Procura-se uma Uchiha
25 Almoço de família
Notas iniciais
Itachi olhou mais uma vez as horas em seu relógio suíço enquanto se recostava na lateral do seu carro.
Suspirou mais uma vez tentando entender como acabou naquela situação e quando Izumi apareceu no portão daquele prédio de dois andares simples com uma expressão surpresa, ele entendeu que sua mãe não havia informado a mulher sobre a “pequena” mudança de planos.
— Minha mãe me pediu para buscar você, ela teve um pequeno contratempo – explicou rápido enquanto abria a porta do carona.
Aquele tipo de situação não se via todo dia. Izumi viu pelo canto do olho duas vizinhas fofoqueiras esticarem o pescoço tentando descobrir mais sobre o homem com vestes caras e carro de luxo que oferecia uma carona para a maltrapilha Izumi.
Ela desejou ter vestido algo melhor do que seu jeans velho e all star gasto assim que viu aquele homem parado na sua porta, mas por pensar que só estava indo ensaiar a peça, optou pelo conforto ao invés do luxo.
Sentou no carona observando o homem buscar o lugar do motorista.
— Não precisava vir me buscar, Mikoto-sama poderia só me informar o endereço que eu iria de metrô.
Itachi sorriu antes de observar a mulher de vestes simples e cabelo amarrado em um rabo de cavalo.
— Você não conhece a dona Mikoto. Ela não vai deixar a sua Soya-hime andando desprotegida por aí – riu um pouco da ideia. – Você se meteu em um problemão quando conseguiu esse papel, Izumi-san.
Izumi sorriu envergonhada antes de agradecer.
Uma mensagem no celular de Itachi foi a certeza que a sua mãe estava aprontando consigo.
“Querido, vou me atrasar, leva a Izumi para comer alguma coisa”
E nessa hora ele se questionou se algum empregado informou a matriarca Uchiha sobre os dois terem compartilhado juntos uma sessão cinema inocente na casa Uchiha e agora, Mikoto, estava tentando dar uma de cupido.
Oh mãe. Pensou rindo da conclusão errônea que sua mãe estava tirando de si.
Deu partida antes que Izumi tivesse chance de fugir.
— Minha mãe disse que vai se atrasar e que é para eu cuidar de você.
Izumi piscou duas vezes sem compreender.
— Quer comer alguma coisa? – perguntou para a mulher de bochechas vermelhas de vergonha.
— Você deve ter coisa mais importante para fazer, Itachi-san. Não quero incomodar – tentava fugir daquele “projeto de encontro” se sentindo ainda pior pelas suas vestes.
O que iriam pensar se vissem alguém como ela ao lado de Uchiha Itachi em um local público?
— Tsc. Já estamos aqui mesmo, o que custa comer alguma coisa. Vamos para a cafeteria que a minha mãe iria se encontrar com você. Aguardamos ela enquanto comemos alguma coisa.
Ela não sabia mais o que responder então apenas assentiu pedindo a Kami que fosse um lugar vazio e simples, mas suas preces caíram por terra assim que o carro parou em frente a uma cafeteria estilo francesa com fregueses usando roupas de marca.
Seu rosto ficou vermelho enquanto olhava desesperada para a Itachi:
— Não creio que eu esteja adequada para esse lugar. Olha só para mim.
Itachi olhou Izumi de cima a baixo, realmente não era o estilo de roupa apropriado ao lugar por mais que ele não se importasse com as roupas dos outros, mas sabia que aquilo estava incomodando Izumi.
Olhou ao redor e viu uma loja próxima.
— Vamos ali.
Saiu do carro antes que ela protestasse novamente.
Abriu a porta para que a mulher saísse envergonhada.
Assim que viu a loja que ele se dirigia, ficou exasperada e de forma impulsiva segurou o braço do homem para que ele parasse de andar.
— Olha – começou assim que os olhos negros viraram para si confusos –, vou ser bem sincera, não tenho dinheiro para esse tipo de loja, nem sou o tipo de pessoa que frequenta esses lugares – apontou com o queixo a cafeteria atrás dela.
Os negros alternaram entre o rosto de Izumi e a cafeteria.
— O que você acha que vai acontecer com você quando a peça estreiar? – foi direto virando o corpo para Izumi.
Izumi ficou surpresa com o questionamento pois não havia pensado sobre.
— Você vai reproduzir o papel principal de uma das artistas que marcaram época no Japão. Não será apenas uma peça. Será um grande evento com repórteres, paparazzi, com presença de pessoas influentes e da alta sociedade. A estreia será composta de um público escolhido a dedo.
Os olhos de Izumi se arregalaram, ela não havia pensado nisso, mas era verdade. A mera presença de Uchiha Mikoto, uma importante socialite, já causaria rebuliço nas páginas de fofoca, o que dirá de um evento cheio de estrelas.
Itachi segurou os ombros de Izumi, fazendo com que ela olhasse para ele.
— Você será a estrela da noite, e depois dessa estreia você vai ter que frequentar lugares mais renomados do que esse – viu a mulher assentir com relutância. – Então o que você acha de começar a treinar antes da sua vida virar de cabeça para baixo. Quanto ao dinheiro, não se preocupe, eu pago tudo – deu um sorriso para confortá-la.
Izumi não mentiria, Itachi era lindo, gentil e um perfeito cavalheiro. Não conseguia entender como um homem tão bom como ele já havia sofrido tanto no último casamento como Ino havia lhe contado.
Ela admitia que se aquele homem tentasse lhe convencer de pular uma ponte, ele com certeza conseguiria.
Por isso, ainda relutante, ela concordou.
Ele sorriu, o sorriso mais bonito e encantador que ela havia visto na sua vida e por um segundo ela sentiu o coração errar uma batida antes que ele segurasse a sua mão e se dirigisse para a loja onde uma atendente julgou as vestes de Izumi com o olhar, mas estando na presença de um Uchiha, apenas a conduziu para o local de provas.
Ela não entendia sobre moda, então apenas deixou que as atendentes escolhessem suas peças e a arrumassem para que Itachi desse a palavra final sobre qual ele aprovava.
No fim ele gostou de um vestido branco, na altura dos joelhos, de decote reto. Simples e elegante, e até mesmo Izumi tinha que admitir que também havia gostado daquele vestido.
