente a Sasuke.
— Bom, acho que o senhor já sabe que Sakura tem o desejo de se torna uma ninja.- Sakura estava nervosa e queria saber o por que de tudo aquilo, mas uma mulher não pode se meter em uma conversa formal de homens. – Mas meu Clã não permite que as mulheres sejam ninjas, como sabe.
— Sim entendo.
— Então conversei com meu pai e ele como o líder tem permissão de modificar algumas regras. Como cabe a mim proteger sua filha, eu irei fazer a vontade dela a deixando ir para escola ninja. – disse olhando pra Sakura que deu um sorriso gigantesco com o final da frase – porem, a algumas condições – o sorriso de Sakura sumiu de seu rosto dando lugar a uma linha reta – eu irei ser da mesma turma e equipe que ela, assim poderei protegê-la.
Aquilo estava sendo inaceitável, eles a davam corda para depois puxá-la de volta com toda força a fazendo cair no chão. Olhou pra Sasuke indignada com aquilo que acabara de dizer, mas por outro lado poderia sair de casa e conhecer coisas diferentes e também percebeu que Sasuke era maleável. Talvez sua causa não estivesse completamente perdida afinal. Então assim seu desejo foi concedido, na manhã seguinte ela já iria para escola ninja, mas acompanhada de seu noivo.
Acordou bem cedo e animada, colocou um quimono vermelho estampado com flores de tons escuros e deixou seus cabelos soltos com uma tiara. Estava linda, até mais do que poderia dizer. Tomou café da manhã animada, sem deixar de sorrir nenhum segundo, seus pais estavam felizes por ela, mas seu pai não gostava muito da ideia dela se expor muito e contava com os costumes do Clã Uchiha para não deixá-la viver naquele mundo que apesar de gratificante ajudar alguém não era o que queria para ela.
Sakura levantou-se da mesa praticamente correndo quando a criada avisou que Sasuke já havia chego para ir com ela e se despediu dos pais dando um beijo em cada um. Na porta o senhor Haruno lançou um olhar sério para Sasuke que assentiu, aquele olhar significava que ele não deveria desviar seus olhos de sua preciosa filha e ele sabia que Sasuke jamais iria cogitar essa possibilidade.
Caminhavam um ao lado do outro entre um espaço considerável, Sasuke jamais demonstrou sentimentos por Sakura, mas a amava com todas as suas forças e Sakura não pensava em amores, seu sonho era apenas se torna uma ninja forte e poderosa como seu pai, a ideia de se casar, e ter filhos não caia em sua mente como uma responsabilidade muito próxima de si.
As pessoas os olhavam curiosos, mas não por Sasuke, pois já conheciam o filho de um dos grandes homens da aldeia, mas sim por está acompanhado de uma jovem tão bela. Sasuke chegou mais perto de Sakura, quase tocando seus ombros o que a deixou confusa, pois jamais viu Sasuke tendo aquela atitude.
— O que foi? – perguntou baixo
— Curiosos – disse simplesmente. Então olhou a sua volta vendo todos os olhares sobre si, corou fortemente então abaixou a cabeça.
— Não tive a oportunidade, mas obrigada por me deixar ir à escola ninja – Sasuke teve vontade de abraçá-la e dizer que não foi nada, que faria tudo por ela, mas se limitou apenas com sua palavra costumeira, se é que aquilo era considerado uma palavra.
— Hn.
Chegaram aos portões da escola, Sasuke já conhecia tudo ali, pois às vezes tinha algumas aulas com o sensei Kakashi. Foram para a sala que foram indicados pelo guarda, que em nenhum momento desviou os olhos de Sakura, Sasuke sentiu vontade de surrá-lo, mas aquele comportamento não era permitido pelo seu clã. O sensei Iruka, já estava na sala os aguardando com os outros alunos, Sasuke bateu na porta e ouviu um "entre". Quando passaram pela soleira da porta a sala foi de silêncio para murmúrios altos, tanto de meninas, quanto de meninos.
— Turma, essa é a Sakura Haruno e ela será nossa nova companheira. – Sakura mantinha a cabeça baixa e então ouviu alguém chamá-la.
— Sakura, senta aqui do meu lado – gritou um menino loiro de olhos azuis. Sasuke lançou um olhar furioso pra o menino que o olhou desafiadoramente.
— Que foi Sasuke? Ela é sua prima? – alguns alunos se mostraram interessados pelo começo de uma suposta discussão. Jamais viram o menino Uchiha demonstrar qualquer tipo de reação a qualquer comentário, mas ele estava diferente.
— Não. É minha noiva.
Todos naquela sala ficaram de boca aberta. Como assim noiva? Os alunos estavam impressionados com a beleza da Haruno e Sakura se sentiu ainda mais envergonhada depois da revelação de Sasuke. Iruka também ficou estático, mas depois se lembrou dos costumes do Clã Uchiha.
