Proibida Pra Mim

46 39. soco Direito



Rose Weasley

— Eu estava lá com meu irmão, né, e nossa, Rose! O menino está com um arranhão enormeeee na cara!

— É mesmo? — perguntei só para Lily acreditar que eu ligava para o que ela estava dizendo.

— É claro, acha que eu brincaria com um negócio desse? — Lily arregala os olhos como se estivesse surpresa e toca o coração. — Isaac está com uma bela marca e eu daria tudo pra saber do babado!

— E ele não contou?

— Não, não quis contar pro Alvo e eu fiquei perdendo meu tempo tentando descobrir. Odeio garotas e seus egos! — Lily se joga na cama ao meu lado e tenta tirar meu foco do livro em que eu estava tentando focar. — Por acaso alguém sabe o que aconteceu com o amigo do Alvo, bonitinha?

— Ué, se nem você que é a Rita Skeeter de Hogwarts tá sabendo, imagina eu, minha filha — bato de leve nos dedinhos de Lily que tentam me atrapalhar a leitura. — Por que essa pergunta?

— Porque durante a festa de ontem vocês bem que estavam juntinhos, né, sua ruiva descarada... Achei que você pudesse ter uma ideia do que houve.

— Primeiro que você está supondo que eu e Isaac passamos a festa toda juntos, né, Pimentinha? Segundo, você desapareceu metade da festa e agora vem dizer que estava de olho! Eu quem devia te perguntar o que andou acontecendo pra você ter evaporado do meu lado!

— Isso não entra em discussão agora, dona Rose Weasley. — minha prima finge cara de general para me despistar, mas eu bem sei que tem algo escondido.

— Ah, claro que entra! Agora perdi a atenção do livro mesmo, do jeitinho que você queria. Pronto! Me fala o que rolou de bom pra você e seu chá de sumiço, garota.

— Ah, mas nem foi tão interessante assim... — Lily se vira na cama ao meu lado e olha para o teto, mas percebo suas bochechas adquirirem o tom de nossos cabelos.

— Lily do céu, você corou! Me conta agora o que houve pra fazer Lily Luna Potter corar, pai do céu! — fico empolgada em mexer com Lily da mesma forma que ela faz comigo, porém tenho mesmo a curiosidade me assolando para descobrir o que minha prima tão tagarela deseja manter às escondidas.

— Vejam só se não são minhas amigas favoritas! — a porta de nosso quarto abre de repente e Lily é salva de me responder pela entrada de Una e seu sorriso.

— Somos suas únicas amigas, Una, se toca. — Lily rebate e pula da cama no mesmo segundo em que tento contê-la para abordar o assunto novamente, mas ela foge de mim. — Sai fora, Rose, ninguém tá sabendo de nada de ninguém, todo mundo chega sozinha e cheia de segredo da festa, eu que não vou ser a primeira a quebrar o silêncio! Tô caindo fora!

— Mas eu trouxe uma convidada! — Una protesta e dá espaço para que Kellen surja, como sempre um pouco confusa com nosso barulho infinito.

— Minha querida Kellen! — Lily é a primeira a cumprimentá-la e abraçá-la efusivamente.

— 'Tá vendo que não tenho só vocês, Pimentinha? Me respeita. — Una caçoa de Lily e puxa Kellen pela mão. — Estávamos em nossas terapias, como sempre, e chamei a Kellen pra se arrumar com a gente de novo!

— Oi, Kellen! — sou eu a abraçá-la para trazê-la para perto com um sorriso contido ainda tentando me libertar do fato de que ela está fazendo parte do "clubinho das meninas" e não se restringe à posição de "melhor amiga do meu ex-namorado". — Mas se arrumar para o quê, Una?

— Essa menina não bate bem da cabeça.

— Lily, cala a boca.

— Oh, vocês esqueceram que nós vamos à cidade como parte do trabalho de História? — Kellen quem intercepta a possível briga entre Una e Lily.

— Nossa, é hoje?!

— Se até a Rose que é a Rose esqueceu, você não achava mesmo que seria eu a lembrar, né? — Lily responde pra Una, que revira os olhos.

— De toda forma, nós vamos à Hogsmeade e, por favor, se comportem porque conversamos com o professor no salão e ele disse que tentaria nos levar para passear, se corresse tudo bem.

— Sonha alto você, Una, como que vai conseguir conter quatro turmas de sexto e sétimos anos?

— Quem disse que o sexto ano vai? — Una provoca Lily. — Pimentinha, você está fora do passeio dessa vez. Professor nos informou que o transporte foi reduzido e o sétimo ano foi priorizado.

— Ah, tá de brincadeira, né?! — Lily tenta apelar para todas nós, porém Kellen confirma seu fim:

— Não. Conversamos mesmo com o professor agora quando descemos e ele disse isso.

— Tá vendo que eu não menti?! Amica ingrata! — Una tenta se defender com seu italiano.

— Ah, nem ligo. Melhor que sobra tempo para estudar para as provas. Com toda licença, bom passeio para as garotas! — Lily sai saltitando e bate a porta.

