“Nic, então ela é um anjo?” Marck perguntou perplexo.

Ele e Nic estavam no escritório que ficava na porta do lado direito do pequeno hall atrás da enorme mesa da sala de jantar.

“Eu acho que sim. Ela tem o mesmo brilho que eles, mas o problema é que ela não tem asa” Respondeu Nic sentada numa cadeira confortável.

“Nic, eu vou precisar de seus dons de detetive para procurar algo sobre essa garota”.

“E se ela realmente for um anjo? Ela não tem documentos nenhum. Você vai, tipo, adotá-la?”.

“Se ela realmente for um anjo eu farei os documentos dela, ela irá estudar com você normalmente e eu dou um jeito de dizer que ela é minha afilhada e que os pais dela morreram num acidente de carro”.

“Traduzindo: você vai mentir e falsificar documentos, não é mesmo?”.

“Se sairmos dizendo por ai o que achamos o que realmente ela é, logo, logo vão-nos por numa clinica psiquiatra”.

Nic sorriu.

“Eu consigo um cara para falsificar os documentos… Parabéns! Você pensou tudo isso em tão pouco tempo” Disse Nic ainda sorrindo.

“Obrigado pelo elogio! E eu preciso da sua pesquisa até hoje à noite e o nome do falsificador também”.

“Sem problemas! Vou começar a pesquisa agora mesmo” Disse Nic enquanto se levantava e saia do escritório.

Christine dormiu o sábado inteiro.

Nic passou o dia na biblioteca pesquisando algo sobre: Christine Smanthy. Nic só saia da biblioteca durante as refeições e depois voltava para pesquisar.

Era por volta das dez horas da noite quando Marck foi até a biblioteca para saber os resultados da pesquisa de Nic.

Marck entrou na biblioteca.

“Ah, Marck! Eu estava mesmo indo falar com você” Disse Nic colocando um livro de volta na estante.

“Você conseguiu terminar a pesquisa?” Perguntou Marck puxando uma cadeira e se sentando.

“Sim…” Nic também puxou uma cadeira e se sentou do lado direito de Marck e de frente para um notbook “… eu pesquisei em todos os sites sobre pessoas desaparecidas do país e também pesquisei em sites policiais e eu encontrei um site que continha o nome de pessoas desaparecidas no mundo inteiro e… e eu não encontrei nada sobre ela”.

Marck suspirou e disse “É teremos que ficar com ela”.

“Eu também consegui um cara para falsificar os documentos dela. E já conversei com ele também e passei os dados dela pra ele”.

“Mas Nic, esse cara é de confiança?”.

“Pode ficar tranqüilo Marck. Quando fiz o estágio na policia de Houston, o investigador Kendler estava investigando a vida desse falsificador. O falsificador nem foi preso, pois não tinham prova o suficiente. O investigador Kendler me mostrou uma identidade falsa e brincou comigo dizendo: “quando você quiser falsificar algo procure esse cara, pois esse é o melhor”. Eu achei que nunca iria precisar, mas agora é por uma boa causa”.

“Se um investigador policial lhe recomendou então está em plena confiança”.

Nic sorriu.

“Pois é. Os documentos ficam prontos até amanhã à noite” Disse Nic.

“E esses documentos vem pelo correio?” Brincou Marck.

“Quase. Ele vai mandar um amigo levar os documentos até a sua casa em Houston”.

“Eficiência é tudo hoje em dia!”.

Nic se levantou e foi até a saída.

“Bom Marck… eu vou me deitar. Boa noite!” Disse Nic abrindo a porta.

“Boa Noite, Nic! E muitíssimo obrigado!”.

“É sempre bom exercitar meus dons de detetive” Disse Nic e saiu da biblioteca.

O dia havia amanhecido radiante. O sol brilhava forte e havia poucas nuvens no céu. Definitivamente era uma bela manhã de domingo.

Christine havia acordado. Ela abriu a porta do quarto onde estava hospedada e caminhou até a sala de estar. Ela não encontrou ninguém. A sala parecia bem maior agora que estava vazia. Christine olhou a porta dupla de madeira que estava fechada e caminhou até ela. Ela pausou as mãos na enorme maçaneta antiga e a girou e depois puxou a pesada porta para abri-la. Ela teve que se esforçar para abrir a porta. Quando ela conseguiu, ela saiu na pequena varanda e puxou novamente a porta para fechá-la.

Christine se virou para vislumbrar a belíssima paisagem que podia ser vista da pequena varanda. Christine sorriu enquanto olhava para o céu. Ela começou a descer a enorme escadaria. Quando ela chegou ao último degrau avistou um homem de uns vinte e sete anos que estava vestindo uma roupa de cowboy e estava caminhando em direção a ela.

“O que esta flor está fazendo fora do jardim?” Perguntou o homem enquanto se aproximava de Christine.

“Flor!? Não sabia que flores andavam” Respondeu Christine olhando para os lados para procurar a tal “flor”.

