Projeto Genoma

2 A cidade fantasma


Em um dia ensolarado, Kate havia se levantado mais cedo. Havia algo importante para fazer. Seu coração disparava a cada passo dado, mas, deveria ser feito. Na noite anterior, seus amigos não haviam a perguntado o que estava fazendo no curso, afinal. Tudo o que queria, era completar o projeto. Não se preocupava com a possibilidade de ter enlouquecido, não se preocupava com nada, apenas seguia o instinto de fazê-lo. Apesar de ter chegado ao doutorado, os 3 haviam pulado muitos anos. Eram verdadeiros prodígios, afinal. Kate tinha certeza de que, se tão jovens já eram tão inteligentes, poderiam prosseguir com seu plano perfeitamente, da forma que imaginava. Quando o relógio marcava 3 horas da tarde, sabendo que estariam lá, se dirigiu até Guilherme e Nicole, que tomavam um sorvete juntos. Estariam namorando? Bem, a ruiva não se importava.

– Preciso falar com vocês! — ajeitava o óculos de armação vermelha, carregava uma pequena caixa de isopor.

– O que houve? — disseram Guilherme e Nicole e um uníssono.

– Preciso pedir desculpa aos dois. Inclusive você, Gui. Me desculpe.

– Eu também precisava me desculpar com você. — anunciou o albino, de cabeça baixa — Eu fui mesmo idiota. Eu sou seu amigo, não devemos brigar.

– Mesmo? Significa que não importa o que eu fizesse, com os dois, contanto que me desculpasse, me perdoariam?

– Sim — novamente, os dois responderam em uníssono, inocentemente, sem esperar o que viria à 2 segundos.

A ruiva abriu um sorriso, abrindo a caixa de isopor que trazia consigo. Assim que os dois se aproximaram da caixa para ver o que continha, sentiram um calafrio, por conta de uma outra pessoa, que não notaram anteriormente. Era um homem. Este segurava duas seringas, cada qual fincada em um dos dois. Não demorou para os dois caírem desmaiados nos braços dele. Se não o tivesse feito tão discretamente, alguém perto do local deveria ter notado, mas isto não aconteceu.

– Muito bem, Phillip. Leve o Guilherme pro carro, eu levo a Nicole. — abriu um sorriso ao outro, que parecia confuso.

– Tem certeza que deveríamos? — Phillip tinha cabelos pretos como os de Nicole, mas, diferente desta, tinha olhos castanhos.

– Absoluta.

Dito isto, os prenderam no carro, ambos com a boca coberta por um pano. Era, diferente do que Kate imaginava de seu ponto de vista, um sequestro.

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Já era noite quando Guilherme acordara. Sua boca, mãos e pés estavam amarrados. Ao entender finalmente a situação em que se encontrava, tentou gritar o mais alto que podia. Sua voz saía, mas era abafada. Chorava em completa agonia. Acalmou-se um pouco ao ver que Nicole estava ao seu lado, na mesma situação, mas ainda assim, não entendia o porquê Kate teria feito isso.

Nicole acordara alguns minutos mais tarde, no mesmo desespero. Estava de costas para o amigo, mas sabia que era ele. Também tentara gritar, inutilmente, até avistar uma silhueta: a de Kate. Kate se aproximava dos dois, ligando uma lanterna e estendendo um facão, soltando as mãos dos dois. Guilherme foi o primeiro a tirar, violentamente, o pano que cobria sua boca.

– Kate, o que raios está fazendo?! Tem noção do que é sequestrar a gente?!

– Sequestro é uma palavra muito forte. Eu os trouxe para realizar um sonho. Eu sei que vão gostar. — realmente não parecia preocupada, sorria para os dois.

– Onde estamos?! — perguntou Nicole, que acabara de se livrar de sua "mordaça".

– Estamos numa cidade fantasma. Foi abandonada porque não havia mais água por aqui. Apesar disso, isso foi consertado 5 anos depois. Mas ninguém voltou. Então, vamos dizer assim, que, é o lugar perfeito pra gente. Tem banheiro, cozinha, tudo abandonado. Mas, olhando pelo lado bom, já arrumei quase tudo.

– Você é louca! — gritou o albino, com lágrimas correndo por suas bochechas. Era o menos controlado por ali. Sempre fora medroso, tímido....

