Procura-se um amor que tenha Olhos Cinzentos.
14 Esclarecimentos (Parte 2)
Notas iniciais
Deitei na minha cama, suspirando. Luke sentou em uma cadeira perto de mim. Ele bebia uma lata de refrigerante. Olhou para mim e perguntou:
— Então... Gosta da Annabeth?
— Precisamos mesmo falar sobre isso?
— Só se você quiser, mas imaginei que quisesse desabafar.
Olhei para Luke de relance. Eu detestava falar sobre meus sentimentos, mas ele tinha razão: Eu precisava desabafar.
— Eu sinto algo de especial pela Annabeth. – admiti – Ela é... Incrível.
— Você está apaixonado?
— Não. – neguei balançando a cabeça – Meu coração sempre irá pertencer à Melanie.
— Ok, você faz o que quiser da sua vida, mas... Na minha opinião... Deveria dar uma chance para Annabeth.
— Luke, eu amo a Melanie. Gosto da Annabeth, mas nem dá comparar o que sinto em relação à minha antiga namorada. – bufei – Além disso, Annabeth é ex-namorada no meu amigo.
— Nico sempre vai ser amigo da Annabeth. Ele sempre vai querer que ela feliz, independente de com quem esteja. Acredito que sua ex não seja diferente. Você não estaria traindo Melanie. – esclareceu – Você estaria dando ao seu coração uma nova chance de amar.
Fiquei em silêncio. Luke me deixou sozinho, dizendo que levaria Thalia ao obstetra.
Não faz sentido eu tentar me apaixonar por Annabeth. No final, ela só se iludiria e eu ficaria como um grande babaca que alimentou sentimentos nela, sendo que amo outra garota. Fora que Annabeth já sabe que sou imortal. E quando ela envelhecer ou morrer? Eu continuarei do mesmo jeito. Esse lance de “dar uma chance” está totalmente fora de cogitação.
[...]
Eu estava na biblioteca, sentado em uma mesa, lendo um livro de ação no período medieval. Aquele livro era absurdamente chato, mas era melhor estar ali do que em casa aturando as brincadeiras de Leo e Jason e os gritos de “Luke, eu estou com desejo” da Thalia.
— Oi Percy.
Olhei para cima e vi Annabeth. Segurava uns três livros grossos e um copo de café. O cabelo ondulado estava partido no meio, com as ondas loiras caindo sobre o suéter preto.
— Oi Annabeth. – falei sorrindo – Tudo bem?
— Bem. Bom, eu ganhei dois ingressos para assistir um filme no cinema, só que ele é alemão e só você fala alemão aqui além de mim... Então, eu queria saber se você não gostaria de ir comigo.
Percy, não a iluda. Invente qualquer desculpa. Diga até que vai fazer uma faxina no seu quarto se for preciso, mas não crie expectativas nela.
— Eu vou gostar muito. – falei e fiquei me amaldiçoando por dentro.
— Legal, então, eu te vejo hoje às sete da noite?
— Ok.
Ela saiu e eu fiquei assistindo ao seu andado tímido e leve, abraçando aqueles livros, para que os mesmos não caíssem. Rachel, a auxiliar da biblioteca, conversou com Annabeth. Quando a loira saiu, o olhar da ruiva se encontrou com o meu e ela me mostrou o dedo do meio. Tive que segurar o riso.
[...]
Confesso: Sair com Annabeth era muito bom. Apesar do jeito fechado e antissocial, ela era muito atenta e tinha assunto. Durante o filme, ela estava bem concentrada, com os olhos observando cada detalhe daquele filme, seus lábios rosados ficavam fazendo um leve bico, de maneira interrogativa. Saindo da sala do cinema, eu falei:
— Du bist so aufmerksam. (Você é tão observadora)
— Und Sie sind sehr nett. (E você é muito simpático)
Fomos para a sorveteria mais próxima. Ela pediu um milkshake de morango com chantilly e eu, um de chocolate com pedaços de biscoito. Sentamo-nos em uma pequena mesa redonda, bem alta. Olhei para as suas mãos e, destacando-se na pele clara, havia um anel prateado com uma enorme pedra preta.
— Bonito anel.
— Ah, obrigada. – ela disse – Eu também achei. Nico tem bom gosto.
Dei duas tossidas para não engasgar.
