Notas iniciais
Tempestade penumbra de uma mente embaralhada. Em meio á apostas crescentes, contabilizando o inevitável. É tão mais fácil simplesmente provocar, É tão mais fácil fingir não ser nada e me enganar. Cartas baldeadas me escarnecem nesta sala nublada, Enquanto me entrego ao ardor desta vontade insaciável. Assim, avanço o relógio antes do décimo segundo badalar Desprezando a probabilidade de tudo acabar.

De frente a mansão, Nathan, Sabeena e Backer, aguardavam ansiosos por Alexander, junto à caminhonete azul-marinho. Os rapazes, incluindo o repugnante Stinky, sobre a caçamba, observavam atentos, através da janela vítrea que dava acesso a cozinha da habitação, a estranha discussão entre o patrão e a governanta.

—Não! —O timbre feminino, tornava a repetir. —Definitivamente não!

Mal haviam começado a falar e Alex já estava uma pilha de nervos. —ESCUTE, PEITUDA! ... —O rapaz movia os lábios nervosamente, procurando articular algo, contudo assim que intentava, ela o interrompia bruscamente, envolta em suas preocupações constantes.

—Vocês dois não irão! —A loira balançava negativamente a face, fazendo as longas madeixas agitarem-se ao seu redor. —Por favor, pense no Naty! E qual a necessidade de levá-lo? Você não vê o quanto isto vai ser arriscado? —A voz, embora delicada, ecoava firmemente, chegando até o lado de fora, onde os demais escutavam cada palavra, entreolhando-se vexados.

—JÁ DISSE A ELE QUE EU NÃO O QUERIA ENVOLVIDO NISSO MAS O IDIOTINHA NÃO ME OUVE! —Hill esbravejou, falando ainda mais alto, ao apontar o dedo trepidante para o menino, que os mirava além da janela.

—Eu sei que o senhor Alex tentou fazer o Nathy desistir de ir com vocês... —Ela virou-se de costas para o Hill, fazendo seu cabelo dourado cair sobre os ombros. —Ele é extremamente teimoso! Você não vai conseguir controla-lo! —Libe pronunciou fazendo bico, ao mirar o irmão de longe.

Desde o gramado, Nathan acompanhava a infinita altercação.

Sem se voltar para o médico, o garoto observou: —Ele não vai conseguir dizer não é? —Suspirou desanimado.

Mohinder levantou as sobrancelhas, contudo este não parecia admirado. —Por favor, criança... Estamos falando do Cabeça-Oca, é claro que não vai passar disso. —Ele resmungou, revirando os olhos. —O conheço o suficiente pra dizer com total convicção que ele nunca daria o primeiro passo. Afinal, se tratando de mulheres, ele é um perfeito covarde!

Diante da expressão confusa do menino, o velho assoprou afobado, sentindo-se na obrigação de explicar. —Uma vez esses dois imbecis, junto com o Daniel (suspirou longamente), fugiram para Grasmere numa aventura louca.

—Verdade... Foi antes de me decidir pela medicina. —Sabeena continuou. —Daniel logo nos arrastou para a região da luz vermelha. Claro que eu e o Bennett ficamos extasiados com as coisas que a cidade poderia nos oferecer... —Ele desviou o olhar, certamente perdido em alguma lembrança inapropriada.

—E então? —O Cara-de-Lua, ficara tão envolvido com a narrativa, que nem se importava mais se o amigo e sua irmã estavam prestes a se matarem dentro da casa.

—Então que o Alexinho aí só conseguia vomitar e reclamar o tempo todo! —O doutor bateu na perna caçoando do loiro. —Mas àquela altura, toda a família Bennett já havia se mobilizado pra nos encontrar. Por fim, voltamos escoltados uma semana depois, com ele jurando que nunca mais voltaria a um lugar como aquele.

—Espero que sua “espediçãozinha” tenha valido a pena apesar da repreensão que receberam do senhor Willian e da senhora Catherine. —O motorista desfez imediatamente o sorriso malicioso de Sabbena fazendo com que este estremecesse por inteiro.

—BRrrrr! Os olhos de serpente daquela mulher são capazes de fazer qualquer um ter pesadelos. Certeza que ela intimida até mesmo você Hector! —Ele contestou, embora recebesse como resposta do homem, um breve muxoxo, denotando insatisfação.

Nesse instante, um baque alto chamou a atenção deles para além da vidraça.

—NÃO HÁ NADA QUE VOCÊ POSSA FAZER, NÓS JÁ DECIDIMOS! —Eis que Alex socara a mesa de tal maneira que esta embora maciça, quase desabou. No entanto não fora o suficiente para que a garota se desse por vencida.

Ela simplesmente lhe deu as costas, e sem descontinuar sua dissertação retirou os óculos, limpou-os com a ponta do avental e depositou-os sobre a mesa. —Eu sei que não devia lhe incomodar com minhas preocupações desnecessárias, mas...

