Proibido
26 Capitulo 26
Depois da corrida com a Gus, estávamos mortos, passamos em uma lanchonete HEALTHY próximo do parque, e comemos tapioca, ele tinha que ir pra casa, a verdade é que eu estava adorando ver ele molhado de suor, e eu queria que ele fosse pra minha casa, pra gente ter a nossa primeira vez de tudo por hoje. Okay Camila, para. Além do Fernando, e do Paulo, mais ninguém, aproposito... O Paulo Entro em casa, e o Matheus esta correndo atras da Isabela com os olhos esbugalhados, É! ainda tinha o Matheus, eu superei as fisionomias dele, que remetiam o Fernando, Paulo estava com uma cara de paisagem no sofá, Gustavo, após me deixar em casa, partiu. Vou até o Paulo, e sento do seu lado, dando uma virada pra trás, e espionando Matheus que agora marchava atrás de Bella, sobre a escada, ela parecia furiosa.
– Estão brigando? — pergunto, embora esteja na cara.
– Nem sabia que eles discutiam.
– Normal de todo relacionamento.
– Falando nisso — ele me olha — Tenho uma coisa pra te contar. Morde os labios, revirando os olhos. Arqueio a sobrancelha.
– Fala — pressiono.
– Não podemos mais ter essa amizade colorida.
É, levei um fora, do meu melhor amigo. Estou um pouco sem reação, apenas continuo olhando fixamente em seus olhos, esperando uma explicação da decisão. Estava tudo bem entre a gente, amigos, amigos, amigos, e que de vez em quando se pegavam, da melhor forma que nós dois sabemos. Ele me animava, me fazia esquecer o Fernando, orgasmos incríveis, que me faziam esquecer o que um dia foi ir pra cama com o Fernando, foi minha terapia para tentar esquece-lo, um argumento extremamente idiota, mas que la no fundo, funcionou!
– Estou apaixonado
– Apaixonado, você ? — tem um pigarro na minha garganta — Assim, do nada ? Mas quem ? você não me contou nada.
– Meio que não deu pra contar, não tinha clima
– Como assim não tinha clima, eu sou sua amiga! Realmente não ia dar certo, então voce mentiu pra mim, porque não deixou claro isso? Vem com essa bomba assim do nada, você esta namorando? — estou parecendo uma patricinha retardada, engulo a seco, não entendendo minha crise de paranoia. — Estou. Fico em silencio, ele se levanta. — Não mudou nada, só não vamos mais ficar, só isso, voltar o que era antes.
– Paulo, você namorando? — estou com uma careta no rosto — Vou demorar pra processar isso, ela deve ser muito perfeita — cruzo os braços, surpreendida.
– Sim, só não ganha de você — me beija no rosto.
Eu dou um risinho, em seguida um tabefe no seu ombro. Não estou muito animada.
– Beleza, vou ir tomar um banho e descansar.
– Tudo bem, vou indo embora então, tudo bem entre a gente né? — Questiona duvidoso. Eu assinto que sim, ele sorri e sai pela porta. Me sento no sofá, pego meu nootbook, coloco um som alto, vejo nas redes socias, Fernando sendo marcado em fotos de festas com uns amigos, uns muito bonitos por sinais. Será que ele não sente um pouco da minha falta? Grunhh Camila idiota! — meu inconsciente briga comigo — Para de procurar amor nos outros, se ama primeiro. Tombo a cabeça pra trás, e vejo Matheus se declarando pela Bella na escada, enquanto ela ta com um sorriso bobo no rosto. Pelo visto, fizeram as pazes; Pazes, paz, quero paz, quando?
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Lá voltava eu, depois de um dia exausto no curso, as nuvens escuras tomavam conta do céu, acompanhada de uma brisa fria inesperada, posiciono meus braços cruzados em minha volta, como uma forma de me aquecer, a chuva começa a cair lento-a, os pingos descem pelo desenho da minha face, formando um bico de desaprovação em meu rosto.
Corro para o Ônibus, que não demora à chegar, um coral de aleluia ecoa em meus pensamentos. Chego no Terminal, pronta para pegar o ultimo ônibus, o dia no CAMP hoje foi exaustivo, o Paulo não foi, e isso me deixa angustiada, não havia me alimentado a quatro horas, e minha barriga começara a fazer um barulho discreto, meus olhos brilham, a ver uma vendinha do outro lado da avenida. É centro de Bangu, carros estão como filas indisinas, no engarrafamento, iluminando com seus faróis à cidade, e a chuva.
