Meu patrão tinha levantado a sobrancelha e ficou me encarando quando falei que tinha um encontro. Poderia jurar que pela sua expressão, ele estava até um pouco interessado no assunto.

— Um encontro? Conseguiu conhecer alguém já?

— Mais ou menos, ele é professor do colégio onde Sofia estuda. — nem deveria ter dito nada, afinal, ele não tem que saber de tudo sobre minha vida, certo?

— Sério? — passou a mão pelos cabelos. — Isso é... bom. Bom para você.

E não seria bom para ele? Porque se ele viesse dizer isso, tudo bem, eu não me importaria. Até seria capaz de cancelar o encontro. Bastava ele admitir que tinha fortes sentimentos por minha pessoa.

— Bem, boa noite, Bella. — um sorriso fraco surgiu em seu rosto e eu sabia que era hora de ir embora. — Amanhã veremos qual será a programação, ok?

— Claro, boa noite!

Me despedi, acho que com uma empolgação para lá de exagerada, mas quem liga? Eu iria passar o dia todo com ele, mesmo que não fosse essa sua maior vontade. E o que era ainda melhor: sem a megera da Rosalie.

Acordei mais cedo do que pretendia no sábado, pois tinha deixado a cortina aberta na noite anterior e a claridade entrava toda pela janela. Não queria voltar a dormir, pois a excitação pelo dia que me esperava era grande demais, então resolvi tomar logo meu banho e descer para o café da manhã.

A casa tinha um aroma agradável do café que Abigail fazia como ninguém e apesar de no Brasil nunca ter sido fã desse líquido negro, aqui eu passei a gostar, principalmente quando sentia que não teria energia suficiente para acompanhar Sofia.

— Bom dia! — falei em alto e bom som quando fui entrando na cozinha e descobri meu patrão ali, vestindo apenas um jeans escuro, com os cabelos para lá de despenteados, barba por fazer e o abdômen com algumas marcas do lençol. Troquei até as pernas sem querer.

— Olá, bom dia. — ele deu aquele sorriso que faz o corpo de qualquer mulher tremer e pegou uma xícara para mim. — Também foi acordada por causa do cheiro do café viciante da Abigail?

— Foi mais por causa do sol entrando pela janela mesmo, mas o cheiro também contribuiu para eu descer correndo.

A cozinheira velha e chata nos olhava como se estivéssemos atrapalhando sua vida, parados ali na cozinha. Ela entrava e saía com pressa, carregando as coisas para montar a mesa do café. Deixei Edward lá e fui acordar Sofia, pois ele disse que sairíamos logo em seguida para o shopping. Quando cheguei no quarto, nem foi preciso chamá-la duas vezes. Sofia se levantou com uma mega disposição e sorria o tempo todo enquanto escolhíamos uma roupa para ela usar.

— Onde nós vamos?

— Acho que ao shopping, ao parque... Não sei, mas seu pai tem algumas idéias em mente.

— Você vai, né? — ela perguntou ao mesmo tempo em que arregalava os olhos, com medo da minha resposta.

— Tenho que ir, né? — suspirei, como se estivesse fazendo um grande esforço em ir. — Você não me deixou com muitas opções.

Ela desceu para tomar café e eu aproveitei para me arrumar. Escolhi um vestido branco curto e soltinho, de algodão com pequenos bordados em linha branca e rosa claro. No Brasil, usa-se muito como uma alternativa de saída de praia, mas dava para ser usado perfeitamente como um vestido e eu me sentia super leve e delicada com ele. Calcei sapatilhas cor de rosa e desci, percebendo o olhar do meu patrão em minhas coxas, mas eu fingi que não vi e ele nem falou nada.

No carro andei no banco do carona e Sofia foi atrás assistindo algum desenho que ele colocou para rodar no DVD player do banco de trás. Me senti muito bem ali naquele carro com bancos de couro, câmbio automático, que deslizava como se fosse uma nave espacial. Eu definitivamente tinha nascido para ser rica, só fui colocada sem querer no ventre da mulher errada.

— Bella, acho que vou ter que me aproveitar um pouco de você... — eu quase engasguei e o encarei.

— V-vai? — era bom meu rosto não estar vermelho nem minha expressão ser de alguém que encontra uma nota de R$ 100 caída no meio da rua.

— Vou. Queria aproveitar a ida ao shopping e comprar umas roupas.

E o que exatamente eu e meu corpo tempos a ver com isso, era o que eu tinha vontade de perguntar, mas preferi ficar quieta e esperar que ele continuasse.

