Proibido

13 Capitulo 13


Segunda Feira

Eu estava com uma leggie preta uma camisa cinza e uma botinha de salto baixo, com um livro em mãos, com os olhos totalmente vidrados sobre o mesmo, aguardando o ônibus, ao ouvir o barulho do motor, respirei fundo e desviei o olhar em meu horizonte. Não era ele. Começou bem Cami.

A escola, eu tive que ter saco, Larissa falando sem parar de Daniel, e Matheus fazendo perguntas de minha irmã.

– Já decidiu ? — Ele estava sentado atras de mim

Me virei, negando com a cabeça e voltando minha concentração ao Professor de Historia, que apresentava uma boa materia.

– E agora ? — perguntou novamente.

Eu me virei o fuzilando, ele riu.

– Vai se ferrar — sussurrei, e ele riu

O sinal tocou, Matheus veio me abraçando

– Você vai né, Mila ?

Bufei, Não me chame de Mila, que nome broxante, sem contar que me lembra o Fernando. E porque estou pensando nele mesmo ?

– Pra chácara ? — Dei uma de desentendida, enquanto andava depressa, soltando o abraço, e ele seguiu meus passos.

– Não Camila, pra Dubai — respondeu ironicamente

–Pra Dubai eu vou — cantarolei, enquanto apressava os passos, e Matheus me seguia na mesma intensidade, fui em direção a cantina e ptei por uma maça, e Matheus escolheu um lanche com frios — Ah, não sei não

– Você quer sim, e eu tenho provas — ele disse risonho, enquanto sentávamos no gramado do exterior do colégio, na quadra. No Amaral Alfredo, é permitido .

– E quais são ? — perguntei debochada

– Você escolheu fruta, ao invés do pão. Já esta pensando em ficar em forma do Fim de semana — ele respondeu risonho, mexendo as mãos na altura do meu rosto

Eu gargalhei alto, batendo em seu braço, pra que ele tirasse a mão na frente de meu rosto — Como você é trouxa — Revirei os olhos — Não quero ficar de vela — desabafei com um bico no rosto

– Você não vai ficar.

– Não vou ? Aham, claro! Olhe lá — apontei o lado direito em nossa frente, do outro lado, onde Daniel e Larissa estavam — Olha, estam como um vídeo clipe romântico da Taylor Swift. Pelo amor de Deus — grunhi, Matheus gargalhou alto

– Pior que estão mesmo. Ainn amiga, não fique assim.- Fez uma voz de gay, rindo, depois voltou a ficar sério, olhando em meus olhos- Estou aqui com voce não estou ? Sou seu amigo também.

– Exatamente Matheus, Agora! — protestei — Você vai ficar abordando minha irmã. Não estou com ciumes, nem com frescura! Mas é uma chácara de familia, não quero me sentir só . Entende ?- rugi

Ele riu, e eu bati em sua cabeça — Não estou vendo Graça! Babaca

– Cami, eu prometo por tudo, que a gente não vai fazer isso. Caramba meu, vamos ficar todos juntos. Basta você parar de paranoia. Todo mundo vai se divertir juntos. Namoral, esta com frescura sim — balançou a cabeça — Pode levar um amiguinho seu se quiser- deu de ombros, e eu bufei — Promete que vai pensar ?

– Prometo — respondi baixinho, mordiscando minha maça

– Fala alto, Porra — ele disse rindo

– Eu prometo!! — gritei

– Mais alto — pediu

– Vai dar, Matheus — o empurrei.

Disse ao Matheus que lhe daria a resposta até o final da semana. Mas não estava MESMO afim de ir, não por frescura em ficar de vela, era por causa do Fernando mesmo.

Terça Feira e Quarta Feita foram tranquilos, eu tive a sorte de não pegar o ônibus com o Fernando. Finalmente UNIVERSO, esta conspirando ao meu favor. Me dediquei aos estudos, e na volta pra casa, estudava toda materia passada, pra me dar bem nas provas, que seriam nos dois outros dias seguintes. Passei o intervalo com a Larissa, Matheus, Daniel e os outros amigos deles, eram todos bacanas e bonitos. Mas com uma mentalidade um pouco pequena.

Quinta- Feira. Nada de Fernando mais uma vez. Amém, Fui bem nas provas, ou acho que fui. Dei o meu melhor, e peguei umas colinhas com a menina ao meu lado, e como sempre, Matheus me implicando a cada dia com a minha resposta sobre a chácara, que faltava pouco.

Dia de curso! Preciso dizer o quanto eu estava animada e ansiosa pra ver o Paulo ?

– Carniça! — o abracei o mais forte que tudo, o esmagando, quase o deixando sem ar, ele murmurou alguma coisa, parecendo surpreso mais retribuiu o abraço

– O que aconteceu ? — ele fez uma voz engraçada, enquanto seu rosto estava esmagado em meu ombro, puxei sua cabeça pra ficar de frente em minha, e depositei inúmeros beijinhos em seu rosto.

– Que saudade — sorri.