Sasuke ignorou os olhares de inveja de algumas meninas para Sakura, que se mantinha calada, não era certo se pronunciar quando a palavra não fosse dirigida diretamente a ela.
— Bom acho que está na hora de começarmos à aula de hoje. Sasuke pode se sentar no seu lugar e...Sakura senti ali ao lado de Ino...
— Não, ela senta ao meu lado – Sasuke disse ríspido e Iruka não contestou, percebeu que Sasuke as seguia a risca as regras de seu Clã e assim ambos fora sentar na segunda fileira de carteiras, um ao lado do outro.
Todos ainda mantinham os olhos curiosos sobre o casal, se perguntavam como alguém tão jovem poderia estar noivo, ou como ela tinha tanta sorte de estar com Sasuke Uchiha. Algumas meninas caiam aos pés do menino e não faziam questão de esconder esse fato muitas das vezes.
Iruka começou a aula com dicas básicas de sinais de mão e mostrou o que era preciso para controlar o chakra. Sakura prestava atenção e se mantinha maravilhada a cada palavra de seu sensei, Sasuke estava feliz por vela feliz, mas seu rosto não demonstrava nenhuma emoção. Logo o intervalo soou e todos os alunos foram para fora.
Sakura disse a Sasuke que iria ao banheiro e ele ficou a esperando do lado de fora, Sakura viu algumas meninas se olhando no espelho e manteve a cabeça baixa, não querendo chamar a atenção o que fora em vão.
— Ora o que eu temos aqui, se não é a noivinha Uchiha – uma menina de cabelos laranjas e olhos lilás a olhava com nojo, mas na verdade sentia inveja da beleza que a Haruno tinha.
Sakura não disse nada, apenas a ignorou e deu as costas para voltar, mas foi parada, pelo puxão que recebeu no pulso. Encarou a menina indignada pelo seu atrevimento, mas recebeu um sorriso zombeteiro em troca.
— O que foi? A princesa não pode ser tocada? – Sakura mais uma vez não disse nada, voltou a andar e saiu do banheiro com uma cara triste. Não queria chamar atenção, mas parecia que isso era impossível.
Sasuke notou que ela estava diferente, mas não disse nada, ambos foram pro lado de fora da escola e ficaram sentados embaixo de uma arvore comendo seus bolinhos de arroz. Sakura tinha vontade de puxar assunto, mas sabia que jamais se deve começar uma conversa com um homem, a não ser que ele tenha começado.
— Está gostando? – parece que Sasuke ouviu suas necessidades de falar e sorriu.
— Sim, mas é tudo tão diferente do que eu imaginava. – Sasuke riu sem humor, Sakura não fazia ideia do que a aguardava, mas iria se limitar apenas com a escola e satisfazer sua vontade, deixá-la ter missões ninjas estava fora de cogitação.
— Hn.
— Amanhã sua mãe ira me ensinar o ritual para a cerimônia certo? – Sasuke assentiu e bufou, na verdade achava toda aquela história de ritual uma baboseira, mas regras são regras. Viu Naruto, o menino loiro que o fez se sobressaltar-se no começo da aula se aproximar de ambos, mas se manteve sentado, apenas esperando o que ele tinha em mente indo até onde eles estavam.
— Oi – começou meio sem graça.
— Olá – Sakura foi gentil e soou sua voz delicada e melodiosa pela primeira vez. Naruto ficou abobado com a voz delicada da menina e Sasuke pigarreou tirando o loiro do transe.
— Nossa, mas você é muito bonita. – Sakura corou diante da declaração do menino e Sasuke se levantou com uma cara nada boa.
— Acho bom ter cuidado com que fala – alertou. Naruto o olhou sorridente.
— É verdade Teme, essa menina é muito bonita – na verdade Sasuke e Naruto eram supostamente “amigos”, porem via um ao outro como rival, um sempre querendo ultrapassar o outro.
— Dobe você não deve se referir a ela desse jeito. – disse entre dentes
— Há sim, vocês são noivos mesmo? – Sakura assentiu e Sasuke revirou os olhos. – Mas cara isso é maluquice, vocês tem ainda doze anos.
— Algumas coisas não são para você entender – Sasuke sorriu zombeteiro o que deixou Naruto furioso.
— Está me chamando de burro Teme? – gritou
— Tanto faz – deu de ombros e voltou a se sentar. Sakura riu baixinho da histeria do loiro, mas logo se calou.
O alarme soou novamente e voltaram para sala, Sakura ainda se mantinha perdida diante de tantos olhares, então preferiu manter sua cabeça baixa, assim pelo menos não os veria olhando para ela. O resto da aula foi calma, mesmo ouvindo murmúrios e risinhos de algumas garotas a deixando constrangida.