— Você sabe, é sempre melhor uma opinião feminina nessas ocasiões.

Ah, era disso que ele estava falando então. Sorri para Edward, quando na verdade estava chorando por dentro.

— Hum, claro, sem problema. Pode... se aproveitar... de mim.

Quando Edward comentou sobre se aproveitar de mim enquanto ainda estávamos dentro do carro, eu nem imaginei que iria me dar tão bem assim. Andamos pelo shopping, fazendo algumas paradas em lojas infantis para comprar roupas para Sofia e depois foi a vez do patrão. A primeira loja em que entramos só vendia ternos de grife e a vendedora, super solícita e sorridente para cima dele, entregou-lhe alguns modelos da Armani.

— Eu estarei aqui caso precise, ok? Pode me chamar. — ela falou ao se afastar, com esperanças de que pudesse dar umas olhadas a mais no corpinho divino.

— Não será necessário, mas obrigado. — ele me olhou e apontou com o queixo para mim. — Confiarei no gosto dela.

Sorri para a vendedora, sentindo um arrepio interno e uma poderosa satisfação. Peguei Sofia pela mão e fui na direção dos provadores com Edward. Nos sentamos numa poltrona em frente a cabine dele e ficamos esperando. Então de repente, ele sai usando um terno de corte perfeito – apesar de eu não entender absolutamente nada desses detalhes de alfaiataria masculina – cinza chumbo que contrastava com seus olhos verdes e o deixava mais lindo ainda.

— O que acham? — perguntou, abrindo os braços e colocando as mãos nos bolsos em seguida.

— Eu... hm... — pensei rápido em algum termo apropriado para dizer. — Tem um ótimo caimento!

— E...?

Ele levantou sua sobrancelha maligna que me derretia toda e prendi a respiração. Ele estava esperando por algum tipo de elogio? Não acharia ruim se eu o chamasse de gostoso?

— E... combina com você. — levantei e fui em sua direção, mexendo as mãos como se quisesse focar em um determinado ângulo. Acho que quem faz isso é fotógrafo, não? — Acho que esse lado aqui ficou muito bom.

— Bella...

— E as mangas estão no comprimento certo.

— Bella... — ele sorriu e colocou as mãos sobre meus ombros. Virei gelatina com aquele olhar. — Como eu estou?

Bem, já que ele queria elogio e eu precisaria ser tão direta, comecei a fingir que sabia o que estava fazendo. Alisei o tecido do paletó na altura de seu tórax, sem fraquejar ao sentir a rigidez debaixo da roupa.

— Bem, você está perfeito! Não poderia usar outra palavra.

— Você gosta da cor?

Por que ele fazia tanta questão da minha opinião? Importava se eu gostava da cor? Eu gosto de qualquer coisa que ele queira vestir – ou não vestir. Desviei o olhar, fingindo prestar atenção em Sofia, rezando para não estar vermelha como um tomate.

— Adoro essa cor!

— Certo. Esse vai então. — ele começou a tirar o paletó. — Vou experimentar o outro.

Dei uma secada na bunda dele quando se virou para entrar novamente no provador. Provador, que, diga-se de passagem, é maior do que o banheiro da minha casa lá no Brasil. Rico vive bem, né? Não demorou mais do que 3 minutos para que ele reaparecesse ainda mais lindo, porque o terno da vez era negro e ele tinha experimentado com uma camisa da mesma cor.

— Uau! — não consegui conter minha empolgação. — Esse sem dúvida é o mais bonito.

— Vou comprar os dois então.

Ele abriu um sorriso perfeito e eu sorri também. Sofia e eu ficamos aguardando que a vendedora marcasse uma bainha na calça do terno chumbo, pois estava um pouco comprida e Edward voltaria no dia seguinte para buscar. Por um momento senti uma enorme inveja dela, que estava ajoelhada diante dele.

Quando saímos da loja, entramos logo em outra no mesmo piso, mas era de roupas esportivas e alguma coisa me dizia que seria muito mais interessante. Logo percebi que estava certa, quando Edward selecionou alguns jeans para experimentar. Eu adoraria que ele também pedisse minha opinião para aquelas peças de roupa.

— Está feliz, Sof? — perguntei baixinho enquanto Edward sumiu no provador.

— Uhum!

— Quer fazer alguma coisa em especial? — alisei seus cabelos macios e finos, de fazer inveja em muita mulher.

Ela abriu a boca para responder, mas tratou de fechar rapidinho quando o pai apareceu na nossa frente. Ele só podia estar me sacaneando. Precisava ficar sem camisa? Instintivamente, dei um pulo da poltrona.

