Project Immortal
12 Capítulo 12 - O acordar do demônio
Notas iniciais
Harry Corey
Não foi difícil chegar à Estação Hora Zero. Ela era situada pouco depois da saída da cidade. Não a principal, mas a que se ligava a área rural. Cheguei no carro que eu tinha. Logo me deparei com aquelas coisas no caminho: monstros transformados graças ao uso daquela estranha droga que aos poucos se apoderava da cidade. Eles estavam cada vez mais poderosos. Não tive dúvidas: teria que combatê-los com fogo. Fiz uma bela combinação: os levitei e passei logo a atirar com a Uzi que eu carregava. Parecia que iria funcionar, mas a grossa carapaça que revestia o corpo das criaturas as protegia. Duas então avançaram em minha direção. Eu facilmente levito uma delas e arremesso em cima da outra. Mas isso não seria suficiente: Mais e mais monstros estavam vindo para cima de mim. Eu larguei a arma e passei a arremessá-los da maneira que podia com meus poderes. Porém, o número de inimigos só aumentava. Eu estava cercado por aproximadamente dez deles. E eles avançaram. Eu, por um momento, pensei que aquela seria meu último momento de vida. Uma morte tão ridícula. E eu ainda nem pude dizer a Scarllet o quanto eu gosto dela. Mas isso não importa no momento. Tenho de sair vivo daqui. Drake precisa da minha ajuda. Eu então junto mais forças e passo a arremessar meus inimigos mais longe ainda. Porém, apesar do esforço, um deles agarra minha perna.
– Merda! – eu disse no reflexo.
Eu faço toda força que posso. Esse poder tinha de ser mais funcional. E era. Eu me via acima de todos, isto é, eu estava voando! Eu nem havia percebido, mas escapei da morte de maneira magistral. Voar? Isso é épico. Seja como for, não posso perder tempo: Drake ainda precisa de ajuda. Vou usando meu poder recém-evoluído para chegar até o local.
Drake Russel
Esses documentos aqui vão ser muito úteis. Esse Anderson é realmente uma pessoa sinistra.
– Caramba! – é o que digo ao ver Harry... Voando.
– Opa. Desculpe o atraso. Então, vamos nessa? – ele pergunta.
– Claro. Mas você me aguenta?
– Vamos ver. Caso você caia, é só se regenerar. – ele anda contando péssimas piadas em péssimas horas.
– Que seja. – levo todos os documentos que posso comigo e parto com Harry de volta para base.
Chegando lá, eu me deparo com uma preocupada Emily.
– Eu estou bem. – eu sorrio e vou ao encontro dela.
Ela me recebe com um caloroso beijo. Nem tive tempo de dizer nada. E foi muito bom. Algo que eu realmente queria, mas estava ocupado em demasia com outras coisas. Um tempo livre não fará mal, certo?
– Seu idiota! – diz ela. – Você não pode deixar isso acontecer novamente. Eu não quero te perder.
– Bem, eu estou surpreso. Nem sei bem o que dizer. Só acho que devemos aproveitar antes de começar a reunião séria. – puxo Emily e dou um longo beijo.
Harry Corey
Eu realmente estou muito aliviado com o ocorrido. Drake está vivo e bem. E finalmente ele e Emily estão se entendendo melhor.
– Esses dois. – diz Scarllet, seguido de uma risadinha.
– É. Sabe, a gente poderia dar uma saída. Digo, quando toda essa droga aabar. – eu digo para ela.
– É. É uma boa ideia. – ela olha pra mim por longos segundos. – Então, vamos ou não começar a reunião?
– Você tá certa. Vamos lá.
Passaram-se alguns minutos e todos estavam lá. Drake estava com os misteriosos documentos que ele havia pego no armazém de Anderson.
– Então, aqui tem muita coisa. – mostra os documentos. – Eu dei uma lida enquanto esperava o resgate. Anderson tem um plano muito estranho. Aqui mostra um sistema de dispersão de gases. Tipo, você coloca certa substância e esse sistema faz com que ela se espalhe com muita facilidade. Pelo que eu entendi, Anderson quer usar esse sistema com alguma substância que ele tem. Eu acredito ser a droga. – revela Drake.
– Mas qual o objetivo dele com isso? – questiona Scarllet.
– Eu não sei. Seja como for, o Edifício Royal contém esse sistema de dispersão. É ele que Anderson quer. – responde Drake.
– Mas por que ele já não botou as mãos nele? – eu pergunto.
– Eu acredito que ele esteja esperando a hora certa, isto é, existe algo mais por trás. Então, algum plano? – Drake questiona.
