Profecias Sacrossantas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que surja pelo menos um que goste.
Boa leitura!
Mais um dia comum na vida de Inari Saito. Ela acordara sem pressa nenhuma de chegar à escola, pois não estava ansiosa. Era apenas o meado do ano letivo, isso não fazia muito impacto nela. Sua avó ainda estava na cadeira de balanço, só que desta vez, parada. Poderia estar apenas dormindo, mas a menina foi checar se ainda estava viva. Não havia outra maneira além de analisar batimentos cardíacos e respiração. A velha era deficiente auditiva e visual.
A jovem chega ao simples colégio, como das outras vezes. As mesmas pessoas a olhavam torto por sua aparência um pouco incomum naquela ilha, mas ela já havia acostumado. A única coisa que não entendia era a razão dos ocidentais não saberem a diferença de um japonês para um chinês.
Não era um dia especial... Mas havia uma coisa que ela não esperava... Elina e Xandre, haviam começado a namorar. Inari não estava com ciúmes, apesar de considerar Xandre lindo, com cabelos escuros, cacheados e de pele morena. Porém, ela nunca havia pensado em olhá-lo além da amizade. “Somente uma surpresa.”, foi o que ela considerou. No fundo, estava feliz por seu melhor amigo se aproximar de Elina, por ela ser simpática e bonita, com aqueles cabelos castanhos claros e olhos azuis. Inari achava que não havia como interferir e também achava que nada mudaria... Mas, poucos segundos notou que era como se fosse uma vela entre os dois.
Apolo, um garoto com uma pequena cifose nas costas e amigo dela, fez questão de sentar-se ao seu lado. ”Pelo menos uma companhia.” ela pensou. Ele era um garoto bem divertido. Ambos avistaram-se pela primeira vez no ano passado. Havia ocorrido um sorteio para duplas de trabalhos na sala de aula e eles acabaram juntos. Na casa de Apolo, ela conheceu seu irmão mais velho: Jonathan. Esse rapaz era, aparentemente, o único que achava Inari uma bela menina. Ele era policial e sete anos mais velho que seu irmão. Os dois eram muito diferentes, mas igualmente ótimos.
O dia foi passando e no intervalo, Elina e Xandre procuraram ficar a sós. Inari não deu muita importância para isso, afinal, já que eles são namorados, não tinha cabimento ela ficar entre os dois o tempo todo. Então, já que não encontrou Apolo, resolveu passar o tempo livre numa biblioteca. Ela amava livros. O ponto que mais gostava era o de contar histórias para sua avó. Ela andava pelos corredores e olhava cada uma das estantes repletas de conhecimento... Mas nenhum daqueles conhecimentos a interessou... Lia trechos das histórias e não achava graça. Não havia nada de inovador neles.
À media que ela ia ficando sozinha, se perguntava a razão das pessoas sempre cochicharem alguma coisa quando passava. Ela era uma menina que procurava ignorar ruindades do mundo, já que ela sabia que se atentasse, ficaria louca. Assim, era isso que fazia com as fofocas: Apenas ignorava. Não interessa o que as pessoas pensem que ela seja. Isso não mudará o que realmente é.
Durante o período da penúltima aula, ela pediu permissão para ir ao banheiro... Chegando ali, viu que o WC estava ocupado. Esperou, esperou, esperou... E nada da menina que estava lá sair. Ela começou a bater na porta e ela foi se abrindo. Evidentemente, não estava trancada. Era a professora de Inglês que estava ali, jogada em cima do vaso sanitário. Morta. Inari não notara, mas tinham espelhos quebrados no toalete, e os cacos foram usados para perfurar o peito, as pernas e também os olhos da mulher. Inari já havia notado sangue no chão, mas pensara que era outra coisa.
A menina tentou ao máximo não entrar em pânico com a cena. Imaginou que se contasse, seria a principal suspeita. Ela era dona de uma grande dificuldade com a língua inglesa e geometria. Já havia sido um sufoco para ela aprender português sendo que seus pais sempre a ensinaram a língua japonesa, antes de desaparecerem... Mas em geometria, ela era um fiasco sem motivo notório. Contudo, não é nisso que deveria se concentrar. Ela, agora, é praticamente testemunha de um homicídio doloso.
