Promessas ao tempo - SasuHina.
2 Capitulo - 2.
Notas iniciais

Japão, 1935 – Era Heisei.
(Leiam ouvindo a musica de TheRickymh — Tears of the Night)
Nos anos 90, pela primeira vez eu observava a neve cair graciosamente do lado de fora de dentro do alojamento onde agora eu situava. Aquele era o mesmo local onde vivi com Koharu, mais a decoração se tornou mais propícia a época. Estantes com rolos de tecidos, vários manequins para roupas masculinas e para as femininas. Cortinas de um vermelho sangue e um piso com um carpete esverdeado.
Eu gostei da decoração combinava muito com meu novo dono. Podia ver ao lado de fora pela janela às pessoas transitando de um lado ao outro. Chitian mudou muito em apenas sessenta anos, o que antes você podia se dar de uma cidade pacata, agora se tornara uma grande metrópole. Mais ainda alguns serviços eram utilizados no momento, e um desses serviços eu tinha a oportunidade de conviver com uns desses trabalhadores. O Alfaiate Uchiha.
Como ele mesmo dissera ao dono da casa de moveis usados, me tornei sua modelo de vestuário. Eu adorava os vestidos em que ele produzia em mim, eu sentia seus toques, suas mãos me tocarem com precisão, sua respiração quando ele se aproximava quando tirava minhas medidas, sua voz que fazia me calar quando brincava comigo ou quando me perguntava se eu gostei dos seus trabalhos. Seus olhos negros que me faziam mergulhar no profundo esquecimento.
Na verdade eu o amava. Adorava sua atenção quando ele se dirigia a mim. Ao lado desse homem, eu queria poder ser humana. Um ser que poderia falar andar e expressar suas emoções, assim como eu queria ser para com ele — mais mesmo sabendo de minha situação eu tentava em me contentar em poder ser a sua preciosa Hime.
Eu ganhei esse nome dele, mais muitas das vezes ele me chamada de Hinata — ser ou lugar iluminado. Ele me dizia que eu fui sua luz para que seus projetos se concluíssem e depois de alguns trabalhos meu dono passou a ser um grande vendedor de seus projetos. Os vestidos das mulheres e roupas aos homens tiveram sua marca espalhada na cidade. E muito mais que feliz meu senhor se tornou um grande alfaiate mais pedido em Chitian.
Eu estava feliz por meu novo dono. Sua felicidade era a minha, e se eu pudesse o fazer mais feliz mesmo que dentro de mim possa me destruir eu o faria. Sentia-me em mim que agora eu teria um lar onde eu poderia não mais me preocupar em ser esquecida. O senhor Uchiha era meu novo dono, um dono ao qual eu acreditava cegamente que seria sua para sempre.
Três glamorosos invernos se passaram. E eu ainda continuava com meu novo dono, a fama e seus trabalhos trouxeram muitas coisas boas e ruins a nossas vidas. Assim como me trouxe o sentimento de ciúmes.
Meu dono era bastante dotado de uma beleza, digamos bem chamativa ao publico feminino. Milhares de mulheres sonharam e desejava um homem como o meu senhor, ser o homem de seus sonhos ou de suas vidas, a soluções de seus problemas... Mais meu senhor não era o tipo de pessoa que se distraia com isso, foi o que eu pensei. Ate pode sentir que poderia ser novamente ser esquecida. Ele se apaixonou.
Ele amara uma jovem mulher, ela era bonita seus olhos eram verdes esmeraldas e seus cabelos encaracolados rosados lhe davam o toque de doçura. Eu a odiava. Sentia raiva quando ela aparecia na loja e meu senhor fazia seus vestidos usando suas medidas, eu sentia raiva quando ele a tocava, sua respiração perto do corpo dela. Queria poder gritar e chorar, e preferia sumir a ver os dois de forma tão intima... Uma coisa que eu sempre desejei.
Então comecei a ser esquecida. Meu senhor já não me usava mais como sua modelo, agora ele tinha uma em carne e osso, uma humana. Foi então em que depois de alguns meses ele fechou sua alfaiataria e decidiu se mudar para outra cidade, um lugar onde eu não fui levada... Fiquei trancada e esquecida por um longo inverno. Todos os dias eu observa o movimentos na rua de dentro do estabelecimento, via pessoas, o tempo, o tudo. Senti-me despedaçada, abandonada. Queria saber como ele estava. Se ele sentia bem, se tomava seus cafés toda manha, se ouvia suas musicas calmas antes de dormir, se ainda continuava seus trabalhos. Minha mente fervia em preocupações. Mesmo sabendo que ele estava com outra mulher eu o amava e queria noticias do seu bem, acreditava em meu ser que um dia ele poderia voltar novamente em meus braços e se lembrar de mim.
