Procura-se um namorado para: Hermione Granger
4 Capítulo 4
Fred acordou sentindo cheiro de café. Espreguiçou-se e quase caiu ao tentar se virar. Aquele não era seu quarto, nem sua cama, nem sua casa.
– Bom dia, Bela Adormecida. – ouviu a voz de Hermione.
Então, lembrou-se que ajudara a morena a tirar a tinta do corpo e dos cabelos. Ela usando apenas um biquíni e deitada na banheira, enquanto ele passava a poção que servia para tirar aquela tinta.
Balançou a cabeça afastando as memórias.
– Bom dia. – ele respondeu, levantando-se – Você colocou algum feitiço para deixar a sala escura?
– Claro... Quer café? Torradas?
Ele serviu-se. Olhou para Hermione. Novamente a camisa do irmão. O cabelo preso em um coque frouxo.
Comeu em silêncio. Notava que Hermione o observava, calada. Sua vontade era acabar logo com aquela ideia descabida de encontros. Será que ela não percebia?
Não, aparentemente não.
– Eu preciso ir... Jorge deve estar querendo saber onde passei a noite. Obrigado pelo café. – ele disse, sorrindo.
– Fred. – ela falou antes que ele pudesse aparatar – Quer ir comigo ao cinema mais tarde?
– Cinema?
– Uhum. – ela sentiu o rosto corar. Por que foi mesmo que o convidara?
– Sim... Que horas?
–--
– Vai ao cinema com ela daqui a pouco?
– Vou, Jorge... Somos amigos afinal de contas.
– E você está sendo um lerdo por não mudar isso. Um gêmeo Weasley agindo assim... Isso vai contra nosso jeito, você não entende? E me deixa mal! Tenho uma reputação, sabe?
– Não enche, Jorge! Hermione não quer nada comigo. Apenas amizade...
– Ela te convidou para ir ao cinema. – Jorge falou – Escurinho... Comendo pipoca do mesmo pacote... Mãos se encontrando... Você pode errar o pacote e tocar na perna dela...
– Deixe de ser tarado, Jorge! Eu não faria algo assim! – Fred respondeu, levantando-se de supetão. O rosto vermelho.
Aparatou em frente à casa dela. Bateu na porta e esperou que ela abrisse.
– Desculpe vir mais cedo.
– Não tem problema. Estou terminando de me arrumar – a morena disse, sorridente.
– Jorge está impossível!
– Podemos chegar lá mais cedo e conversar, o que acha?
Eles chegaram e sentaram em uma mesinha. Ambos pediram um Milk-shake de chocolate.
– Então... Por que Jorge está te enchendo? Achei vocês fossem mestres em encher os outros.
– Na falta dos outros, enchemos a nós mesmos. – ele disse piscando. Hermione sorriu. – Lembra-se quando falei que já tinha achado uma pessoa? – a morena sentiu o coração bater mais rápido. Aquilo a incomodava, mas continuou bebendo seu Milk-shake – Ele quer que eu me declare e eu acho que ainda é cedo, então ele fica me enchendo. É isso.
– E por que você não quer se declarar? Não seria mais fácil se dissesse o que sente?
– Talvez... Só que eu acho que ela ainda não está pronta. – Fred respondeu, olhando e analisando cada detalhe no rosto à sua frente.
– Por quê?
– Sempre curiosa... Porque somos amigos. – Hermione encarou o copo.
Ele deveria estar falando de Angelina ou Alicia. Sabia que os gêmeos sempre saíam com elas. Forçou um sorriso.
– Acho que deveria tentar. – ela disse um tempo depois, dando de ombros – Sair com ela, conversar... Ver os mesmos interesses... Essas coisas...
– Sair com ela? – Fred repetiu a sugestão dela – Gostei... – ele olhou para o relógio – Acho que nosso filme vai começar daqui a pouco. Vamos entrar?
–--
Harry, Hermione e Rony se encontravam no Três Vassouras. Os três conversavam e riam. Rony estava, claro, solteiro. Depois de um conturbado relacionamento que foi manchete nos jornais, o ruivo optara foi ficar longe dos relacionamentos...
– Bem diferente de nossa amiga aqui! – Harry falou, cutucando a amiga com o cotovelo.
– Como assim? – Rony indagou.
– Gina e os gêmeos entraram em uma aposta para ver quem arranja o par ideal para Hermione até o casamento.
– Como assim? – repetiu a pergunta, um pouco mais sério.
– Harry! Do jeito que está falando, parece que estou saindo com um homem diferente por semana... Foram apenas dois encontros... Dois encontros catastróficos, diga-se de passagem.
– Você concordou com isso, Hermione?
– Por favor, Ron, não começa... Apenas pedi que Gina me apresentasse alguém... Resumindo, os gêmeos acabaram sabendo e quiseram ajudar. É isso.
– Como você permite? – o ruivo perguntou, olhando para Harry.
– Como eu permito o quê? Hermione sabe o que faz da vida dela. – o moreno respondeu, bebendo da sua cerveja.
– Ronald. – Hermione falou, séria, e o amigo a fitou – Eu sei o que estou fazendo, ok? Não quero sermões e muito menos que vá conversar com seus irmãos.
– Até porque... – Harry disse, tentando acalmar os ânimos – ... os encontros não tem dado em nada, ela passa mais tempo com Fred do que conhecendo esses malucos que seus irmãos arranjam.
– Com Fred, é?
