O que Christine disse era a mais pura verdade,

não importava quanto tempo passasse eu ainda não conseguia me conformar. A verdade é que eu nunca encontrei um motivo pra ele ter me deixado. E aquele papo de que nunca me amou era uma desculpa esfarrapada.

- É você tem razão. Só não sei como fazer isso. – respondi.

- Você sempre relutou em falar nesse assunto. Que tal tocar nele pela primeira vez. E me contar exatamente o que aconteceu naquele dia. Hein?

- Tudo bem. Acho que já estava mesmo na hora de falar sobre isso.

- Isso aí, agora me conte.

- Bem, o Rick me ligou e disse que precisávamos conversar. Não suspeitei afinal estávamos muito bem. Eu fui até a porta e os pais dele estavam dentro do carro e a casa toda trancada. Ele disse que agente precisava terminar, que seria melhor para nós dois. Eu não aguentei e... Desabei no choro. Perguntei o porquê já que estávamos tão bem. Ele disse que... – comecei a chorar. – E ele disse que nunca havia me amado, que estava cansado e que não queria mais que eu atrasasse a vida dele. Eu disse que se era isso que ele queria tudo bem, só que não era pra ele me procurar nunca mais. Ele se virou entrou no carro e eu nunca mais o vi. Exclui-o do Facebook, dei Block no Twitter e proibi todos de falarem dele.

- E ai você se fechou para o amor... – disse ela completando. – Não fica assim.

- Sabe, eu não acredito nessa história de que ele nunca havia me amado.

- Isso é claro que é mentira, todos viam como vocês eram apaixonados.

- Pois é...

- Então prima, vou tomar um banho. Já venho.

Ela entrou no banheiro, e eu deitei em sua cama. E comecei a ter aquelas malditas lembranças.

Flashback: - Eu te amo tanto. – dizia ele acariciando meus cabelos.

- Eu também amo você. – eu disse deitada no seu colo, olhando para seus olhos.

- Acho que nunca vou amar ninguém como eu amo você.

- Não ame ninguém, apenas me ame. – disse eu rindo.

- Você não precisa nem pedir isso, meu bebe. – então ele me beijou.

- Fim do Flashback —

Depois desse pensamento me peguei sorrindo, como uma boba. Aquele sorriso rapidamente sumiu quando me lembrei da minha triste realidade. Ele tinha me abandonado. Meus pensamentos foram interrompidos pela volta de Christine. Rapidamente me recompus.

- Não adianta disfarçar não, eu vi que você estava com um sorriso bobo no rosto, estava lembrando-se dele né?

- É. Na verdade, acho que a minha maior angústia é não saber o porquê que ele me deixou – respirei fundo – fiquei sabendo que nem no Brasil ele está morando.

- Mas eu sei, ele está morando em...

- Eu não quero saber. – disse eu interrompendo-a antes que ela falasse.

- Eu sei que você quer saber. – e queria mesmo.

- Não quero nada. E nem se atreva a falar.

- Tá bom.

Ouvimos minha mãe me gritar. Era hora de ir embora. Fomos até a sala, me despedi de todos.

- Miami. – gritou Christine.

- O que? – disse eu sem entender nada.

- Ele esta morando em Miami.

- Eu não queria saber. – gritei revoltada.

Entrei no carro do meu pai, rumo a minha casa. Os homens da mudança não estavam mais lá. Tomei um banho, jantei e fui para o quarto. Deitei, e os pensamentos foram invadindo a minha mente. Fiquei pensando quem seriam os novos vizinhos? Isso é muito triste porque isso é tipo uma confirmação de que o Rick jamais voltaria. Eu devia deixar de ser orgulhosa e perguntar ao David sobre ele. Ou então até mesmo aos meus pais, eles eram os melhores amigos dos pais do Rick. Meus pensamentos foram interrompidos pelo toque do meu celular. Olhei no visor,

era Jayne.

Eu: Oi amiga linda.

Jayne: Amiga aqui esta sem luz, não vou conseguir dormir sem ar-condicionado nesse calor. Liguei pra tua mãe estou indo dormir ai.

