Profundo Azul

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Enjoy!!

Não perdi meu tempo com surtos de sobrevivência ou surpresas. Nem sequer tentei me mexer.
Já venci muitos oponentes para saber que após derrubá-los o mínimo a se fazer é prendê-los. As cordas unindo meus pulsos eram prova disso. Portanto permaneci imóvel, sorvendo toda a dor espalhada por meu corpo.

Minha cabeça latejava freneticamente, o ar que entrava em minhas narinas queimava meu sistema respiratório, e sentia bem ao fundo de meus olhos uma pressão capaz de enlouquecer qualquer mente sã. Os mantive fechados e concentrei meus sentidos — os que não estavam paralisados ainda- em ouvir o que se passava. Conseguia ouvir apenas frases desconexas:


“Senhor, o estoque de pólvora já está ao fim. Não há mercadores ou terra firme de acordo com os mapas.”
“Aprumem as velas, leme à 45 graus ao norte. Alguém será entregue aos tubarões se eu não sentir o vento em meu rosto. Agora!”

“Mulheres deveriam usar vestidos. Não armas”

“Ao menos aproveitamos de uma bela visão. Ou preferia encarar as coxas desnudas de Jones?”

“Jamais confiei em mapas.”

“Tudo que eu preciso é um bom vinho”

“Considero mais seguro! Está vendo este tapa olho aqui?! Olhei para ela indiscretamente uma vez. E perdi um olho por causa disso.”

“Saqueamos por um motivo. Não é?! Faça bom uso desse princípio, idiota!”

“Preciso que me mantenha informado, imediata! Faça direito seu trabalho ou a mando de volta para o bordel!”

“Eles estão ao nosso alcance, senhor. Não vão tentar nenhuma estupidez!”


Senti a presença de mais pessoas próximas a mim. Eles sussurravam em meio ao barulho do local.

“Espero que o plano já esteja em andamento. Não posso ter esperado tanto por nada!” -Era a voz arranhada de Jones. Permaneci em silêncio. Talvez conseguisse alguma informação antes de sair daqui.

“Garanto que não vai se decepcionar!” – Uma voz de mulher! Minha mente direcionou-me para os eventos que antecederam minha derrota.

“Sabe como persuadi-los?”

“Eu tenho minhas maneiras”

“São pesos mortos para mim. Não os quero andando pelo meu navio. Mande matá-los!” –Alguém brincava com uma espada. Ouvia o metal cortando o ar e voltando para a bainha.

“Cuidarei pessoalmente disso senhor!” -Eles pareciam se aproximar cada vez mais.

“Quero que os veja morrendo... Lentamente.”

“Um por um, senhor!”

“E então...” – Não consegui mais ouvir a conversa. Meus ouvidos foram cheios por um som alto, um estalo, vindo de encontro ao meu rosto. Pude sentir perfeitamente cinco dedos queimando em minha face, em forma de um tapa. Senti também as unhas que acompanharam o tapa rasgando minha pele. A marca certamente levaria um bom tempo para sumir.

Abri meus olhos em um acesso de raiva e deparei-me com um rosto, bem próximo a mim. Era possível ouvir sua respiração daquela distância.
—Alguém teve uma boa noite de sono, por aqui! Sonhou comigo, garotão?! – Ela sorria cinicamente, lançando um piscar de olhos.

Jones observava, há alguns passos de distância de nós. A cabeça bem levantada demonstrava orgulho e conquista. Havia um sorriso em seus lábios também, tão cínico quando o de sua tripulante.
Tentei desviar dos olhares de zombaria dos piratas e encarei o lugar onde estava. Uma pequena despensa cheia de sacos, caixotes e cordas, com apenas um pilar de madeira onde me encontrava apoiado.
—Que bom que acordou, meu jovem! Falávamos há pouco de você e de seus... Ora, que perda de tempo. Você ouviu muito bem sobre o que conversávamos – Jones se aproximou. A mulher levantou-se e parou ao seu lado. Eles esperavam alguma palavra minha
—Onde os outros estão? – Era meu único pensamento. As únicas palavras capazes de sair de minha boca naquele momento.
—Não se preocupe. Sei cuidar de minhas visitas! Eles estão em nossos... – Eles se entreolharam, com sorrisos e conversas mudas – aposentos reais!
Jones mais uma vez olhou para a mulher. E esses olhares já estavam me irritando profundamente. Sabia que eles tinham um plano preparado para qualquer pequeno passo que tomavam ali dentro, e era impossível prevê-los. Ela saiu da sala e a ouvi gritando por dois nomes.

Alguns minutos depois ela entrou novamente, acompanhada por dois homens.
—Levem nosso jovem rebelde para junto dos outros.
Meus pulsos continuaram amarrados, porém foram desligados da corda que me unia ao pilar de madeira. Os tripulantes prenderam-me, um em cada braço, e pararam de frente ao “capitão”.
—O jantar sai às sete em ponto. Espero que não se importe de ficar de jejum, assim como seus amigos. Nossos mantimentos estão chegando ao fim, e é preciso que alguém continue vivendo bem por aqui, não é mesmo? – Jones acompanhou a fala de uma expressão teatral triste. Logo depois dirigiu-se aos dois homens e apontou para fora da sala. Eles arrastaram-me para o convés.