– Sim, com Fred... Ele é meu... amigo! – Hermione disse, bebendo sua cerveja. Como se a palavra “amigo” não fosse a mais apropriada.
–--
– Eu realmente não acredito que você arrumou outroencontro para Hermione! – Fred exclamou, exasperado.
– Eu realmente não acredito que você ainda não marcou um encontro com a Hermione! Não essas saidinhas de amigos. Um encontro mesmo! Se ela não gostasse de você, ela não continuaria aceitando e fazendo convites. – Jorge rebateu.
– Você não entende! – Fred disse, nervoso.
– Não. Quem não entende é você! Está gostando dela e fica aí se martirizando a cada encontro. Marque você um encontro!
– Espere... Você poderia fazer isso! É isso! – Fred disse e levantou-se da cama em que estava deitado num pulo! – Eu te amo, Jorge! Escute...
–--
Claro que, no dia seguinte ao encontro, Fred estava lá. Hermione se pegava ansiando cada vez mais por ver Fred. Por esperá-lo com uma palavra de consolo ou uma piada. Por sair com ele ou ficar em casa. Por senti-lo acarinhar seus cabelos ou sentir o cheiro dele. O perfume de Fred...
– Lembre-me de uma coisa: nunca mais aceitar sair com alguém quem seu irmão ouGina escolherem.
– O que houve dessa vez? – ele disse, puxando-a para o sofá.
– Essa história precisa de uma cerveja! – ela disse, indo até a cozinha. A louça do almoço ainda dentro da pia, sem vontade nenhuma de lavar – Você conhece esse Albert?
– Albert? – Fred pensou e não se lembrava de ninguém com esse nome – Não... Só se for algum amigo da Katie...
– Bom... Ele foi legal no começo, simpático e muito educado. Quer dizer... Ele foi legal o encontro todo. Tão legal que se tornou chato!
– Como isso é possível? – Fred perguntou, bebendo sua cerveja.
– Bom... – ele viu Hermione desviar de seus olhos – Ele veio me buscar de carro, sabe? Como eu dizendo, foi educado e gentil. Fomos até a Londres trouxa e gostei de ter revisitado lugares que eu não ia há algum tempo.
Fred sentiu que ela contava tudo com uma calma que ele não tinha visto nos outros encontros. Algo o fazia se sentir incomodado...
Hermione percebeu que enrolava...
– Então... – olhou para o ruivo e depois para o chão – Eu e ele... – Fred sentiu por antecipação o que ela diria... – Nós... Nós acabamos nos beijando.
Por que foi tão difícil para Hermione dizer aquelas palavras? Nem ela saberia dizer... Ouviu o vidro estilhaçando e a decepção nos olhos de Fred.
– Eu... Desculpe. – o ruivo falou, pegando a varinha para limpar a sujeira – Desculpe, mas lembrei de um compromisso...
– Espere... – ela falou ao vê-lo se levantar e preparar-se para aparatar
– Hermione...
– Escute até o final... – Fred queria sair. Sumir. Desaparatar. Mas, sentou-se ao ver os olhos dela – Foi horrível!
– Como?
– Foi horrível! O pior beijo da minha vida! – aquilo o animou um pouco, apesar de não ter gostado de saber que ela havia beijado outro cara.
– Pior beijo?
– Sim... O beijo não tinha graça... E bem... – ela corou – Eu tentei aprofundar o beijo, mas ele me empurrou...
– Ele te empurrou? – o tom bravo.
– Não com força! Apenas me afastou dizendo que não poderia beijar assim... Que tudo aquilo era errado e era pecado. E que ele tinha se comprometido a casarvirgem.
– Espere, espere... Ele recusou seu beijo e disse que vai esperar para casar virgem?
– Acho que cada um faz sua escolha, mas... – Fred notou que ela corou ainda mais – Eu vou pegar outra cerveja para você... – ele a impediu.
– Não.Termine... – sua mão no joelho dela. Na pele dela.
– Eu respeito a decisão dele, só que acredito que o sexo é... O sexo é uma forma de conhecer o outro. Uma forma de intimidade que é interessante ser vivida antesdo casamento... – ela jogou o corpo contra o sofá. Fred não tinha palavras – O beijo, a troca de carinhos, de palavras sussurradas... – ele queria pedir para ela parar, só que ele não conseguia. – O toque íntimo, o desejo, as fantasias compartilhadas,... Tudo isso faz parte de um relacionamento, não?
– Uhum. – ele não conseguia articular as palavras.
Seu corpo reagindo às palavras dela, a sua fantasia aflorando em sua mente. Em seu corpo...
– Devo beijar muito mal! – ela disse cobrindo o rosto.
Fred duvidava disso profundamente. Como ela poderia beijar mal com aqueles lábios?
– Hermione. – Ele disse a voz levemente tremida – Eu duvido que você beije mal... E... Eu tive uma ideia, ok?
– Um outro encontro? – ela indagou, ajeitando seu corpo. Ele assentiu. – Não quero mais esses encontros.
– Jorge pensou em alguém... E, pela primeira vez, eu concordo nessa escolha.
– Não sei, Fred...
– Por favor, Hermione... Última tentativa. Se não der certo, eu falo com Gina e Jorge para cancelarem essa aposta idiota. Eu já te disse, Hermione, às vezes quem você procura está ao seu lado. – ele tentou mais uma vez.
– É, talvez esteja certo... – ela disse – Eu topo sair com esse cara.
Ela ainda não tinha percebido... Mas isso logo mudaria... Ah se mudaria.
Fale com o autor