— Calça bonita!

— Ficou boa? — ele baixou os olhos para se olhar. — Gosto do gancho dela.

— Do gancho?

Ele balançou a cabeça e levou a mão até o lugar onde ficava o tal gancho da calça, que eu desconhecia. Que pornografia!

— Ah, sim! O gancho!

Edward voltou ao provador e logo em seguida a vendedora que estava nos atendendo chegou com mais alguns modelos. Me entregou para que eu desse a ele e quando bati na porta da cabine, fiquei sem ar. Ele estava com os botões da calça abertos, mostrando um bom pedaço da cueca e dos fios escuros que saíam por debaixo dela.

— Aqui... — minha garganta estava mais seca do que o Saara. — Calças.

— Hum?

— As calças! — joguei tudo nos braços dele, estava atônita e não podia demonstrar que eu queria ficar encarando aquele pedaço do corpo dele. — Experimente!

Saí de perto o mais depressa que pude e fui me sentar ao lado de Sofia, que estava super confortável nos observando, batendo as pernas sem que os pés conseguissem tocar o chão.

— Seu pai me dá trabalho, Sofia... — eu parecia estar suando frio.

[...]

Perto da hora do almoço nós deixamos o shopping e paramos para almoçar num restaurante chique, que eu até fiquei com medo de ser barrada na entrada por causa do saldo na conta bancária – ou a ausência dele. Fiquei nervosa quando peguei o cardápio e notei que os nomes dos pratos eram todos escritos em italiano, mas Edward fez a gentileza de pedir por mim.

— Está tudo bem, Bella? — ele perguntou e pousou a mão sobre a minha. Estava de frente para mim e de vez em quando eu chutava sem querer seu pé ou canela ao cruzar as pernas. — Parece nervosa...

— Sim, estou bem. Só não estou acostumada com lugares assim. — sorri e pedi a Deus para que ele deixasse a mão ali por mais um tempinho, mas ele logo recuou.

— Acho melhor se acostumar, já que vai ficar um bom tempo conosco.

Eu estava tímida, mas acho que precisava admitir que não era bem pelo fato do restaurante ser chique e sim por estar ali com ele, só nós três, num momento tipo família. Quem olhasse de fora poderia realmente achar que éramos um casal e eu senti que duas mulheres de uma mesa próxima a nossa ficavam me medindo dos pés à cabeça.

— Com licença. — um garçom chegou trazendo nossas bebidas.

— Você pode pedir para tirarem o gelo, por favor? — peguei o copo que o garçom tinha acabado de colocar na frente de Sofia. — Ela não gosta de gelo.

— Sim, claro, madame.

— E se pudesse trazer uma colher pequena, que ela também gosta...

— Claro, irei providenciar.

Quando dei por mim, percebi que Edward estava de braços cruzados me encarando, com um sorriso leve no rosto. Seus olhos passaram para Sofia, que estava ao meu lado e depois voltaram para mim.

— O que foi? — passei a mão pelos cabelos. Será que tinha caído alguma coisa neles?

— Nada. — ele abriu mais o sorriso. — Você é simplesmente fantástica com Sofia e ela parece te idolatrar.

— Ah. — mordi o lábio sem saber o que dizer e esfreguei o braço da menina. — Nós nos damos muito bem, não é Sof?

Ela balançou a cabeça, concordando com um sorrisão. Se tinha algum plano de me unir a seu pai, então aquele momento era extremamente importante. E eu percebi que estava certa assim que ela quase me esmagou ao se jogar em cima de mim e me abraçar. O queixo de Edward quase caiu.

Depois do restaurante nós levamos Sofia no tal parque de diversões de última geração que tinha inaugurado recentemente ali na cidade. Era completamente diferente dos parques que eu costumava freqüentar quando criança, onde nós encontrávamos carrocinhas com pipoca e algodão doce. Ao invés disso, no parque moderno e de gente rica havia um monte de restaurantes com mesinhas ao ar livre e que provavelmente custavam o olho da cara. Também não tinha crianças segurando balões de ar e sim manuseando celulares de última geração.

— Caramba, estou velha mesmo! — falei alto sem querer e Edward me olhou surpreso.

— Velha?

— Claro, olha só em volta. — gesticulei, movendo os braços ao redor apontando para tudo que é lado. — Na minha época nós tínhamos carrossel, trem fantasma, carrinho de bate-bate e não... — observe uma fila monstruosa que aguardava a entrada num determinado brinquedo. — Não crianças brincando de mímica.

