Proibida Pra Mim
23 20.
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Rose Weasley
Dormir havia sido um dilema. Passei a maior parte fitando o quarto escuro e vazio. Só havia eu em meu dormitório e, mesmo assim, eu escutava a voz de Scorpius.
"É só um beijo."
Bom, ele estava totalmente errado. Primeiro, porque não tinha sido só um. E depois porque... Porque eu sentia algo por ele, afinal me deixei ser levada de um jeito que não tinha acontecido antes. Embora ele fosse o segundo cara que eu beijava. Mesmo assim.
Eu poderia ter 99,9% de certeza sobre ele também. Scorpius estava mudado, eu não sabia dizer o porquê ou como, mas notava a mudança e não acreditava que ele fosse tão bom ator que tivesse atuado só pra me beijar.
Por favor, né. E o que ele iria ganhar com isso?
Virei-me na cama tantas vezes que até os rangidos me irritaram. Consegui adormecer depois de reviver pela enésima vez a cena dos jardins.
No outro dia, eu me sentia um zumbi. A péssima noite de sono havia acabado com meu bom humor e até as fantasias sobre Scorpius e seus beijos muito bons. Optei por ir comer antes de todos no colégio para que não visualizem meu cabelo parecendo uma teia, meus olhos fundos e minha cara amarrada.
Fiz a mesma coisa no almoço, passando o intervalo do dia na cama, botando o cérebro de molho.
Pensei tanto em Scorpius mesmo quando não queria e isso me torrava a paciência, porque ficava eufórica e receosa na mesma medida. Botei meus fones de ouvido e fechei os olhos com um único mantra na cabeça: não pensa em beijos.
E adivinha qual música tocou? Darte un beso. Parecia um carma. Até que me rendi e fiquei sorrindo feito uma idiota ao pensar no momento do outro dia.
Ele estava tão lindo, era tão lindo que doía. Doía acreditar que ele pudesse me enxergar do mesmo jeito que eu estava olhando pra ele. Desejando-me da mesma forma faminta que me assaltava. Esse era o receio que piscava em minha mente todo momento, mas eu tentava me tranquilizar com o fato de que éramos amigos, não éramos?
Teríamos que nos encontrar na estufa e fugir não era uma opção. Ainda bem, porque tenho certeza que fugiria se tivesse como.
O dia passou rápido, e então o colégio voltou a encher com todo mundo chegando pela noite. O trem trouxe a vida de volta para as paredes de Hogwarts e o terror para dentro do meu quarto com a volta das duas criaturas mais barulhentas que eu conhecia.
— Lily, você não pode ficar me controlando dessa forma, criatura! Me deixa em paz! – Una gritava, ainda fora dos limites de nosso quarto e então as duas entram como uma tempestade.
— Una, eu me preocupo com você, pelo amor de Deus! Rose, me ajuda a pôr juízo na cabeça dessa menina!
— Mas o que houve? Já chegam brigando, que clima péssimo. – resmunguei por causa de meu péssimo humor. Una logo percebeu e me olhou, estreitando os olhos.
— Mas o que houve com você, minha rainha? E essa cara de quem acordou do avesso? E por acaso dormiu comigo pra me tratar assim, porra?
Revirei os olhos, mas dei um sorriso mínimo. Até que senti um pouquinho de saudade dela.
— Una, não tira o foco, menina! Rose, Una não está levando a sério o papo de comer direito e adivinha só? Se você pensou que ela continua sem comer nada, bom, ótimo! Você acertou!
— Mas eu comi, Lily Luna Mandona Potter! – Una rebateu, e Lily a olhou assustadoramente. As duas jogaram suas malas em suas respectivas camas e continuaram discutindo. – Comi toda aquela comida especial, Pimentinha, então para de me encher o saco, você viu, sua família toda viu.
— Você foi pra Toca, Una? – arquiei a sobrancelha. – Mas não ia passar com seus pais?
— Sabe como os pais dela são velhinhos, né, Rose, não se importaram que ela passasse lá na casa da vovó porque senão ficaria sozinha o dia todo. – Lily me respondeu e tive que concordar.
Una era filha única de pais muito mais velhos, de forma que havia situação em que ela ficava sem saber em como se encaixar na vida dos pais.
— Urg, isso não vem ao caso! Fui pra lá, almocei com todos eles e pronto! Mas Lily fica no meu pé porque não jantei como uma leitoa desmamada igual ao almoço!
— Não é questão de comer descontrolada! Rose, ela comeu uma porção menor que a do meu passarinho.
