Fui pra casa, dei as boas novas pra todos em casa que ficaram muito felizes por mim, esqueci de mencionar que tenho meus 16 anos. O curso, era um preparatório para o primeiro emprego, e eu almejava tanto isso, me ver um pouco mais independente e poder comprar o que quiser sem depender de ninguém, além de quitar os cursos que planejava fazer.

O bairro era novo, e digamos que eu não conhecia quase nada lá, a escola é na cidade próxima, e eu tenho que pegar dois onibus pra lá, porque '' dizem'' que a escola na Famosa metrópole Bangu , eram as melhores, eu não hesitei, sabia que minha mãe queria o melhor pra mim, e já que eu queria me tornar mais independente nada mais justo. As aulas ainda não haviam começado, eu confesso que estava plenamente ansiosa, do que esperar , e na esperar de me identificar é claro!

A semana se passou, monótona, sem novidade alguma , e sem nada de bom pra fazer, além de curtir meu quarto novo e só meu — tenho mais duas irmãs — Beatriz, minha irmã mais velha, tem 25 anos e casou a pouco tempo, e minha irmã mais caçula de 14 anos, ela é minha melhor amiga a Isabella, e eu Camila. Ohhh, legal!

Eram 5 horas da manhã, eu já estava de pé, tomei meu banho quente, passei uma maquiagem leve , pra não aparentar desespero, mas também queria aparecer apresentável em meu primeiro dia de aula em Amaral Alfredo , desnecessário um nome tão broxa pra uma escola, mas tudo bem , já que os comentarios da mesma sejam positivos. A escola não exigia o uniforme, e eu amei ela apartir dai, já que na escola anterior em que frequentava, era obrigatório, usar aquela farda nada mais nada menos que VERDE, Liberalli era o nome, só me causava más lembranças, isso mesmo, vou poupar detalhes daquele conjunto de moletons, o frio era macabro! Parecia a festa do shrek.

Optei por uma calça bem justa escura, um moletom da element vinho que eu amo, e calcei meu quiksilver preto, deixei meus cabelos longos soltos e ajeitei meu material, fui pro ponto. Lembrei-me do Loiro sexy, sabia que seria só tendo muita sorte pra reencontra-lo. Me sentei sobre o banquinho, não quis por os fones, por que estava curtindo o barulho da chuva , eu estava coberta por de baixo daquele ponto até bem elaborado e bem tratado. Então, não fazia muita diferença.

Peguei o onibus, não era quem eu esperava. Desci na plataforma, e caminhei a Plataforma D, pela escada rolante, peguei mais uma fila, estava começando a sentir o nervosismo alastrar por meu corpo, só em imaginar que agora faltava pouco pra conhecer Amaral Alfredo. Sabia que a parada que tinha que descer estava perto, me levantei do banco e dei o sinal, era uma avenida movimentada, era o centro de Bangu, carros pra todo lado, o dia ja estava de fora, por conta da minha ansiedade era seis e quarenta da manhã, antes adiantada do que atrasada, até que estava bom pra quem ia entrar as sete. Desci, respirei fundo e fui caminhando bem devagar até a entrada da escola.

E que escola! Havia um gramado que era descoberto depois de passar pelo muro alto amarelo, era bem tratado nas laterais da mesma, com flores bem regradas e os matos bem cortados, Havia sua parte asfaltada no meio em direção a porta de entrada, com desenhos grafitados propositalmente, parecia uma escola de arte Amaral Alfredo, com uma letra sombreada, e desenhos abstratos sobre a porta, a cor da parede continuara a mesma, um amarelo, com cara de quem não havia sido pintado a muito tempo, pois a cor era viva. Redigi meu olhar para os alunos que entravam, me encostei em um banquinho perto do gramado, e admirei os que entravam , grupinhos diversos, como qualquer escola normal, não preciso citar detalhes, por que é sempre a mesma coisa cliche! Até que vejo um menino, ele nem havia me notado, mas eu não deixei de reparar em seus olhos estranhamente conhecidos por mim , mas não fazia sentido eu conhece-lo de algum lugar, continuei admirando, ele tinha um queixo um pouco quadrado, sua pele era branca, e sua boca fina, seu cabelo era curto, ele tinha cara de ser um mala sem alça, que esta sempre com uma piada na ponta da lingua, não era atoa que não parava de arrancar risadas empolgantes dos seus amigos em volta. Reconheço, que fiquei até curiosa pra saber as abobrinhas que o garoto soltava, fiquei tão concentrada em observa-lo e tentar lembrar se eu o conhecia de algum lugar, que me esqueci de todo o resto em volta. Estava lotado de gente a fachada da escola, o sinal soou, não tão irritante como eu esperava, Liberalli tinha um sinal extremamente alto e desnecessário, até o sinal daquilo me irritava. Caminhei em passos rapidos até entrar na escola, não fiquei analisando os detalhes, estavamos no patios, todos começaram a se locomover , alguns subindo escadas, outros indo para corredores de banheiros, cantina, e lugares que eu não sei qual é, afinal a escola era enorme , continuei andando a procura da secretaria, tinha uma japonesa com seus 84 quilos sentada preenchendo uma ficha de alguma coisa

– Licença

– Diga-me — ela sorriu, com os olhos estreitos.

– Sou aluna nova, e eu não sei como faço pra chegar até lá. Sou do segundo ano

– Sabe a turma ?

– Segundo B.

Ela me explicou tudo, disse que eu tinha que subir duas escadarias — ao menos ia ficar com a pena durinha — e depois, tinha que ir na segunda sala no corredor direito. Vamos lá, fiz todo o trajeto, me sentindo sozinha, mas sem me importar muito, reconheci a sala, e me aliviei ao ver lá Segundo B! Com uma professora com um chocalho na mão gritando

– Vamos, entreemmmm

Fiquei com um interrogação na testa, até me aproximar

– Nova nessa turma ?

Fiz que sim .

– Bem vinda- ela abriu os labios com seu batom vermelho alaranjado, borrado, esboçando um sorriso. — Seu nome ?

– Obrigada, Camila — sorri

– GENTE, essa é a Cami ! — ela gritou, e todos ficaram em silencio me olhando

Derre pente todos começam a cantar.

– Como vai amiguinha ? Como vai amiguinha ? Bem vinda lá lá, Ali é a Teacher, aqui somos turma B, e agora somos nós

Não consegui nem sequer soltar uma risada, pela musica tão mal feita, mas ri do ridiculo

– É um ritual patético que a gente faz quando entra aluno novo — Respondeu acho que com a minha cara de QUE PORRA É ESSA ? Olhei e tive que sorrir, ao perceber que era o garoto lá de fora, ele era da minha sola, ótimo.

– É só isso, pode se sentar Cami.

Procurei a primeira cadeira que encontrei, e desabei, comecei a prestar atenção no que a Louca da Professora de Inglês tinha a falar, até que fui recepcionada bem, esquecerei jamais ao menos.