Promessas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Não foi betada, peço desculpas se houver algum erro.
Ficaria contente de saber a opinião de quem ler sobre a história.
Tenham uma boa leitura!
Observava o fogo crepitando na lareira da sala comunal enquanto tentava esquentar os dedos enregelados, alheio ao tumulto dos outros estudantes. Estava agora em seu último ano, e não sabia o que seria de si mesmo após o término das aulas. Como sempre fora muito estudioso, não deveria se preocupar com as notas, visto que estas lhe dariam oportunidade em praticamente qualquer área que quisesse seguir. Porém, devido ao seu “problema”, estas chances se esvaiam como água. Compreendia o lado dos empregadores, era um risco contratá-lo. Dava-se mais que satisfeito pela oportunidade que tivera de frequentar a escola, de ter esse convívio com as pessoas, mostrando a si mesmo que não era totalmente um monstro. Pelo menos enquanto não fosse lua cheia.
Mas pelo que mais era grato era por seus amigos. O compreenderam e ajudaram de uma forma que jamais poderia retribuir. Claro que sabia que a amizade continuaria e que eles o ajudariam com o que fosse preciso, mas também tinha seu orgulho, queria ter autonomia sobre si mesmo, e embora ainda não soubesse como, de conseguir se sustentar sozinho. Sem contar que estes tinham suas próprias vidas para continuar. James, após tanto tempo de devoção à sua ruiva, finalmente a conquistara e desfrutava de um belo romance que muito provavelmente acabaria em casamento. Estava realmente feliz por ele e Lily terem se acertado, conseguia ver um futuro brilhante para os dois talentosos amigos. Peter, se analisando bem, ultimamente andava mais calado e reservado. Talvez tivesse amadurecido mais, e começado também a se preocupar com o futuro, já que não obtivera tanto êxito acadêmico que lhe desse muitas opções. Pobre Peter, teria que se virar fora da sombra dos amigos lá fora. Já Sirius era uma incógnita para si. O amigo não parecia se preocupar muito com o que faria, parecia do tipo que só se importaria na última hora, e o que quer fizesse daria certo, era sempre assim. Isso encantava e irritava Remus de certa forma, tal despreocupação com o porvir poderia ser perigoso, mesmo para quem já era acostumado. Dentre todos, o que mais lhe preocupava era Sirius, não só pelas perspectivas falhas, mas porque nutria uma afeição diferente por ele. Há certo tempo, por mais que tenha tentado reprimir, esse sentimento o conquistara. Não o negava, apenas aprendeu a conviver com ele, por mais difícil que fosse tendo Sirius tão perto; sabia que era o melhor a ser feito. A possibilidade de revelar isso nunca passou por sua cabeça, já tinha que lidar com muitos problemas e aflições. Na verdade havia se conformado que na sua condição, não haveria probabilidade para se ter um parceiro amoroso, tanto homem quanto mulher, e estava resoluto a não prender ninguém à sua maldição e a vida humilde que provavelmente teria.
Estava tão absorto em seus devaneios que não percebeu que alguém se aproximara e colocara a mão em seu ombro, assustando-o. Virou-se para encontrar Sirius o encarando com um sorriso de lado.
-Estava longe, em. Te chamei duas vezes.
Sorriu, realmente estava.
-Sim. Muito o que pensar ultimamente.
O outro deu a volta ao amigo que estava agachado perto do fogo e sentou-se na poltrona próxima.
-Entendo, o último ano é pior do que eu imaginava.
Olhou para cima e encontrou Sirius também encarando o fogo. Pelo visto até mesmo ele havia se dado conta da situação que se encontravam.
-É difícil te ver assim tão sério. O que te incomoda?
Sirius franziu um pouco a testa, considerando a pergunta.
-No momento, o frio. Não sei se percebeu, mas está dez graus abaixo do comum no inverno. Até o Peter está de casaco.
Sorriu abertamente, outra vez Sirius implicava com o garoto mais reforçado.
-Mas o que me incomoda mesmo é o futuro, Moony. Vou sentir falta daqui, de vocês. Caramba, acho que até vou sentir saudades da Minnie pegando no meu pé.
-Quanto a McGonagall, acho que também vai sentir falta do seu aluno mais problemático. -Riu. — Mas entendo o que sente, é o mesmo pra maioria de nós. A perspectiva do mundo fora dos muros seguros de Hogwarts já é assustadora, e agora só piora com os boatos que correm por aí. Todos estão apreensivos, e com razão.
Remus não percebera, mas assumira um tom sombrio. Seu peito apertava toda vez que lembrava que além de seus próprios motivos, havia uma tensão maior no ar a ser temida. Pessoas começavam a desaparecer, ninguém ousava comentar muito sobre o assunto, mas era sabido por que algumas eram parentes dos alunos. Uma faísca de medo fora plantada na comunidade bruxa, e pelo visto todos iriam sentir o impacto se o que temiam de fato acontecesse.
Vendo a expressão do amigo, Sirius tentou acalmá-lo.
-Bom, o que nos resta é aproveitar nosso último ano juntos aqui, não é? Falando nisso, você vai pra casa no natal?
-Não, meus pais estão no exterior. E Você?
Sirius riu baixo.
-James vai passar o natal na casa de Lily, ela quer o apresentar pra família. Sua mãe até me convidou pra ir lá, mas já abuso da bondade deles durante as férias.
Remus riu solidário, o amigo havia se mudado para a casa dos Potter a pouco tempo.
-E quanto ao Peter?
- Ele disse que sua mãe está doente e irá cuidar dela nesse tempo. Parece que seremos só nós, dois lobos solitários na neve. — Riu Sirius.
Remus ignorou o trocadilho, estava meio desapontado de não passar o último natal em Hogwarts com todos os amigos, porém ficara feliz que pelo menos Sirius estaria com ele. Mas de repente se deu conta da data em questão.
-Essa não, a véspera de natal terá lua cheia, Sirius! Como pude me esquecer, você ficará sozinho justo no nosso último natal, me desculpe.
Remus realmente odiava ser um lobisomem, quase tanto quanto odiava a vaga esperança que tivera de passar um natal decente com Sirius.
-Haha, do que está falando Moony? Você acha que eu deixaria você passar o natal sozinho com seu probleminha peludo? É claro que vou com você.
Sirius havia novamente posto uma mão em seu ombro, e tinha um sorriso confiante no rosto. Era uma visão bela, pensou Remus, Sirius com as bochechas coradas devido ao calor do fogo, com as sombras amareladas crepitando em sua face, em contraste com os cabelos negros e olhos claros.
-Tem certeza Sirius? Pode ser perigoso apenas com você e o monstro, além do mais irá perder o banquete...
-Não me importo com a festa, é muito mais importante se estar com um amigo. E não sei se já lhe disse, mas o “monstro” se dá bem com cachorros, não haverá problema.
Remus se sentiu realmente feliz por Sirius dar preferência a sua amizade, ainda que sentisse não poder estar “presente” conscientemente junto a ele.
-Muito obrigado Sirius, eu faria o mesmo por você.
Sirius sorriu, se levantando.
-Sei que sim, Moony. Agora vamos pro quarto antes que nossas camas criem pernas e venham se esquentar também no fogo.
Remus riu levemente e acompanhou o amigo até o dormitório.
Notas finais
Ela terá continuação, provavelmente só mais um capítulo, que pretendo postar em breve.
Abraços a quem leu, deixe-me saber o que pensou sobre ^^
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