— Mas você nem tem passarinho, Lily Luna Mandona Potter!
— Exatamente! Esse é o ponto, Una Teimosa Stark!
— Tá bom vocês! – elevei minha voz para que pudessem acalmar os ânimos. – Olha aqui, Una, a gente combinou que você iria comer certo. Apesar dos exageros da minha prima, tenho certeza de que a verdade deve estar bem próxima. A quem você quer enganar mais que a si mesma?
Una ficou calada, mas não desviei o olhar. Eu podia ver que parte do que Lily tinha alarmado era bem da verdade, então estávamos certas em nos preocupar, afinal não era um comportamento ocasional, mas sim constante.
— Ah, minha rainha... – ela fez drama e pulou na minha cama para me abraçar. – Desculpa, mas é que eu extrapolei os limites no almoço e então pensei em equilibrar com o jantar.
— Com a Rose você age assim, né, sua cobrinha venenosa? Para Rose, só amores, para Lily, só os ódios!
— Venha você também, Lily Luna Chata Potter! – Una brincou e puxou para a cama uma Lily de careta enciumada.
— Agora vão fazer festinha na minha cama? Estava querendo dormir.
— Aposto que dormiu o feriado inteiro, bonitona, olha só a cara dela, Lily, que cara mais feia, Rose, o que foi que houve, hein?
— Dessa vez, terei que concordar com a Una, Rose. Que mau humor, gente do céu.
As duas começaram a me amassar na cama enquanto eu reclamava.
— Se continuarem a me fazer cócegas, não vou poder permanecer mal-humorada! Respeitem meu dia ruim, gente, para! Ai, Lily, você não sabe fazer cosquinhas, tá me machucando!
Continuei gritando para que parassem, mas elas se divertiam ainda mais, então me entreguei ao momento e pude esquecer que Scorpius Malfoy existia na minha vida.
(....)
Para o jantar após a chegada de todos que estiveram fora de Hogwarts, eu desci com Lily e Una em meu encalço, ainda me aborreciam vez ou outra para saber o porquê de minha cara feia. Eu não falara nada porque nem conseguia entender o que se passava comigo.
Eu me sentia totalmente dividida. Um lado gritava o quão bom tinha sido a inesperada finalização da noite dos dias das bruxas, o quão surpreendente e delicioso havia sido beijar o Malfoy. Já a outra, me acorrentava à razão; o que tinha sido pra ele? Eu sabia de sua fama, mas não desejava ser mais uma. Eu tinha gostado também, era o que me importava, porém não era só desejo que eu sentia por ele, sentia algo mais, que estávamos cultivando todo dia e aos poucos. E era isso que me assustava.
Preferi me manter em silêncio e negar qualquer acusação daquelas duas, portanto seguimos conversando sobre outras coisas a fim de que nos distraíssemos de nosso humores, afinal Lily também ostentava uma careta pensativa a todo momento. Como eu não tinha respostas para as minhas próprias perguntas, decidi deixar minha prima se abrir quando lhe conviesse.
— Ei, Lily! — ouvimos a voz de Alvo quando descemos a escadaria para chegar ao salão. Viramos-nos as três para observá-lo correr desenfreado pelas escadas, pulando seus degraus de dois em dois e parar arfando com as mãos na cintura à nossa frente.
— Mas o que foi, Alvinho? — Lily admitiu sua voz manhosa que sempre se dirigia para falar ou com os irmãos ou com meu tio Harry, seu pai. — Não precisa correr feito louco, irmãozinho, estávamos indo para o mesmo lugar que você.
— Não necessariamente. — ele conseguiu dizer entre lufadas de ar e aproveitei para visualizar as expressões de minhas amigas. Lily estava com a cara entediada e Una, lívida. — Una, será que a gente pode conversar antes de você ir jantar?
— Ahn... Não, não podemos, Alvo.
— Credo, Una, não seja uma bruxa com o meu irmãzinho. — Lily defendeu o irmão enquanto este fitava Una sem desviar os olhos.
— Alvo, é mesmo urgente? Ela pode ir depois que jantarmos. — tentei mediar a situação porque conhecia o olhar de meu amigo, e ele não parecia estar para brincadeira.
— O quê?! Que ultraje, minha rainha, mas não irei nem agora nem depois!
— Ah, pelo amor, já tô indo. To morrendo de fome. — Lily bateu o pé e nos deixou.
— Una. — meu primo pronunciou unicamente uma palavra e aquilo surtiu efeito em minha amiga.
Fiquei olhando de um para o outro.
