Projeto genesis
7 Refugio
Notas iniciais
As pálpebras do garoto pareciam pesadas o suficiente para que ele as conseguisse abrir. A testa doeu quando fez força para os olhos abrirem, Lucas lembrou-se então do novo corte ganho na noite anterior, sorriu quando se deu conta do que fizeram, invadiram uma base militar, conseguiram suplementos e ainda estavam todos bem. Bom, não exatamente bem, mas vivos, o que já era uma conquista nos dias atuais.
Sentou-se com dificuldade, Aline dormia na poltrona ao lado de sua cama, percebeu que a namorada havia passado a noite em claro cuidando de seus ferimentos, havia um pano levemente úmido e ensanguentado em suas mãos, Lucas se concentrou, era difícil fazer isso sem flexionar a testa, o que lhe causava dor, o garoto fechou os olhos e se concentrou em suas habilidades, concentrou-se especificamente na ferida em sua testa, imaginou os tecidos se juntando, se recuperando mais rápido que o normal. Normalmente o próprio corpo faria isso sozinho, porem havia esgotado suas forças usando seus poderes na noite anterior. Lucas sentiu o corpo mais leve, a testa não doía mais, abriu os olhos e tirou o curativo da testa em frente ao espelho, conseguiu ver os últimos vestígios do corte, a pele ficou rosada, esbranquiçada e então sumiu.
— Odeio ficar esgotado – Cochichou. Tirou o pano sujo da mão da namorada, e a cobriu com um cobertor. – Desculpe deixa-la preocupada. – Resmungou após beijar a testa da garota.
— Então devia ser menos idiota e irresponsável. – resmungou a garota. Lucas riu.
— Que graça teria me amar se eu fosse chato. Vou te colocar na cama.
Lucas pegou a garota no colo, a ouvir resmungar algo parecido com “eu tenho pernas” em meio ao seu sonambulismo. Colocou a garota na cama e a embrulhou. Lucas gargalhou após dizer “eu te amo” e ouvir um “tanto faz, só me deixa dormir” em retorno.
O sol começava a aparecer, viu Luana e Carlos lá fora quando foi fechar a janela para que Aline dormisse tranquila. Sabia o quanto a garota odiava a claridade enquanto tentava dormir.
— Bom dia. — Falou Lucas entre um gole de café e outro.
— Bom dia, — respondeu Luana – já esta de pé? pensei que acordaria tarde hoje.
— Poder novo, cura e tal, devia tentar um dia ou outro. Ah não espera, eu sou o único que tem poderes ilimitados. – Brincou o garoto com a irmã.
— Em nossa defesa, — falou Carlos – você é sempre o primeiro que se esgota. – Eles riram. – Bom dia Lucas.
— Isso é só questão de tempo, quando eu aprender a controlar a regeneração eu serei mais forte que qualquer um. – Brincou.
— Deve aprender a criar novos neurônios, você se excedeu ontem à noite Lucas, quase morreu pra nos livrar de dois guardas. – Reclamou a garota.
— Lu, aquilo foi involuntário, você sabe que eu fico instável quando absorvo novos poderes, não posso filtrar a absorção, se eu toco em alguém com poderes simplesmente acontece.
— Você tem sorte Lucas. – diz Carlos. Sorte era uma palavra na qual Carlos não acreditava porem era o único adjetivo para descrever, já havia conhecido alguém com habilidades semelhantes à de Lucas, porem além de sugar os poderes, era sugado também sua vida.
— Por que diz isso? – Perguntou Lucas.
— Nada. Vou tomar café. – disse Carlos já entrando em direção à cozinha.
— Esquisito como sempre. – Cochichou Lucas.
— Não seja idiota. – respondeu a garota.
“Se quer falar algo que os outros não devem ouvir, use telepatia. E ele não é esquisito, ele é reservado.” – Falou na mente do irmão. A garota adorava falar telepaticamente com ele. Era mais um elo que tinham. Passavam horas sentados um ao lado do outro sem dizer uma palavra sequer em voz alta, mas tendo papos complexos mentalmente.
“Você esta me dizendo pra fofocar pelas costas dos outros, que coisa feia Luana.”
A garota deu um soco no ombro do irmão e então começaram a rir. Ela abraçou o irmão. Sentia falta das tardes monótonas de colégio, os almoços em família, os passeios com os amigos e principalmente de seu pai. “Eu sei, também sinto.” Ouviu o irmão em sua mente, não se importava mais em compartilhar os pensamentos com o irmão, pelo menos não mais. Aprendera a filtrar os pensamentos indesejáveis e constrangedores. “Eu sei! Foi totalmente desconfortável você invadindo minha mente pra descobrir sobre minha primeira vez com a Aline” pensou Lucas. “Idiota” pensou. Ambos riram.
— Hey vocês dois. Venham comer! – gritou Mari da porta de entrada.
Os carros estavam quase prontos para sair, Lucas estava terminando de revistar a casa e limpar qualquer vestígio da passagem deles por ali. Aline se concentrava, o céu começava a mudar em reflexo aos comandos que a garota fazia em sua mente. Haviam descoberto um jeito de impedir satélites e câmeras controladas pelo governo. Convocava uma neblina densa, o problema era que isso entregaria suas posições, então ela precisa criar problemas e distrações em diversos lugares, isso que era difícil. Lucas estava esgotado demais para ajuda-la com isso.
— Precisamos infiltrar alguém no programa nacional de segurança. – Falou Lucas ao ver o estado da namorada.
— Com o tanto de ocorrências que causamos precisamos de um batalhão todo lá dentro. – Respondeu Alice, a garota baixinha especialista em sistemas eletrônicos. – Vamos logo.
Os portões do sitio se abriram, Lucas puxou a arma do suporte escondido embaixo da jaqueta. Estava a ponto de atirar no pneu do carro quando Boom colocou a cabeça pra fora ao lado do passageiro.
— Que friaca hein! Podem pedir pra moça da previsão desligar o ar-condicionado gigante, por favor? – Gritou boom para os amigos. – Ei Esponja de Poderes, você fica mais feio ainda segurando uma arma! – Gritou pulando do carro.
— Vou te mostrar quem é uma esponja seu idiota. – Lucas respondeu o amigo já rindo. – O que estão fazendo aqui?
— Eu espero que tenha conseguido poderes legais nesse meio tempo em que não nos vemos, porque finalmente estamos saindo da defensiva. – Falou Calleb já descendo do carro.
Lucas olhou Boom com sorriso brincalhão. Luana revirou os olhos, percebeu que o irmão estava fazendo aquela cara, a cara que ele fazia sempre que tentava falar uma frase tosca de maneira engraçada. Suspirou e esperou, em questão de segundos ele abriu a boca.
— Nós vamos fazer boom, não vamos? – Perguntou ao amigo.
— Eu definitivamente vim fazer Boom!
Fale com o autor