Project Lorrain

11 Cap 11 - A volta para a normalidade parte 1


Notas iniciais
Fala galera! Gostando da história? Espero que sim, bom aqui está mais um capítulo dela que está ficando cada vez melhor, esse capítulo será dividido em duas partes e por isso promete muitas emoções, espero que curtam e qualquer dica ou sugestão só deixar uma mensagem beleza? Abraços!

Barulhos perto de onde estou me acordam, pela primeira vez em semanas eu não tive um pesadelo, apenas um sonho contínuo e suave, nele estávamos Roney e eu em uma colina com grama verde. Bem a nossa frente, um desfiladeiro acabava em uma praia de areia muito branca, onde a partir do fim dessa praia um mar de um verde transparente se agitava como se estivesse nos saudando, no fundo dele os corais formavam um tapete multicolorido que forrava a baía até onde era possível ver.

Minha ultima memória desse sonho era de que eu estava de pé contemplando esse mar quando Roney chegou a meu lado e me estendeu uma casquinha de sorvete de baunilha, ele sabia que esse era meu sabor preferido, assim que eu peguei o sorvete, o passei para a outra mão e com a mão livre encontrei a de Roney e a segurei, depois disso um estalo na cozinha me despertou. Foi a primeira vez que eu sonhei com algo assim.

Abro os olhos e me levanto, mas ficando sentada no sofá por um tempo. Da cozinha, sons de panelas e latas denunciavam que o café da manhã iria ficar pronto em instantes. Saio do sofá e passo pela divisão que separa a cozinha da sala, vou para o banheiro que ficava logo virando à esquerda no final do pequeno corredor no lado oposto à cozinha. Logo que entro fito meu reflexo no espelho quebrado, estou com uma aparência de cansaço muito grande apesar da boa noite de sono que tive, talvez eu estivesse pior ainda antes.

Ouço batidas na porta de repente, em seguida escuto a voz de Roney me perguntando se quero tomar um banho.

—Não trouxe minhas roupas – respondo com a voz ainda um pouco grave de sono.

—Tem uma na sacola que estava no carro que peguei emprestado, creio que o dono não vai mais usar ela – responde ele com um tom exageradamente alto, pensando que eu não o escutava bem.

—Nesse caso eu aceito – respondo enfim.

Em alguns instantes ele sai e logo volta a bater na porta, eu a abro e ele me entrega uma sacola pequena de pano.

—Vou te esperar para o café – diz ele.

Eu aceno com a cabeça e fecho a porta.

Retiro minhas roupas e depois as examino com cuidado e me espanto. A blusa branca que eu usava por baixo da jaqueta que Roney me deu estava suja de poeira e sangue, a minha calça estava repleta de rasgados e meu coturno estava com uma mistura de lama seca e sangue em uma quantidade impressionante, apenas a jaqueta de Roney estava menos suja, mas mesmo assim com uma mancha escurecida impregnada em quase toda gola e parte da manga. Eu sabia o que era aquilo, era sangue, mas não parecia ser dele, talvez por isso estava tão triste ontem.

Depois de tirar os olhos das roupas, examino meu corpo e algo me perturba: tenho apenas algumas escoriações leves na altura das costelas, com a intensidade dos golpes do cientista maluco eu deveria ter talvez até algumas costelas quebradas, mas nada disso se apresentava, apenas alguns pontos roxo-azulados na minha pele. Examino mais cuidadosamente meu corpo e as palavras “aberração” e “cobaia” começam a ecoar na minha cabeça. Eu então fecho os olhos reprimindo lagrimas que começaram a se formar, depois entro debaixo da ducha do banheiro.

A água estava agradavelmente quente, isso me fez relaxar os músculos que já doíam de tão tensos. Depois de alguns minutos demorados de banho, fecho o fluxo de água e abro a sacola com a roupa provisória. Por sorte a roupa era de civile por isso não apresentava nada demais. Se tratava de uma calça jeans com algumas letras nas coxas e uma blusa azul escura com desenhos e paisagens gravadas. Eu as visto e saio do banheiro carregando meu uniforme sujo dentro da sacola e o coturno imundo em outra mão.