— Parece que tá acontecendo algo aqui que tô sobrando. É melhor você ir, Una, só escuta. Depois a gente se vê. Tchau, Alvo, se comporta — cochichei a última parte quando me inclinei para dar um beijo em sua bochecha e deixá-los a sós.
Deixei-os sozinhos, mas me virei para olhá-los. Alvo olhava duramente para Una e ela parecia... Assustada. Na defensiva. Então ele pegou o braço dela, e eles seguiram para algum corredor.
Como eu disse, se eu não conseguia contar o que acontecia comigo a minha melhor amiga, não me parecia justo cobrar a mesma coisa dela, mesmo que eu morresse de vontade de saber o que estava acontecendo porque definitivamente tinha algo.
Obriguei-me a seguir para o jantar e me sentei ao lado de meu irmão, porém, para minha surpresa, Lily Luna havia sentado com algumas meninas do quinto ano.
— Há anos nos sentamos todos juntos, mas o que será que deu na Lily pra sentar com aquelas meninas?
— Não precisa ser ciumenta, Rosie. — Hugo me responde e deu de ombros. — Ela não falou comigo, só seguiu pra lá quando me viu aqui.
— Mas vocês são melhores amigos, por que ela fugiria? E outra, fugir não faz o tipo dela.
— Não sei mesmo, Rose. — meu irmão corroborou e arquiei a sobrancelha ao vê-lo tão despreocupado para aquilo.
Hugo e Lily eram as pessoas mais inseparáveis que eu conhecia e vê-lo indiferente a ela me estranhava.
— O mundo tá mesmo muito estranho.
O fim daquele dia não poderia ter sido de outra forma.
Estranho.
• ¥ •
Naquele começo de semana, eu já tinha feito um acordo com minha própria mente. Não ia me sabotar com os beijos que troquei com minha dupla, de forma que iria agir normalmente e, se houvesse brecha para o assunto, abordaria e conversaríamos, mas ele não ia me enganar ao falar que foi só um beijo.
Um beijo sempre significa alguma coisa! Nem que seja somente desejo, mesmo assim....
— Una, você não vai pra aula hoje? – perguntei quando terminei de me arrumar e estava pronta para sair para o café da manhã. Lily estava no banho, e Una se cobria até a cabeça.
— Não, estou com dor de barriga de novo.
— Fala direito, não consigo escutar com sua voz abafada... Una! – puxei o lençol para visualizar seu rosto vermelho e sonolento. – O que você anda comendo, criatura? Está ficando assim com muita frequência.
— Acho que é tudo – ela choramingou e puxou a coberta novamente, me enxotando de sua cama. – Vá pra aula e gabarite mais uma disciplina, depois me ensina o assunto.
Fiquei levemente preocupada com minha amiga, mas ela me prometeu dar uma passada na enfermaria para conferir seu estado e fiquei mais tranquila.
O dia iniciou como todos os outros, excetuando alguns detalhes. Aquela manhã Lily não se sentou ao meu lado e de Hugo, bem como ignorou Alvo e Isaac. Perguntei a meu primo se sabia o que tinha acontecido com ela, mas ele negou e disse que conversariam depois. Meu irmão terminou sua comida e desapareceu com uma menina da Corvinal e conjecturei se teria uma cunhada.
Como também meus olhos ficaram procurando outros. Cinzas. Eu os achei no instante que os dele também me encontraram. O barulho do salão pareceu se suspender no ar, e eu só conseguia notar em como o maxilar dele endureceu. E pensar que eu havia tocado e beijado aquelas mesmas feições...
Todavia, Scorpius quebrou nosso contato e, para minha surpresa, saiu do salão principal. Tentei voltar a comer e a tocar com minha vida embora a sensação de vazio me alertasse no peito.
Depois de uma manhã exaustiva, eu já estava paranoica com Scorpius Malfoy. Primeiramente porque ele parecia que me evitava.
Tivemos mais de três aulas juntos no dia, e ele me olhava de soslaio, mas ao ser retribuído, desviava ou então saia da sala. Eu já não estava reconhecendo aquele Scorpius. Ele não era tão desinibido com as outras? Não conseguia sequer falar com elas depois de fazer muito pior que beijar? O que havia de errado comigo?
Como via de regra tínhamos que nos ver na estufa pela tarde, guardei toda minha indignação e rancor para quando pudesse jogar nele depois. E assim foi quando cheguei à estufa e o assustei ao bater com força a porta.
— Porra, Rose, que susto! – colocou a mão no peito e respirou fundo.