Pela primeira vez viu como um vestido de corte elegante valorizava o seu corpo e até se sentiu bonita.
Soltou o cabelo e aceitou o salto que a atendente ofertava.
Pelo menos sabia andar de salto devido ao ofício no teatro e agradeceu internamente aquilo enquanto andava com segurança indo até seu companheiro.
— Seria uma versão moderna de Uma Linda Mulher? – cochichou uma atendente.
— Shiu – repreendeu a outra, mas já era tarde, as bochechas de Izumi já estavam ruborizadas quando se aproximou de Itachi.
— Você está linda – disse com sinceridade ofertando seu braço e por um segundo Izumi achou que iria desmaiar com aquele comentário enquanto cruzavam seus braços. – Pronta para sua nova vida?
— Não – Itachi riu. – Mas eu vou tentar dar o meu melhor.
Ele afagou a mão dela enquanto entravam na cafeteria parisiense e eram direcionados a uma mesa reservada.
Itachi tinha que admitir, não era tão ruim estar em meios as artimanhas da sua mãe…
***
Sarada…
Girei mais uma vez na cadeira de rodinhas enquanto olhava furtivamente para os projetos espalhados pela mesa que um funcionário mostrava para um Sasuke sério.
— Mas senhor – o funcionário perguntou incerto olhando furtivamente para mim –, por que tem uma criança o seguindo hoje?
Eu bufei indignada enquanto Sasuke olhava para mim sem saber o que responder.
Os funcionários das outras mesas pareciam atentos para saber também, mesmo que fingissem estarem focados no trabalho.
— Eu sou a filha da namorada dele – disse como se fosse óbvio. – Estou com a perna quebrada e como minha mãe não quer que eu fique sozinha em casa, achando que eu vou quebrar as regras do castigo, o Sasuke teve que me trazer para o trabalho.
Não que eu não tivesse me aproveitado da oportunidade para fugir da aula de educação física e ido fazer turismo na minha empresa favorita tentando descobrir as próximas novidades, mas isso é apenas um detalhe…
Os funcionários voltaram os olhos para Sasuke esperando uma explicação.
— Essa é uma forma de resumir a situação – foi sucinto enquanto o funcionário assentia.
— Ok – falou incerto o funcionário tentando esconder os projetos que eu tentava dar uma espiadinha.
Suspirei derrotada antes de me erguer com as minhas muletas para seguir o Sasuke que estava fiscalizando o andar dos projetos.
Fazia algumas semanas que eu estava usando muletas e devido a boa recuperação logo tiraria o gesso, mesmo assim eu não podia deixar de agradecer a perna engessada por me dar passagem livre para transitar na Uchiha’s Company. Eu suspirava a cada mural, a cada pessoa andando de skate pelo corredor, eu era capaz de me ver sentada em uma daquelas mesas de pessoas tão diversas trabalhando no próximo jogo.
— Você não acha que eu seria perfeita para essa companhia? Sério, a companhia está perdendo tempo em não me contratar logo em tempo integral – tentei com um sorriso convencido, mas Sasuke apenas parou em um porta dupla e riu de mim.
— Antes de trabalhar aqui você precisa terminar os seus estudos, mocinha.
Bufei enquanto ele abria a porta.
— Essa é a sala do Itachi – anunciou enquanto eu soltava um grito alto e agudo, não me importando com os funcionários que me olhavam confusos de suas mesas.
Adentrei a sala e admirei a sala cheia de personalidade do meu ídolo. Haviam prêmios e notícias emolduradas na parede. O primeiro jogo de Itachi dentro de uma caixa de vidro em exposição e no final eu vi, próxima da parede de vidro, a mesa que Itachi-sempai se sentava para realizar seus grandes projetos.
— Aaaahhhh – outro grito agudo saiu enquanto eu me aproximava da mesa onde alguns desenhos de personagens estavam sobre a mesa. Vi pelo canto do olho Sasuke sorrir com as mãos nos bolsos vendo a criança em seu parque de diversão. – Sabe Sasuke, o médico disse que eu não posso andar muito – disse risonha me aproveitando para sentar na cadeira do Itachi. E que cadeira maravilhosa.
Girei na cadeira dele encantada, kami poderia me levar naquele momento que eu morreria feliz, mas um flash me despertou para o sorriso zombeteiro de Sasuke que apontava o celular para mim.
— Seu ídolo vai adorar saber que você já está cobiçando sua sala – destilou o veneno.
Minhas bochechas esquentaram.
— Você não mandou para ele? Mandou?
— Sim. – O sorriso aumentou em satisfação.
— Sasuke! – briguei, mas ele só riu antes de estender um pen drive para mim.
— Toma.
— O que é isso? – peguei observando o pen drive vermelho e preto.
— É um jogo – deu de ombros.
— Inédito? – meus olhos brilharam em expectativa.
— Sim – um sorriso de canto desenhou enquanto botava as mãos no bolso. – Era um projeto que estava parado devido ter assumido a presidência, mas consegui concluir. Só tenho uma ressalva para o jogo.
— Qual? – questionei ansiosa, sem acreditar que eu havia ganhado um jogo inédito.
— A última fase deverá jogar comigo.
— Ok – sorri, já guardando o presente no meu bolso antes da porta abrir em um rompante e um furacão loiro e sorridente correr em minha direção:
— Norinha! Como é bom te ver aqui! Como você está? Ainda tá doendo muito? – Fiscalizou a minha perna.
— No…no…rinha? – Se eu achava que não era possível ficar mais vermelha, naquele momento eu descobri que sim, enquanto Naruto abria um sorriso largo para mim e Sasuke parecia que estava prestes a cometer um homicídio qualificado.
— Para de falar besteira Naruto! – brigou Sasuke ao lado de Sai que tentava segurar o riso.
— Que foi Sasuke? Com ciúmes? – provocou o loiro, mas Sasuke bufou. – Como você e Sakura-chan aguentam ele? – Falou brincando e eu entrei na brincadeira.
— Você não tem ideia Naruto-san, ele não para de nos perseguir, insistente até o último fio de cabelo. Me pergunto se ele conseguiu namorar ela por dó ou cansaço – coloquei a minha mão no peito de forma dramática enquanto Naruto e Sai riam de Sasuke.