Ate em uma noite... Por volta pela madrugada a porta do local foi aberta. A neve caia intensamente e o vento gelado entrou no recinto gelando o local. Era ele, o meu dono. Ele entrou no recinto depositou sua bagagem no chão e tirava os amontoados de pecas em que vestia, os pendurou no cabineiro, foi para dentro nos fundos da loja e depois voltou com uma garrafa de bebida, puxou uma cadeira e se sentou a minha frente. Eu não podia ver seus olhos desde quando outrora ela entrou. Mais eu sentia que ele não estava bem... Encheu um corpo da bebida e virou de encontro aos seus lábios solvendo o liquido, ele grunhiu e depois encheu mais um copo repetindo a mesma forma. Ate que ele se pronunciou e me sentir-me perdida por ouvir novamente sua voz. Ele me informava de forma amarga que na verdade ele foi abandonado e que não queria mais viver. Eu estremeci, queria saber o que ocorrera com ele, e não queria fica sozinha outra vez, queria poder mexer meus braços nem que fosse por uma única vez na vida e pode o abraçá-lo e o amar. Amar como eu sempre quis.
Ele começou a chorar, seus prantos foram engolidos pelo silencio do local. Sentia-me inútil, uma coisa que somente podia ver os sofrimentos dos outros. Uma boneca inútil... Algo quebrado. Ele encostou sua cabeça em minhas pernas, pude sentir o perfume de seus cabelos e ali ele ficou chorando pelo restante da madrugada.
Depois daquele ocorrido, meu dono trancou-se em uma profunda solidão, ele voltou ao seu trabalho mais antes a alegria que eu um dia vir que ele possuía já não existia mais em torno de si. Ele se tornou frio, distante e calado. E seus projetos começaram a desandar. Via seu sofrimento, e ate por muitos dias as portas do estabelecimento ficaram fechadas.
Em uma noite não muito fria meu dono trancava as portas do local, segurava uma xícara de café quente em suas mãos enquanto fazia suas anotações sobre o estado da loja. Ate que ele olhou a mim uma coisa que há bastante tempo desde sua volta ele não fizera. Olhar-me com seus olhos negros e me analisarem profundamente. Sentia-me nua a sua frente, era como se seus olhos olhassem minha alma.
– Ah quanto tempo não nos vimos Hime!
Foi sua pergunta referindo se a mim depois de tanto tempo. Eu queria dizer, conversar com ele, ou como fazer o que os seres humanos faziam — dialogar. Eu queria apenas falar.
Foi quando ele tocou meu rosto. Sua mão macia e ao mesmo tempo árida me lançava um tremor no meu mais profundo ser, como sentia falta do seu toque em torno de mim.
– Como fui descuidado Hime! Olha pra você esta toda cheia de pó e ate pequenas arranhas já fizeram teias em ti.
Sim certamente foi um bom tempo mais eu estava feliz por meu dono ter de novo sua conversação comigo. Naquele dia, ele me limpou e conversou muito comigo, e me disse muitas coisas que guardava para si. Acho que uma amizade verdadeira ele não possuía, mais eu o ouvia atentamente em tudo. Fiquei sabendo o porquê de sua volta e porque se tornará tão frio.
A mulher que antes ele amava o trocou por um homem rico depois de saber que meu dono estava doente. Sim eu também me surpreendi por isso e não o queria perder, perder Koharu e isso me marcou profundamente e com certeza não ia agüentar sentir isso novamente. O meu Dono Uchiha Sasuke ele para mim era mais do que isso era o ser que eu amava. E se tivesse algo em que eu simplesmente pudesse fazer não pensaria em duas vezes, nem que fosse destroçados milhares de vezes... Eu o protegeria.
Os meses se passaram, tivemos uma primavera bastante florida. Meu senhor fabricava novos vestidos para aquele inverno. Mais sua saúde a cada momento piorava. Ele tossia muito e com isso às vezes seu sangue manchava suas mãos. Eu pressentia que ele não viveria muito tempo e isso me assolava. Mais mesmo assim toda vez que ele me via ele sorria a mim e me cumprimentava.
–Bom dia, Hime! Que bela manhã, Hime! Boa noite, Hime!
Meu dono às vezes se distraia comigo, ele brincava me pegava em seus braços e às vezes dançava comigo. Eu adorava sentir seu perfume e poder esta perto dele. Ele dizia que eu era leve. Em comparações eu tinha um peso de uma mulher de 25 anos. Ele me contava sobre o tempo, o que ele gostava e o que odiava. Depois que ele foi rejeitado por aquela mulher que amava, seu coração ficou trancado, mais comigo meu dono era ele mesmo, um simples homem que amou e sofreu, e que agora queria que sua vida seguisse conforme ele ainda podia viver.