— Oh, me perdoe. – não evitei um tom ácido. Rumei para meu lugar à sua frente na mesa e fiz questão de fitá-lo longamente, sem dizer nada.
— Mas o que foi, Rose? Para de me olhar com essa cara, furacão.
— Não paro, não, Scorpius. O que foi com você pergunto eu! Por que tem me evitado o dia todo?
Scorpius piscou, atordoado e abriu a boca várias vezes antes de falar.
— Não tenho evitado você.
— Tem sim.
— Não tenho, Rose.
— Tem sim, Malfoy.
— Não...
— TEM SIM! Assume logo e para de agir assim comigo! Por que você não consegue agir comigo como com todas as outras que já ficou? Eu já vi você, Scorpius, todos esses anos e agora está me deixando confusa ao fugir de mim só porque a gente se beijou um dia aí.
— Um dia aí? – ele perguntou em um tom quase ofendido. – Tudo bem, admito que tenho evitado um pouco você, mas é porque não sei como agir, e não porque quero fazer isso, poxa vida, furacão, você é totalmente diferente de todas as outras. É justamente por esse motivo.
Ver aquele desabafo tirado à força dele me fazia perceber a honestidade em seu olhar, por isso me permiti acalmar e até me aquecer um pouco com sua constatação.
— Não foge de mim, começar assim já é um bom começo, Malfoy.
— Não me chama de Malfoy. – ele rebateu, quase fazendo um bico diante de minha postura de falsa irritação. Tive que sorrir um pouquinho sem querer. – Gosto que me chame de Scorpius, gosto do meu nome na sua boca.
— Faz por merecer, então, Malfoy.
— Rose... – ele estreitou os olhos como que para me intimidar, mas só serviu para dissipar todas as minhas preocupações e me ocupar somente da vontade que eu tinha de repetir nossos atos.
— Que foi?
— Não brinque comigo. – ele se levantou de sua bancada e veio a passos lentos para meu lado. – Não entro em um jogo pra perder.
— É porque você nunca jogou comigo. – tive que provocar e me surpreendi com a facilidade que havia em mim de ter confiança perto dele. – Por que está fazendo essa cara, Malfoy?
— Será que vou ter que fazer você falar Scorpus?
— E como você faria isso? – arqueei uma sobrancelha, e Scorpius virou o banco em que eu estava sentada para que ficasse de frente.
— Você quer realmente saber, pequena Weasley?
Refleti seu sorriso, mas não respondi. Parecia que havíamos aberto as portas para um desejo maior que nós dois. Alguma força nos atraía, e Scorpius colocou uma mecha para trás de minha orelha; eu alisei os cabeços de sua nuca, extasiada em vê-lo fechar os olhos com o toque.
E sem perceber, já estávamos nos beijando cada vez mais até ao ponto de ser erguida por Scorpius para que me sentasse à mesa de vidro e ele se encaixasse entre minhas pernas.
Ainda bem que eu estava de calça porque seria extremamente constrangedor caso não.
A posição nos permitiu um contato maior e, em alguma pausa para respirar, encontrei as palavras para quebrar o silêncio.
— Sei que já perguntei uma vez, mas pergunto de novo. O que estamos fazendo, Scorpius?
Seu belo rosto se contraiu e percebi que só queria voltar à parte dos beijos e não à reflexão.
— Não diga que é só um beijo. Disse que sou diferente das outras. Com as outras você só beija,mas então está fazendo o quê comigo, Scorpius?
Uma coisa que eu estava percebendo em mim mesma era as mudanças que ele havia sido capaz de me ajudar a provocar dentro de meu mundo. Eu já não me sentia constrangida em expor meus pensamentos e sentimentos daquela forma, mas ficava agradecida por ser direta e exigir uma resposta.
— Não é a mesma coisa com você, disso eu tenho certeza. Mas não sei o que é, furacão, então... Me desculpa por não ter respostas.
Eu devo ter franzido o cenho, porque Scorpius passou os dedos sobre minha testa para apagá-lo.
— Não fica preocupada. A única coisa que eu sei é que não quero machucar você, eu digo de verdade. Só... Gosto muito do que acabamos de descobrir que podemos fazer. Se não quiser, vou respeitar sua decisão, mas se estiver tão envolvida quanto eu, por favor, nos dê a benção de continuar com isso.
— Eu também não sei o quê é. Mas eu quero do mesmo jeito, Scorpius. – puxei seu rosto para mais perto do meu e soltei um beijo na ponta de seu nariz. – Você está me trazendo sensações desconhecidas.