— Você está ferrado com essa menina, Sasuke – informou Sai, enquanto Sasuke suspirava em acordo.
— Posso assinar? – Naruto apontou para o gesso enquanto se abaixava.
Eu concordei e os três homens se puseram a assinar meu gesso que já tinha algumas assinaturas dos meus amigos. Naruto riu alto quando achou a assinatura do seu filho e um desenho da Kurama, me chamando mais uma vez de “nora”, para a minha vergonha.
Depois de mais algum tempo conversando com eles, Sasuke informou que ia ter que ir para uma reunião, mas me deixaria em um setor para aprender alguns macetes de robótica.
Eu iria protestar pedindo para ficar no setor de Itachi, mas diante daquela oferta, não pude recusar, o segui com as minhas muletas.
Descemos alguns andares antes de chegar em um salão de pé direito alto com várias mesas e peças de robótica rodeado por pessoas que faziam ajustes.
Eu nunca tinha entrado ali e pela primeira vez eu me senti no lugar certo, como se eu tivesse sido feita para estar ali, naquele lugar.
Eu admirava tudo quando ouvi a voz do Sasuke chamar alguém:
— Tia Rin – ele acenou e meus olhos caíram sobre a maravilhosa, minha ídola da robótica, Nohara Rin.
O grito saiu alto e sem controle, fazendo os funcionários, muitos ainda aprendizes, virarem em minha direção, mas eu não me importei, apressei o passo, ultrapassando Sasuke com o meu andar torto antes de me apresentar eufórica:
— Meu nome é Haruno Sarada e é um grande prazer em conhecê-la. Seus projetos são incríveis.
A mulher com o cinto de ferramentas me olhou surpresa antes de sorrir e afagar meus cabelos.
— É um prazer conhecê-la, Sarada. Mas como você entrou aqui? – disse preocupada.
— Eu a trouxe – Sasuke explicou e uma sobrancelha se ergueu em um questionamento silencioso. – Tsc, tia, ela é a minha vizinha, estou tendo que cuidar dela hoje.
Um sorriso zombeteiro e incrédulo desenhou a boca da mulher que apoiava um martelo no ombro:
— Está aí uma coisa que não se ver todo dia.
— Ele está namorando a minha mãe e quer ficar bem visto pela namorada – expliquei enquanto Sasuke bufava.
— Agora faz mais sentido – a mulher riu do homem ao nosso lado.
— Sarada está fazendo um robô como projeto de ciências, ela poderia te acompanhar hoje?
— É claro querido, vou adorar ter uma ajudante hoje – sorriu para mim e internamente eu estava agradecendo Sasuke pela oportunidade de ouro.
— Sarada, não exploda e não quebre nada. Se comporte – deu o aviso e eu bufei antes de dizer:
— ‘Tá Sasuke, eu vou me comportar.
Rin riu e me ajudou a sentar em um banco enquanto Sasuke se afastava.
Ela me deu os equipamentos de segurança que ficavam um pouco grandes em mim, antes de me mostrar o projeto que estava fazendo e como fazia a montagem, e tudo que eu via me dava mais certeza que um dia eu entraria naquela empresa…
***
Sakura…
Bocejei mais uma vez, o cansaço tomando conta do meu corpo. A troca de plantões para conseguir ficar o máximo de tempo com Sarada após o acidente me sobrecarregou nos últimos dias, fazendo com que eu tivesse que cumprir uma carga horária alta em poucos dias.
— Eu nem acredito que hoje vou conseguir dormir em casa – espreguicei-me com um sorriso de felicidade em frente a minha amiga porquinha.
— Hmm… toda essa felicidade é por ir dormir em casa ou fazer outro tipo de exercício em casas alheias? – brincou maliciosa com um sorriso cheio de segundas intenções.
Dei um soco de leve no ombro da minha amiga enquanto ela me seguia para a saída. Ela fez bico como se tivesse doído.
Ruborizei lembrando da noite que eu invadi o apartamento do Uchiha e só podia dizer uma coisa… foi muito bom.
Ino surtou no dia seguinte assim que com um olhar ela disse que a minha pele estava brilhante e sem que nenhuma palavra saísse da minha boca, ela compreendeu o que havia acontecido.
Ela surtou, gritou, correu de felicidade dizendo “Eu sabia, eu sabia, eu sabia que não dava para resistir aquele pedaço de mal caminho”, antes de me prender em meu consultório e afirmar que só me liberaria sob a condição de contar em detalhes tudo o que havia acontecido.
Ino com toda a sua sede e tendência para a safadeza quis saber de muuuitos detalhes.
O problema de tudo é que com a minha escala cheia de plantões a cumprir, nossos horários se tornaram cada vez mais desencontrados e por consequência, nossos encontros mais raros, no entanto, Sasuke mantinha-se assíduo em nossas conversas pelo celular.
Ele não me cobrava, na verdade, ele compreendia que meus horários eram complicados.
Meu celular vibrou e não pude deixar de sorrir para a foto de Sarada feliz em um escritório que Sasuke me enviava.
— Hm… conversinha de namorados? – Ino provocou olhando minha tela sobre o meu ombro. Desliguei a tela antes de rebater:
— Dá licença, eu quero privacidade.
Ela fez beicinho.
— Não existe privacidade entre a gente. Inclusive ainda estou esperando uma foto do Sasuke gostoso sem camisa. Pode ser até dele tomando banho… – provocou.
Bufei.
— Eu vou contar para o seu marido!
Ela riu cruzando nossos braços antes de chegarmos na recepção, mas ela parou subitamente surpresa com o que via.
— Aquela não é a sua sogra, Sakura?
— Sogra? – Procurei ao redor antes dos meus olhos caírem sobre a mulher pequena e elegante em um vestido azul marinho de corte reto. Mikoto parecia estar procurando alguém, mas assim que os ônix caíram sobre mim e um sorriso desenhou em seu rosto, eu soube que ela estava atrás de mim.
— Sakura-chan – cantarolou em meio aos seus passos apressados sobre os saltos.
— Senhora Mikoto? O que a senhora está fazendo aqui? Ocorreu algum problema? – questionei preocupada ainda sem acreditar em meus olhos.
