Notas iniciais
Boa Leitura!

O relógio marcava meia-noite àquela hora, deixando certo alívio transparecer nas pessoas que estavam ali. A luz que iluminava o lugar também fazia sua parte, apesar de estar velha, coberta de teias de aranha e ter um pequeno tique nervoso fazendo-a piscar constantemente. O vento, porém, tornava tudo gelado, o que por mais estranho que parecesse, não parecia incomodar os dois magos da casa. Eles tinham os próprios corpos para aquecê-los ou ao menos se aqueciam com o corpo do outro. Após ter invadido a casa, os dois se deixaram levar pela emoção e agora faziam algo considerado tabu para as pessoas da época, principalmente pela igreja. Não que se importassem com isso, qualquer lugar era bom menos o castelo do rei.

A ruiva, estando embaixo, sorria inconscientemente. Já não lembrava há quanto tempo estavam juntos, apenas que se conheceram quando crianças e desde então fugiam juntos a vida inteira. O azulado também sorria, ofegando enquanto o suor escorria por suas costas. Era difícil para ele segurar a garota e mover-se rapidamente. Quando enfim caiu para trás, respirou o máximo que pôde e observou a ruiva deitar-se sobre seu peito completamente nu.

Ela é linda, pensou.

A ruiva sorriu-lhe de volta como se soubesse exatamente o que estava pensando. Logo depois, juntou suas roupas e as vestiu. O garoto suspirou, não queria ter que ir embora mais uma vez, mas seu estômago dizia o contrário. Tão magro como um espantalho observou o próprio peito, de fato os anos de fome acabaram com ele, mas não o suficiente para deixar de ser o garoto propaganda do rei.

— Então, vamos? — perguntou a ruiva já vestida olhando de cima para ele.

Seu corpo mesmo na igual situação que o dele tinha belas curvas que o fazia desejá-la desde o tempo em que se conheceram. Com dezoito anos agora ela se tornara ainda mais linda e nem as belas mulheres que via constantemente naquele reino eram páreas para a ruiva.

Levantando-se rapidamente, o azulado vestiu-se e colocou a bolsa que carregava nos ombros, colocou a dela também sobre protesto da mesma. Ela não gostava de ser subestimada. Se duvidasse, era capaz de ser mais forte que ele.

— Vamos. — respondeu ele segurando sua mão e a puxando para fora da casa. — Precisamos encontrar o reino dos dragões, ouvi falar que muitos magos conseguiram proteção por lá.

— Sim, pegue isto. — disse a garota lhe entregando um mapa.

Era o mapa de Fiore, o reino dos dragões. O azulado o olhou e logo apontou para frente. Pelo que constava no mapa, eles iriam chegar em poucas horas na famosa cidade feliz.

~~xx~~

O silêncio reinava na sala, mais do que Levy gostaria. Não que adorasse ficar em um lugar sozinha com um dragão de metal e sua bolsa cheia de livros. Definitivamente não. O problema maior era Lucy que agora se encontrava em um local um tanto distante dela onde não se podia ouvir muita coisa. Levy respirou pesadamente, aquilo não era bom para sua sanidade.

— Preocupada com a loira baixinha? — perguntou o dragão olhando pra ela.

Levy irritou-se, odiava que lhe chamassem de baixinha.

— Não me chame assim!

— Ora, mas estou mentindo? Para mim qualquer um com 1,55 de altura é baixinho.

— E como você sabe a minha altura? — perguntou já irritada mais do que gostaria.

— Por quê? Não me diga que é menor do que isso! — fingiu surpresa, fazendo a azulada lhe lançar um de seus livros.

— Cale a boca, dragão!

O garoto sorriu zombeteiro. Era engraçado irritar a azulada e ele não conseguia parar. No entanto, também estava preocupada com a loira, mal podia imaginar o que seu amigo maluco estaria fazendo com ela. Se dependesse de Natsu, aquele silêncio ainda duraria muito tempo.

~~xx~~

— Me solte! — gritou Lucy. — Vamos seu dragão idiota, me solte!

— Fique quieta! — respondeu o outro a jogando sobre um colchão velho sem a menor cerimônia.

Lucy caiu de cara no estofado e aquilo foi fatal para seus pulmões. Um quilo de pó foi aspirado por sua boca e seu nariz fazendo-a tossir. O rosado ajoelhou-se ao seu lado, observando-a. Lucy notou que ele não era muito de falar, mas podia jurar que estava gravando seu cheiro e a analisando. Sentiu tanta vergonha que preferiu ficar com a cara no colchão empoeirado. Sua voz saiu abafada quando falou:

— O que você quer?

— Eu conheço você.

Lucy congelou.

