Procura-se Um Final Feliz

10 Você é o meu alguém


Notas iniciais
Desculpem-me, passei por momentos complicados, ainda estou passando, porém consegui um tempinho para vim aqui escrever para vocês. Esse capítulo foi complicado de escrever, talvez por ser o penúltimo. Agora só teremos o epílogo finalizando a história. O meu bebê está acabando. Boa leitura. PS: Temos capinha nova.

Capítulo O9

“E no meio de tanta gente eu encontrei você. Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio.”

O barulho do meu despertador tocando bem distante de mim fez com que eu me remexesse na cama escutando algum som de chaves tilintando, porém o sono estava tão agradável que apenas bati a mão no despertador fazendo este silenciar e retornei a dormir. Durante a noite anterior passei até tarde da madrugada conversando no telefone com Britney sobre a viagem que estamos planejando fazer para Baudette, cidade relativamente próxima daqui durante o fim de semana.

Assim que fechei os olhos novamente já estava dormindo.

Quando abri os olhos novamente não foi por causa do som do meu despertador tocando ou minha mãe me chamando, mas sim o meu celular que vibrava descontroladamente quase caindo do criado mudo ao meu lado. Peguei-o ainda um pouco sonsa e grogue e sem óculos conseguindo enxergar apenas o nome da minha melhor amiga na tela, atendendo imediatamente a ligação da mesma.

– Alô? – Falo tentando tatear o criado mudo em busca dos meus óculos.

– Claire? Onde você se meteu? Já olhou que horas são? Passei horas buzinando na sua porta e te ligando. Já acabou o primeiro horário, estamos no fim do segundo! Só consegui te ligar porque pedi autorização inventando uma desculpa que minha mãe estava no hospital passando mal. – Ela falou rápido demais, fazendo com que eu desse um pulo da cama ao raciocinar o que Britney queria dizer com tudo aquilo. – Claire? Você “tá” aí? Claire?!

– Sim, estou. Desculpa, eu... Perdi o horário. Já estou indo. – Respondo rápido sem consciência exata do que estou falando, pois já estou de pé com os óculos no rosto, os encontrei caídos no chão.

Jogo o celular em cima da cama e corro direto para o banheiro pulando para o box, abrindo o chuveiro, sem me dar conta que ainda estou usando minha roupa de dormi.

– Droga! – Xingo alto, me preparo para sair do box e retirar minha roupa e mudo de ideia, já que estou toda molhada melhor terminar logo de me molhar. Acabo tomando o banho de roupa e tudo, aproveitando para lavar meu cabelo que está parecendo muito semelhante a um ninho de passarinho.

Assim que saio do box vou retirando as peças de roupa e as jogando pelo caminho enquanto ando de volta para o meu quarto. Estou tão distraída tentando puxar o moletom que insiste em não passar pela minha cabeça entalado que acabo batendo o meu dedo mindinho na quina da porta me fazendo gritar de dor.

– Maldita segunda-feira! – Falo para mim mesma, pois sei que todo dia de segunda-feira minha mãe sai cedo de casa para correr e depois faz ioga.

Depois de muita luta consigo vestir uma roupa decente composta basicamente por uma saia preta e branca de cintura alta e uma camisa totalmente branca com um casaco preto de tricô por causa da temperatura lá fora.

Pego minha bolsa da escola junto com o celular que acabo deixando cair no chão duas vezes no meio da correria para me aprontar. Só depois disso consigo descer as escadas correndo em direção ao meu carro.

Uma chuva fina constante cai sobre a minha cabeça, toda a rua estava cheia de poças de água geradas pela chuva que caiu durante toda a noite e a madrugada, e que, por sinal, não pararia tão cedo de cair.

Sento-me no carro e o rádio já sintoniza imediatamente com uma rádio local que está tocando uma das músicas que eu gosto Rude de uma banda que recentemente começou a se expandir pelo mundo com suas canções Magic!.

– You know she's in love with me. She will go anywhere I go. (Você sabe que ela está apaixonada por mim. Ela irá para qualquer lugar que eu vá.) – Cantarolo enquanto tiro o carro da garagem e acelero o mais rápido possível em direção da escola. – Can I have your daughter for the rest of my life? (Posso ter a sua filha para o resto da minha vida?)

Estou tão entretida no ritmo animado do reggae da música que nem percebo que o sinal estava vermelho no semáforo da esquina da escola e passo direto. Por causa da velocidade alta quase atinjo um rapaz que está tentando atravessar a rua. Ele se afasta para não ser atingido.

