Voltei pra dentro de casa sob os olhares assustados do pessoal, quando minha mãe apareceu correndo:

— Que gritaria era aquela aqui?

— A Anne colocou a garota pra fora de casa. — Jayne e Christine prendiam o riso.

— Como assim Anne? — minha mãe pareceu não gostar.

— Ela ficava me xingando. Mandando indiretinha. E ela não vai me desrespeitar dentro da minha própria casa.

— Sei. — ela me olhou desconfiada — não demorem a dormir, qualquer coisa eu estou com Alberto, Olavo e a Rosalie lá atrás jogando.

— Tá bom.

— O que vamos fazer agora já que a Anne colocou a menina pra fora? — Rick parecia irritado.

— Pra mim tanto faz.

— Que tal você ir pedir desculpas a ela?

— Desculpas porque Rick? Não estou errada.

— Mas você provocou.

— Não provoquei, eu só perguntei se ela tinha o costume de chegar nos garotos, ai ela começou.

— Admite que você ficou com ciúmes!

— Não é isso — já estávamos alterados — Ela que é uma abusada.

— É ciúmes sim.

— Não é, você que está cheio de raivinha porque eu coloquei sua namoradinha pra fora.

— Não Anne, eu só estou impressionado como você conseguiu chegar a esse ponto por ciúmes de alguém que... não é mais seu. — ele disse e arregalou os olhos percebendo o que tinha falado.

— Pelo visto nunca foi -eu disse abaixando o tom — e sinceramente hoje em dia não faz mais diferença, porque nem que seja a força eu vou esquecer você!

— Você não vai conseguir.

— Como eu disse pro Adrian uma vez eu sempre quis te esquecer mas sem saber o porque deveria, hoje em dia eu quero esquecer e tenho motivos pra isso.

Agarrei o Adrian e dei um beijão nele, dei boa noite pra todo mundo e sai puxando as meninas para dentro do quarto.

— Anne mas que dia babado — Jayne riu — não acredito que você colocou a Lorrana pra fora de casa.

— Coloquei mesmo e coloco de novo. Garota abusada!

— Não fui muito com a cara dela também não. — Christine disse baixo.

— Mas gente foi impagável a cara dela de dor enquanto você a segurava pelo cabelo. — Jayne gargalhava jogada na cama.

— Gente, e a cara da Anne de irônica o tempo todo. — Christine se segurava pra não rir.

— Acho que o Adrian está com medo de mim agora. — eu disse.

— Até eu tive — Jayne riu — Não chego mais perto do Rick.

— Não foi pelo Rick — olhei séria — Foi pelo comportamento dela.

— Aham, sei. — Christine levantou uma sobrancelha.

— Tá foi pelo Rick um pouquinho — eu disse colocando minha roupa de dormir — mas ela ia xingar até minha mãe. Tá louca, só pode!

— Realmente.

— Bom meninas, vou dormir que amanhã é dia de praia, e a noite temos Luau. — eu disse me jogando na cama.

— E você vai mesmo com tudo isso?

— O luau não é dela, ela só está ajudando a divulgar. E se ela fizer gracinha, faço ela comer areia.

— Ui, Anne revoltada. — Christine zombou.

— Acho melhor não mexer mais com ela. Boa noite meninas.

— Boa noite gente. — eu disse sorrindo fechando os olhos.

— Boa noite.

Dormimos acordamos no outro dia com o sol entrando pela janela, tínhamos esquecido de fechar a cortina. Ainda bem, porque não havia maneira melhor de acordar.

— Bom dia — falei indo direto pro banheiro enquanto as duas levantavam devagar.

Coloquei o biquíni e fui tomar café enquanto as outras já vinham.

— Bom dia. — Minha mãe nos cumprimentou. — Aproveitem a praia porque depois do almoço vocês não vão voltar pra lá.

— Porque — David perguntou enfiando um pedaço de bolo na boca — A gente também?

— Não David, só as meninas. E não fale com comida na boca.

— Desculpa.

Terminamos o café e fomos para a praia, como sempre o Adrian ficou afastado jogando.

— Desculpa por ontem. — Rick falou.

— Tá relaxa. — eu sorri.

— Ela mereceu mesmo.

— Eu sei.

— Não sabia que você tinha esse lado.

— Nem eu ri. — dei uma risada ficando sem graça.

— Eu acho que depois dessa viagem é melhor a gente se afastar.

— Porque? — perguntei.

— Porque você quer me esquecer e não vai ser eu que vou te impedir isto.

— Mas nós somos vizinhos, somos da mesma sala.

— Eu posso mudar de sala, mas quanto a ser vizinhos eu não posso fazer nada.

— Não acho que haja necessidade. É só você parar de ficar me agarrando, e provocando.

— Tá tudo bem. — ele disse baixando a cabeça. — Amigos? — ele estendeu a mão.

— Eu já ouvi isso antes. — disse desconfiada.

— Mas dessa vez é sério. — ele tentou sorrir e eu apertei sua mão.

— Amigos.

Respiramos fundo juntos, talvez tudo realmente tivesse de ser terminado ali mesmo.

— Que horas começa o luau? — perguntei.

— As oito.

— Nove horas estaremos lá.

— Ok, já que vocês hoje não voltam para a praia a tarde é melhor a gente ir almoçar um pouquinho mais tarde.

— Pode ser.

Ficamos em silêncio, um silêncio desconfortável que nunca houve entre a gente, demoramos mais um pouco, fomos para água, e depois fomos almoçar.