Sem pensar muito, me encorajo a atravessar, olho para ambos os labos, e vou. BIBI, o som forte paira em meus ouvidos, faço uma careta, e xingo esse ser imbecil que esta fazendo eu passar vergonha.
Viro o rosto, a luz do farol do carro, envolve meus olhos, o para-brisa vai de um lado para o outro, em uma velocidade instavelmente rapida. Sim, a chuva piorou. Esta escuro, e eu estou atordoada, para não conseguir ver quem é o Motorista, que me fez ficar travada em meio a avenida.
– Entra!
Aquela voz, não pode ser.
Minhas pernas fraquejam. A janela do carro desce, ele mudou de carro? Pisco os olhos, preciso ter certeza disso.
Abro a porta, e entro, não tenho escolha, ia morrer atropelada, e estava ensopada, pensando nisso, logo me arrependo de ter entrado, devo estar horrível, abraço com força minha bolsa, meus olhos encaram meu tênis encharcados, não quero olhar pra ele. Mas que merda.
– Cami — murmura. — Você esta bem?
Presumo que ele esteja soltando uma risadinha.
– Qual era a sua ideia? Me matar ? — rujo.
– Nunca, só te salvei.
– Eu estava indo na vendinha, eu estou morrendo de fome, não estou em uma semana boa ...
– E porque entrou?
Desgraçado, abro a boca pra falar alguma coisa, as palavras evaporam.
– Quer que eu te leve pra casa?
– Pode me deixar no ponto de ônibus. Obrigada — olho em seus olhos, e suspiro.
Ele acelera o carro, o sinal abre, mas ele vai em um sentido não reconhecível por mim. Será que é um caminho diferente da qual eu nunca vi ? Ou um pretexto, Ah, sim! Agora minha barriga grita desesperada. Meu cérebro esta no modo não cociente, meu coração? inerte.
Ele para em frente a um prédio alto, com uma portaria sofisticada, e de um jardim bem cuidado.
Ele continua o caminho ao entrar no prédio, balança a cabeça cumprimentando o porteiro, e estaciona o carro. Agora sim, estou refletindo. Mas que caralho estou fazendo ali ?
– Fernando — balbuciou — Hann, não ia me levar pra CASA ? — interrogação na minha testa, enquanto eu franzo a testa.
– Você disse que estava com fome.
– Isso não parece um restaurante.
Ele da uma risadinha sem humor — Acertou, não é; Minha casa, apenas.
– E ..?
– Vou cozinhar pra você;
– Não precisa
– A chatisse é a mesma né? Alias, parece que piorou — fala, enquanto tira a chave do carro e sai.
Fico rocha de raiva, fico imovel, ele aparece do outro lado e abre a porta.
– Vamos senhorita?
Não respondo, levanto, minhas mãos não desgrudam com a força que seguro minha bolsa úmida.
– Vai querer comer o que ? — cantarolando, ele disse enquanto brinca com a chave do carro em sua mão.
– Tanto faz, acho que nem estou com fome,agora.
– Como assim? — sua voz engrossa.
Eu dou risada, ele não ri;
Vou acompanhando seus passos, voltamos para a entrada, vejo o porteiro novamente, em uma distancia menor, ele sorri novamente, aparente ser gentil, e dessa vez seus olhos me encaram. Me sinto horrivel
Piora quando entro no elevador, encaro meus olhos cansados do meu péssimo dia, e meu cabelo embaraçado e molhado, uma careta de piedade se faz em meu rosto.
Antes que eu perceba, chegamos no andar. Espero Fernando sair na frente, não quero aceitar, mas posso inalar o cheiro do seu perfume, que me faz querer beijar sua nuca.
– Mudou de carro?
– Sim, uma captiva. O que achou?
– Legal — dou de ombros — Então mudou tudo?
– Quase tudo.
– Casa, carro, mulher.
Ele ri — Só não mudei a forma de ser encantado por voce.
Estou completamente impressionada;
– Não seja ridículo! — emburreço.
– Meu Deus! — ele gargalha enquanto abre a porta, estica o braço para que eu passe a frente, eu balanço a cabeça agradecida e entro. A casa é confortavelmente grande, e mobiliada por uma decoração moderna.
– Fica a vontade. — Para na minha frente, e arranca minha querida bolsa dos meus braços, meu rosto queima;
Eu assinto — Gostei! — comentou, analisando o ambiente, e me aposentando no sofá de couro preto.
– Legal né?
Eu pisco.
– Vou tomar um banho, se não se importa
– E minha comida ?
