Projeto Ômega

1 Capítulo 1 - Cassie


Cassie

Sua respiração estava ofegante, o suor deslizava rispidamente pelo seu rosto e logo caia em um baque surdo no chão. Nada mais se escutava a não ser os passos desesperados de Cassie entre as fileiras de container do galpão abandonado, a garota tentava ser sorrateira mas cada vez que olhava pra trás via a silhueta de homens armados correndo contra ela. Com certeza a garota não era nada sorrateira mas corria o mais rápido possível.

ELA FOI POR ALI— gritou um armado, os passos firmes de seu batalhão se aceleraram, cada vez mais alto, mais perceptível, mais perto.

Cassie estava em pânico, não conseguia se controlar, quanto mais corria mais parecia estar sendo encurralada, viu um ou outro armado entre os containers ao lado dela, no outro corredor, e correu mais ainda. Já estava ficando sem ar, seus pulmões se encolhiam como uma bexiga vazia e suas pernas fraquejavam vez ou outra, mas não podia parar de correr.

SOCORRO!!— gritou Cassie entre os containers e logo deu uma breve olhada para trás, o número de armados com fuzil atrás dela parecia ter dobrado, logo quando olhou pra frente lá estavam, três homens vestidos com roupa de soldados, com o fuzil apontados para Cassie e com o dedo no gatilho prestes a atirar. A garota parou de correr e logo foi cercada por um batalhão inteiro de agentes especiais, todos apronto para disparar se necessário. Sem saída, a garota não se via outra escolha se não se render, olhou em volta desesperadamente e a baixa iluminação do galpão não lhe deixava ver nenhuma rota de saída daquela situação.

NÃO SE MEXA!!— gritou um dos agentes, parecia ser o líder por causa da braçadeira azul que usava em seu braço direito. Encenou que ia atirar várias vezes até que a garota batesse seus joelhos no chão em um ato de rendição. Sobre o nariz dela, a ponta do fuzil do armada, parecia um túnel negro e escuro, amedrontador.

Por que?— a garota perguntou a si mesma, seu olhar estava vazio e em um súbito devaneio em sua mente, Cassie se perdeu em um flashback.

(4 horas antes)

Hey, pra onde vamos?— falou Cassie enquanto estava interdita em seu celular, falava com Charlie, seu melhor amigo via Messenger.

Já disse, jantar fora— disse o pai de Cassie, Bob, enquanto ajustava o nó de sua gravata em frente ao espelho. — O restaurante é legal e a comida é boa, você vai gostar.

Bob, era um homem sério, meio careca e com o rosto enrustido, sempre parecia bravo ou incomodado com algo, as únicas vezes que já foi flagrado mais solto ou divertido foi com sua filha Cassie, uma garota ruiva de cabelos curtos. Bob e Cassie tinham uma relação indescritível, a relação que todos os pais e filhos já quiseram, eles não eram apenas pai e filha mas também eram amigos, Cassie brincava de vez em quando com seu pai assim como ele vez ou outra pregava uma peça nela com aquele seu jeito meio marrento, o fato é que Bob se derretia perto de sua filha, não só dela mas como também de sua mulher, Merlinda, um mulher inteligente e bela. Merlinda era ruiva assim como Cassie mas diferente da garota, Merlinda tinha cabelos cumpridos que batiam em suas costas e naquela noite ela estava fabulosa, usava um vestido vermelho e salto que com certeza daria de dez a zero em muitas Miss por ai.

Ãrh, ãrh... como eu estou?— perguntou Merlinda enquanto pousava para seu marido.

— Fabulosa querida. — Bob sorriu de orelha a orelha, sua barba meio falhada disfarçava o sujeito marrento que ele era, seus olhos brilharam e com um movimento sútil e suave estendeu seu braço a Merlinda que logo segurou firme e se pôs ao lado de Bob. A TV chiava no jornal das sete, aparentemente a Coréia do Norte ameaçava novamente atacar os Estados Unidos com bombas. — Filha, desligue a TV e vamos... mais um pouco e ficaremos sem lugar.

Cassie, riu ao ver seus pais emendar um ou outro passo de dança ao caminho do carro, desligou a TV e acompanhou seus pais. Logo a família embarcava para sua noite de gala.

A noite foi incrível, o jantar grã-fino e a música clássica estavam impecáveis aos olhos de Bob mas Cassie preferia mil vezes um sanduíche do Burguer King com a companhia de seu namorado Patrick, um sujeito um tanto quanto sério mas que Cassie confiava e pretendia se casar, talvez fosse só uma paixão de adolescente mas a garota sabia que Patrick era especial e que não fora só mais em sua vida. A noite seguiu a dentro com o festejo da família, nada parecia estragar aquele momento. Até que...