— Primeiro, nada de senhora, só Mikoto – assenti. – Segundo, eu vim tomar um café com você.
Vi Ino sorrir antes de me empurrar em direção à minha sogra.
— Chegou na hora certa, Mikoto-sama. Sakura está de saída.
— Obrigada, Ino-san – piscou cúmplice enquanto cruzava o braço com o meu, não me dando chance de fugir.
— Tchauzinho, cuida da Sakura para mim, Mikoto-san, bota juízo nessa cabecinha de vento – cantarolou a loira antes de voltar saltitante para os corredores do hospital, não me dando tempo de rebater suas palavras.
Suspirei vendo a silhueta loira se afastar enquanto Mikoto ria ao meu lado.
— Ino é uma boa amiga, não é Sakura-chan!?
— Ela é – concordei deixando que ela me conduzisse para a saída.
— Lembro da primeira vez em que Sai nos apresentou Ino, fiquei surpresa por eles serem tão diferentes – confidenciou e eu ri, pois era verdade.
— Para onde a senhora quer ir?
— Vamos no meu carro, te conto no caminho. Não se preocupe com o seu carro, vou pedir para um motorista da família deixar na sua casa – se adiantou tomando conta da minha chave antes que eu protestasse.
— Ok, ok – deixei-me levar pela mulher para o carro negro onde um motorista já abria porta do banco traseiro para nos acomodarmos.
— Você parece muito cansada, Sakura – comentou preocupada enquanto o carro cortava algumas ruas de Tóquio.
— Estava de plantão noturno essa noite – expliquei tentando melhorar meu cabelo desalinhado.
Mikoto era tão linda e impecável que chegava a ser um ultraje alguma revista de fofoca me chamar de “A nova Senhora Uchiha”. Céus, eu não chegava aos pés da elegância dessa mulher.
Ela assentiu falando banalidades até que chegamos ao nosso destino. Uma cafeteria famosa que eu ainda não conhecia.
Mikoto parecia familiarizada com aquele mundo, acenando e falando com todos, desde simples funcionários até fregueses da alta sociedade.
Ela me apresentava para algumas pessoas como a sua nora e com o rosto rubro eu respondia as perguntas retóricas.
Suspirei aliviada quando chegamos em uma sala privada com uma televisão ligada em um canal qualquer.
Fizemos os nossos pedidos e enquanto esperávamos, Mikoto iniciou:
— Eu queria muito conversar com você, nossos últimos encontros não nos permitiram conversar com tranquilidade.
Eu ri pensando na festa da empresa e no dia que nos encontramos no hospital.
— Realmente, foram situações incomuns e inesperados, fico pensando no que você pensou sobre mim – ruborizei.
Mikoto riu abanando a mão.
— Admito, foi uma grata surpresa. Quando me informaram que o meu filho estava no tapete vermelho acompanhado de uma dama, eu desacreditei, disse que tinham visto errado, mas que felicidade foi ver que eu estava errada.
— Vocês não se incomodam por eu não ser de uma família importante? – fui sincera em minha dúvida. Depois que comecei a me envolver com Sasuke finalmente percebi que ele não era só o meu vizinho tolo e engraçado, mas alguém importante nos negócios e famoso no mundo das celebridades, sempre em capas de revistas de negócios e de fofocas.
Era um mundo diferente ao meu, um mundo que eu não estava acostumada e só sabia através da minha amiga loira.
— Essa história de casamento arranjado, ter que arranjar alguém de família semelhante a sua é tão ultrapassada e retrógrada. É verdade que Madara-sama só autorizou meu casamento com o seu filho porque meu pai era alguém importante – revelou –, mas eram outros tempos, Sakura. Hoje em dia Madara-sama nem se importa se um dos seus filhos e netos se envolvam com alguém fora do círculo social. E você como mãe deve me entender melhor do que qualquer um dos meus familiares – frisou –, para mim, o que mais importa é se meu filho está feliz.
— Eu não sei se esse relacionamento terá um futuro como vocês devem estar pensando. Nós, só estamos… juntos – não soube definir nosso relacionamento, mas Mikoto sorriu complacente.
— Se algum dia, por algum motivo vocês se afastarem, não se preocupe, você e sua filha continuarão sendo queridas para mim e podem contar comigo para o que precisarem – ofertou.
— A senhora é bem diferente do que eu achava que seria.
— Espero que seja um diferente no sentido bom.
— É sim – rimos juntas antes do nosso pequeno banquete encher nossa mesa e começarmos a nos deliciar conversando sobre assuntos diversos.
A cada nova risada eu percebia como era fácil conversar com a mãe do Sasuke.
— Olha, o meu filho está na televisão – Mikoto apontou para a televisão onde Sasuke estava sentado em uma mesa de frente para os repórteres que tiravam dúvidas sobre os lançamentos da empresa.
Ele estava sério, em sua pose profissional ao lado de Naruto e Shikamaru.
Um suspiro saiu sem controle da minha boca com a visão e fiquei rubra com o riso baixo de Mikoto.
Respirei fundo antes de voltar a focar no meu croissant atenta as palavras profissionais de Sasuke. Eu não entendia nada sobre aquele mundo, apenas me focava em sua voz rouca e a visão daquela voz rouca próxima ao meu ouvido enquanto sua mãos firmavam meu quadril para o vai e vem da sua pélvis.
Céus, hoje tá quente aqui. Me abanei tentando dissipar aquelas memórias impróprias para esse momento, mas uma pergunta de uma repórter fez meus olhos voltarem para a televisão com atenção.
— Senhor Uchiha, poderia nos dizer qual a sua verdadeira relação com Haruno Sakura?
A pergunta pegou de surpresa os entrevistados que se entreolharam já que aquela não era uma reunião para falar sobre vida pessoal. Mas um dar de ombros de Shikamaru e um coçar de cabeça sem graça de Naruto foi a deixa para Sasuke sorrir de canto enquanto focava seu olhar na repórter, e naquele momento eu vi o meu vizinho, não o presidente de uma companhia.
— Nós estamos namorando – foi direto fazendo os flashes aumentarem e a agitação tomar conta dos repórteres que tomavam nota e tentavam questionar mais.
