Projeto Tenten
4 Missão - parte I
Notas iniciais
Nos dois primeiros dias nós só andamos e conversamos sobre o que faríamos, não falávamos sobre mais nada, o que significava que ficávamos em silêncio quase o tempo todo. Tirando algumas poucas exceções:
– Já devemos estar chegando na primeira vila. Vamos parar agora e arrumar o acampamento. — Disse Hinata já tirando a mochila das costas.
– Mas ainda nem anoiteceu, se continuarmos assim, nunca chegaremos. Estamos perdendo muito tempo. — Disse irritada. Ela continuou calma, e falou sem nem olhar pra mim, pegando as coisas para armar uma barraca.
– Se você não demorasse tanto de manha quem sabe já tivéssemos chegado. — Pelo seu tom de voz, não parecia que ela quisesse me ofender ou me provocar, mas foi esse o resultado. Me segurei ao máximo para não retrucar de maneira grosseira. Apenas suspirei e fui ajudar a levantar o acampamento.
Chegamos na Vila no outro dia de manha e fomos direto ver o líder do lugar. Era um homem loiro e de olhos castanhos escuros, por algum motivo ele me pareceu familiar. Ele sorriu ao nos ver e acenou para que sentássemos. E foi o que fizemos.
A hyuuga entregou um pergaminho para ele, que nos olhou um tanto desconfiado. Quando ele terminou de ler virou-se pra mim e sorriu novamente.
– Tenten, você realmente cresceu! Com certeza. — Agora eu reconhecia, ele era Den. Eu já tinha feito uma missão nessa vila, tinha que acabar com uma gangue de ladrões que estava saqueando a área ou algo do tipo. Na época Den era um pouco mais velho do que eu sou hoje, ele sonhava em ser o líder da vila, e pelo que pude ver, conseguiu.
– Den! Nossa, quanto tempo. — Falei sem pensar indo em sua direção para cumprimentá-lo.
– Parece que já se conhecem. — Disse Hinata com seu tom de voz meigo, que me irritava.
– Sim, ela e seus companheiros de time fizeram uma missão aqui uma vez. Nos ajudaram bastante, com certeza. — Ele não parava de sorrir, parecia até meio forçado, mas no fundo eu podia sentir que não era. Ele estava realmente feliz. E por que não estaria? Ele era o líder daquela vila, como ele sempre quis — Venham, eu vou pagar algo para vocês comerem, e também poderão dormir em uma estalagem por minha conta.
Comemos em uma barraca onde eu lembro que um menininho desafiou o Lee, dizendo que queria ser como ele. Lembro também que eu e Neji não conseguimos deixar de rir porque o menino usava óculos e parecia não ter força para levantar nem um saco de arroz. Foi uma das únicas vezes que vi Neji dar risada daquele jeito durante uma missão.
Eu estava ainda mais nostálgica que o normal, e não ajudou em nada o fato de que iríamos ficar na mesma estalagem que havia ficado na missão.
– Olha se não é aquela kunoichi que eu conheci alguns anos atras! — Exclamou o dono da estalagem.
– É, sou eu mesma. E esta é Hinata Hyuuga. Ela é prima do... — Não consegui completar a fala, bem, eu não conseguiria de qualquer jeito, mas nesse caso eu fui interrompida.
– Ah sim. Ela se parece mesmo com o Neji. — Ele tinha o sorriso alegre e despreocupado que costumava ter. — Ele era um ótimo ninja, e tenho certeza que você também é, Hinata-san.
– Obrigada. Eu me esforço bastante. — Ela respondeu fazendo uma leve reverência.
– Você cresceu bastante nesses últimos anos, não é Tenten-chan?! Lembro de você ainda como uma chunnin. E acho que meu sobrinho também se lembra de você. — Seu sorriso se alargou ainda mais, se é que era possível. Era um sorriso caloroso e convidativo, Hinata sorria abertamente também, eu era a única mais séria dali.
– Tenho certeza que ele lembra. — Respondi distraída. Estava olhando em volta, o lugar tinha mudado um pouco.
O salão principal era grande, o piso era de madeira escura. Haviam algumas mesas baixas espalhadas pelo aposento com almofadas brancas e bege ao seu redor. No canto da parede em frente a porta de entrada estava o balcão onde conversávamos. Do outro lado havia um corredor que levava aos quartos no primeiro piso e uma escada para ou do segundo piso. Tinha um menino, mais ou menos da minha idade parado no topo da escada, seu olhar ia de mim para o velho dono da estalagem.
– Por falar dele, olha ele aí. — Disse o velho. — Venha aqui Hyori. Olha quem chegou.