Era final de tarde e todos já estavam indo para suas casas, Sasuke levou Sakura em segurança para casa e cumprimentou o senhor Haruno ao chegar, Kizashi agradeceu Sasuke por cuidar de sua filha e mantê-la a salvo. Sasuke disse ao pai de Sakura que depois da escola no dia seguinte ambos iriam até sua casa para Sakura aprender o que devia fazer no ritual da lua azul. Kizashi quis rir do modo como Sasuke disse, aquilo não havia sido um pedido, mas sim um aviso, sabia que Sasuke era inteligente e muito responsável, mas seu jeito o deixava intrigado de certo modo.
Sasuke chegou em casa exausto, não por ter gastado energia, mas sim por ter que seguir seu dia afastando Sakura dos urubus que a cercavam. Passou algum tempo e ouviu alguém bater na porta de seu quarto. Olhou à senhora intrigado quando viu o olhar agoniado da mesma.
— Senhor, seu pai o aguarda na segunda casa. Sua cunhada entrou em trabalho de parto. – Sasuke tremeu e então correu o mais rápido que pode para a grande casa que ficava atrás da sua, era onde seu irmão vivia com Izumi.
Assim que passou pela soleira da porta ouviu um grito agudo que o fez se arrepiar por completo. Foi cauteloso até a sala, onde encontrou seu pai, seu irmão e o Shaman de seu Clã ali apreensivos.
Itachi lhe lançou um olhar nervoso e depois foi se sentar em um dos sofás, seu pai conversava aos sussurros com o Shaman e decidiu apenas ficar em um canto. Ouviu mais um grito de Eiko no segundo andar e fez uma careta. Seu irmão tapou os ouvidos e começou a subir e descer os joelhos.
— Fique calmo Itachi, Cho lhe disse que seria difícil, mas que iria ficar tudo bem – o Shaman se chamava Takahashi, era um senhor velho, com cabelos lisos, mas tão brancos como a neve, vestia roupas em um tom azul escuro e o símbolo do clã nas costas, um leque vermelho de cabo branco. Na mão segurava um colar de contas, dado algumas voltas no pulso.
— Isso é horrível pai – queixou-se
— Sua mãe está com ela e Izumi é forte. – mais um grito e Sasuke deixou a emoção vencer, assim arregalando os olhos. O senhor Takahashi riu se sua expressão aterrorizada.
— Fique calmo também Sasuke, um dia será você no lugar de seu irmão. – Sasuke não disse nada apenas tentava pensa em outra coisa para que os gritos de Izumi não o perturbasse.
— Se for homem Cho irá comigo pegar a metade de seu filho Itachi. – Takahashi foi até Itachi e lhe deu alguns tapinhas nos ombros. Itachi tentou sorri, mas não conseguia, estava muito preocupado com sua esposa e seu filho, jamais saberia o que fazer se algo acontecesse a eles.
Ouve um grito mais forte e agudo do que os outros, mas logo em seguida veio o choro de um bebê. Sasuke segurou a respiração quando ouviu o grito de Izumi, mas assim que escutou o choro do bebê voltou a respirar novamente. Itachi levantou-se do sofá num salto a correu para abraçar seu irmão, Itachi tinha um amor gigante pelo seu irmão mais novo e se sentia realizado por seu querido irmão está ali ao seu lado.
Itachi sentiu a tatuagem que tinha de seu dragão vermelho nas costas arder um pouco e soube que Cho estava feliz por ele. Abraçou seu pai e se curvou levemente diante do Shaman que assentiu com um sorriso.
Sua mãe apareceu nas escadas com um sorriso lindo nos lábios e avisou que Itachi poderia subir para conhecer seu bebê. O Uchiha praticamente correu para o andar de cima, entrou sorrateiramente no quarto e viu sua mulher inclinada na cabeceira da cama, com os fios do cabelo negros grudados no pescoço e na testa devido ao suor. Sorriu para ela quando ela o notou ali, desviando a atenção do embrulho em seus braços.
— É uma menininha – disse sorridente Izumi. Os olhos de Itachi se encheram de lágrimas, mas não se permitiu chorar, mesmo tendo o dragão do amor, ele ainda era um Uchiha e não podia se deixar levar demonstrando sentimentos daquela maneira.
Itachi agradeceu Izumi por ter lhe dado o mais valioso dos presentes e beijou delicadamente sua testa, Izumi entregou a menina nos braços do mais novo pai do Clã Uchiha que ficou um pouco sem jeito na hora de segura-la. Como de costume o pai escolhe o nome quando a criança nasce e assim Itachi o fez, sussurrando no pequeno ouvido da menina, que deu um pequeno sorrisinho ao escutar seu nome.
— Mai...
Fale com o autor