— Ela aproveitou foi pra fugir da minha pergunta, aquela dissimulada!

— Mas do que você tá falando, Rose?

— É, Rosem minha rainha, tá falando de que?

— Lily sumiu durante a festa de ontem e eu estava pressionando-a para saber sobre o porquê. — acabo rindo ao falar, por achar brincadeira, mas as garotas à minha frente não acham a mesma coisa. Subitamente ficam sem graça, brancas. Kellen começa a mexer os dedos e Una salta da cama com uma rapidez que me assusta.

— Então, né, vamos nos arrumar? Quero muito ver museus durante o dia todinho de hoje!

— Ei, Una! Vem cá! Senta a bundinha aí!

— Ai, minha rainha, que delicadeza, você não acha, Kellen? — Una tenta arrumar uma defesa, mas Kellen não vem em seu socorro.

— Posso usar o banheiro de vocês rapidinho? — ela pergunta, com um tique que faz uma mecha azul cair em seu olho.

— Pode sim, Kellen, é ali. — aponto e a vejo ir. — Nem fuja de mim também, Una Bersani Stark! Agora percebi que você também sumiu e me deixou sozinha.

— Ei, alto lá que não te deixei sozinha! O amiguinho do Alvo estava com você e... — o rosto de minha amiga vai ficando vermelho e estreito meus olhos. — Ah, Rose, por favor, né, temos coisas mais importantes parar resolver! Que blusa você vai usar? Aquela vermelha com o cachecol amarelo vai ficar ótima!

— Você não me engana, dona Una, eu não saio mais do seu pé, te prometi isso! — respondo ao vê-la desmontando nas pressas todas nossas roupas. — E você odiava que eu me vestisse com aquilo, você pirou? Se bem que eu adoro usar a bota também.

— Ah, então, eu acho que você deveria ir assim e....

Por respeito a sua privacidade, deixo que Una me conduza em uma conversa infinita sobre roupas e calçados até que se dissipe o assunto da noite passada. Pensando bem, se eu não quero abordar o assunto de Isaac e eu, quem sou para exigir algo de minhas amigas? Pelo que vi, parece inofensivo o que estão escondidos e quando estiverem confortáveis, falarão. Se bem que posso ficar mais vigilante sobre isso, não é?

Kellen parece mais confortável quando se enturma conosco ao sair do banheiro e finalmente nos aprontamos para o passeio.

(...)

— Eu sou mesmo uma excelente personal style! Estamos arrasany! — Una não se contém em felicidade ao nos ver prontas para sairmos. — Olha só essa jaqueta preta, mio dio! Kellen, que donna!

— O quê que ela disse? — Kellen me franze o cenho.

— Que mulher! — eu rio das duas.

— E você, Rose, essa calça jeans apertada foi mesmo ideia minha e que ideia! Tenho certeza que certas pessoas vão se arrepender te terem te perdido — ela grunhe e depois cochicha para Kellen:

— Me desculpa, mas seu amigo é idiota e é bem xingado pela gente.

— Não tomo partido, relaxa — ela ri de Una. — Obrigada pela ajuda, Una, até que gostei.

— Claro que gostou, amore mio! Essa sua bata azul é que te convenceu, né? Então, vamos?

Una vai a nossa frente, desfilando com sua bota preta de salto alto (que inclusive ela fez questão que nós três usássemos iguais, segundo ela era o bondinho de Hogwarts) e cheia de sorrisos. A única parte era que eu gostava de ver minha amiga sorrir por nenhum motivo.

Fomos saindo do castelo e seguindo pela colina para entrarmos nos ônibus junto do aglomerado que se formava de todos os alunos do sétimo ano de todas as quatro casas de Hogwarts. Era uma grande mistura de pessoas e rostos, conversas e gritarias, mas ainda assim, meu olhar foi guiado para um canto específico, como um ímã certamente. Adivinha pra quem?

Não posso mentir pra mim mesma, afinal decidi ser madura nesse ponto. Scorpius Malfoy estava maravilhoso em toda sua forma dentro de uma camisa preta de botões que agarrava seus braços, uma calça que marcava suas pernas e um cachecol verde e preto que bem o representava como da Sonserina e contrastava com os cabelos platinados e o olhar prateado.

Ele também me olhava. Vinha ao lado de Thomas, embora só o amigo viesse falando ao seu lado enquanto ele ficava em silêncio e não desviava o olhar do meu.

Como, entre tantos ali, conseguíamos nos achar e ainda manter o contato? Era quase impossível de me controlar para fingir que ele não estava tão próximo e que não me afetava, que não tiraria minha razão.

Fechei os olhos para me despertar do torpor na mesma hora que as mãos de Una ajeitaram meu cachecol amarelo e vermelho sobre minha blusa pullover preta.

— Vamos subir, meninas?

— Mas esse está enchendo ainda, Una — Kellen respondeu por mim sobre o ônibus enquanto Una fazia bico.

