Prometa Que Não Vai Voltar

53 Capítulo 53 - Despedida


Senti minha vista ficar turva, segurei nos braços de meu pai e coloquei a mão na cabeça.

— Como assim sofreu um acidente?

— David falou comigo no telefone agora! – Jayne disse – Ele está bem, amanhã mesmo vai ser liberado. Mas a Ana.

— O que houve com ela? – perguntei com os olhos arregalados.

— Está em coma.

— Como assim coma?

— Coma Anne, ué. Ela bateu forte a cabeça e tudo mais.

Entramos no carro e fomos pra casa, tomei um banho e comi. Ninguém deixou que eu fosse visitar o Rick.

No outro dia acordei tarde e o Rick já estava em casa.

— Amor! – corri para abraça-lo.

— Oi meu anjo! – ele acariciou meu cabelo – Se você soubesse como eu estou tranquilo em saber que você está bem. Queria tanto privacidade. – Rick disse se referindo a Rosalie que nos olhava abobalhada.

— Ih grosso! – ela forçou estar ofendida.

Saiu e fechou a porta do quarto dele, ele se aproximou de mim lentamente e começou a me beijar e assim ficamos juntos novamente. Quando tudo acabou ficamos deitados abraçados.

— Preciso falar uma coisa com você!

— Que foi? – fitei-o.

— Isso foi uma despedida.

— Como assim – eu ri – para de bobeira.

— Não é bobeira, é sério. – prendi a respiração – Eu fiz tão mal pra você. – ele alisou o meu rosto.

— E tudo que a gente viveu?

— Foi lindo foi mágico. Talvez não devêssemos ficar juntos agor...

— Não por favor, não quero ouvir. – tampei os meus ouvidos.

— Anne não dificulta. – ele segurou meus punhos. – Eu te amo demais, agora não temos mais que ficar juntos. Te fiz sofrer por três anos e parece que depois que eu voltei sua vida piorou.

— Não acredito que você está fazendo isso pela terceira vez.

— Eu estou pensando em voltar para Miami, eu ainda tenho a bolsa lá.

— Mas agora no meio do ano?

— É, estou pretendendo ficar lá por uns tempos. Mas não é nada certo que eu vou mesmo. Mas estou considerando.

— Quer saber Rick? – eu disse me levantando e me vestindo – Estou cansada dessa sua ausência de maturidade e sempre sair da minha vida achando que vai fazer o melhor pra mim quando na verdade nem ao menos pergunta o que eu quero. – ele se levantou e tentou me segurar pelo braço – E isso é pra você lembrar de mim.

Dei um beijão nele, ele me puxou pra junto de si e eu o empurrei na cama de volta e ele me olhou assustado. Terminei de me vestir e fui embora, não iria mais sofrer. Era hora de recomeçar novamente e dessa vez eu não iria surpreender a ninguém eu iria me surpreender.

Uma semana depois sem chorar, voltamos as aulas e Ana permanecia em coma. Eu e Rick mal nos falávamos durante os dias de aula e ele não mandava aquelas indiretas e também não tentava me beijar. Criei fé de que assim conseguiria esquece-lo de vez.

— Eu nunca tinha te visto por aqui. – apareceu um garoto do nada me pegando pela cintura.

— Ei, ei, ei. Que intimidades são essa? – briguei.

— Você é linda, me dá uma chance de te conhecer melhor.

— Olha aqui o palhaço ela é minha namorada. – Rick me puxou pela cintura e me levou pro pátio.

— Desculpa, eu sou o que sua? – ironizei.

— Aquele cara estava dando em cima de você.

— Eai meu amor? Sou livre, solteira e desimpedida.

— É, lembre-se que o ultimo que você arranjou te sequestrou.

— Com a mão do seu filho!

— Eu não tenho e nem tive filho com ela.

— Olha aqui Rick, eu não sei se você é bipolar ou mentiroso.

— A Ana ia te contar tudo. – ele olhou para baixo.

— Como assim?

— Ela me prometeu que te contaria toda verdade, mas agora ela está em coma.

— Sério?

— Sim.

O sinal tocou e ele voltou pra sala antes que eu pudesse falar algo, voltamos aos nossos respectivos lugares. Como era sexta marcamos um encontro de amigos lá em casa a noite.

A noite tínhamos pedido duas pizzas, refrigerante e alugamos alguns filmes. Jayne e David estavam mais felizes do que nunca, Christine e Gustavo eram um grude só e eu e Rick naquele climão.

— Quero ver quem vai ver filme de terror do lado da Anne – ele provocou.

— É porque? – fingi irritação.

— Porque você enfia a unha no braço dos outros.

Todos riram, era verdade. Sorrimos cúmplice e finalmente ficamos em paz.