— Na verdade, aquilo é um brinquedo de realidade virtual em 3D. Elas usam aqueles capacetes e se enxergam dentro do ambiente escolhido. Acho que aqueles dois meninos estão lutando.

Quando ele terminou a explicação e me olhou de volta, percebeu a minha cara de tédio em resposta. Era exatamente disso que eu estava falando.

— Ah sim, entendi onde você queria chegar. — colocou as mãos em meus ombros. — Mas Bella, você não é velha.

— Hum...

— Sabe... — sua sobrancelha levantou e ele sorriu de forma brincalhona. — Acho que aqui tem exatamente o que você precisa.

Eu quis perguntar como ele tinha descoberto que eu precisava dele sem roupa deitado na minha cama, mas fiquei calada quando notei que pai e filha me puxavam pela mão. Passamos por vários brinquedos tão estranhos quanto aquele primeiro até pararmos de frente para um que eu conhecia muito bem. Redondo, com música infantil tocando na caixa de som e vários cavalos coloridos girando. Senti vertigem, mas Sofia balançou minha mão.

— Por coincidência é o brinquedo favorito da minha filha. Acho que entendo vocês se darem tão bem.

— Mas não... — fui interrompida pelo funcionário que se aproximou para pegar nossos passes.

— Boa tarde! Vão juntas ou separadas?

Tarde demais para sair correndo. Sofia já me arrastava na direção do carrossel e eu nada pude fazer.

— Se-separadas. — será que eu estava tão pálida quanto achava que estava? Pelo menos iria separada, num cavalinho só meu para poder me segurar bastante.

Fulminei o funcionário com o olhar quando ele tentou me pegar no colo para subir no cavalo. Quanto ele achava que eu media afinal? Não era criança! Quando viu minha cara nada satisfeita, levantou as mãos como quem se rendia e se afastou. Montei num cavalo rosa com estrelas azuis desenhadas no corpo e crina amarela. Apertei com força minhas pernas no corpo do bicho de cerâmica e enrosquei as mãos no suporte de ferro que o prendia. Eu não vou cair, eu não vou cair.

— Bella, você está bem?

Acho que era a voz de Edward, mas quando o brinquedo começou a girar parecia que ele estava muito longe e também eu não poderia ter certeza se era ele mesmo, já que meus olhos estavam fechados. Rapidamente as cenas antigas começaram a passar pela minha memória e quando dei por mim, o carrossel estava parando e meu herói me pegando no colo.

— Bella?

Ok, talvez fosse apenas Edward, meu patrão. Mas ele estava mesmo me pegando no colo e me levando para bem longe daquele monstro redondo com cavalinhos que riem da nossa cara. Respirei fundo e abri os olhos decentemente quando me senti mais segura. Estava sentada num banco de pedra, com Edward e Sofia parados na minha frente me olhando.

— Hum, estou melhor. — dei um sorriso amarelo.

— O que houve? — eu imaginei mesmo que ele ia querer uma explicação. — Você passou mal? Parecia em choque.

— Ah é... — como explicar essa situação constrangedora? — Então, eu tive um probleminha quando era criança...

— Probleminha? Você estava chorando. Isso me parece mais com um problemão.

— Eu caí de um cavalo quando tinha mais ou menos a idade da Sofia e era um passeio do colégio.

— E você se machucou?

— Não... Meus colegas riram e me perseguiram por meses por causa disso... — ok, Edward não parecia convencido de que aquilo tinha sido um trauma em minha vida, então eu precisaria contar toda a verdade. — Eles... hm... me apelidaram de... hm... “Cai Cai Bellão”.

Edward deu uma fungada tão forte que eu acabei levantando os olhos para encará-lo e descobri que ele estava era tentando não rir. Eu estava indignada! Contava meu maior trauma de infância a ele e o que recebia em troca? Mais risadas!

— Me desculpe, Bellão, quer dizer, Bella. Desculpe. — ficou vermelho de tanto segurar o riso. — Desculpe mesmo. Eu entendo.

— Entende droga nenhuma! — me sentia super constrangida. Levantei e comecei a andar para o banheiro, mas ele me interceptou.

— Tudo bem, admito que achei engraçado, mas não pela maneira que você está pensando. É que isso é apenas uma coisa do passado... E não é exatamente um grande trauma, você precisa admitir e não deixar mais que te atrapalhe. Todos nós passamos por isso na infância. Eu também tive apelido no colégio.

