Prometa Que Não Vai Voltar

57 Capítulo 57 - Verdade (parte 2)


Ela começou a chorar – Eu o deitei na cama, o despi, deixei-o só de cueca, eu tirei a minha roupa fiquei só de calcinha e sutiã e deitei do lado dele. Eu só tinha quatorze anos Anne, eu já tinha visto essas coisas em filme mas eu não sabia ao certo o que estava fazendo. Me desculpa, me desculpa Anne – ela agarrou a minha mão.

— Está tudo bem, calma! – eu a abracei já começando a chorar também.

— Eu adormeci – ela soluçou – e acordei com o Marcos chegando lá já no outro dia de manhã. E me perguntou o que tinha acontecido, ai eu disse que tinha tido relações sexuais com o Rick. Ai quando eu fui me levantar o Rick acordou, perguntando o que tinha acontecido, porque ele só se lembrava de ter voltado do banheiro. Eu contei a mesma história pra ele, ele colocou a mão na cabeça e começou a chorar, só ficava falando que ele não prestava e que precisava falar com você.

— Mas ele não e contou o que houve na festa, mas eu lembro que logo depois da festa ele passou o mês estranho. – eu disse lembrando.

— Foi porque eu disse pra ele que ele não era culpado, e se ele não contasse nem eu, nem Marcos contaríamos. Ai em menos de um mês minha vida virou de cabeça pra baixo. Meus pais iam se mudar pra Miami, uma das minhas melhores amigas estava grávida. Eu falei pra ela me dar o teste de gravidez dela que deu positivo e cheguei em casa falando que era meu.

— Nossa! – eu arregalei os olhos.

— Meus pais enlouqueceram, falaram que queriam conhecer o pai e eu disse que era o Rick. Expliquei a minha versão, dizendo que estávamos “bêbados” na festa. Ai eles disseram que iriam ter que levar o Rick com a gente, porque eu não ia criar a criança sozinha.

— Mas você não pensou que quando sua barriga parasse de crescer, a criança nunca ia nascer.

— Eu tinha tudo arquitetado Anne, eu era uma doente. Eu ia falar que a minha barriga não desenvolveu, ia forjar os exames. Minha amiga seria mandado pro interior, pois ela estava sendo considerada uma vergonha pra família. Eu combinei até com a mãe dela que quando chegasse perto dos nove meses elas iriam me visitar, e iam ficar hospedadas em algum hotel. Ai quando a minha amiga passasse mal para ter o bebê, eu diria que ia sair. E ligaria depois que o bebê tivesse nascido. – ela soluçava de tanto chorar – E assim, criaria aquela criança como se fosse minha e a minha amiga teria uma vida normal!

— Não entendo como você pensou nisso tudo!

— Eu era maluca Anne, eu tinha tanta inveja do namoro de vocês, sem nem saber quem era você! – ela respirou pesado – Quando fomos falar pra família dele, ele quase morreu de tanta raiva de mim. Eu me arrependi profundamente, mas não dava mais pra voltar atrás. Então nossos pais combinaram de ir morar em Miami junto com a gente. E iriamos em uma semana.

— Foi por isso que ele disse todas aquelas coisas!

— É, ele realmente achou que seria melhor pra você seguir em frente. Mas em todos esses anos em que moramos juntos parecíamos meros desconhecidos. Mal falava comigo, ainda mais depois que ele descobriu que era mentira.

— Como ele descobriu?

— Três meses depois, quando ele me ouviu conversando com a minha amiga grávida. Ele surtou, ele saiu quebrando o meu quarto todo. Gritando: “Eu odeio você mais do que nunca, eu tinha uma vida lá, eu tinha uma namorada, que eu amo muito, mais do que tudo. Ela deve estar me odiando agora, mas não tanto quanto eu odeio você. Eu só não volto pra lá agora, por causa da bolsa que eu ganhei de estudos aqui, que vai ser ótimos pro meu futuro” Ele contou pros meus pais e parou de falar comigo, só me perdoou um ano depois. Mas mesmo assim, nunca me deu um pingo de confiança. Eu estava disposta a sair de vez da vida dele quando voltamos. Mas quando eu soube que vocês estavam juntos, eu não queria. Mas agora eu percebo que sou apaixonada pelo Marcos, precisei fazer essa burrada, sair do país e tudo, pra perceber que o amor da minha vida estava do meu lado o tempo todo.

— Nossa – eu respirei fundo olhando pro nada.

— Ele está voltando pra Miami.

— Quem? – berrei.

— O Rick?

— Quando? – perguntei.

— Em... – ela olhou pro relógio – Uma hora!

— Meu Deus eu preciso ir atrás dele.

— Eu sei! Olha, ele passou aqui pra se despedir de mim e se você conseguir chegar a tempo pode viajar com ele, ele está com uma passagem lá. Na esperança que você volte.

— Mas e a mala?

— Anne vocês tem condições de comprar outras roupas lá. E depois das férias é só voltar. Vai Anne, não perde o amor da sua vida.

— Obrigada Ana. — dei um beijo no seu rosto.

Notas finais
Próximo capítulo é o último. Com o link do próximo conto.