— O quê?! — perguntou atônita.

— Eu disse que conheço você. — respondeu de novo o rosado e Lucy podia sentir que ele lhe observava fixamente.

Sentindo a garganta secar, colocou os braços a direita e a esquerda do corpo e se levantou. Com uma posição nada glamorosa, ficou de joelhos e logo tratou de se sentar como uma pessoa normal. Por fim, girou e olhou bem para a cara do dragão a sua frente.

— De onde me conhece? — perguntou séria sem retirar os olhos do rosto do rosado.

Natsu não respondeu. Andou até o outro lado do quarto e pegou um papel do meio de um monte de entulhos. Nele estava estampado o rosto de Lucy. A loira arfou ao vê-lo e puxou o papel de sua mão.

Como pensei. Eles vão nos entregar.

Ela amassou o papel em suas mãos segurando-o próximo ao corpo. Depois virou para o rosado e pela primeira vez viu-se realmente irritada com ele.

— Por que você tem isso? — perguntou observando seus olhos castanhos.

— Porque estava em uma parede perto daqui. Eu não deveria tê-lo pegado? — rebateu olhando o rosto de Lucy.

— Não quando você pode me colocar em perigo.

— Então eu deveria devolvê-lo? — perguntou confuso como se não entendesse muito bem onde Lucy queria chegar.

É sério isso? pensou.

— Não! Agora quem exatamente é você? — perguntou exasperada.

— Natsu.

— Natsu o quê? — estranhou Lucy.

— Só Natsu. — disse por fim levantando-se e Lucy não gostou nada disto.

— Olha... Natsu. Eu não sei de onde você vem ou o que você quer, mas pode não mostrar esse papel a ninguém?

— Depende.

— Como? — indagou Lucy.

Mostrando os dentes em um sorriso, Natsu respondeu maliciosamente.

— O que você vai me dar em troca?

Lucy arregalou os olhos.

Como assim o que eu vou dar em troca?

Dando dois passos para trás procurou ficar o máximo que podia longe do rosado. Natsu não se importou, continuou a olhá-la fixamente como se nada mais importasse no mundo. Pelo que parecia, o dragão estava se divertindo as suas custas e Lucy precisava fazer alguma coisa. Voltou a perguntar:

— Por que diz isso? Não pode simplesmente ficar de boca fechada?

— E o que eu ganharia com isso?

— Minha gratidão? — chutou a loira com seu melhor sorriso.

O rosado riu, riu tanto que precisou se sentar. Lucy por sua vez procurou uma saída dali, mas a porta estava atrás dele; resolveu então esperar.

Talvez Levy viesse lhe salvar, pensou.

Ok, aquilo estava fora de cogitação, ela definitivamente precisava sair dali. Tentando se esgueirar para fora, chegou perto do dragão, mas antes que alcançasse a maçaneta da porta, Natsu segurou seu braço.

— Aonde pensa que vai?

— Me solte! — pediu Lucy assustada.

— Como eu disse antes, precisará me dar algo em troca se quiser que eu esconda seu segredo. — disse o rosado parecendo totalmente diferente do que era há poucos minutos. — Gajeel e eu moramos nessa casa há meses sem que ninguém saiba e seria realmente bom conseguir algum dinheiro por sua cabeça. Não se preocupe, ele não sabe sobre a recompensa que estão dando por vocês.

— E por que não contou a ele?

— Porque não precisamos de uma chacina. Gajeel iria atrás de todos os magos da cidade se soubesse que estão dando dinheiro por eles. Eu só preciso de um pouco para sobreviver.

Lucy acreditou nele. Apesar da agressividade do dragão, ele lhe passava certo ar de confiança, menos é claro, na parte em que ela teria que lhe dar algo. Respirando fundo, a loira retirou sua capa e de dentro dela puxou uma sacola de moedas. Eram as únicas economias que tinha, o resto estava com Levy. Entregou-as ao rosado e o dragão sorriu ao vê-las.

Lucy respirou aliviada. No entanto, notou a expressão do dragão logo depois. Vendo que eram poucas moedas comparadas a recompensa do rei, Natsu pareceu não estar satisfeito, pedia algo mais. Desesperada, Lucy olhou ao redor, precisava lhe dar o que queria ou sua cabeça e a de Levy estariam em perigo. Com um arrepio que percorreu todo o seu corpo, fez então a pior decisão da sua vida: apontou para si mesma.

Natsu aceitou, sorria para ela e a loira soube que iria se arrepender depois, contudo, a merda já estava feita. Levando um dedo aos lábios, a loira viu quando o rosado pediu silêncio para que Levy e Gajeel não os escutassem. Lucy obedeceu e logo estavam descendo as escadas como se jamais tivessem tido aquela conversa.