O menino continuou parado. Seus olhos negros e profundos agora estavam fixos em mim. Ele começou a descer as escadas com cautela, e bem devagar. Acenei para o garoto, assim que ele acabou de descer a escada inteira, ele parou de andar de novo. E então, sem mais nem menos começou a correr em nossa direção. Achei que ele iria me abraçar ou me atropelar, mas ele parou na minha frente, a poucos centímetros e ficou me encarando.
–Ér... Oi? — Disse desconfortável.
– Olá, você deve ser Hyori, o sobrinho do Tomoy-san, eu sou Hinata.
– Oi, é eu sou Hyori e você... Você se parece com alguém que eu conheço. — Ele olhava para ela com curiosidade.
– Ela é prima do Neji. — Eu disse ríspida, praticamente cuspindo aquelas palavras. Ele arregalou os olhos.
– Então ela é prima do seu namorado? — Ele apontava para Hinata e olhava para mim intrigado. Seus olhos Negros me fitando com intensidade.
– Já falei! Ele não era meu namorado! — Gritei irritada. Conseguia sentir um nó se formando na minha garganta e lagrimas molhando os meus olhos, mas sem escorrer. — Licença, eu vou para o meu quarto.
Peguei minha mochila e a chave do quarto e subi as escadas a passos firmes. Antes de sair do alcance das vozes deles, pude ouvir o garoto perguntando:
– O que deu nela? Eu falei alguma coisa errada?
É claro que a culpa não era dele, mas tente convencer a minha parte teimosa disso. Segui por um corredor estreito e simples o chão e as paredes eram de madeiras e vez ou outra eu passava pelas portas, que eram aquelas de correr. Parei na frente de uma porta, ela não tinha nada de diferente das outras, tirando o fato que era a porta do meu quarto.
Entrei, estiquei o futon no chão e deitei nele. Sem coberta nem nada. Eu precisava esfriar a cabeça. Fiquei pensando em várias coisas por um tempo. Não sei em que momento eu dormi. No dia, quando acordei, reparei que eu estava coberta e uma troca de roupa estava ao lado da minha cama.
Levantei, peguei as roupas e me dirigi para as banheiras naturais. Para tomar um bom banho.
Nosso dia foi bem simples e chato. Fomos até a sala do Den e pegamos um pergaminho, que pelo que eu poderia deduzir era o objetivo da missão. Deveria ser algum relatório ou algo do tipo. O resto do dia nós passamos dando voltas na vila e inspecionando alguns lugares aleatórios eu acho. Vez ou outra entrávamos em um lugar que eu conhecia e me vinha uma lembrança daquela missão. Nossa primeira missão sem o Gai-sensei se não me engano.
Ao final da tarde Hinata e eu nos despedimos de Den e voltamos para a estalagem. Nós dormiríamos lá mais uma noite e na manha seguinte partiríamos para a próxima vila. Eu sinceramente queria sair logo dali. Estava quase entrando no quarto quando ouço uma voz me chamando no começo do corredor.
– Tenten-san! Tenten-san! — Hyori gritava a plenos pulmões, de forma que toda a estalagem deveria ser capaz de escutá-lo.
– Eu já volto Hinata. — Disse enquanto ela entrava no quarto.
– Certo, pode ir. — Ela sorrio, por um momento eu imaginei se ela teria planejado isso, digo, ela parecia estar feliz que eu iria me encontrar com Hyori, mas deve ser só minha imaginação.
Andei calmamente até o menino, seus cabelos ruivos estavam levemente bagunçados. Quando me aproximei ele virou e começou a andar, eu o segui sem entender para onde íamos.
Depois de andarmos durante algum tempo paramos em uma varanda de frente para um lago e um tradicional jardim japonês. Ele se virou para me encarar. Seu olhar era firme e triste ao mesmo tempo.
– Desculpe por ontem, Hinata me explicou o que aconteceu. Eu... Sinto muito, não era minha intenção. — Me surpreendi com aquela declaração, pelo que me lembrava de Hyori ele era um garoto orgulhoso demais para se desculpar.
– Não tem problema, eu é que não consigo esquecer e seguir em frente. — Ele lançou um sorriso compreensivo para mim.
– Eu entendo, eu costumava ser assim também... Na época em que nos conhecemos meu irmão mais velho havia morrido a pouco, por isso eu era daquele jeito. E não posso dizer que eu já aceitei a morte dele senão seria mentira, mas eu tento não despejar minha angústia e minha frustração em cima de pessoas que não tem nada a ver com isso tudo.
– Está me dando um sermão por acaso? — Disse erguendo uma sobrancelha.
– Não, claro que não Tenten-san! — Ele desviou o rosto, mas pude perceber o leve rubor em sua face. — Eu só quero que você se anime. Eu quero ajudar você a voltar a ser como antes. Tente sorrir. Seu sorriso é tão lindo. — Ele ficou ainda mais vermelho e virou de costas pra mim.