Mais uma coisa me deixava em uma curiosidade. Ele trabalhava muito em um vestido mais nunca os conseguia os ver. Ele me dizia que faria sua obra que há muito tempo ele queria ter me dado. Eu estava curiosa mais ate que esse projeto tivesse concluído eu teria que esperar. E quando foi no segundo dia de inverno eu fui presenteado com um lindo vestido que parecia que sido feito por pequenas ninfas do campo. Suas cores de bege e branco com pequenas listras negras e claras, uma saia cumprida e rodada ate o chão de cetim, o torso ate a cintura o desenho de renda negra que se interligava com os fios negros que se seguia ate o comprimento do vestido, uma verdadeira obra de arte!
Eu nunca tive ou experimente uma obra assim e hoje pela primeira vez eu usava algo magnífico.
–Espero que goste Hime! Isso era algo que criei quando eu a trouxe para cá, mais nunca pode concluir... Esse vestido se chama se chama Hinata... O ser iluminado que sempre me salvou. Foi por sua presença, minha bonequinha, que puder ter as idéias que hoje eu posso construir essas lindas obras. Espero que a minha linda Hime mostre sua beleza que eu dia foi feita. A beleza em qual você foi inspirada...
Eu queria poder abraçá-lo e poder tocar suas madeixas negras, eu usava algo que meu dono criou especialmente a mim, algo meu... Eu pude ver seu sorriso e me lembro de que aquele foi o mais lindo em que pude ter a oportunidade ver.
Mas, naquele mesmo dia meu dono adoeceu miseravelmente e suas tosses se tornaram piores. Seu sangue corria por seus lábios e manchando suas mãos, nunca o tinha visto em uma situação tão desagradável e aos meus pés ele tremia. Deus, eu estava perdendo o homem a qual eu amava! Ele morria em meus pés e eu não podia fazer nada. Ele se agarrava a meu vestido e tentava se levantar mais por estar fraco seus dedos somente tinha a forca de poder segurar o tecido. Eu queria morrer junto com ele... Queria me perder em uma escuridão e de lá não sair mais.
Suas mãos pediam ajuda... Eu sabia que ele não queria morrer, seus olhos negros suplicavam por vida e em seu intuito e mais uma vez ele me puxou e senti que o que me segurava foi quebrado e cai ao seu lado. Meus cabelos se tornam uma cascata negra no chão e os olhos negros do meu dono me analisavam ternamente.
Ele tremia e sua respiração era fraca, ele estava partindo e, dentro de mim, eu morria mais uma vez. Sua mão acariciou meu rosto, e em suas últimas palavras, pude ver um sorriso em seus lábios.
– Se você fosse de verdade, eu me apaixonaria por você, assim como eu me encantei quando a vir pela primeira vez. Por tudo o que passei você foi à única que me esperava, minha avó tinha razão. Acho que você não foi construída só para ser uma simples boneca, sinto que dentro de você existe uma vida na qual eu estive ao seu lado. Se você fosse humana, eu a tomaria em meus braços e não a deixaria partir nunca mais. Hime me proteja em minha viagem, pois estou partindo, talvez eu encontre você algum dia. E quando eu a encontrar, eu a tomarei como minha...
Eu ouvia suas palavras atentamente e chorava, me desmanchando dentro de mim e aos poucos, até sentir que Sasuke se foi. Uma parte de mim morreu com ele nesse dia. E sim, eu o protegeria em sua viagem, e um dia, iria encontrá-lo. Sinto que formos ligados mais do que isso, e que no passado talvez fomos amantes. Almas gêmeas, a espera um do outro.
*~*SH*~*
Japão, em tempos futuros.
Setenta e nove invernos se passaram, e em mim apenas sentia o vazio. Eu passei por tantas pessoas, e tantos lugares que não me lembrava de mais quem eram essas pessoas. A vida dentro de mim se esvaíra como um relógio de areia que, aos poucos, mais e mais estava se acabando.
Hoje o mundo em qual eu presenciou se tornou muito diferente da época em que Sasuke me mostrara. As grandes construções e o mundo cinzento se tornaram um lugar onde agora as pessoas viviam em um ciclo de independência e luxuria. Eu estava diante de uma vitrine transparente como um manequim de uma loja de roupas, as pessoas passavam em frente, me olhavam e apreciavam a roupa em qual eu vestia. Mas, para mim, nada era comparado às roupas em que meu amado dono fazia.