O sol ardeu em meus olhos assim que sai daquela sala, e não consegui controlar minha visão, já acostumada à penumbra da despensa. Forcei minha vista e avistei nosso navio. Jones provavelmente já havia saqueado tudo o que podia, mas consegui avistar alguns marujos dentro dele. Estavam navegando lado a lado ao navio onde estávamos. Provavelmente venderiam um dos dois, assim que chegassem em terra firme. Provavelmente nos matariam antes de vermos isso acontecendo.

Meus pensamentos foram interrompidos assim que fui direcionado à escada, que levava ao andar inferior do navio. Abaixo do convés e do andar dos quartos dos marujos (alguns poucos, pequenos e apertados). Havia um estreito corredor rodeado de grades enferrujadas. Era uma sala repleto de celas. Com o movimento que o navio fazia, as ondas mais fortes que batiam contra a madeira entravam e inundavam o chão do lugar. As algas grudadas às celas pareciam fazer parte da “bela decoração”.
“Diego!”- Ouvi a voz de Haley, em uma mistura de alívio e preocupação.
A grade fora rapidamente aberta e fechada. Dando tempo apenas de me lançarem dentro da cela. Haley pulou sobre meu pescoço, puxando-me para um abraço desajeitado. Apoiei um de meus joelhos e equilibrei-me sobre a outra perna para colocar Haley no chão, sem me afastar totalmente de seu abraço reconfortante. Olhei com cuidado para dentro da cela. Todos estavam lá!
—Meu amigo! Que bom vê-lo. Você nos deixou preocupado – Ben dizia, deitando em uma das extremidades da cela. Ele parecia não ter readquirido o equilíbrio depois do golpe em sua nuca. Hellen estava de joelhos ao seu lado e segurou firme no braço de seu marido, tentando pará-lo, quando ele tentou se endireitar e levantar. Aproximei-me rapidamente dele e o impedi de continuar se mexendo:
—Olha quem diz! – Respondi com um pequeno sorriso, sem humor. A expressão de medo e Pânico de Hellen me desnorteava.
—Nossa, Diego! Que marcas horríveis no seu rosto – Ed disse. Não sei de onde surgiu, mas quando percebi, ele já estava ao meu lado. Apontando e tocando com o dedo nas marcas de unhas depositadas “amorosamente” em meu rosto. –Aposto que foi daquela tripulante com quem você estava lutando. Ela te pegou de jeito não é?! – Ele riu, levando a frase para outro sentido. – Literalmente! Aposto que essa foi uma tentativa falha de flertar com ela!

Rolei meus olhos, implorando ao meu próprio eu interior para ter paciência com o Ed, que sempre preferia permanecer com o humor fora de hora. Eu sabia, lá no fundo, que ele tentava amenizar a situação, de seu próprio jeito. Ele olhava esperando que eu entrasse “na brincadeira”.
Encarei-o, segurando em seu braço e afastando-o do meu rosto. Suspirei profundamente antes de engolir minha raiva interna e entrar em sua estratégia para quebrar o medo do momento:
—Meus flertes nunca falham!
Ouvi um leve riso vindo ao lado. Hellen e Ben pareciam ter entendido o que Ed estava tentando fazer. Uma vez na vida, deixamos que ele tomasse conta do ânimo da situação. Mas o clima leve rapidamente se evaporou e o silêncio voltou, imperdoável e destruidor.
—O que vamos fazer? – Hellen disse, mais para sí mesmo do que para os outros ao seu redor.
Lembrei-me da pouca conversa que ouvi mais cedo, e um frio percorreu minha espinha. Eu precisava tirá-los de lá antes que fosse tarde.
—Ao menos estamos todos a salvos aqui dentro! – Ed tentou animá-la, pousando sua mão sobre o ombro de Hellen.
—Por enquanto! – Eu disse por fim. – Por pouco tempo!

Notas finais
A faculdade acaba com todo o seu tempo livre, sabia? E assim começo estas notas finais!! Sei que me ausentei por bons meses desde a postagem do último capítulo. Mas minha faculdade é integral, e não me deixa muito tempo pós aulas para fazer outra coisa que não seja tentar voltar a respirar. Seja como for, peço que tenham paciência e FÉ em mim! Não pretendo abandonar esta história e não pretendo perder meu desafio! Hahahahaahha Me sinto motivada toda vez que me lembro que já tenho a história pronta em minha mente, basta transcrevê-la (daí me lembro que tenho que estudar para radiologia e a animação se vai. xD #TristesVerdades) Brincadeiras a partes... Vou entrar no clichê universal aqui do NYAH e pedir para meus queridos leitores fantasmas se manifestarem. Gostaria muito de um bate-papo com vocês. Qualquer comentário, sugestão, crítica, qualquer coisa é bem vinda. Eu gosto de conversar. Prometo ser simpática, hahahahahaha Eu não quero que esta história entre em um caminho previsível, com a sugestões de vocês, eu posso evitar isso! Toda crítica é válida! Estou me expondo, aqui, para isso, não é? Hahahahaha Obrigada a todos. Nos vemos em breve. Abraços, meus chuchus ;D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.