Quando chegamos a diretoria a minha vontade foi de esconder a cara, eu nunca em ano nenhum eu tinha ido a coordenação.

— Eu estou muito decepcionada com vocês, principalmente com você Anne eu nunca tinha visto você metida em confusão e você estuda aqui desde pequenininha.

— Não é possível que todo mundo puxe saco dessa garota. — Ana reclamou olhando para o nada.

— Ana, ninguém aqui está puxando o saco dela estou apenas dizendo que me sinto decepcionada ao vê-la aqui para tomar uma repreensão por tal motivo, já a senhora é bem vista aqui por esses motivos. Quando cheguei ao banheiro vocês estavam parecendo duas pessoas sem nenhuma educação. Quero saber o que houve!

— Olha senhora diretora — comecei — houve que eu fui no banheiro ajeitar o cabelo e ela estava lá. Quando ela começou a me provocar, me empurrou duas vezes e eu fiquei quieta na minha. Quando ela me deu um tapa na cara, ai eu admito eu voei em cima dela.

— Um tapa na sua cara? — a diretora perguntou horrorizada. — É verdade isso Ana?

— Sim é verdade, eu odeio essa garota.

— Independente de quem odeia quem, espero que saibam que os responsáveis de vocês irão ficar sabendo, vocês duas graças a Deus vem de família direita e tenho certeza que receberam educação. Então preciso conversar com eles para saber o que houve com duas moças educadas para acontecer esse tipo de comportamento! Eu espero não ter que chamá-las aqui novamente ou terei que tomar uma medida mais drástica! Espero que estejam avisadas.

— Sim senhora. — respondi

— Podem ir pra sala. — eu me levantei — E você senhora Ana, não vou tolerar mais comportamentos desse tipo seus aqui dentro da escola, mais um e você já sabe.

Fui até a sala o mais rápido que pude, a professora tinha saído para fazer não sei o que, assim que eu entrei a sala inteira me aplaudiu eu não sabia se ria ou se ficava assustada.

— Prima arrasou eu vi a briga.

— Todo mundo viu pelo visto! — respondi.

— Claro né Anne, uma menina que chegou na hora do tapa na cara que ela te deu filmou tudo e já colocou no youtube. — Jayne gargalhou batendo palmas.

— Ai que vergonha.

— Vergonha nada, foi o máximo. Estou com a alma lavada.

— Que isso, Anne lutadora. — David riu me abraçando.

— Para gente. Só de pensar que hoje eu ainda terei de fazer trabalho com o Rick a tarde toda.

— Mas você vai voltar pra casa?

— Vou pra almoçar.

Logo a professora voltou e continuamos assistindo as aulas. Quando Ana voltou a sala ela me encarou séria e a turma inteira prendeu o riso, ai sim eu reparei que ela estava com a boca cortada e um olho roxo e eu não tinha nenhuma marca dela felizmente, ela ia dizer algo mas a professora ordenou que ela se sentasse. No final voltei almocei e quando acabei de almoçar meus pais estavam atrás de mim de braços cruzados me encarando, o susto foi tão grande que a comida quase voltou.

— Que susto gente!

— Susto foi o que nós tomamos quando a diretora ligou para reclamar do seu comportamento. — minha mãe estava com seu tom bravo.

— Isso nunca tinha ocorrido antes, você brigando na escola que tipo de educação nós te demos para que isso pudesse ter acontecido?

— Mas olh...

— Não terminamos Anne — meu pai trincou os dentes, ferrou — Eu quero saber o que houve e não importa o que aconteceu você continua bem ferrada com a gente, está de castigo esse fim de semana. — eu o olhei assustada. — Pode falar agora!

Contei tudo que tinha ocorrido, livrou bastante a minha culpa mas eu ainda estava de castigo no fim de semana.

— Isso tudo por causa do Rick.

— Não foi por ele, foi pelo abuso dela mãe! Se ela tivesse falado mil coisas e não tivesse encostado um dedo em mim eu nem ia ligar, mas pro azar dela ela me deu dois empurrões e bateu na minha cara, aí... Eu me estressei.

— Vai ficar em casa esse fim de semana, sem telefone e sem internet.

— Sem vida também né.

— Isso foi uma resposta Márcia? Essa menina está respondendo a gente? Porque se tiver eu juro que ela fica um mês de castigo.

— Não paizinho lindo, não foi uma resposta. Desculpa.

— Acho bom, quer uma carona até a sua escola? Afinal você tem trabalho a tarde lá né?

— Pois é.

Entramos no carro e eu ainda fui ouvindo muitos sermões. Será que ninguém entendeu que a culpa simplesmente não era minha? Quando chegamos lá eu fui direto a biblioteca.

— Eu não sabia que eu valia uma briga. — Rick me olhou debochado.

— E não vale, na verdade você não vale é nada. A briga só ocorreu porque a sua namorada encostou em mim três vezes, e ao contrário dela não tenho sangue de barata.

— Então eu não valho nada?

— Nunca valeu.

— É e porque?

— Primeiro que uma pessoa com essa bipolaridade sua, que uma hora me ama eternamente e na outra já está namorando outra garota já te faz perder o valor. E agora que eu descobri toda a verdade Rick, você vale menos ainda.

— É? Que verdade.

— A Ana me contou tudo! — ele sacudiu a cabeça confuso, parecia que ia explodir.