Mikoto me deu uma olhada de canto e eu sabia que estava rubra. Agora era oficial.
Após a retomada da organização da sala de entrevistas, um repórter questionou:
— Podemos esperar um casamento Uchiha nos próximos meses?
Eu me engasguei com o suco e comecei a tossir convulsivamente, Mikoto se levantou preocupada, mas com uma negação de cabeça acalmei ela dizendo que eu estava bem.
Depois de respirar fundo eu vi o sorriso zombeteiro de Sasuke se alargar, ele estava se divertindo com a situação toda, sabendo que aquilo sairia em uma revista e chegaria até mim.
Ele iria me provocar, eu sabia e por isso murmurei:
— Por favor, não, não…
Mas minhas lamúrias foram em vão, pois de um jeito tipicamente Uchiha, Sasuke provocou os repórteres com um:
— Quem sabe.
A sala de entrevista entrou em alvoroço e Shikamaru teve que encerrar a entrevista mais cedo que o esperado enquanto Sasuke saia com uma áurea vitoriosa.
Desgraçado. Gritei em pensamentos.
Mikoto tampava a boca com as mãos tentando não rir e manter a seriedade diante do meu olhar de súplica.
— Pobre Sakura, se envolveu com o meu filho mais problemático – não se conteve e riu da situação e eu não pude evitar em acompanhá-la.
Depois que conseguimos voltar a seriedade, Mikoto fez seu convite:
— Vou fazer um almoço na piscina esse final de semana, algo simples e só entre a família e amigos, gostaria que você e a Sarada fossem.
Eu não podia negar e naquele final de semana eu teria folga.
— Claro, vamos sim – Mikoto ficou radiante.
— Por favor, informe o Sasuke que ele tem que ir, ainda não avisei ele.
Eu ri da situação.
Será se todos os Uchihas eram impulsivos e gostavam de surpreender os outros sem aviso prévio?
No fim do nosso café nos despedimos enquanto ela dizia que tinha que encontrar Izumi, ela quis me oferecer o chofer para me levar em casa, mas eu neguei dizendo que iria embora de táxi. Assim que o sedan negro deu partida um flash brilhou no meu rosto e ouvi pessoas correndo enquanto alguém gritava:
— Haruno Sakura, uma palavra por favor.
Fiquei estática vendo paparazzi se aproximarem, mas um “Vem” e um puxar da minha mão fez eu seguir a mulher com boné e cabelos amarrado em dois coques.
Corremos até conseguirmos despistar os paparazzi entrando em um beco.
Ela tirou os óculos escuros e o boné e seu rosto me parecia familiar:
— Prazer, Mitsashi Tenten – estendeu a mão, mas a surpresa por descobrir que ela era a repórter que escrevia sobre mim, me deixou estática.
Ela bufou desistindo esperar pelo aperto de mãos.
— Não se preocupe, eu não vim te entrevistar ou perguntar quando é o casamento – bufou. – Eu sei bem que o Sasuke só fez aquele comentário para provocar, se fosse algo oficial ele faria um grande anúncio ao estilo Uchiha – revirou os olhos castanhos, antes de focar os olhos profissionais em mim.
— Então o que você quer comigo? – Perguntei desconfiada.
— Vim verificar uma informação. Eu poderia simplesmente publicar uma fofoca qualquer na minha revista, mas sinceramente, não quero publicar algo a menos que seja verdade – explicou pegando as fotos da bolsa antes de estender para mim e um grito abafado sair da minha boca.
Eram fotos do dia que saímos do hospital com Sasuke carregando a Sarada, comigo ao lado. Havia outras fotos de Sarada chegando ou saindo da escola no carro do Sasuke.
— Você tem uma filha com Uchiha Sasuke? – foi direta estreitando os olhos.
— O QUE? Não!
Ela me olhou desconfiada antes de falar o que estava pensando.
— Primeiro eu pensei que se tratava de alguma prima dos Uchihas, mas depois de observar bastante vocês e descobrir que ela é sua filha, não pude deixar de notar o quanto Sarada parece com o Sasuke.
— Sasuke não é o pai da Sarada! – afirmei. – Não teria como ser.
Não teria como? Não é?
— Olha – respirou fundo antes de falar – essas fotos vão estar na próxima revista, e a menos que você não queira distorções na matéria, é melhor você me contar a verdade.
Olhei desconfiada e ela continuou:
— Se você fosse alguma famosa qualquer que faz qualquer coisa por 15 minutos de fama, eu nem me daria ao trabalho de buscar a verdade.
Eu suspirei antes de concordar.
— Tudo bem, eu vou te contar a verdade…
Eu suspirei aliviada assim que o táxi chegou no prédio, ainda não acreditava que havia contado para aquela repórter a verdade do Sasuke ser meu vizinho, além de ser meu namorado, e cuidar de Sarada quando eu não podia. Ela não acreditou na hora e um descrente “Sasuke cuidando de uma criança?” reverberou enquanto eu só assentia.
— Senhora Haruno, o senhor Sasuke e senhorita Sarada acabaram de estacionar na garagem – o porteiro informou e com um sorriso agradecido desci as escadas para chegar a tempo de encontrar eles.
Assim que cheguei no andar das nossas garagens pude ver Sarada saindo feliz com as muletas e um saco com o emblema da companhia, enquanto Sasuke com toda sua elegância de galã de cinema travava o carro carregando a mochila da Sarada.
— Sabe Sasuke, podíamos repetir mais vezes… é muito mais proveitoso ir para a empresa do que ir para a escola – provocou.
— Nada disso querida – anunciei chamando a atenção dos dois. – Você vai tirar o gesso amanhã e não haverá mais desculpas para faltar a aula de educação física.
— Ahhh não, mãeee – falou chorosa – hoje que eu consegui a assinatura do Itachi-sempai – falou apontando para uma das assinaturas que depois ela me explicou ter conseguido na hora que estava indo embora.
Eu ri, dando um beijo estalado na bochecha da minha garota marrentinha.
— Que saco é esse? – questionei.
— São peças para o meu projeto de ciências. Você acredita mamãe que se uma peça tiver um mínimo defeito, é descartado? – falou com ultraje e se pôs a explicar antes que eu questionasse: – Sasuke deixou eu pegar as peças para o Kurama.