Eu: Nossa, que abusada.

Jayne: Reserva um lugar ai pra mim nessa cama de casal hein.

Eu: Ok, pode deixar.

Jayne: Beijo, até daqui a pouco.

Eu: Beijo.

- Ligação finalizada —

Ai a vantagem de ter uma cama de casal no seu quarto. Suas amigas não precisam dormir no chão. Fiquei esperando Jayne chegar. Não demorou muito e ela entrou no quarto fazendo escândalo. Fiquei a olhando e percebi o quão especial a minha amiga era, me aturou durante três anos com crises de choro e estressada com a vida sem reclamar uma vez sequer. Levantei da cama e a abracei.

- Ué, você me abraçando? – ela perguntou. – Que estranho faz três anos que você não me abraça por vontade própria fora as datas comemorativas. Por que isso agora?

- Porque eu lembrei o quão especial você é.

- Que lindo. – disse ela me abraçando também.

Sentamos na cama, ligamos a televisão e começamos a conversar sobre as roupas das mulheres, sobre os atores gatos, sobre quem tinha matado a irmã do protagonista da novela das oito. Eu realmente percebi o quanto tempo eu tinha perdido da minha vida por causa daquele idiota do Rick. Mas isso vai mudar.

- Amiga. – comecei – Você viu que vão se mudar aqui pra casa do lado.

- É eu vi sim. – respondeu ela meio tensa.

- O que foi?

- É, nada amiga, eu estou bem. É... Olha lá que roupa horrorosa daquela mulher.

Ela estava escondendo algo de mim, o que era preocupante porque eu e ela sempre contamos tudo umas pras outras. Resolvi não me importar uma hora ou outra ela iria acabar me contando. Adormecemos, acordei no outro dia junto com a Jayne, escovamos os dentes e descemos para tomar café.

- Bom dia família linda. – disse eu me sentando a mesa junto com meus pais.

- Nossa que bom ver a minha filha feliz assim logo pela manhã. – disse minha mãe sorrindo.

- O que causou todo esse bom humor?

- Nada tio, é que ontem ela resolveu deixar de ser aquela menina que ela foi durante esses últimos três anos. – respondeu Jayne.

- Você fez muito bem minha filha.

- Gente, vocês sabem quem são a família que vai se mudar aqui pra casa do lado amanhã? – perguntei.

- Não, não sabemos não querida. – Percebi que eles começaram a se olhar e tentar disfarçar.

- Porque vocês estão estranhos?

- Nós que isso, impressão sua.

- Tá bom então.

Terminei de tomar o café da manhã e fui tomar um banho, me arrumei, peguei as chaves de casa e fui para a casa do Adrian. Enquanto eu andava fiquei pensando nos vizinhos novos. Não sei por que, mas isso me perturbava tanto. Quando cheguei à casa de Adrian toquei a campainha, ele me atendeu surpreso.

- Anne, você aqui?

- Porque fiz mal?- perguntei.

- Não, fez muito bem. Entra – disse ele dando espaço. – Senta. Amor eu quero falar com você.

- Claro fala.

- Porque você aceitou namorar comigo se você ainda ama o Rick?

- Porque eu finalmente comecei a deixar de ter pena de mim por estar sem ele. E comecei a ter pena dele por estar sem mim.

Então eu o beijei. Eu estava cansada de sofrer pelo Rick, mas não podia negar que eu o amava mais intensamente a cada dia. Como eu odiava ama-lo.

-Porque que a Jayne não se acerta com o David? – perguntou Adrian.

- Podíamos dar um empurrãozinho né?

- É, mas porque a Jayne não acredita no David?

- Ué, porque ele é muito amigo nosso, mas ele é muito galinha.

- É, tem razão. – ele deu risada;

Passamos a tarde juntos até que eu decidi ir ao apartamento do David. Fui embora da casa do Adrian e fiquei no ponto de ônibus, quando o ônibus chegou me sentei logo na frente. Fiquei olhando a paisagem pela janela olhei lá para trás e congelei, meu coração disparou, achei que ia desmaiar ali mesmo. Vi a pessoa

que eu mais desejava ver, o Rick.