Projeto Anti-Matéria

1 Apenas um dia ruim...


Notas iniciais
Apenas tente imaginar tudo...

—QUE DROGA!!!

A chuva caia como pedras no teto e, alguns cães do lado de fora da casa latiam sem parar causando um som quase ensurdecedor. Decidi que hoje, exatamente hoje não é um bom dia para ideias. No geral, meu trabalho como escritora dificilmente me tira do sério, pois eu amo escrever e na maioria das vezes é um trabalho relaxante. Mas sempre que estou completando algum aniversário, sinto que tudo que tento fazer vai dar errado de alguma forma...

O som da campainha invadiu a casa e fez meu corpo tremer. Achei estranho, mas um impulso de curiosidade fez eu agir sem pensar.

— Quem pode ser numa hora dessas? — Pergunto pra eu mesma enquanto me dirijo até a porta principal para desvendar o suposto agressor da minha campainha.

Paro em frente a porta e alguns segundos são o suficiente para deixar meu cérebro processar alguns detalhes. Primeiro, são exatamente 2 horas da madrugada, segundo, por experiência própria, chuvas em livros não são um bom sinal e terceiro, um sentimento de “eu acho que vai dar merda” esta quase possuindo meu corpo.

Não sei o que está lá fora, mas tomara que o machado pendurado ao lado da porta me ajude se algo acontecer.

Girando a maçaneta, percebo que o clima ao me redor ficou frio, deixando mais perto do limite a ação que a adrenalina pode fazer no meu corpo. E ao finalmente abrir me deparo com a silhueta de um homem alto aparentemente trajando roupas formais. Sua aproximação um tanto repentina e a revelação do seu rosto (ou aonde deveria estar seu rosto) fez meu sangue literalmente gelar, e eu travei. Fiquei ali parada por alguns segundos, e não porque eu estava com medo, mas sim, por que não era um homem na minha frente, não era nem humano. Era algo maior.

Pequenas estrelas, planetas e constelações percorriam e davam uma forma humana para o Ser a minha frente, era algo simplesmente magnifico e único. E por um momento pensei ter visto a Terra no lugar do seu olho esquerdo, mas apenas um borrão constituía minha visão enquanto eu me libertava daquela espécie de transe e corria a toda velocidade para o sótão, com esperança de tudo não passar de um sonho.

— Chloe, preciso de sua ajuda.

Sua voz elegante percorreu cada centímetro da casa até chegar em mim, escondida no pequeno sótão que até então era abrigo para roedores.

Havia um singularidade na sua voz, era algo que te confortava facilmente. Mas eu não queria aceitar isso.

— Não precisa ficar com medo, não vim para te causar mal.

Ele estava tentando me acalmar? Sério? Está soando tão convincente que estou quase cedendo. O sarcasmo está gritante em minha mente.

— Desculpa-me por assusta-la.

Sua voz não demonstra estar se sentindo mal com isso, na verdade, ela não demonstra nada. A falta de sentimentos em sua voz o fazia se assemelhar a uma Inteligência Artificial daqueles filmes futuristas. Mas pelo menos ele se importou em pedir desculpas.

— Quem é você? – minha voz saiu tremula.

— Poderia fazer o favor de comparecer aqui em baixo? – pediu o Ser

Por um momento não sabia o que estava fazendo. Eu me senti só. Abri as portas do meu antigo guarda roupas e pequenos flocos de poeira se juntaram a minha roupa, desci as escadas e fui em direção ao som de teclas de um computador sendo pressionadas, vinham da cozinha.

Passei pela porta e o vi.

Sentado elegantemente em uma cadeira, pernas cruzadas e, lendo algo no meu computador. Ele de alguma forma era belo. Não existia qualquer feição em seu rosto, não existia olhos, boca, nariz, orelhas, nada. Não havia nada, apenas as formas do que deveriam existir normalmente.

Uma camada invisível cobria aquele universo que existia dentro daquele Ser. Nem posso descrevê-lo.

— Sente-se ali – disse ele, apontando para uma cadeira do outro da mesa.

Notei que sua voz tinha um tom autoritário que até então eu não havia percebido.

Me fez seguir sua ordem quase que de imediato. Me sentei e procurei as palavras certas. Me senti tonta por alguns segundos. O medo que eu sentia estava simplesmente sumindo, era como se eu não controlasse meu próprio corpo.