Levy correu ao encontro dela, não via a hora de ficar longe de Gajeel. Lucy, por outro lado, parecia preocupada e Levy podia jurar que seu rosto havia adquirido uma expressão assustada. Os dragões, no entanto, manteram certa distância. Estavam do outro lado da sala conversando sobre algo importante.

— Está tudo bem Lu-chan? — perguntou a azulada, tomando o cuidado para os outros não ouvirem.

— Sim, ao menos é o que eu espero. — respondeu a loira sentando-se no sofá enquanto enxugava a testa suja de poeira.

— O que quer dizer com isso?

— Digamos que não vamos mais embora.

— Enlouqueceu Lucy?! — perguntou Levy aterrorizada com a ideia da amiga.

— É a única opção que temos Levy. — disse a loira tão preocupada quanto a azulada. — Eles poderão nos dar proteção, além de que não temos outro lugar para ficar.

— Mas isso não é arriscado Lucy? — insistiu a amiga. — E por que tão de repente?

— Só confie em mim, ok? — respondeu a loira colocando toda a sua fé no rosado do outro lado da sala.

Acreditava que ninguém iria fazer mal a elas se cumprisse sua promessa. Levy balançou a cabeça em afirmação não entendendo muito bem e se sentou ao lado da loira vendo os dragões se aproximarem. Nesse momento, lembrou-se do que diziam seus livros.

Segundo a mitologia de Magnólia, os dragões tomaram a forma humana há milhões de anos atrás, por conta disso, os filhos que lhe nasceram tinham a forma humana apesar de suas habilidades. Com o passar do tempo, passaram a conviver com pessoas de verdade e aquele reino foi fundado como uma aliança. No entanto, assim como os humanos do reino de Magnólia, esses também não sabiam da existência dos dragões ou de seus filhos, conviviam com o que achavam serem pessoas normais. Contudo, o próprio conselho era formado por dragões que lideravam escondidos.

Ao se lembrar disto, Levy os comparou com o próprio reino. Em Magnólia, os magos não eram conhecidos pelos habitantes, eram só uma lenda, porém a antiga cidade era governada por eles em secreto. Quando o rei atual tomou a cidade, enganando o antigo rei, descobriu-se que era humano. Desde então, Magnólia era o único reino governado por um humano e também o único a se virar contra seus fundadores. Contudo, a magia passou a ser conhecida por lá e os habitantes passaram a chamar qualquer um que fizesse algo estranho a seus olhos de bruxos, bem como o rei de Magnólia. Era por esse motivo que Levy e Lucy agora fugiam.

Levy levou as mãos à cabeça, sentia tanta dor que mal podia pensar direito. Gajeel havia notado, sendo o primeiro a falar quando chegou perto das duas.

— Vamos estabelecer as regras tampinhas. Primeiro, conversei com Natsu e ele me disse que iriam ficar. Maas... — disse e estalou os dedos em frente ao rosto de Levy a assustando. — Terão que dividir tudo o que conseguirem conosco.

— Além disso, iremos compartilhar os mesmo locais na casa e partiremos toda manhã atrás de comida, então não nos atrapalhem. — continuou Natsu olhando para Lucy.

A loira corou, virando-se para o outro lado.

— Segundo, tomem cuidado para não darem muita bandeira, não sabem que há pessoas morando nesta casa. — voltou a falar Gajeel.

— E por último, tomem cuidado com os guardas do rei, não temos uma boa fama por lá. — terminou o rosado, ainda olhando para Lucy e a loira podia jurar que aquela regra foi dada diretamente a ela.

Balançando a cabeça em afirmação, as magas concordaram, depois juntaram suas coisas em um canto e nomearam aquele canto como o delas, desenhando uma linha no meio da sala com uma pedra que encontraram jogada na sala.

Natsu observava a ação das duas, mas Lucy sabia que ele não dava a mínima para aquela linha e viu quando lhe lançou um sorriso zombeteiro. Gajeel, por sua vez, arrumava suas coisas no outro lado da sala, retirando de dentro de um pano várias tralhas que Levy percebeu serem sua coleção particular. Um canivete, uma foto amarelada de uma mulher que Levy não conhecia, um pote de comida, vários broches que a azulada percebeu serem da guarda real e um colar metálico com um enorme “M” gravado. Vendo que os outros o olhavam, tratou de guardá-los rápido, deixando apenas a foto da mulher que Levy viu quando este pregou na parede sobre seu colchão.