– Obrigada Hyori! Vou me lembrar disso. — Coloquei a mão em seu ombro, o que o fez se assustar um pouco.
– C-certo, agora acho melhor você ir descansar... Amanha será um dia cansativo para Tenten-san — Ele não esperou eu responder e saiu correndo pelos corredores até sair de vista. Fiz o que ele disse, fui para o quarto. Hinata parecia já estar dormindo então arrumei meu futon e deitei. Não demorou muito para o sono me derrubar e eu dormir com as palavras daquele menino na minha cabeça.
No dia seguinte nós nos levantamos bem cedo, arrumamos nossas coisas e partimos logo depois do café. Não me encontrei mais com Hyori. Suas palavras ainda martelavam na minha cabeça. Tanto que só percebi que já era fim de tarde quando Hinata parou e disse para arrumarmos as coisas para passar a noite.
– O que aconteceu ontem entre você e aquele menino Tenten? Você parece pensativa. — Disse Hinata enquanto comíamos, quebrando o silêncio.
– Nada de mais. — Respondi no mesmo tom irritado de sempre. — Apenas conversamos um pouco e depois ele foi embora.
– Só conversaram né? Então o assunto deve ter sido bem interessante para te deixar assim — Ela voltou a comer em silêncio, eu queria ter retrucado, falado qualquer coisa para provocar ou ofender ela, mas lembrei do que ele tinha dito e fiquei quieta.
Não falamos nada até a manhã seguinte. Andamos por quase um dia inteiro e quando estava quase escurecendo avistamos uma pequena vila ao lado de uma encosta. A vila tinha um ar sinistro graças a sombra que a encosta lançava sobre a mesma.
Eu não me lembro de já ter estado ali. Hinata não demonstrou traços de nostalgia, mas não sei se isso significava que aquele lugar também era-lhe desconhecido.
Não fomos direto ao líder da vila como da última vez, desta vez fomos em direção a uma pequena pousada com uma fonte termal. Ela disse para descansarmos por enquanto que no dia seguinte faríamos o que tínhamos que fazer e iríamos embora.
Resolvi ir para as fontes termais relaxar. Tirei minha roupa e entrei na água quente e logo relaxei por completo, não sei quanto tempo eu tinha ficado ali, mas quando saí o céu já estava completamente escuro e salpicado de estrelas. Fiquei dando voltas pela pousada por um tempo antes de voltar ir para o meu quarto e cair no sono.
Sonhei com um pássaro que voava livre pelos céus. Eles me pareciam estranhamente familiares, mas não sei bem o motivo. De repente ouço uma voz sussurrando bem baixinho atras de mim. Não consegui identificar o que dizia. Mas a voz era inconfundível. Era a voz do Neji.
Olhei para o lado de onde achei que vinha o som e me encontrei encarando a lápide do Meu ex companheiro de equipe. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, o sonho se dissolveu e eu acordei.
Fiquei sentada por um tempo até finalmente levantar com uma Hinata me apressando, dizendo que estávamos atrasadas para falar com o líder da vila e que precisávamos sair daquela vila ainda hoje.
Sinceramente, eu já estava cansada dessa missão...
Me arrumei bem mais rápido que o normal e depois saímos para tomar café em uma barraquinha da vila. Chegamos na sala do líder da vila quando já era quase onze horas.
Fizemos tudo o que tínhamos que fazer. E com isso eu quero dizer Hinata conversava e acertava tudo com o homem de meia idade e cabelos branco-prateado enquanto eu mexia em uma arma pequena no formato de uma foice com as curvas mais quadradas.
– Bem, isso é tudo! Obrigada, nós já estamos de saída. — Disse Hinata se despedindo do homem. Passamos pela pousada e depois deixamos a vila em direção a última última vila que visitaríamos no país do fogo. A próxima vila estava a três dias e meio de caminhada. E ela ficava no país do rio.
Até o anoitecer nada de interessante aconteceu. Armamos a barraca acendemos uma fogueira para preparar algo para comer. Me voluntariei para ficar de vigia já que aquela área era conhecida por ter muitos casos de roubo, assassinatos e sequestros. E digamos que a herdeira número um do clã Hyuuga era um alvo e tanto.
– Esta bem. — Concordou Hinata. — Mas tome cuidado, e qualquer coisa é só me chamar. — Depois disso ela entrou na barraca e dormiu.
Passei a noite olhando as estrelas que brilhavam de um jeito quase incomum. Encontrei várias das minhas constelações favoritas. Até que ouço algo no meio do mato que chama minha atenção.
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