Já era tarde, a família de Cassie estava saindo do restaurante e cruzava o estacionamento rumo ao carro, a noite fria e o sereno ríspido incomodava Cassie que acelerava os passos para chegar ao carro mais rápido. O estridente barulho de pneu derrapando estremeceu as espinhas da garota, na esquina da rua do estacionamento uma van arriscava um drift e acelerava em direção a Cassie e sua família, com os olhos arregalados a garota deu alguns passos para trás. A van parecia perder a velocidade conforme ia se aproximando e ao chegar bem entre Cassie e seus pais freio brutalmente, a porta da van foi aberta e de lá alguns homens de terno desceram, armados, apontaram suas armas para os pais da garota.

Ômega!— gritou um homem de terno.

Não, não, por favor... ainda é muito cedo...— falou Bob desesperado, ele tentava conter os homens que desciam aos montes da van. — CORRA CASSIE, CORRA.— e logo foi acertado na nuca com a coronha das armas de um dos homens.

Pai? Mãe?— Cassie, do outro lado da van e sem enxergar nada só ouvia tumulto e seu pai pedindo para a garota correr, as pernas dela estavam travadas impossibilitadas de se mover, a menina soava frio e tudo se tornou caos e confuso para ela, não demorou muitos segundos até ouvir um disparo de uma dar armas. O mundo de Cassie cinzou, seu chão caiu, a hipótese de que aquele tiro acertou ou seu pai ou sua mãe eram apertou seu peito quase a sufocando, logo após foi capaz de ouvir Merlinda em gritos desesperados. Cassie viu a ponta do fuzil de um dos agentes dando a volta na van até se der conta de sair correndo, e correu o mais rápido possível para um galpão ali próximo, logo atrás de ti era possível ver Merlinda gritando desesperada. Mais disparos foram ouvidos e tudo a partir daquele momento se tornou silêncio.

Cassie voltou a sua consciência, seus estavam secos e trêmulos, a sua volta havia uma dezena de homens armados contra ela. Engoliu um seco, encarava fixamente o chão enquanto perguntava a si mesma o que estava acontecendo, como sua vida se tornou aquilo de uma hora para outra? Era para ser um simples jantar. Um dos agentes avançou por trás de Cassie e logo rendeu seus braços, sem chance de reação a garota foi jogada de barriga contra o chão brutalmente e seus pulsos foram algemados.

Levem ela daqui, Clint gostara de saber que pegamos seu brinquedinho...— falou o capitão enquanto um dos agentes levantava Cassie e a empurrava para fora do galpão.

Quem são vocês? Onde estão meus pais? Pra onde estamos indo?— as perguntas não respondidas ficaram vazias no local, pairaram no ar deixando o clima de intriga. Os agentes, apáticos, olhavam um para o outro a cada pergunta da garota mas ainda sim ela permanecia sem respostas enquanto era guiada até a van. - Brinque... brinquedinho??— temeu Cassie.

Começou a se debater, queria resistir sua ida até a van e começava a jogar seu corpo para trás contra a vontade dos agentes que tentavam segura-la. As algemas lhe limitavam e incomodavam e Cassie tentava escorregar seus pulsos entre elas para se livrar, deu um grito de desespero mas o local abandonado não parecia haver uma alma viva se não um mendigo que vasculhava uma caçamba ao longe, o morador de rua parecia ter ouvido o furdunço e levou um tiro de um dos agentes ao tentar se aproximar para ver o que estava acontecendo. Cassie puxou um de seus braços e o movimento surpreendentemente quebrou a algema que lhe prendia, os agentes arregalaram os olhos ao ver a proeza da garota e em uma ação rápida, se jogaram pra cima de Cassie buscando contê-la. Em um piscar de olhos, o batalhão de agentes estavam por cima de Cassie como quarterbacks de um jogo de futebol americano, durante breves segundos já não era mais possível ver rastros de que havia uma garota ali naquele meio de homens, a contenção pareceu inútil quando, sozinha, Cassie conseguiu se levantar e jogar todos os armados para longe em um súbito movimento. Ela olhou a seus punhos e parecia temer o que acabou de ter feito e assim, com os agentes inconscientes a metros de distância de Cassie, a garota se pôs novamente a correr pela noite em busca de despista-los.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.