— Vamos no último. — puxei Una pela mão. Eu tinha percebido que Scorpius subiria no terceiro, e era melhor irmos distantes. O quarto ônibus estava ótimo.

— Então tá, né, fazer o quê. Odio amici determinati (odeio amigas decididas)!

— O que ela disse? — Kellen me perguntou depois de nossa amiga subir protestando em italiano.

— Eu não faço ideia, mas acho que foi sobre a gente. Vamos?

—-------

Superadas sobre as músicas que algumas pessoas insistem em gritar dentro dos ônibus toda vez que há saída do colégio, chegamos à cidade que começa a esboçar a beleza do fim de ano. As luzes e os enfeites começam a serem postos nos lugares e a cidade parece mais acolhedora.

— Certo, pessoal, silêncio, façam silêncio! — o professor tenta nos conter ainda dentro do onibus. — Vocês são os últimos com quem preciso repassar os detalhes para que possam descer, então fiquei quietos!

— Calem a boca, cambada!

— Obrigado pela ajuda, senhorita Stark, mas não grite. SILÊNCIO! Pronto, assim está melhor... Iremos seguir a programação de História para que possam concluir um trabalho na volta das férias de fim de ano, ou seja, em janeiro, então sugiro que anotem o máximo que puderem! Se der tudo certo, deixo que passemos no shopping por alguns minutos antes de voltarmos. Vamos lá!

Durante a gritaria e alvoroço para sairmos, não evito de ficar nostálgica sobre a ideia do shopping.

Uma saída, um corte de cabelo, um incêndio, ver Scorpius voltar para me ajudar... Não posso me abalar em lembrar ou romantizar nossos momentos que me fazem ficar triste.

— Vamos devagar um pouquinho que quase eu caio ali na calçada! — Una tenta falar comigo e Kellen enquanto tentamos acompanhar a procissão que segue atrás do professor.

— Ia ser um tombo feio.

— Sorte que você me segurou, Kellen! Foi bem rápida, já fez algum tipo de esporte? Só vi reflexo assim com atletas.

— Já, fiz luta durante alguns anos. — Kellen é sucinta e percebemos que ela não quer prolongar o assunto.

— De toda forma, acho melhor a gente seguir atrás mesmo. Dá até para olhar as vitrines.

Somente aceno para elas e decido permanecer na minha súbita introspecção por conta de Scorpius. Noto que sua figura alta segue com Thomas mais à frente em direção às escadarias da entrada do museu e vou desacelerando o passo para a distância entre nós ficar maior.

— Olha que caderno mais lindo! — Una para em uma vitrine e chama a atenção de Kellen que fica deslumbrada pelo caderno.

— Que acha de eu levar? — ela nos pergunta, e percebo o quão encantada pelo caderno de desenho estilo vintage.

— Acho o máximo, vamos!

— Não, Una! Espera — Kellen nos pede antes de entrar. — É melhor vocês seguirem o professor e o pessoal que já está entrando no museu, eu compro e sigo correndo até vocês. Assim pelo menos vocês me ajudam quando eu voltar.

— É verdade, né. Que acha, Rose?

— Faz sentido o que ela disse. Kellen, a gente te espera lá dentro e iremos te passar o que o professor disser. Vai lá.

Despedimo-nos de Kellen que sorri e entra na loja e vejo que vai demorar alguns minutos mesmo, pois a fila está movimentada.

Seguimos Una e eu, ela tagarelando sobre as luzes que se acenderão quando escurecer. Peço pra que ela tome cuidado ao subirmos os tantos degraus da escadaria do museu, ainda mais com tantas pessoas subindo conosco e quando estamos quase nos últimos, Una desliza e tento pegá-la rapidamente.

— Ai, amiga, você não é tão rápida quanto a Kellen! — Una tenta rir enquanto massageia o cotovelo e as pernas. — Cai de bunda feito fruta!

— Posso rir de você? — minha risada está presa e Una meio emburrada, mas rimos juntas. — Só podia ser você, criatura, não te aguento. Levanta, todo mundo já entrou, Una.

— Será que a Kellen vai demorar muito? — Una aceita minha mão e nos viramos para olhar a calçada em que estávamos em frente à loja à procura de Kellen.

Não gosto nada do que vejo.

— Rose, minha rainha... Não me diz que é ele. — nem preciso olhar Una para perceber seu medo, porque estou do mesmo jeito.

Lá na frente, sozinhos em uma calçada e batendo boca cara a cara, estão Kellen Brice em sua bota de salto altíssimo (by Una Stark) com ninguém menos que o Montanha.

Sim, mio dio, como diz Una, Scott Hayes está furioso discutindo olho a olho com Kellen que parece irritá-lo a ponto de me fazer petrificar ao vê-la se armar e levantar um belo de um soco no Montanha.

.

.

.

Notas finais
Voltei, meu povo! ESTOU DE FÉRIAS E VENHO PRA FICAR!!! Bora adiantar! Volto hoje ou amanhã! O que acham que vai rolar?