Sarada caminhou a nossa frente enquanto Sasuke circundava a minha cintura com o braço e me aproximava para um beijo rápido.
A não correspondência do beijo fez a surpresa perpassar pelos negros:
— Quem sabe— imitei ele na entrevista e o sorriso prepotente se alargou.
— Você viu? – riu lembrando da sua própria travessura enquanto roubava um beijo. – Minhas fãs já declararam 3 dias de luto oficial e estão acampadas na frente da Uchiha’s Company – se vangloriou.
— Idiota – murmurei cruzando os braços e andando na frente dele, mas o abraço por trás e o beijo no meu pescoço me impediu de continuar andando.
— Devemos ir na loja de noivas? – provocou rouco no meu ouvido.
Bufei.
— Querido, há de nascer o homem que vai me fazer subir em um altar – brinquei entrando no seu jogo enquanto o abraço apertava ao meu redor.
— Não deveria me provocar Haruno Sakura, você sabe que eu não fujo de um desafio – riu de encontro a minha pele provocando um arrepio que infelizmente ele percebeu, antes do riso vitorioso ecoar pelo estacionamento.
— Vocês vão demorar muito aí? – Sarada questionou com tédio segurando o elevador. – Não sei se vocês sabem, mas eu sou uma pessoa muito ocupada – dramatizou tirando um riso nosso enquanto entrávamos no elevador.
— Estão livre esse final de semana? – questionou Sasuke.
— Na verdade, – iniciei olhando para Sarada – eu e a Sarada temos um compromisso.
— Qual? – a pequena questionou.
— Temos um almoço na piscina na casa da família Uchiha para ir. Mikoto nos chamou. – Tive que segurar a gargalhada diante da expressão confusa de Sasuke. – Sua mãe disse que era para você ir.
Ele riu em resposta, sabendo que aquilo era típico da sua mãe.
— Itachi-sempre vai estar lá? – Questionou Sarada já ansiosa.
— Vai sim – foi a vez de Sasuke afirmar para a alegria de Sarada. – Ele sempre vai nesses almoços.
Minha filha saiu saltitante com as muletas para a nossa casa enquanto Sasuke me seguia.
Assim que eu suspirei de alívio ao entrar em casa Sasuke me abraçou e questionou:
— Cansada?
— Muito – aceitei manhosa o abraço me afundando no seu peito. – Eu só quero dormir sem ter hora para acordar – choraminguei enquanto o homem ria da minha atitude e depositava um beijo cálido na minha testa.
— Vai tomar banho e deitar, vou preparar alguma coisa e levar no quarto para você comer.
Meu sorriso se alargou antes de encher Sasuke de beijos e me lembrar do ocorrido.
— Aquela repórter Tenten tem fotos da Sarada – suspirei diante do olhar surpreso de Sasuke. – Eles vão publicar na próxima edição da revista.
— Vou ligar para o dono da revista, eles devem pelo menos desfocar o rosto dela.
Assenti, sabendo que mais cedo ou mais tarde toda aquela história chegaria na Sarada…
***
Sasuke…
— Uau! – Sarada exclamou surpresa olhando a imponente construção que era a residência dos Uchihas enquanto carregava um buquê de flores.
— Ela é linda, mas – Sakura iniciou observando os seguranças que rondavam os jardins da frente, continuou sua fala confidenciando-me em segredo – não parece uma prisão?
— É por isso que eu fui embora daqui na época da faculdade – confidenciei de volta e ela apenas assentiu.
A porta se abriu, ao invés da típica empregada que recepcionava os hóspedes, minha mãe em um vestido leve de verão é quem nos recebeu com um sorriso largo.
— Sakura! Sarada! Como é bom receber vocês – falou animada enquanto abraçava as duas.
— Eu também estou aqui mãe – brinquei como se aquilo me afetasse.
Os olhos negros rolaram antes de me abraçarem e darem um beijo estalado na minha bochecha.
— Também é maravilhoso receber meu filho travesso.
— É para a senhora – Sarada informou vermelha estendendo o buquê para a minha mãe. – Eu queria agradecer por ter cuidado de mim naquele dia.
Tinha sido ideia de Sarada o buquê e passou o restante da semana me obrigando a descobrir quais eram as flores favoritas da minha mãe.
Para a vergonha deste filho, eu não sabia, mas Itachi nos ajudou nessa empreitada.
— São lindas, querida – falou melosa enquanto depositava um beijo na bochecha da sua neta. – Você é tão amorosa, tão diferente do Sasuke – lançou um olhar travesso para mim. Dei apenas de ombros diante da risada das Haruno. – Vamos, vamos, estão todos esperando vocês.
Ela nos guiou até o jardim dos fundos da casa. Era a primeira vez que a minha mãe fazia aquele almoço depois da morte do meu pai.
A imagem da piscina e da grande mesa de almoço logo nos alcançou.
A família de Naruto e seus pais, a família de Sai, Itachi e meu avô, todos já estavam lá.
— Teme! – o loiro hiperativo foi o primeiro a nos ver antes de sair da piscina e correr em nossa direção.
— Idiota – murmurei diante do homem só de short respingando água em nós três.
— Sakura, norinha, vocês também vieram – o sorriso se alargou tentando abraçar Sakura, mas meu braço impediu-o.
— Você está molhado.
Naruto bufou.
— Você se importa Sakura-chan?
Sakura riu e negou com a cabeça, foi a deixa para Naruto me empurrar e erguer Sakura no ar enquanto girava igual uma criança idiota.
— Não fica com ciúmes Sasuke, só por eu estar abraçando a Sakura-chan – fez bico provocando enquanto ainda era correspondido no abraço.
Esse abraço ‘tá demorando mais que o necessário.
Bufei me negando a continuar ali, fui atrás do meu irmão que tinha uma expressão divertida.
— Não ria.
— Não vou – tentou, antes do seu olhar cair em alguma coisa atrás de mim. – Olha só se não é a minha fã número um – anunciou, só então percebi que Sarada aproveitou para me seguir. – Está me trocando pelo Sasuke?
— Nunca! – anunciou com as bochechas infladas.