– Certo, esta me assustando — fez uma careta, arqueando a sobrancelha

– Cala boca, idiota — bati em seu peito, o puxando pelo braço logo em seguida para entrarmos na aula.

– Eai, tudo bem ? — perguntou, quando a professora saiu da sala, pra pegar as folhas de uma atividade que teríamos de fazer em trio.

Me virei sorrindo de lado — É, agora estou bem.

– É impressão minha ou você esta dando em cima de mim ?

– Nãaao — exclamei — Esta doido ? — disse negando com a cabeça

– Vai dizer que não sente saudades de quando a gente se pegava com frequência. Eu sei que você gostava — sussurrou, e eu bem que gostava mesmo

Eu dei risada de sua cara, me virando — Rosângela, topa fazer com a gente ? — perguntei sugestiva, com uma carinha sapeca no rosto

– Vocês tem cara de não ser do bem, mas eu topo.

Rimos

– Eu sou do bem, ela que não é — Paulo respondeu, dando de ombros. Me virei incrédula batendo em seu ombro.

– Então vai lá com a Loirinha, ela bem que queria fazer uma dupla com você — bufei

– Esta se referindo a Melissa ?

– Se for a que fala tudinho em diminutivo, é essa loirinha mesmo

Ela riu.

– Eu não gosto dela — Rosângela, bufou, fazendo cara de desdem

– Oh, garota! Eu te amo — sorri, a abraçando.

Ela retribuiu, em seguida aproximou sua mesa da nossa.

A atividade era facil, tínhamos que escolher os gêneros e características de pessoas que escolheríamos pra ser salva de um bombardeio, em um abrigo subterrâneo.

– Um viciado- Paulo opinou

– Viciado? — Rosângela e eu perguntamos em uníssono

– Claro, além dele não fazer mal a ninguém, ia se livrar das Drogas

– Certo, e qual utilidade ele daria nesse grupo ?

– Foda-se isso. Ao menos ele ia se curar — deu de ombros

– Ele ia ficar com abstinência, ia enlouquecer

– Eles iam precisar de uma loucura no abrigo. Precisam de emoções — gargalhou

Enfim terminamos a nossa atividade, ficamos conversando o restante da aula, e a professora avisou que não teríamos aula teórica no próximo dia, seria uma aula de expressão corporal em uma quadra. Mas que porra, odeio isso.

– Tomara que seja queima. Eu sou ótima, adoro queimar as pessoas — A Melissa passou, jogando os cabelos, ao nosso lado, enquanto saimos

Eu e a Rosângela nos entreolhamos com cara de nojo.

– Só de raiva, faço questão de queimar essa vadia — Rosângela cochichou.

– Eu apoio, porque eu não sou muito boa nisso. Mas amanhã, eu aprendo a gostar. Espero mesmo que seja queima — sorrimos.

– Vocês são crueis — Paulo se manifestou

– Bláblá — Rosângela, disse apos um bocejo — Tchau pra você Paulo — fez careta — Tchau, gata — mandou um beijo e eu retribui.

– Então quer dizer que você não sente falta dos meus beijos ? — Paulo me pegou desprevenida, me colando num tronco de uma arvore do lado de fora da instituição, reorganizei meus passos, antes que acabasse caindo, quando meus pés encontram as raizes da arvore de tanto que eu me escorei sobre ela me afastando

– Paulo, se afasta — pedi, respirando fundo, enquanto ele desgrudava nossos corpos, e colei minhas costas no tronco de braços cruzados — Eu não sinto falta tá ? — pisquei

– Então tá, já que você diz — ele se aproximou mais uma vez, mordendo minha orelha, e depositando um beijo em minha clavícula amostra, enquanto apertava minha cintura. — Quem sou eu pra contrariar né ? — sussurrou, passando o polegar sobre o contorno de minha face

Eu engoli em seco, sentindo uma fraqueza em meu corpo. Começamos a caminhar até o ponto de ônibus e mudamos de assunto, falando de assuntos aleatórios. Meu onibus chegou primeiro, eu ainda estava sem graça.

– Tchau Paulo — me aproximei hesitante para um beijo no rosto, e ele parecia se divertir com minha cara de batata.

Peguei o ônibus de vez, confusa com tudo. Mas sabia que isso não era nada, Paulo era meu amigo só isso.

Chego em casa, vou para meu quarto, meu coração palpita descontrolado ao ver minha irmã me receber abrindo a porta.

– Que susto! — rugi — Louca, o que foi ? Estava me esperando ? — Perguntei, arrancando a roupa de meu corpo, louca para meu almejado banho

– Sim — ela indagou — Quero te perguntar da chácara. Eu conversei com a mamãe , ela só aceita se você for, porque você é a irmã mais velha e bláblá . — Me virei só de sutiã e calcinha observando sua careta entediada, dei risada, enquanto me direcionava ao banheiro.