–Achei que não estivesse com fome;
Eu sorrio sem graça
– Aceita um banho também?
Bem que eu queria.
– Com todo respeito! — continua, mediante ao meu silencio. — Tenho toalhas de sobra, enfim.
– Pode ir primeiro.
Ele arregala os olhos, retirando sua jaqueta jeans escura.
– Por favor, vá você. Vou começar a preparar alguma coisa — pisca, e segura minha mão, me guiando.
Tres meses e alguns dias, que eu não seguro sua mão, que eu não toco em você, é estranho. Ele me mostra o banheiro, uma suite, que esta dentro do seu quarto, que eu não consigo bisbilhotar direito. Então mostra no armário, de baixo da pia de mármore branca
– Aqui estão as toalhas — Sorri, e me olha nos olhos.
Desfaço aquele elo entre nossas mãos.
– Tá, obrigada! Ainda não sei o que faço aqui.
– Apesar de tudo, Camila. A relação que tivemos, foi algo forte, e eu tive uma consideração , e um sentimento de amizade por você.
Meu inconsciente, esta fazendo cara de nojo, meu coração ta todo bobo. Minha feição sem emoção.
– Esta bem — concordo.
Ele da um sorriso sem graça, ele parece estar mais sem jeito que eu, então se vira e sai.
Me olho novamente no espelho e faço uma careta, Caramba Camila!
Retiro com pressa aquelas roupas que não estão maravilhosas, mas vejo que meu corpo esta rígido e bonito, tiro tudo, e faço um coque mal feito, entro de baixo da deliciosa água morna, que percorre meu corpo, fazendo que meus músculos se contraiam de satisfação, após me banhar, busco a toalha e me enrola na mesma, procuro no armário, um pente, encontro uma escova de cabelo pequena, logo imagino ele penteando seu lindo topete loiro, sorrio. Passo a escova pelos fios embaraçados do meu cabelo até eles se alinharem, vejo a escova de dentes do Fernando, sinto um desejo dominante em mim, de querer escovar os dentes com ela, só pra imaginar seus lábios no meu, mas cancelo a ideia, e me contento com um enxaguante bocal de menta.
Visto minhas peças intimas, e pendura minhas roupas, no box do banheiro, caminho sobre o quarto do Fernando, abro o guarda roupa, e vejo um moletom azul marinho sobre o cabide, não resisto e o visto.
Volto pra cozinha, ele esta de bermuda, mudou de roupa, sua cueca box esta amostra, ele esta cantarolando a musica eletronica que vem da radio, empolgado cozinhando algo, que eu ainda não descobri, vou até seu lado, e percebo que o prato da noite é um mix de folhas, com uma salada tão elaborada, que salivo, ele olha pra mim e ambos sorrimos com os olhos e com os labios.
– Pega a mostarda pra mim? — aponta pra geladeira.
Eu vou ate ela depressa, e estudo rapidamente, até encontrar a mostarda, seguro e levo até ele.
Ele a derrama, sobre os dois pratos feitos, e coloca dois tomates pequenos em cada.
– Leve, saudável, e gostoso — pisca.
– Tenho que experimentar pra saber.
– Eu coloquei dois frangos pra grelhar, enquanto não fica pronto, eu vou partir pro banho, fica de olho?
Eu faço que sim.
– Eu deixei?
Arqueio a sobrancelha sem entender sua pergunta. Ele escara meu corpo, entendo. Gargalho. É o moletom ... Dou de ombros.
Ele ri balançando a cabeça e sai, aquela cueca box amostra, estava fazendo dele um ser muito apetitoso. Caramba Camila, tudo isso é fome?
Começo a cantarolar a musica que passa, e vou me balançando pra lá e pra cá, repentinamente, lembro de um (pequeno) detalhe. Meus pais!
Corro como um atleta até minha bolsa, e pego meu celular, a três chamadas partidas, a ultima de 2 minutos atras. Já devia estar em casa.
Retorno.
– Camila Cardoso! Aonde você esta? Estava morrendo do coração — minha mãe não parece respirar.
– Mãe — murmuro calmamente — Eu estou bem, me desculpe! O sinal estava ruim — invento — Como estava muito chuva, o Paulo me chamou pra dormir na casa dele.
– Ué, e daí que estava chovendo? Vinhe-se pra casa!
– Mãeee — choramingo.
–Amanha chegue cedo.
– Tee amoo! — exclamo sonoramente, ela solta um resmungo
– Eu tambem, beijos.