— Precisava ser tão direta? – questionei para a vergonha da Sarada.
— Não liga para ele, Sarada. Ele não consegue aceitar que eu sou o Uchiha favorito. – brincou bagunçando o cabelo da Sarada. – Mas então, Sasuke me disse que você está construindo um robô – iniciou uma conversa com Sarada enquanto eu me afastava para cumprimentar aos outros.
Depois das conversas iniciais, Naruto propôs jogar basquete, as crianças logo se animaram e naquela hora eu percebi:
Desde quando a gente tem tanta criança em casa?
Percebi Sarada, Inojin, Boruto e Himawari seguindo Minato para a quadra.
Observei Sakura conversando com Ino, ia aproveitar para secar Sakura de biquíni, mas o olhar da loira voltado fixamente para os homens e principalmente para mim me fez erguer uma sobrancelha.
— Sai, eu acho que a tua esposa está me secando – provoquei o moreno que apenas deu de ombros.
— Eu bem que percebi ela olhando estranho para mim também – Naruto comentou próximo enquanto nós três e Itachi virávamos para Ino que apenas sorriu largo e deu um tchauzinho.
— Ela nem disfarça na frente do marido – murmurei enquanto Sakura tentava não rir da situação ao lado da loira.
Balancei a minha cabeça antes de ver Sarada correndo atrás de uma bola.
— Ei Sarada, o médico disse que você ainda não pode correr – ralhei recebendo um “Tá! Tá!” antes de parar de correr e seguir andando.
Naruto não disfarçou antes de rir e imitar uma voz de criança:
— ‘Tá bom papai.
Dei uma cotovelada no loiro que apenas riu mais.
Organizamos os times e a primeira rodada foi Uchihas versus Uzumaki.
Sarada ficou feliz ao cair no time comigo e com Itachi e mesmo não podendo correr, conseguiu dar suporte para mim e Itachi passando bolas baixas.
Mesmo sendo mais atlético, era verdade que Itachi e Minato sempre foram os melhores no basquete acertando bolas de 3 pontos.
Mesmo com aperto, os Uchihas ganharam e eu coloquei Sarada no meu ombro que estava eufórica gesticulando para os amigos de mesma idade que ela era melhor.
Itachi riu quando Naruto cochichou perto dele dizendo que “tinha que ser filha do Sasuke”.
— Que foi Dobe, não sabe perder? – provoquei antes de receber o dedo do meio como resposta.
Eu me sentia leve e acabei rindo. Procurei Sakura com o olhar, mas ela não estava na área da piscina.
Deixei Sarada com Itachi e os outros que iniciavam uma nova rodada, para me aproximar da loira tarada que não parava de secar os homens suados sem camisa.
— Cadê a Sakura, Ino? – questionei sabendo que por trás daqueles óculos escuros ela estava estudando meu físico.
Apesar de uma tarada escancarada, Ino sempre foi louca e fiel pelo Sai.
— Foi no teu quarto pegar umas toalhas.
Assenti antes de ir procurar Sakura. Cheguei com facilidade no meu antigo quarto, encontrando uma Sakura distraída procurando toalhas no closet.
Ela teve um sobressalto quando eu a abracei por trás e depositei um beijo no seu pescoço.
— Sasuke que susto! – Virou para mim rindo.
— Como pôde deixar a sua amiga me secar daquela maneira?
— Ela disse que não é uma visão que se vê todo dia, até pediu para a Senhora Mikoto a convidar mais vezes – ela contou rindo enquanto eu entortava a boca.
Dei passos para trás trazendo ela para a cama.
— Sasuke nós temos que voltar – tentou me impedir entendendo as minhas intenções.
— Temos alguns minutinhos – sorri de canto quando deitei ela na cama.
Antes que ela protestasse, colei nossas bocas e deslizei as minhas mãos para a sua cintura, Sakura se rendeu correspondendo ao beijo de forma luxuriosa.
Desci minha boca para a sua orelha, mordisquei enquanto ela ria comentando:
— Isso é muito errado.
Ela gemeu quando chupei seu pescoço antes de me dar um tapa leve no braço, o claro sinal de “não deixa marca”. Eu ri de encontro a sua pele.
Inspirei profundamente seu perfume enquanto minhas mãos desamarravam a parte superior do seu biquíni, assim que o tecido se tornou frouxo, joguei para longe de nós dois.
Afastei meu rosto enquanto minhas mãos deslizavam pelas suas coxas flexionadas. Sakura estava linda, de forma selvagem, cabelos espalhados ao redor do rosto levemente ruborizado, a boca entreaberta, o colo subindo ao ritmo da sua respiração.
Sorri de canto diante da visão. Algumas semanas atrás nós dois juraríamos que esse momento seria impossível, mas com um sorriso cúmplice, como se tivéssemos o mesmo pensamento, voltei a colar nossos lábios em um beijo lento enquanto minha mão direita subia pelas suas curvas, desenhava a barriga arrepiada até chegar em seu seio intumescido.
— Sasuke-kun – ouvi um cantarolar distante e aquela voz… aquela voz não parecia de Sakura, mas resolvi ignorar focando no meu desejo.
Desci minha boca, desenhando um trajeto de beijos pelo pescoço, chegando em sua clavícula quando Sakura perguntou entre um arfar:
— Você ouviu isso?
— Não foi você? – questionei inebriado pelo cheiro dela, enquanto eu descia para o vale dos seis nus.
— Não – ela falou e antes que eu pudesse rebater, a porta abriu com um estrondo acompanhado por um cantarolado “Sasuke-kun? Onde você está?”.
Paralisamos não acreditando na imagem do loiro petrificado para a cena. Levou um segundo para Sakura compreender e gritar cobrindo seus seios expostos.
O rubor cobriu todo o rosto da Sakura, quando Naruto disse tentando segurar um riso:
— Opa.
Ele correu e aquela atitude foi o meu despertar para correr atrás dele gritando:
— EU VOU TE MATAR, MALDITO!
O loiro não aguentou, soltou uma gargalhada enquanto eu derrubava seu corpo no chão por baixo do meu.
— Eu não vi nada – afirmou enquanto ria tentando fugir de mim. – Talvez eu tenha visto algumas coisas que não deveria ter visto – voltou a gargalhar enquanto eu prendia os braços dele nas costas, imobilizando-o
— Desgraçado – grunhi com uma mistura de frustração e vergonha.