– Por que não roubamos esse sistema? Isso evitaria o uso por Anderson. – diz a inteligente Emily.
– Ela tá certa. Mas o melhor é que ajamos com discrição. Não podemos ser vistos como criminosos agora. – eu digo.
– É verdade. Sabe, não sei se vocês acompanham notícias, mas, enquanto eu estava na estação, eu ouvi umas notícias de que o Governo estava fazendo um tratamento paliativo para os monstros. Espero que esteja funcionando. Então, prontos para armar melhor o plano? – é o último questionamento de Drake naquele momento.
– E quando é que não estamos? – eu encerro.
James Thomas
Mais uma missão em favor do Governo. Eu nunca pensaria que chegaria a esse ponto. Mas que se dane. Vamos lá.
– Repetindo a situação: foi encontrado um suspeito depósito de drogas na área 15 da cidade. Suspeita-se que seja a droga Powell, aquela que está causando toda essa loucura na cidade. Você e sua equipe estão prontas para a invasão? – questiona o comandante via rádio.
Eu olho para meus dois lados. Eram três homens ao meu lado. Todos com máscara de gás. E eu também estava. Estávamos fortemente armados. A hora havia chegado. Coloco o explosivo na porta principal do depósito. A explosão ocorre. Invadimos o local. Tiros passam d um lado para o outro. Um dos meus companheiros é morto violentamente.
– Droga! – diz outro companheiro. Ele solta uma flashbomb, atordoando os atingidos.
Eu então avanço e vou atingindo a cabeça deles com socos mortais. Os dois companheiros vivos atiravam e matavam o resto. O local estava cheio de galões. Era evidente que estavam cheios de drogas. Por sorte, nenhum deles foi atingido por balas. Eu me aproximo do último sobrevivente dos que estavam defendendo o depósito. Ele estava no chão, encostado em um galão. Ele estava bastante ferido.
– Quem armou isso? – interrogo pressionando seu ombro com força.
– Argh! Você vai saber... Quando chegar ao INFERO! – diz o homem. Ele havia puxado o pino da granada que tinha.
Eu não tive tempo. Ninguém teve. Uma explosão ocorreu, me ferindo e explodindo os galões que liberavam um estranho gás. Era a droga. Eu me senti morrer ao me ver com os fragmentos da granada em meu corpo, que muito sangrava, além de inalar aquele misterioso gás. Minha vida estava se esvaindo.
Até que eu acordo. Estava na Base Científica novamente. Ali estavam Emma e Walter. Eles estavam me tratando.
– Ele está vivo. Já era previsto. – diz Walter.
– Espera. Os status físicos dele estão estranhos. – diz Emma olhando para a tela do computador.
Nesse momento, eu senti como se eu perdesse o controle do meu próprio corpo. Era uma situação ambígua: eu fazia o que queria, mas não era eu que fazia. Eu me senti mais forte do que antes. Eu me senti vivo. Eu havia acordado. Não faço ideia o que causou isso. Seria o contato com a droga? Não importa. Só sei que eu passei os últimos dias da minha vida sem objetivo. Eu estava em estado de escravidão. Servia a um governo que sempre odiei. Um governo que eu sempre quis destruir. Talvez essa droga me dê coragem e força para realizar meus desejos mais profundos. Isso é obra do destino. Nunca me senti tão bem. Volto a repetir: é como se eu fizesse o que desejava, mas era como se eu não me controlasse. Seja como for, era um ótimo momento. Não perdi a oportunidade: eu me levantei e passei a destruir tudo ao meu redor. Aquela base deveria virar pó. Emma logo ficou em alerta:
– Rápido Walter, pare o coração dele. – dizia ela se referindo ao controle que tinham sobre meu corpo.
Cansei disso. Pego a cama na qual eu estava e arremesso com força em direção a Emma. Ela é atingida e tem o pescoço quebrado, morrendo na hora.
– Você vai morrer monstro! – dizia um covarde Walter.
– Sério? – eu rapidamente corro e chego onde ele estava. – Sabe, os cientistas abriram meu peito. Talvez você não tenha participado, mas fico feliz em disseca-lo.
Sem nenhum dó eu abro o peito de Walter, matando-o. Sangue em minhas mãos. Eu gosto disso. Ainda mais de pessoas do Governo. Logo seguranças e policiais chegam no local. Advinha o que fiz? Simples, matei a todos. Em poucos minutos o lugar estava em chamas. Estava em cinzas. Estava em pó. Eu destruí a maior representação de tecnologia e inteligência de Gran City. O governo que me aguarda.
Eu saio do local sem olhar para trás: meu objetivo está a minha frente.
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