— O que é você? – A pergunta saiu com tanta facilidade que me senti desconfortável em seguida. Por um momento tudo ficou quieto, e pude ouvir sons distintos, provavelmente vindos dele. O som é um tanto perturbador.

— Bem, é uma pergunta um tanto difícil de responder... – sua voz cortou o silencio e mesmo assim tudo era natural, ele fitou o teto e me pareceu estar perdido em pensamentos. – É um tanto interessante... O que me criou foi dado o nome de A Existência, fui criado por ela. Sou algo menor e insignificante, um plano existencial que cobre incontáveis vidas. Posso te contar mais coisas, mas você não entenderia.

Até que fazia sentido, mas ainda não entendia o que ele era. Minha boca começou a se abrir para dizer algo que nem eu mesmo acreditava.

Ele era...

— Você é basicamente...

— O Universo. – respondeu ele, antes de eu sequer completar meu raciocino. – sou tudo o que você conhece, e o que você nem faz ideia de existir.

Fiquei fascinada, aquilo era algo além de tudo. Nada se comparava ao que estava em minha frente e fiquei me questionando o porque de um Ser daquela magnitude precisaria da minha ajuda.

O que uma humana como eu poderia fazer, além de apenas ficar horas na frente de um computador escrevendo histórias que quase ninguém lia?

— E agora, vamos ao que realmente importa. – disse ele, cortando minha linha de raciocínio. Me pareceu que ele tinha acabado de ler meus pensamentos, ou será que não? – Existe incontáveis planos existências, e por eles serem seres vivos, possuem personalidades... – ele parou de falar por um momento e depois voltou – Personalidades um tanto peculiares. Isso fez com que A Existência criasse uma regra para todos: Planos Existenciais não podem entrar em conflito. Se acontecer, os envolvidos serão apagados.

Sua voz me pareceu falhar por um segundo.

— E onde eu entro nisso? – O que ele me disse era surreal. Eu comecei a achar que estava em um sonho. Ou um pesadelo.

— Contudo, suas criações podem entrar em conflito, e até então, A existência não criou uma regra contrariar isso. – disse ele, não se importando com minha recente pergunta – Um dos planos existenciais está vindo em nossa direção, e ele está criando um rastro incomensurável de destruição.

— Mas ele está infringindo a regra, ele vai ser destruído.

— Sim, e eu não sei a razão por trás dos planos dele.

— E como podemos destruir ele? – Me senti estranha.

O medo voltará com tudo, e parecia que ia me consumir.

— Não podemos, senão a regra será infringida. O máximo que estamos livres para fazer é usar o Cubo dimensional para afasta-lo de nós. – ele se levantou de repente, e ficou de frente para a janela ao lado da geladeira, provavelmente olhando a chuva caindo em todo o seu poder.

— E... O que é esse Cubo Dimensional? – perguntei, minha voz saiu seca. E enfim, o medo fez com que as lagrimas começassem a rolar pelo meu rosto.

— Uma pequena parte do meu poder. Deixei aqui antes de criar os humanos, antes da Terra ter sido criada.

Muita informação. Fiquei aterrorizada, e não sabia o porquê.

— Não! – as palavras saíram igual um rosnado.

— Isso é demais, não posso fazer isso...

— Tem certeza disso? É a chance de você fazer algo importante, de se tornar um exemplo para os outros, os humanos não são assim?

— Nunca quis ser isso. Gosto da minha vida do jeito que ela é...

— Você tem certeza disso?

— Não... – falei baixo, mas tenho certeza de que ele escutou.

— Certo... – disse ele, em um tom decepcionado. – Mas e se...

— Não vou mudar de ideia! – exclamei.

Eu disse com uma grande certeza, mas ele não estava mais lá para me ouvir. Ele nem estava mais na casa. Depois de tê-lo procurado por tanto tempo fui para o meu quarto e encarei o teto, fiquei pensando naquela conversa, pensando na minha vida.

Eu fechei os olhos e nem percebi quando fui para meu mundo, aquele mundo de sonhos.

Notas finais
Obrigado por ler até aqui!!! Comente pra eu saber o que está ruim. ..
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.