— Espero que boas. – ele brincou e esfregou as mãos dos lados de meu corpo. – Está fazendo o mesmo comigo, furacão. E ainda acho que pior.
Daquela vez, eu quem ri. Mas ele capturou meus lábios e voltamos a fazer o que tínhamos descoberto gostar mais que tudo.
• ¥ •
O dia já tinha ido embora, e a lua já brilhava alto. Minhas bochechas doíam com o sorriso idiota que eu não conseguia esconder enquanto andava para chegar a meu dormitório.
Passei pelas escadas e pela entrada para finalmente entrar no salão comunal. Já era tarde, por isso poucas pessoas estavam por lá e uma curiosidade brotou em mim quando notei uma cabeça avermelhada escondida em uma poltrona no canto da sala.
— Lily? – perguntei quando cheguei perto o suficiente e notei um corpo conhecido totalmente enroscado na poltrona, parecia um novelo de gato. – O que faz acordada essa hora?
— Nada. Não consegui dormir, só isso. – respondeu – E por que você está chegando agora?
— Estava fazendo trabalho.
Lily semicerrou os olhos.
— Que estranho esse trabalho. Sua blusa está amarrotada e seus lábios inchados. Se não fosse Rose Weasley, minha prima, diria que estava se pegando com alguém.
— Mas o que? Que audácia, a sua. – dei de ombros como quem acha que o outro está louco. – Vem cá, você nunca tem falta de sono, Lily, parece uma preguiça. Tomou muito café hoje pra ficar desperta?
— Sei lá, priminha... – ela divagou e os olhos se perderam olhando a lareira crepitar. – Sabia que seu irmão está pra pedir a Helen da Corvinal em namoro?
— Uau! A Helen? – perguntei, surpresa e associando que talvez fosse com quem eu o tinha visto pela manhã.
— É, a Helen, por que esse tom todo de admiração?
— Porque sim, você sabe... Ela é conhecida por ser inteligentíssima e tudo mais, sabe que já fiz trabalho com ela e é só, não precisa me olhar com essa cara assassina, Lily, credo.
— Não to com nenhuma cara, você tá louca, Rosie?
— Louca 'tá você. – rebati, e ela ficou calada. De volta o olhar sobre a lareira. Sentei-me no sofá ao lado e passei a olhar as chamas também.
— Sabe se Una foi à enfermaria hoje? Disse que não estava se sentindo bem de manhã e me prometeu ir.
— Não sei... – Lily me olhou. Minha prima era absurdamente linda.
Havia herdado os traços de tia Gina, uma beleza quase selvagem demais para seu pequeno tamanho e sua personalidade extravagante. Os cabelos eram muito lisos e escorridos, porém no semelhante tom de todos os Weasley. Tinha os olhos castanhos da mãe, mas o formato dos do pai, expressivos e sinceros. E era aquele olhar que eu conhecia desde a infância que despertava em mim a vontade de fazê-la companhia até que pudesse dormir, bem como acontecia quando éramos muito pequeninhas, e ela tinha medo dos trovões e corria para minha cama na Toca.
— Porém hoje eu fui incapaz de não escutar algumas partezinhas, bem de leve, da conversa que ela e meu irmão estavam tendo no corredor. Assim, você sabe, não foi porque eu quis, só foi uma coincidência.
— Aham, sei. – a acusei. – Mas conta logo o que foi. Alvo estava estranho também.
— Ele parecia gritar com ela, falava tão serio que juro que nunca o vi daquela forma. E olha que eu já o irritei demais durante todos esses anos. E pior: Una nem parecia querer repreendê-lo daquela forma grosseira dela. Parecia querer chorar. Já viu? O que será que estavam falando?
— Ora, eu não sei, você não cumpriu bem seu papel em escutar conversa alheia e agora ficamos as duas curiosas aqui. – resmunguei e Lily riu. Ela se se desenroscou da poltrona e pulou no sofá ao meu lado. Apertou-me de lado e descansou a cabeça em nosso abraço.
— 'Tá ansiosa para a apresentação de musica?
— Um pouco. – confessei. – Aposto que você está ansiosíssima para mostrar seu dom a todos.
— Pode apostar que sim! – LIly exclamou e riu. Apertou-me mais forte e suspirou. – Obrigada por me fazer companhia como sempre, Rosinha, sei que está aqui por minha causa.
— Estou mesmo. Sabe que não posso e nem consigo te deixar sozinha, não é, Lily Pimentinha?
Ela fez uma careta, mas sorrimos juntas.
— Vamos arrasar com esse colégio, Rosinha.
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