— ‘Tá aí uma coisa que eu não vejo há muito tempo – Sai apareceu carregando um prato de aperitivos. Sentou no chão próximo a gente, acostumado com aquela cena comum na nossa juventude. – O que o Naruto aprontou dessa vez?
Naruto riu mesmo com a cara de encontro ao chão.
— Sasuke ‘tava transando com a Sakura, mas eu atrapalhei sem querer.
— Você não sabe bater na porta dos outros não?
— Você não sabe trancar a porta não – rebateu. – Idiota, e se fosse uma das crianças ao invés de mim?
— Tsc. Vocês nem deveriam estar aqui – rebati não querendo admitir que Naruto tinha razão.
— E onde está a Sakura? – Questionou Sai saboreando o aperitivo.
Só então eu e o Naruto percebemos que ela ainda não havia saído do quarto.
Só então um abrir de porta revelou uma Sakura cabisbaixa saindo do quarto carregando algumas toalhas. Com um andar firme ela passou por nós três sem olhar nenhuma vez.
Ela estava constrangida e assim que ela saiu de vista dei um tapa na nuca do Naruto antes de soltar ele.
Ainda ouvia a tentativa frustrada do Naruto de reprimir o riso quando chegamos na piscina e…
— Por que a Sakura tá agarrando a minha esposa? – Sai questionou vendo Sakura abraçando e enchendo a bochecha de Ino de beijos como se estivesse feliz.
— Cara, vocês têm que aprender a satisfazer a mulher de vocês – começou Naruto andando na frente abrindo os braços. – Vejam para a minha esposa, ela só tem olhos para mim – piscou um olho antes de correr para longe do meu alcance.
— Eu ainda vou matar esse idiota – murmurei.
***
Sakura…
Eu estava extremamente envergonhada, não tinha nem coragem de olhar para os três caras jogados no chão.
Assim que eu cheguei na piscina e sentei ereta na cadeira de sol onde Ino repassava seu protetor solar, uma sobrancelha loira ergueu em suspeita.
— Ok, o que foi que aconteceu?
Suspirei, sabendo que eu não conseguiria esconder dela e precisava falar sobre.
— Naruto flagrou eu e o Sasuke na cama.
A boca abriu em um perfeito “o”.
— Quanto ele viu?
— Meus seios – admiti ruborizando.
Um tremor em seus lábios era a denúncia que ela tentava manter a seriedade enquanto observava nossos filhos brincando na piscina. Sarada na mesa dos aperitivos ajudando Madara.
— Sakura, o que deu na cabeça de vocês de fazerem isso aqui?
— Desejo. Vontade. Falta de oportunidade de fazer isso em outro horário – dei de ombros ruborizada – pode escolher a justificativa, estão todas certas.
— Está tão difícil coincidir o horário de vocês? – Questionou com sincera preocupação.
Eu só concordei com um suspiro cansado.
— Que tal um final de semana de folga só com o Sasuke? – propôs.
— Como assim?
— Ora, Testuda, final de semana que vem você está de folga do hospital, não é!? – Ergueu uma sobrancelha de forma sugestiva. – Vou convidar as crianças para passarem o final de semana lá em casa – o sorriso travesso desenhou os lábios de Ino. – Sem trabalho, sem filhos… nada para te impedir de curtir o final de semana com o Uchiha gostosão.
Levou um segundo para digerir a ideia da Ino e eu só consegui dizer antes de encher a minha amiga loira de beijos e abraços:
— Por Kami Ino, você é um gênio.
— Eu sei – ela falou convencida. – Mas eu ainda quero a foto do Uchiha sem camisa.
— Você já não secou ele o suficiente por hoje.
— Aquele tanquinho nunca é o suficiente. Além disso, eu quero saber de tudo depois.
— ‘Tá bom – bufei, para a felicidade da minha amiga.
Só nessa hora percebemos Sai e Sasuke nos olhando confusos.
— Sabe Sakura, mesmo você sendo praticamente da família da Ino, eu ainda fico com ciúmes e não gosto de dividir a minha esposa – brincou Sai oferecendo a mão para a esposa tocada com as palavras dele.
— Meu marido fica tão fofo com ciúmes – cantarolou abraçando Sai. – Não se preocupa querido, apesar de eu ser o grande amor dela, eu não te troco por ninguém – brincou com um beijo em sua bochecha.
— Mamãe! Papai! Venham ver isso – Inojin chamou o casal que se dirigiu para a piscina.
Sasuke suspirou sentando ao meu lado.
— O que foi que te deixou feliz? – Perguntou com suspeita.
— Em breve você saberá – cantarolei abraçando ele.
Ele suspirou correspondendo ao abraço.
— Me desculpa pelo Naruto, ele é um idiota.
— Tudo bem – acabei rindo com a lembrança constrangedora. – Agora temos uma história para lembrar nos encontros de casais – brinquei e ele riu me dando um beijo rápido antes de voltar o seu olhar para as crianças.
O restante do nosso almoço transcorreu com relativa tranquilidade. Já era noite quando saímos da mansão Uchiha, as crianças depois de uma sessão cinema na sala de vídeo estavam desacordadas. Foi Sasuke quem foi buscar a Sarada, carregando-a como uma criança pequena virada para si.
— Posso dirigir? – Ofereci e com um entortar de boca Sasuke liberou a chave da Ferrari.
Nos despedimos de todos. Mikoto suspirava derrotada por não conseguir nos manter em sua casa aquela noite, mas com a justificativa que Sarada tinha aula no dia seguinte, conseguimos ir para casa sem mais protestos.
O trânsito daquele domingo à noite estava tranquilo e Sarada com seu sono pesado não acordou em nenhum momento, até mesmo quando a colocamos na cama.
— Quer dormir aqui? – Ofereci assim que entrei no meu quarto, mas o clique da porta sendo trancada me fez virar para Sasuke com uma interrogação em minha expressão.
— Por garantia – sorriu de canto e eu não pude deixar de rir da atitude dele enquanto a boca dele envolvia a minha e minhas mãos entrelaçavam em seus cabelos.
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