Roney me olha e solta uma risada:

— É bom te ver recomposta novamente, parecia um trapo ambulante – diz ele levantando uma sobrancelha e sorrido ironicamente.

— 0lha quem fala, você está com a mesma roupa há dois dias, não sente vergonha disso? – respondo com a mesma expressão.

— Eu vou me trocar logo depois do café sua ranzinza, fique tranquila – responde ele olhando para o outro lado e revirando os olhos.

Eu coloco as coisas perto de uma pia e me sento à mesa para comer. Assim que começamos a comer, ele puxa conversa:

— E então, como foi a sua noite Lorrain?

— Foi boa obrigado e a sua?

— Foi boa também, só achei estranho uma coisa...

— O que? – Nesse instante eu me lembro do sonho e me lembro do meu hábito de falar durante o sono – eu disse algo?

— Não, você dormiu quieta pela primeira vez na vida, eu ia dizer que achei estranho eu ter dormido no chão e não ter acordado dolorido, mas era pra eu ter escutado algo?

Meu rosto cora e eu fito a comida como se ela fosse a coisa mais interessante do mundo. Eu quase tinha me entregado:

— Claro que não, eu só achei que poderia ter sido isso – falo fingindo que nada aconteceu.

— Tudo bem então... – diz ele coçando a nuca – vamos comer.

Terminamos o café rapidamente, apesar de não ter muito mais que suco artificial e alguns enlatados, estava bom e nos alimentou bem. Logo depois, como prometido, Roney foi para o banho e eu comecei a vasculhar a casa.

Enquanto andava, esbarrei em alguns quadros e móveis nos quartos. A casa era pequena, com dois quartos, sala, cozinha, banheiro no corredor e uma suíte do lado dele. Os quadros mostravam pessoas que eu nunca tinha visto antes. Em um deles uma mulher bonita de cabelos cacheados me encarava com olhos muito vivos e brilhantes, dava para ver que era jovem mesmo pela foto. Em outro, três pessoas dividiam o enquadramento da foto com uma quarta que ao contrario deles estava sentada, quem estava de pé eram todos homens jovens e sentada estava uma mulher já mais madura, parecia ser a mesma da fotografia anterior, mas com o cabelo preso e roupa diferente.

Passo um tempo olhando os quadros até que Roney sai do banheiro. Agora ele parece bem melhor, está com uma blusa branca um pouco mais apertada que deveria e uma calça de um tecido esverdeado que simulava uma camuflagem, nos pés ele usava um tênis vermelho e preto como os que praticantes de esportes usam. Ele me vê olhando os quadros e se aproxima:

—Eu também queria saber quem são essas pessoas, mas acho que nunca vou saber direito quem são.

Eu o olho e ele está serio. Vejo seu pomo de Adão subir e descer enquanto ele engole a seco, mas logo sua expressão volta ao normal e ele se vira para a dispensa:

—Está na hora de irmos, são mais uns dias de viajem até chegarmos à base, vou pegar alguma coisa pra comermos até a próxima cidade.

Eu aceno com a cabeça e vou para a pia lavar meu coturno. Assim que começo observo a água descer em espiral pelo ralo, levando consigo lama e sangue. Como eu queria que meus problemas fizessem isso para depois desaparecer da minha mente, mas era impossível.

Assim que termino, tomando cuidado para não molhar o interior do calçado, o calço e saímos do chalé aconchegante. Assim que entro no carro observo mais uma vez o lugar e sorrio, queria voltar ali logo, é um lugar tranquilo e aconchegante, como um refúgio seguro de tudo.

Saímos então para a próxima cidade, dessa vez eu estava bem acordada e pude ver a pequena estrada de terra ser substituída pelo asfalto, também pude ver as árvores quase idênticas passando por mim em uma velocidade absurda formando quase que uma massa de troncos e folhas amareladas cercando o nosso carro de ambos os lados.

Me sentia descansada e segura finalmente, estava voltando para casa e trazia Roney comigo, mas algo ainda estava confuso, algo ainda estava me incomodando, eu ainda não sabia o que podia ser, mas sabia que logo descobriria, mas não imaginava que seria tão cedo...

Notas finais
E então galera, gostaram? Até o proximo capítulo. Abraços!