— Você ainda usa coisas que seu ex te deu? – perguntei.
— Na verdade, ele me deu esse anel essa semana.
— Ah, vocês ainda tem contato...
— Sim, mantivemos contato. – ela confirmou – Somos amigos desde que nos conhecemos e nenhum de nós dois quis acabar com a amizade porque o namoro acabou. Ele foi visitar o pai dele, Sr. Hades, e viu esse anel no aeroporto. Ele disse que achou a minha cara e trouxe para mim.
— Hum... – pronunciei.
Não, eu não estou com ciúmes. Annabeth é uma mulher livre, então eu não tenho nada a ver com os presentes que ela ganha ou deixa de ganhar, independente de quem seja.
— As férias estão se aproximando. – ela comentou.
— Confesso que acho bom dar uma pausa nos estudos. – brinquei – Fora que ficar semanas sem olhar para a cara da Chloe Campbell será como ganhar um troféu banhado a ouro cravejado de diamantes.
Ela riu.
— Por que você não gosta dela?
— Porque saímos uma vez de maneira descompromissada e o pai dela tentou forçar compromisso entre nós e eu não quis. Aí, o pai dela brigou com ela e ela ficou com raiva de mim.
— Nossa, você ficou com a maior patricinha da faculdade.
— Algum problema com isso? – ergui uma sobrancelha.
— Nenhum, só não sabia que você gostava de garotas assim. – ela passou a olhar para a sua bebida.
— Garotas assim como? Patricinhas?
— É, patricinhas.
Eu comecei a rir.
— Annabeth, eu não tenho preferência por certos tipos de mulheres, entende? – tomei um pouco do milkshake – Eu a uma garota bonita e legal, mas ela nem era e é só.
— Por isso que você me beijou algumas vezes?
Ok, eu não esperava esse tipo de pergunta. Suspirei e comecei a pensar na melhor resposta.
— Eu sinto algo de especial por você. – confessei – Por isso te beijei todas essas vezes.
Ela corou e franziu os lábios. Ficou tão fofa daquele jeito.
— Komm her. (Venha aqui) – ela disse serenamente. Levantei e fiquei ao seu lado. Ela ficou de frente para mim. Suas mãos pousaram nos meus ombros e ela se levantou. Automaticamente, eu a abracei – So dass wir wieder kussen? (Que tal nos beijarmos de novo?)
Eu não pensei duas vezes. Na verdade, eu nem pensei. Uni nossas bocas de maneira sôfrega e urgente. Nem liguei se estávamos em um lugar público e se as pessoas estavam olhando. O importante era estar ali naquele momento.
Nem acredito que vou admitir: Luke poderia sim ter razão. Eu deveria dar uma nova chance aos meus sentimentos e viver uma vida nova. Não sei se um dia eu e Annabeth chegaríamos a nos amar, mas não conseguirei descobrir isso se não tentar.
Ela desgrudou da minha boca, sem se afastar.
— E agora? – ela perguntou.
— E agora... E agora, eu quero que passemos um tempo juntos. Um tempo só nosso.
— O que tem em mente, Percy?
— Tenho passagens para passar algumas semanas no Brasil. – falei – Não quer ir comigo?
Ela arregalou os olhos.
— BRASIL? – quase gritou – Percy, o Brasil fica em outro hemisfério.
Eu ri um pouco.
— Imaginei que dissesse isso. – comentei – Olha, tenho filhos que moram lá. – ela se espantou – Sim, tenho filhos. Eles têm mais ou menos a sua idade. Chamam-se Fernando e Melinda.
— Quantos anos você tem? – ela semicerrou o olhar.
— Hum... Só quinhentos e sete anos. – respondi.
— Uau... Sabe, eu estou em dúvida agora se estou praticando gerontofilia... Você tem idade para ser meu tatara, tatara, tatara... Eu nem sei quantos tataras eu tenho que usar.
Nós dois rimos e eu a beijei, calorosamente. Esquecemo-nos completamente do milkshalke.
— Então, você quer ir comigo? – perguntei.
Ela pensou por um breve momento, sem tirar seus penetrantes olhos cinzentos dos meus.
— Quero muito ir!
Eu a abracei, levantado a e rodando nossos corpos. Não imaginei que fosse ficar tão feliz com tudo aquilo.
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