—E-espere um pouco... —O jovem estendeu a mão sobre Elizabeth, buscando a atenção dela. Mas antes que o mestre pudesse tocá-la, a Bennett virou-se de súbito em sua direção, fazendo com que o rapaz recuasse seu braço com o susto.

—...EU NÃO QUERO QUE VOCÊS SE PONHAM EM PERIGOS DESNECESSÁRIOS!

—MAS VOCÊ NÃO PARA NUNCA? COMO VOCÊ É DIFÍCIL! NÃO FOI PRA FALAR DO CARA-DE-LUA QUE EU TE CHAMEI AQUI! —Ao notar que dera a entender mais do que gostaria, ele desviou o olhar, cobrindo os lábios com as costas das mãos.

Mas que droga Bennett! Você nunca vai lembrar?

—Não me importo com os moradores do povoado! Minha obrigação é com vocês. VOCÊS não vão e acabou-se!

Mesmo que as intenções fossem boas aquilo soou como um desafio, principalmente para alguém tão altivo quanto Hill.

—QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA DAR ALGUMA ORDEM AQUI? QUE EU SAIBA, AINDA SOU O “SENHOR” DESTA CASA, SABIA!? —Frisando a ausência do título nos dizeres da donzela. —VOCÊ INSISTE EM ME TRATAR COMO UM PIRRALHO MAS EU TENHO VINTE E CINCO ANOS, SABIA?! SOU BEM MAIS VELHO QUE VOCÊ!

—Bem sei da sua situação, mas se lhe convém agir tão irrefletidamente não posso vê-lo como nada além de... de... UMA CRIANÇA MIMADA! —Gritou.

Tarde demais! Alexander distorceu a expressão imediatamente em total cólera: Ela atingira-o justamente em seu complexo!

Percebendo o quão longe fora com suas colocações, a loira elevou a mão cobrindo os lábios.

—CRIANÇA?! —Alexander esbravejou. —EU VOU LHE MOSTRAR A CRIANÇA! —Ofendido de verdade, o loiro investiu sobre a jovem tomando-lhe o pulso. Apavorada, a governanta ficou estática, sem saber que tipo de punição lhe aguardava por ter insultado de forma tão impensada seu agressivo mestre. —CÉUS! O QUE EU TENHO DE FAZER PARA QUE VOCÊ CALE A BOCA POR UM INSTANTE? —Dizendo isto, Hill envergou-a sobre a bancada ao lado do fogão e elevando-se na ponta dos pés, ele colou sua boca na dela, fazendo com que a garota arregalasse os olhos, surpresa e absolutamente sem ação.

Aqueles que o aguardavam junto ao automóvel olhavam-se pasmos, (em especial, Sabeena, que não conseguia erguer o queixo) todos se perguntando se aquele de fato era o mesmo orgulhoso e obstinado Hill que conheciam. Mas Alex pouco se importava se havia tantas pessoas os observando a distância. Tudo o que ele queria naquele momento era se concentrar naquele calor abrasador que tomava conta de seus membros.

Ambas as respirações e batimentos cardíacos elevavam-se depressa. Por não saber ao certo como se comportar diante daquilo, as pernas da loira enfraqueceram, fazendo-a quase despencar, o que deixou seu senhor deveras confuso.

Preocupado com a falta de expressão dela, Alexander retraiu-se um pouco e deslizando suavemente a ponta do nariz sobre a bochecha rubra da donzela, em direção ao seu ouvido, indagou: —V-voçê não gosta? —Curvou as sobrancelhas.

O hálito quente acariciou a orelha avermelhada da garota, que tentou responder, embora nenhum som lhe saísse da garganta. Assim, ela somente consentiu com um leve movimento afirmativo com a cabeça, tentando fugir do olhar fixo de Alex sobre ela.

—Então... abra a boca um pouco mais. —Ele pediu, entre suspiros. —Quero t-tentar uma coisa.

Ela obedeceu, embora estivesse receosa. Então Hill a segurou pela nuca, ao passo que fazia dançar seus lábios sobre os dela, que por fim, já correspondiam a carícia com quase tanto ardor quanto os dele. A pele aveludada de Elizabeth queimava em contado com Alex, ao passo que ele a segurava, envolvendo as costas dela com seu braço e pressionado o seu corpo contra o dela.

Então, Alex, afastando-se de cima da Bennett, arrematou o tocar de línguas, esticando o brilhante fio translúcido que ligava as duas bocas entreabertas e ofegantes.

Ainda em êxtase, a moça segurou um dos cotovelos sob a manga. —T-tinha alguma coisa que o senhor q-queria me dizer? —Ela desviava o olhar timidamente, mas quando tomou coragem de encarar os orbes lilás de Alexander, o fez no exato momento em que este a mirava. O cruzar de olhares causou um choque nos dois, desconcertando-os.

Ótimo! Agora ela quer que eu fale?!

—N-não me encare assim, garota desagradável! —Hill conservava o tom de voz frustrado, visto que mesmo depois do tão esperado beijo, ainda não conseguira dizer. Assim, antes de sair as pressas, segurou-a pelos ombros, ordenando-a: —Quando eu voltar, sem falta! Quando eu voltar, irei falar com você, Elizabeth!