Ela não havia entendido a cantada do “cowboy”.

O homem sorriu pela ingenuidade de Christine.

“Os seus olhos são incríveis!” Elogiou o homem.

“Ok Robert! Já chega de cantadas baratas pra cima da garota”.

Christine e o homem olharam para o topo da escada para ver quem era a dona daquela voz.

Era Charlotte.

Christine começou a subir a escadaria novamente até chegar perto de Charlotte.

“O que você estava fazendo aqui fora menina?” Charlotte perguntou numa voz rígida.

“Eu me levantei e não encontrei ninguém na casa e então resolvi procurar aqui fora” Christine respondeu com um tom assustado na voz.

“Vêm! Vamos entrar para tomar o café da manhã” Disse Charlotte caminhando até a porta dupla que já estava aberta.

Christine entrou e viu a enorme mesa com dezoito cadeiras repleta de guloseimas para o café da manhã.

Será que aquilo já estava ali antes? Ou será que Christine passou pela mesa sem perceber as guloseimas?

“Bom dia!” Disse Marck saindo do enorme corredor atravessando a sala de estar e puxando uma cadeira que ficava na cabaceira da mesa.

“Christine! Venha, sente-se aqui!” Disse Marck apontando para uma cadeira que estava no lado direito da mesa.

Christine deu a volta por trás da cadeira onde Marck estava sentado e puxou a cadeira que ele havia apontado antes. Ela se sentou.

Christine viu Nic saindo de uma das portas que ficava no enorme corredor. Nic estava com uma camisola preta de cetim e um sobre tudo do mesmo tecido, com pantufas que imitavam patas de urso panda e o cabelo todo desgrenhado. Christine sorriu para si mesma ao ver Nic naquele estado de sono.

“Bom dia!” Disse Nic depois de um bocejo.

Nic puxou uma cadeira que ficava na frente de Christine.

Elly colocou uma bandeja com maças sobre a mesa e puxou a cadeira que ficava no lado direito de Christine e se sentou.

Charlotte entrou na sala pela escada que ia para o térreo e se sentou do lado de Elly e logo veio Fred e se sentou do lado de Nic.

“Bom… vamos nos dar as mãos para fazer nossa oração diária” Disse Marck estendendo as mãos.

Todos deram as mãos e fecharam os olhos e Marck começou a oração “Senhor…, mais uma vez nós estamos aqui para agradecer por mais uma semana que passou e por essa semana que está começando. Também queremos agradecer por esta mesa farta e pela Christine que apareceu em nossas vidas. Abençoe a todos que aqui trabalham. Amém!”.

Todos recolheram suas mãos e abriram seus olhos.

“Marck quando formos para Houston, vamos levar a Christine?” Perguntou Nic enquanto esticava o braço direito para pegar uma fatia de pão.

“Claro! E amanhã mesmo ela irá com você para o colégio” Respondeu Marck.

Depois do café Marck chamou Christine para ir até ao seu escritório para conversar.

“Christine, como a Nic já me perguntou eu irei lhe explicar tudo de uma vez, certo?” Disse Marck sentou em sua poltrona de couro marrom.

“Certo!” Disse Christine.

“Eu sou médico e moro na cidade de Houston. É uma cidade grande e eu venho pra cá para relaxar nos fins de semana”.

“Mas esta não é sua casa?”.

“Sim, está é minha casa! Mas eu moro durante as semanas num bairro residencial na cidade de Houston. A Nic mora comigo, pois ela estuda e depois do colégio trabalha numa lanchonete. Ela até tem um carro lá”.

“Houston fica longe daqui?”.

“Um pouco! E é por isso que eu tenho um avião que eu mesmo piloto. Assim a viajem dos fins de semana ficam mais baratas”.

Christine sorriu e perguntou “Eu vou morar com você e estudar no mesmo colégio que a Nic?”.

“Exato! Hoje à tarde nós vamos para Houston. Ontem, pedi para a Nic para pesquisar de onde você veio já que você mesma não se lembra. E não foi encontrado nada a seu respeito. Aqui no nosso país você precisa de documentos e já que você não tem, eu mandei fazê-los e hoje mesmo eles vão mandar esses documento e amanhã você irá com a Nic para o colégio”.

Toc. Toc. Toc.

Nic abriu a porta e entrou.

“Com licença! Mas Marck, a Christine precisa de roupas e… e eu… estava pensando… que… assim: o corpo dela e da falecida Magg são os mesmos… e então…” Disse Nic apreensiva com a reação de Marck.

Marck baixou a cabeça e disse “Eu também estava pensando nisso. Ela e Margaret são bem parecidas…”.

Nic sorriu e caminhou até Christine e pegou em seu braço esquerdo e disse “Vem Christine! Vamos experimentar roupas”.

Christine sorriu e se levantou e seguiu Nic para o seu quarto de hóspedes.

Todas as roupas da falecida Margaret ou Magg, apelido que Nic tinha lhe dado, serviram em Christine como se fosse para ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.