– Entãao! Eu queria saber se você vai. Vai né ? — ela gritava para que eu pudesse ouvir

Respirei fundo, enquanto passava o sabonete no corpo, sentindo a deleitosa água morna — Não entendi, depois a gente se fala. Deixa eu terminar o banho

– A gente já esperou a semana inteira Camila, e eu sei que esta ouvindo — gritou zangada — Por favoooor — ela ficou implorando, e eu mandei ela esperar. O banho que eu tanto sonhava em ser relaxante, não foi tanto assim. Me enrolei na toalha, e ao sair pela porta, minha irmã estava de braços cruzados a frente como um muro

– Da licença — arquei a sobrancelha, me guiando para direita, e ela foi na mesma direção, fui para esquerda e ela me acompanhou

– Isabela, quer dançar ? — exclamei, irritada

– Quero respostas — ela exigiu

– Sera, que eu posso me vestir ? — fechei os olhos, e abri o mesmo com lentidão, buscando a calma em meu interior

– Tudo bem — ela diminuiu o tom.

Me vesti devagar, ainda processando se iria ou não. Eu não queria, mas também não queria chatear minha irmã, e ve-la contra mim. Me virei, e a encontrei com os olhos lacrimejando

– O que é isso Isabela ? Esta chorando — caminhei até ela, enxugando as lagrimas

– Eu quero muito ir Cami, eu sei que não sou uma irmã perfeita. Mas por favor — ela disse entre soluços

– Tudo isso é paixão ? Cuidado esta bem ? — Ficamos em silencio, enquanto eu mordia o meu lábio, inquieta entre sim e não, e minha guerra entre cérebro e coração retomando, coração burro e sensível dizendo sim, e meu cérebro dizendo que não. Deixei meu coração falar mais alto, esboçando uma feição de dó, e abraçando minha irmã.

– Eu vou — desembuchei

–AAAAH — ela deu um pulinho de vitoria , e me agarrou — Muito obrigada Cami, eu te amo — ela saiu correndo para fora

Meu celular vibra, não citei que Fernando não havia me mandando mensagem essa semana, e isso estava acabando comigo mesmo não devendo ? É, eu estava me importando, eu sabia que não era ele, porque foi uma constante decepção olhar toda hora pro celular, e não receber suas mensagens

" Camila, preciso te ver" — Fernando

Fiquei coçando a mão pra responder, decidi que não, passou se meia hora, eu tinha largado o celular do outro lado da cama, embora não pensasse em outra coisa, ele começou a tocar, saltei-me agarrando o aparelho em mãos, era ele. Eis a questão atender ou não atender ?

Esperei chamar uma vez, até ele ligar de novo, então atendo. Mesmo sabendo, que seria burrice, e me arrependeria de meus atos.

– Alo ? — digo sem animo

– Camila! — ele pareceu empolgado e aliviado — Finalmente — ele riu

– Sim ? — disse friamente

– Tudo bem ?

– Estou bem e você ?

– Bem, na verdade eu queria te ver ... — ele disse sem jeito, eu fiquei em silencio, porque estava imovel — Camila ? — me chamou

– Quer me ver agora? Pra quê ? — perguntei, sentindo meu coração acelerar.

– Queria te ver, conversar com você. Por favor Camila, preciso ... — ele ficou alguns segundos em silencio, e eu tambem, restando apenas o som de nossa respiração — Preciso de você Camila, sério. Não me dê um não como resposta — disse de um jeito divertido

Eu mordi meu labio com força, colocando a mão em minha cabeça, não podia demorar a responder, pra ele não perceber meu nervosismo.

– Esta bem — disparei

– Posso te buscar na sua casa ?

Ele ia me levar pra onde ? Nao estava afim de sair

– Esta bem, Fernando, mas não vou poder demorar — o certifiquei

– Combinado, não vou te alugar por muito tempo. Prometo — deu pra ouvir sua risadinha gostosa, me fazendo imaginar sua boca, seus dentes de ator de Hollywood.

– Certo, até logo então — me despedi

– Daqui a dez minutos, estou ai. Beijo — desligou

Dez minutos ? Ai caramba! Senti meu corpo suar, e eu fraquejar mais uma vez. Respirei fundo e fui me olhar no espelho, minha roupa estava até apresentável, um short jeans rasgadinho, e uma regata cavada, estava usando uma lingerie preta rendada, que ficava amostra.Passei um pouco de blush, só pra não ficar com aspecto de morta, e desci pra beber um copo d'água. Minha mãe dormia no sofá, meu pai ainda não havia voltado ao trabalho, minha irmã trancada no quarto como sempre.

Meu celular vibrou, pego o mesmo ainda com as mãos geladas, era ele.

"Já estou aqui fora ". Seja o que Deus quiser, amém. Me certifiquei do sono profundo de minha mãe, me senti um bandido assaltando um banco, de tão culpada, mas parei de pensar em tudo, e me encaminhei até o portão. Seu carro branco estava lá. Ai Caramba, ai caramba, respira Camila, respira.

– Boa noite — ele abaixou o vidro, me observando — Entra ? — mexeu a cabeça gesticulando minha entrada.

Eu assenti, sentindo minhas bochechas corarem, e eu fui até a porta do passageiro a abrindo.