[...]

A governanta levantou a cabeça que outrora repousava sobre os braços cruzados delicadamente em cima da mesa da cozinha, como se estivesse acabado de acordar de um leve cochilo. Os dedos trêmulos passeavam de forma lenta sobre a toalha alva, relembrando o toque suave do rosto do loiro sobre o dela.

Nesse momento, Elizabeth fixou a atenção no livro que Hill lhe entregara para que tomasse conta dele. A capa de couro negro envelhecido denunciava a quantidade de anos que Alexander juntava toda informação que podia sobre os acontecimentos abalaram o mundo depois da ameaça da guerra nuclear e da queda de inúmeras organizações, o que levou a ascensão da corporação Black Harness e das empresas Wells.

Sem se importar com o conceito geral sobre privacidade, a garota pôs-se a folhear o volume, identificando passagens sobre o trabalho dos senhores Hill, pais de Alexander, bem como sobre algumas notas rasuradas. —Você é incrível, senhor Alex! Talvez seja por causa da aparência tenra, ou por causa do temperamento inconstante... Ainda não sei o que pensar de você...

Ela levou a franja simétrica para trás da orelha e com a ponta dos dedos acariciou o brasão da família Bennett esculpido em prata, o qual adornava a capa do livro: os perfis do cavalo e do leão sobre asas de libélulas acorrentadas. —Se a vovó visse isso, procuraria dar um fim imediatamente... —Disse erguendo-se ao olhar fixamente a chaleira trepidar no fogão a lenha, seduzida pela chama fugaz. A loira ainda cogitou aproximar-se do fogão a fim de livrar-se do material proibido, mas balançou fervorosamente a cabeça buscando afastar o pensamento vil.

Ela levou então a mão ao lábio, tocando levemente a boca rosada a qual parecia incendiar-se em brasa febril, ao lembrar do que acontecera momentos antes dos rapazes descerem a montanha de Hellvelyn. —O que está acontecendo comigo? Eu devia simplesmente obedecer a vovó, prendendo o mestre Alex aqui, a salvo, e não acabar sucumbindo aos caprichos desse garoto! —Ela suspirou longamente em seguida, colocando o artefato no bolso interno do avental, depositando-o em segurança entre os seios.

Elizabeth levantou-se então, vagarosamente, caminhando em direção das escadarias dos dormitórios, intuindo guardar a agenda no lugar a qual esta pertencia.

No caminho, passando pela ampla sala, a moça parou sobre a tapeçaria, confrontando com a porta de entrada. De repente, o ar parecia estranho, pesado... de tal forma que os pássaros que se abrigavam nas cercas vivas que adornavam os jardins da propriedade, voaram em debandada, pressentindo o mal.

A moça ainda cogitou checar o porquê daquela mudança na atmosfera do lugar, mas só houve tempo para que Bennett sentisse o barulho de motor movendo-se em velocidade absurda para cima dela.

Antes que Elizabeth pudesse desempenhar qualquer reação mais calculada, um arpão colossal fora projetado contra ela em curva ascendente, despedaçando a fachada da mansão e reduzindo a lascas tudo o que se encontrava no seu trajeto, como as pilastras que sustentavam a varanda e também, destruindo parte do recinto onde ela estava.

Uma imensa nuvem de poeira tomou conta da mansão.

Ao frear o veículo na entrada completamente espatifada, o motorista do blindado assoviou ao mover a cabeça analisando a propriedade, admirando-a. —Fiiiiiiiiu! Que belo bangalô esse que os Bennett vem mantendo! O mundo todo em ruinas e esse cães vivendo como realezas! —E virando-se para o comparsa, indagou-o: —Então, você a pegou, Miller¹?

—NÃO FERRA! —O loiro rosnou entortando a boca. —EU NUNCA ERRO! —Falou, saltando do condução e caminhando sobre os escombros, adentrou na sala destroçada, em captura a sua presa.

Ao se aproximar do sofá revirado, o soldado agachou devagar ao notar uma madeixa loira por detrás do acento, de onde saia uma vasta lagoa de sangue.

O homem sorriu então com seu pequeno achado mórbido, mostrando a vasta arcada funestamente: —Te peguei, cadela dos Bennett!

Notas finais
¹Roger Miller. Este homem é mesmo o sádico soldado a serviço de Black Harness, que foi responsável pelo fim de Daniel Bennett. Decidí mudar o nome da organização Cidade de metal para Black Harnnes. Depois de diga o que você acha pra eu ver se aplico aos outros capítulos. Poxa galera boa, vocês vem aqui, leem tudo até final mas não comentam, não acompanham, não favoritam...! Lá no gerenciador fala que uma pá de gente vizualizou até os capítulos mais quentinhos, mas depois que lê, correm e não deixam rastro... Podem falar comigo, sou carente mas não mordo, juro! XD Aliás, meus favoritos são os que mais dão pitaco aqui, então pode chegar junto a vontade, tá? Bora jogar um Fifa! Um beijo no suvaco.