Perguntava-me quanto tempo a mais eu teria que agüentar. Eu já não me importava com o tempo, sentia que a vida dentro de mim estava acabando e agradecia, pois queria logo me encontrar com meu amado dono. A solidão e a saudade dentro de mim já me deixaram opaca, não queria passar mais um inverno.
Foi quando eu vi uma mulher me analisar. A principio, eu não tinha prestado atenção nela, mais quando eu olhei em seus olhos por pouco me enganei, achando que tivesse visto meu reflexo. Mais não era o rosto daquela moça. Olhos lilás perolados, um lábio carnudo e rosado, sua pele branca e seus longos cabelos lisos e azulado. Deus, aquela era eu! Eu e ela tínhamos a mesma aparência à mesma forma, a mesma expressão — a mesma voz. Eu ouvi sua voz meiga e graciosa, assim como a voz que sempre pensei ser a minha, ela tocou o vidro e me olhava intensamente, era como se tivéssemos conectado.
Minha outra metade? Seria isso?! Dissemos juntas e nos olhamos intensamente. E ela começou a chorar assim como eu chorava em meu ser.
Pequenos fios de luzes entravam e saiam em minha mente, imagens de um passado... Uma mulher beijando seu amado, uma partida e depois lagrimas. Eu a conhecia e depois compreendi. Era eu. Eu fui àquela mulher a esposa do lorde, eu não queria morrer e deixar seu amado. Então, no meu leito de morte, prometi que sempre viveria ao lado do meu amado, e nem que fosse para reencarnar milhares de vidas, eu iria voltar.
Meu desejo se tornou realidade, eu reencarnei. Encontramo-nos. Eu encontrei minha outra metade, a princesa do lorde. Por isso eu estava sentindo que minha vida estava fugindo em minhas mãos, eu estava renascendo em outra pessoa. O ser que estava ali na minha frente. Eu chorei... Talvez pudesse encontra meu amado, meu lorde, meu Sasuke nessa vida.
Até que fomos surpreendidas quando um rapaz a abraçou por trás e beijou o topo de sua cabeça. Ela sorriu e o olhou nos meus olhos. O rapaz a abraçava fortemente e ela deixava suas lágrimas escorrerem com um sorriso.
– Porque esta chorando Hime, eu disse que não ia demorar!
Meu corpo tremeu, a voz desse rapaz fez com que dentro de mim se movimentasse algo que há muito tempo eu não sentia. Um calor, e quando vi seu rosto, meu ser se encheu de alegria. Era ele, meu Sasuke!
Foi então que eu compreendi, era como se a resposta estivesse o tempo todo dentro de mim, uma luz que clareou meus pensamentos, sempre tivemos ligados... Eu fui à esposa do lorde e Sasuke era o lorde... Quando Sasuke pediu para a boneca ser moldada sua esposa estava morrendo e quando acabei de ser pronta eu reencarnei nesse corpo, pois não queria deixa meu amado. Eu também encontrei com Sasuke nessa vida — ele era o meu dono, o alfaiate.
Finalmente poderia descansar em paz e pode deixar que minha outra parte possa viver sua vida. Sentia que já estava partindo e minha visão estava apagando. Eu agora iria descansar e pode me encontrar com meu Sasuke.
Minha outra metade, por favor, cuide do homem que eu amo e o faça feliz como eu não pude fazer nessa vida! Estou partindo e agora você que viverá.
A vida dentro de mim se foi e sentir que agora poderia descansar!
*~*SH*~*
(Leiam ouvindo a musica de Yoshioka Aika — Soukyuu no Hata)
O rapaz olhava sua amada e tentava compreender do porque ela chorava. Só foram alguns minutos que a deixara sozinha e parecia que a tinha perdido pro resto de sua vida.
– Porque esta chorando Hime, eu disse que não ia demorar! Não se afaste de mim desse jeito, fiquei louco de preocupação! Pensei que nunca mais iria te ver... – o rapaz abraçava fortemente a garota. Deus sabe o que sentira quando não a viu mais perto de si.
– Gomenasai, Sasuke! Somente me distrai com essa boneca. — ela falou ainda olhando intensamente ao objeto a sua frente. O rapaz olhou de encontro ao que sua amada apontava. Apenas via uma simples boneca bem feita e que certamente se parecia muito com sua amada.
– Ela é bonita, se parece muito com você... Mais prefiro a minha mesma bonequinha, que está em meus braços. Venha, vamos comer algo, estou morto de fome.
Ele segurou suas mãos e a puxou a garota pela rua acima. Ela olhou novamente pela ultima vez a boneca e depois olhou ao seu amado. Sim certamente ela tomaria contar dele. Isso era uma promessa!
Fim!
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