Ao lado de Gajeel estava Happy, que as magas descobriram logo depois ser o gato alado de Natsu. Com as patas sobre a boca, comia um peixe com tanto gosto que as magas se perguntaram onde tinha ido parar as escamas do bicho. De vez em quando olhava para as garotas, fazendo caretas que irritavam Lucy e faziam Levy rir. Era com certeza o único integrante do grupo no qual as magas não se sentiam relutantes em se aproximar. Após um tempo, ele perguntou:

— Ei Natsu, acabou o peixe, quando vamos atrás de mais? — reclamou, segurando uma enorme espinha de peixe com cara de frustração.

— Mas chegamos agora Happy — disse o rosado jogado sobre um colchão.

— E a comida já acabou, como vou sobreviver agora?! — fez cara de indignação jogando a espinha sobre Natsu.

— Ué, pega do Gajeel.

— Como é rosa choque? — perguntou Gajeel escondendo suas tralhas do gato alado. — Nem venha seu projeto de gato azul!

Mas Happy já estava babando com os olhos vidrados no pano que Gajeel tentava esconder. Com um grito que Lucy percebeu ser “peixe”, Happy saiu voando atrás de Gajeel que correu para longe do gato subindo as escadas. As garotas riram e pela primeira vez conseguiram se sentir a vontade naquela casa.

~~xx~~

— Boa noite! Bem vinda à casa de poções senhora. — falou um lojista esquisito com um chapéu triangular.

— Obrigada. — disse a maga entrando na loja sem a menor cerimônia.

Pela expressão da azulada, ela não parecia muito feliz e o dono da loja pensou seriamente em fugir pela porta dos fundos, mas o tiro já tinha saído pela culatra.

— O que deseja? — perguntou o homem fazendo uma reverência.

— Quero que me explique o que é isto. — perguntou a garota lhe entregando um papel em que seu rosto estava estampado com uma recompensa maior que a de qualquer mago que estivesse sendo caçado.

— Cem mil jewels? — perguntou o homem boquiaberto. — O rei está oferecendo tudo isto por você?

— Sim, mas não é essa a questão — disse enquanto puxava o papel de volta das mãos do lojista. — Você tinha me dito que a poção iria funcionar, que ele se apaixonaria por mim e que eu iria conseguir o que eu queria, mas a única coisa que ganhei foi uma guilhotina com meu nome.

O homem engoliu em seco.

— Mas... Deve haver algum engano senhora. Ele deveria ter se apaixonado por você...

— É mesmo? — irritou-se a azulada começando a perder a paciência. — E por que isso não aconteceu?! — perguntou novamente jogando o papel aos pés do mago.

Ela sabia que tinha sido enganada, mas queria ver até onde aquele homem iria com isso. O mago engoliu em seco.

— Minha jovem você só está com medo — tentou acalmar o lojista, sentido que precisava fazer alguma coisa ou ela iria fazer por ele. — Eu posso fazer outra poção se quiser...

A azulada riu, um riso cético, depois sem nenhum aviso prévio quebrou as centenas de vidros de poções com um estampido que soou como uma explosão. O mago, assustado, tentou fugir para a porta dos fundos, mas foi barrado por uma água colorida e pegajosa que o cercou e o prendeu dentro de uma enorme bolha feita do conteúdo que tinha nos vidros. Não tinha oxigênio dentro dela e a azulada sorriu feliz quando o viu se debater.

Minha vingança! pensou.

Contudo, ela não era tão vingativa a ponto de deixá-lo morrer e logo deixou-o livre com um estalar de dedos, fazendo-o cair no chão. Ao se ver caído, o mago cuspiu água e começou a chorar desesperadamente pedindo por misericórdia, porém a maga não se importou. Só ajeitou a capa sobre o ombro e foi em direção à porta. Já na entrada, deixou-o com as seguintes palavras:

— Nunca mexa com Juvia Lockser!

E saiu correndo por um beco estreito enquanto ouvia os passos dos guardas se aproximando.

Notas finais
Bem pessoal, mais um capítulo para vocês, espero que gostem. Agora queria dar uns avisos básicos: Primeiramente, se o próximo capítulo vier a demorar ou algo assim é porque fiquei sem internet e, portanto, não pude postar. Porém, mesmo sem internet, eu continuarei escrevendo e quando a mesma voltar só postarei os capítulos (é terrível esse negócio de franquia de internet ;-;). Segundo, caso alguém não tenha entendido na história esse "rei" que os personagens tanto falam. Na verdade, são DOIS rei's porque são DOIS reinos diferente (vocês já devem ter percebido isso). Só dizendo isso para não confundirem alguma coisa. Por último, peço que comentem. Vi que tem muita gente acompanhando, mas poucos comentam. Deem uma motivaçãozinha para a pessoa que escreve essa história para vocês (vulgo eu), é essencial para qualquer autor. É isso, bjos e até mais.