Projeto Ziaton
2 Definitivamente não era a puberdade...
No dia seguinte, Isaac me esperava no ponto de ônibus.
–Melhorou de ontem?–Claro que sim, estou perfeita-respondi um pouco evasiva demais.–Sei lá, você parece um pouco abatida.–É que não dormi direito.
Ele me olhou preocupado.
–Mas eu estou bem, sério.
Ou pelo menos na medida do possível.
No primeiro horário houve aula de Matemática
–Já estou recebendo os trabalhos de trigonometria que os pequenos aspirantes a Einstein com certeza fizeram, estou certa? — disse Clara, com uma ironia quase que diabólica na voz.
De um em um, os alunos eram chamados, todos em fila indiana, empunhando seus trabalhos. Ou quase todos. Com todas as confusões de ontem acabei me esquecendo de fazer o meu, e agora me sentia como se prestes a ser sacrificada.
–Chegamos à senhorita mundo da lua, muito bem Zia, onde está o seu trabalho, pois vejo que não está em suas mãos.–Não deu tempo de eu fazê-lo – eu disse em um tom amistoso.–E o que de tão importante te fez desistir de um trabalho de oito pontos?–É que... Aconteceu um imprevisto.–Não sei por que, eu não acredito em você? – disse sarcasticamenteDuvido que qualquer um acredutasse se eu cintasse a verdade de qulquer forma, pensei.– Mas vou te dar a oportunidade de entregá-lo ate o final da aula, já que temos dois horários hoje, e nem um segundo a mais.
Concordei e comecei a trabalhar. Eu já mencionei que ela é uma bruxa?
Quando o sinal tocou indicando o fim da sua aula, Clara se dirigiu até minha mesa e exigiu o trabalho.
–Aqui está professora.
Eu consegui terminar o maldito trabalho poucos segundos antes.
–Ótimo, parece que desta vez você se safou, mas cuide para que isso não se repita.
Horas depois, o último sinal soou. Saímos pelo corredor Isaac, Bianca e eu conversando sobre como eu driblei o diabo, quer dizer, Clara. O zelador abriu o portão com um rangido, saíamos enfim da escola.
Todo aquele percurso até a portaria me deixara com dor de cabeça, meus primeiros passos afora transformaram essa simples dor de cabeça em uma enxaqueca terrível. Então comecei a ouvir o, já familiar, zumbido estridente. Estava demorando!
De repente, tive consciência de cada objeto de metal á minha volta, sentia-os pulsarem prontos para virem na minha direção, desde as moedas nos bolsos dos alunos que saiam, até o carrinho de pipoca do outro lado da rua, tudo parecia querer vir em minha direção, como se eu fosse um imã gigante, ou o próprio magneto. A dor veio mais forte do que nunca e não pude segurar um grito.
Tudo acabou depois do meu grito de histerismo. Graças aos céus consegui parar antes que alguma coisa realmente se movesse ou algo parecido com o que aconteceu na cozinha da minha casa. Meus amigos e colegas não podiam ver aquilo, ou eu me tornaria a aberração da escola. Depois disso, porém, percebi que minha tentativa não foi suficiente, eu me encontrava rodeada pelos olhos curiosos e risos da pequena multidão que se aglomerara graças ao meu pequeno show.
Seja o que fosse que estivesse acontecendo comigo, com certeza não era a puberdade!
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