Inari censurou-se. Ninguém perguntaria “Você viu uma professora morta no banheiro?” e, com isso, não estaria omitindo nada... Muito menos mentindo. Mas, ao sair dali, deixou a porta aberta, para que o primeiro que visse, pedisse ajuda e ou até mesmo um enterro digno para a professora. A jovem sentiu-se culpada... Mas, se precisassem de informações para descobrir quem havia feito aquilo, ela estaria disposta a abrir sua boca. Anotou até mesmo o horário que encontrou o cadáver... E voltou às pressas para a sala de aula. Esforçou-se para não deixar escapar nenhum sinal de tristeza, pesar ou remorso... Ninguém poderia saber daquilo.
Na hora da saída, permaneceu sozinha. Porém, diferente de muitos, ela aproveitou a solidão para transformá-la em solitude e refletir em coisas boas... A imagem da finada educadora tinha que, de uma maneira ou de outra, sair de sua mente. E para isso, obviamente, ela não precisava estar acompanhada. Ela se alegraria sem precisar da ajuda de ninguém. Iria se animar, nem que fosse por apenas um momento. Era um dia bonito, o lugar onde estudava possuía uma linda campina... Por essa incrível vista, a menina resolveu fazer um passeio por ali. Rápido, porque sua avó precisaria de sua ajuda para se alimentar logo.
Após correr, rolar e girar pela grama enquanto respirava fundo, a menina resolveu se locomover um pouco mais. Ela preferia aproveitar o resto de sua vida ao invés de lamentar um assassinato... Encontrou algumas árvores a poucos metros da colina que se encontrava sua escola, atravessando a várzea. Era realmente um lugar bom para se viver e respirar... Em meios às árvores, Inari encontrou uma pequena trilha. Ela não queria ser como as meninas tontas que se perdiam nas florestas como alguns livros que ela leu contavam, por essa razão, memorizou o caminho.
A menina gostou do local. A lembrava cenários de contos literários. Se ela não tivesse uma idosa para cuidar, seria um ambiente perfeito para ficar lendo pelo resto da vida. Ela gostava de sair da realidade e nunca se cansava disso. Inari tinha mais e mais sede por conhecimento, porque sabia que ainda faltava muito para poder sentir-se informada. Nenhum dos livros que leu a satisfez completamente. O que havia de errado com os escritores da época? Por que nunca escreviam finais tristes, como na vida real? Para que iludir os leitores? Talvez, assim como ela, eles gostassem de fugir desse mundo deprimente e escuro... Sim... Só poderia ser essa explicação: Esperança.
No fim da trilha, ela deparou-se com algo completamente inesperado. Uma igreja em ruínas, foi o que ela viu. A curiosidade foi mais intensa que o medo. De um lado, ela não queria morrer, porque precisava cuidar de uma senhorinha. Por outro... Ela apenas queria ver o que tinha ali dentro.
Convencendo de que seu medo só existia por ler muitas histórias japonesas de terror, entrou. Estava tudo destruído por dentro também. Bancos espalhados, estátuas quebradas, um retrato de Jesus Cristo caído ao chão... Mas o crucifixo na frente da capela estava intacto e posicionado no lugar que deveria. Por um momento, Inari achou a cena engraçada. Era como se tudo que tirasse a concentração da cruz tivesse sido penalizado.
–Este templo já foi muito bonito, acredite você ou não. –um homem de boa aparência, aparentando estar em seus trinta anos, apareceu atrás dela.
A garota assustou-se e virou rapidamente.
–Perdão, eu não queria ter entrado desse jeito! –ficou um pouco aliviada por não ser o assassino ou talvez até o espírito da professora clamando por vingança, com voz de assombração.
–Mas entrou. Eu que peço perdão por ter te assustado...
–Ah... Tudo bem... Se eu não entrasse, isso não aconteceria. –ela estava apreensiva. Não iria confiar em alguém pelo simples fato de estar em uma igreja. –De onde você veio?
–Do que adianta saber de onde eu vim? –o rosto ameno transformou-se num olhar de seriedade.
Inari desejava olhar de soslaio, mas temia todo e qualquer movimento que o senhor pudesse fazer.
–Não adianta nada, mas se eu perguntei, é porque quero saber... –ela retrucou recuando um pouco.
–Eu vim pela mesma porta que você. A senhorita apenas não notou. –ele sorriu apontando para a entrada. –Me chamo Cornélio. Poderia ficar aqui para conversarmos um pouco?... Faz tempo que não aparece ninguém por aqui.
Notas finais
Obrigada por lerem.
Pretendo postar o próximo na semana em que alguém aprovar...
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