— Teve? E qual era?

— James Dean.

Pensei por um momento, tentando entender o apelido. James Dean, que eu saiba, tinha sido um tremendo galã. Não? Bem, a não ser que ele não estivesse se referindo ao James Dean ator. Poderia ser algum personagem de desenho animado americano... Ou um cachorro...

— Que James Dean? — perguntei.

— Você sabe... o ator.

Ele não podia mesmo estar falando sério.

— Hum... E posso saber o motivo do apelido?

— É que as meninas me achavam o galã do colégio e também por causa das roupas que eu costumava usar e... — ele parecia envergonhado. — Bem, James Dean.

—E de que forma você acha que isso me ajuda? Enquanto você era comparado a um símbolo sexual, eu era infernizada por uma musiquinha infantil que faz alusão a balões!

— Certo. — ele estava pensando no que falei. — É verdade, desculpe.

Revirei os olhos e entrei no banheiro, para sair logo em seguida quando descobri que era masculino. Nem quero comentar como eu descobri. É algo que prefiro esquecer. Ignorei o sorriso que estampava o rosto dele quando me viu entrar no banheiro certo e bati a porta atrás de mim.

Depois desse episódio fatídico do carrossel, eu tentei aproveitar o restante da tarde, afinal, estava na companhia de Edward. Infelizmente, não andamos juntos em nenhum brinquedo, já Sofia não poderia ficar sozinha enquanto os adultos se divertiam, então ou eu estava me divertindo com ela, ou ele fazia isso. Teve até a ocasião em que andamos os três no barco viking, mas Sofia estava sentada entre nós dois e como ela não podia simplesmente abrir a boca e falar “papai, quero ficar na ponta”, teve que concordar com o lugar escolhido por Edward. Às vezes essa pequena mentira de Sofia acabava sendo inconveniente.

— Acho que o dia foi ótimo, não foi garotas? — ele perguntou enquanto dirigia de volta para casa, olhando pelo retrovisor para encarar Sofia e depois voltando-se para mim. — Até mesmo o imprevisto com... o carrossel acho que deu para ser esquecido.

— Uhum. — uma ova que foi esquecido.

Por uma fração de segundo meus olhos conseguiram captar o gesto dele. Sua mão instintivamente saiu do volante e veio na direção da minha perna, mas acho que nem meu patrão sabia o que estava fazendo. No meio do caminho, antes que eu pudesse sentir seu toque, acho que ele percebeu que não éramos uma família e pegou rapidamente na marcha, apoiando a mão apesar do carro ser automático. Seus olhos continuavam fixos na estrada e eu estava gelada demais para esboçar alguma reação então apenas virei o rosto para olhar pela janela.

Depois disso, o silêncio dentro do carro foi inquietante e me dei por agradecida quando paramos na porta de casa. Quando entramos, Abigail veio perguntar o que ele queria para o jantar e automaticamente eu tratei de responder.

— Lembre-se de não colocar meu prato na mesa, ok? Vou jantar fora... — sorri para ela, apesar de receber em troca um olhar entediado.

— Você ainda vai ao encontro? — Edward perguntou quando eu já estava subindo as escadas. Notei um tom tentando ser casual na sua voz e imaginei se aquilo por acaso era ciúme.

— Sim, vou. — forcei meu melhor sorriso. Queria demonstrar pura felicidade pelo encontro, como se eu não tivesse nada melhor para fazer em casa. — A não ser que você precise de mim aqui... — dei de ombros, tentando arrancar alguma pista sobre ele estar ou não com ciúmes.

— Claro que não. Você tem todo o direito de sair e se divertir. — ele abraçou Sofia, que estava com a cara mais emburrada que eu já tinha visto ela fazer. — Acho que eu e Sofia sobreviveremos uma noite, não é querida?

A menina não parecia concordar com ele. Tirou o braço do pai que estava ao redor de seus ombros e subiu as escadas correndo, passando com fúria por mim. Ouvimos o barulho de uma porta lá em cima batendo. Acho que a noite deles não seria tão agradável como ele pensava...

Notas finais
Oi meninas, essa fic vai estar sendo atualizada até a K terminar de escrever... Depois ele vai terminando as outras conforme votação do pessoal no blog dela...

Portanto eu vou postar nas outras os caps que tem escritos, qdo acabar vai demorar um tempo para ter posts.

Convido vcs para darem uma passada nas minhas fic, meu perfil é danimarjorie, tenho duas fic um terminada e uma andamento, quem sabe vcs gostem.

Bjs e comentem.