– Kate, o que está fazendo...? O que quer que a gente faça?! — gritou a morena, com raiva aparente nos olhos.

– Vocês... não me perguntaram o que eu queria estudando lá. Eu quero concluir um projeto. — a mesma passou o caderno que a acompanhava onde quer que fosse.

– Projeto Genoma?! — os dois perguntaram, mais uma vez em uníssono. Era assustador o quanto falavam juntos.

– Sim — a ruiva abriu um sorriso, ligando a luz do local, permitindo-os enxergar, logo atrás deles, um jovem alto, de cabelos pretos. Era bonito, tinha traços bem definidos, mas, naquele momento, tudo o que provocou foi susto, medo.

– Olá... sou Phillip.

– Quem é você? — perguntou o albino, levando um tapa no braço de Nicole.

– Já está interessado, é? — Nicole, dessa vez, parecia um pouco nervosa com o outro.

– Eu tinha um petshop na cidade, só que fui o único à não abandoná-la, é isso. Não se preocupe, não vou roubar sua namorada de você. E você, menina... não seja tão brava, meninos são ciumentos — o moreno riu baixo. Tinha uma voz amigável, então acalmou um pouco os dois.

– Você entendeu errado... — corou o albino, de cabeça baixa.

– É, não somos namorados. Ele recusou o meu pedido hoje mais cedo. — Suspirou raivosamente.

– Porquê? — perguntou o moreno, sem entender nada.

– Porque ele é gay.

– Pare! — corou ainda mais o albino.

– Isso mesmo, pare! — Kate finalmente se intrometeu. Havia ficado um pouco surpresa, mas nem sequer o perguntou — Não estamos aqui para baixarias. Estamos aqui para fazer de Kiotto e Kaede uma nova espécie. — dessa vez séria, os mostrou uma gata branca e a tigresa presa em uma jaula ao seu lado. — Vamos transformá-la em humana. — disse, contemplando o silêncio macabro deixado pelas expressões dos 2 amigos.

– Isso... é errado! Kate, não devemos manipular o Genoma humano, é um código de ética!- Gritou o albino novamente, seu coração estava disparado, sentia que o órgão doía em seu peito. Suas lágrimas não paravam de rolar em seu rosto. Sem perceber, Phillip o ajudara a tirar as cordas que prendiam seus pés juntos. Agora, o mesmo secava suas lágrimas. Parecia estar sofrendo ao vê-lo daquela forma.

– Não chore... está tudo bem. Se acalme. Não vou deixar com que façam maldades com elas. — o moreno sorriu gentilmente, se afastando ao ver que Nicole ficava cada vez mais nervosa de vê-los interagindo um com o outro, mas não comentou nada sobre eles.

– Hoje... era pra ser o dia de nossa formatura. Eu não me importo se é o seu sonho... não era o meu! — voltou o olhar de fúria à ruiva.

Kate se levantou com a gata nas mãos, com um olhar de decepção.

– Vocês costumavam acreditar que éramos capazes de tudo.... achei que me apoiariam... Phillip quer que façamos isso... se a gata dele se transformasse em humana, poderia conversar com ela. E ela viveria mais. Ela pertencia à melhor amiga dele, não é, Phillip?

O moreno, que já não tinha certeza se era uma boa ideia, se encolheu e assentiu com a cabeça.

– É.... queria saber mais sobre ela. Mas ela desapareceu à alguns anos atrás. Prometi que seríamos melhores amigos, e que não importa o que acontecesse, ainda teríamos contato. O nome dela era Laura.... eu não faria ninguém fazer nada por isso, claro, mas, se pode ser feito, então.... eu quero que aconteça. — mordeu o lábio inferior, olhando os dois recém-formados à sua frente — eu não sou, nem nunca serei, tão inteligente quanto vocês. Mas se pudessem fazer isso por mim....

Guilherme e Nicole, então, assentiram.

–Tá, que seja. Se for por alguém, eu faço. — suspirou Nicole.

– Eu... também. — concordou Guilherme.

– Obrigada! Nicole, Guilherme! — sorriu Kate, satisfeita, como se tudo já estivesse resolvido.

– É Doutor Fonseca, pra você. — sorriu.

– E Doutora Blanc. — relutantemente, sorriu.

Notas finais
Deve ter ficado confuso, mas.... espero que tenham gostado ;3;
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.