Aliviada, desligo o celular, e corro para ver o frango que por pouco não acabara de se tornar dois carvões.
– Esta queimando? — exclama indignado atras de mim.
– Foi mal — mordo os lábios.
Ele encara meus labios. — Tudo bem.
Termina de ajeitar o prato, enquanto isso, analiso sua vestia, não passa de uma bermuda de moletom azul marinho. Eu estou gargalhando por dentro. Ele colocou pra combinar? Sera que era conjunto?
– Vemm — chama-me
O acompanho, e sentamos no sofá, ele me estende o meu prato, respectivamente me entregando um garfo, não sei como ele equilíbrio tudo de uma vez só com seus dois braços.
– Tchantchann — faço um som de suspenso, ele da uma risadinha.
– Experimenta
Eu saboreio a salada, esta divina, e com fome, fica melhor ainda.
– É salada, quem não sabe fazer salada — zoou
– O frango só não esta melhor, porque alguem deixou queimar.
– Foi um pouco só — faço bico.
Terminamos de comer, em meio a umas piscadelas, e risinhos sem sentidos.
– Agora me conta — cruza os braços na altura do peito.
– O que quer saber?
– Como esta sua vida, seu namorado.
– Que namorado?
– O do parque.
–AAAAH — sorrio — Ele não é meu namorado
– E porque esta com essa feição feliz no rosto.
– Ué, não posso estar feliz
–Sim, pode — ele fica serio, e revira os olhos.
Fernando é tão bagunçado, que me irrita.
Abro a boca de sono.
– Quer dormir?
– Quero. — respiro fundo.
Ele se levanta, e vai até o corredor em direção a seu quarto, enquanto isso, aprecio o barulho da chuva, que cai estrondosamente, a luz dos relâmpagos chegam a ser estonteantes, me fazendo dar um mini pulo de assombro.
Ele vem, segurando cobertores, e com um colchão em baixo do braço.
– Pode ir la na minha cama, eu vou dormir aqui.
– Não se preocupe, eu posso dormir aqui, ate mesmo no sofá, isso não é nenhum problema pra mim.
– SHHHH — coloca o dedo sobre meus labios, me obrigando a calar. — Vai logo, Camizinha, boa noite Mila — beija meu rosto.
Eu assinto, eu caminho até seu quarto. Me cubro inteira, e os barulhos que veem do céu, me deixam aflita, esta tudo escuro, me passa uma viajem de que se ele estivesse do meu lado, talvez fosse melhor.
Não consigo dormir. Merda
Pego meu celular, entro no WhatsSap, tem mensagem do Paulo, falando que não foi, porquê foi ver a familia da namorada
Tudo muito estranho!
Vou no contato do Fernando, que eu nem sabia que ainda estava salvo no meu celular, ele esta online. Ele estava conversando com quem? Não se importe! Não se importe!
A Chuva parece querer me assustar a cada segundo, e a cada barulho, meu coração acelera descomunalmente.
" Esta acordada..." Ele me manda mensagem
Não sei se é uma pergunta ou uma afirmação
" Não consigo dormir"
" Buu"
"Tonto"
Viro para o lado, e agora uma luz de fora, faz o quarto claro, me levanto e vou correndo para a sala, vejo Fernando deitado, ele se ergue e olha pra tras, vejo só sua sombra, ainda esta escuro.
– Oi, se importa se eu dormir com voce ?
– Esta com medo? — Seus labios tremem para uma risada
Eu ignoro, e me deito no sofa emburrada. Sinto sua mão firme, puxar meu tornozelo, quero chutar sua cara.
– Vem aqui, chataa!
Eu desço molestosamente.
Ele abre os braços como um ursinho de lojinha de 1 real.
Eu me derreto, e corro para seus braços, colando minha cabeça em seu peito.
– To aqui, dorme em paz — beija meu rosto, e começa a acariciar meu cabelo.
– Colocou o conjunto do moletom pra gente ficar igual. Eu sei — sussurro
Ele ri baixinho.
– Boa noite, vai dormir menina
Eu sorrio, e me aconchego em seu abraço, inalando seu cheiro, e acariciando seu braço.
Ok Fernando, eu admito, gostei de você, e como gostei. Gostei de poder correr para seu braço nesse exato momento, gostei das brigas e das nossas brincadeiras de amar. Gostei te ver cozinhando, você estava com aquela cueca box que deixa sua bunda mais sexy. Ok, parei. Eu gostei de tudo, só não da parte que nossas estradas desviaram os caminhos.
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