– Oh meu Deus! – Grito ao perceber o que fiz, freando imediatamente causando uma série de buzinadas atrás de mim. Desligo o som e vou encostando o carro para pedir desculpas ao rapaz, porém não noto que há uma poça d’agua próxima ao passeio e acabo passando o carro por cima dessa que, por sua vez, acaba molhando o rapaz.

Saio do carro correndo tentando acudir a ele.

– Mil desculpas, por favor. Me perdoe, não era a minha intenção. Eu. Eu não vi o sinal vermelho. Me desculpe. – Tiro meu casaco e o cubro. – Por favor, aceite. – A chuva que agora cai sobre nós está mais forte do que antes me molhando totalmente.

– Acho que isso não vai adiantar muita coisa. – Ele responde sorrindo para mim rejeitando o meu casaco sinalizando para a chuva que está caindo sobre nossas cabeças. O seu sorriso é a coisa mais bonita que já vi na minha vida, totalmente branco e enfileirado que deixaria com total inveja qualquer dentista prestigiado no mundo. – Agora um café faria... Depois de quase tirar minha vida acho que isso é o mínimo.

Ele sorri para mim e paro para analisá-lo, quando percebo que já o conheço. Estuda na mesma escola que eu, International Falls School.

– Nós estudamos no mesmo lugar. – Penso alto e automaticamente minhas bochechas ficam vermelhas e tenho que desviar o olhar dele para disfarçar. – Quero dizer, claro que posso lhe pegar um café, é o mínimo.

– Ninguém falou em pagar um café, apenas tomar um café comigo. Meu nome é Noah, Noah Fields.

– Eu sei quem é você. Acho que fazemos algumas aulas em comum.

– Isso não é muito bom então, significa que você também está muito atrasada. – Ele me lembra, pois depois daquilo tudo eu já havia me esquecido totalmente que hoje é segunda-feira e estou completamente atrasada para aula. Olho o horário no meu telefone. Já estava no meio da terceira aula e haviam mais nove ligações perdidas de Britney e uma da minha mãe. – Acho que não vale mais a pena ir para a escola. – Noah me diz.

– Você tem razão. – Respondo guardando meu celular no bolso da saia e vestindo novamente o meu casaco, só então noto que ainda estamos embaixo da chuva que só continua piorando. – Ah, meu nome é Claire. Claire Ellie.

– Sempre se apresenta com o segundo nome? – Ele questiona me olhando nos olhos como se estivesse fascinado com algo dentro deles.

– Para as pessoas da minha escola sim. – Sinto o sangue correr para as minhas bochechas novamente antes que eu consiga prosseguir na explicação. – Minha mãe é professora lá, então eu não gosto de usar o sobrenome para que ninguém me associe com ela. É meio constrangedor.

– Posso saber qual das minhas terríveis professoras é sua mãe? – Ele fala com a maior tranquilidade, como se não estivéssemos embaixo da chuva forte, atrasados para a escola e, por mais insignificante que pareça, eu quase atropelei ele.

– Professora Schmitt.

– Você não parece nada com ela. – Ele me diz, o que me faz me encolher, pois já estou acostumada com esses tipos de comparações, pois sou a cópia fiel do meu pai, e isso é algo que eu odeio que me lembrem. – Você é mais bonita, pequena. – Ele completa a frase me fazendo esquecer totalmente a linha de pensamento que eu estava seguindo. Não consigo evitar que um sorriso brote nos meus lábios.

– Vejo que alguém está interessado em conseguir tirar boas notas em matemática elogiando a filha da própria professora. Isso não se faz. – Digo tentando fazer cara de repreensão, mas não consigo, pois o sorriso volta a surgir no meu rosto como se Noah estivesse contando a maior piada da sua vida.

– Fui descoberto. Por favor, não conte a ela. – Ele levanta as mãos em sinal de que foi pego e não consigo evitar e dou uma risada alta e divertida. – Não quero ser incomodo, mas eu não comi nada, acabei acordando atrasado, que tal irmos tomar aquele café que você está me devendo? Ou prefere ir para a escola, entendo totalmente se você quiser, afinal você é filh-.

– Eu vou. É, você não foi o único que acordou atrasado e não comeu nada. – Meu estômago ronca na mesma hora me lembrando de que aquele sentindo de vazio interior também estava sendo compartilhado comigo. – Entre no carro e vamos comer.

– Andar de carro? Não, vamos andando, gastamos mais tempo e aproveitamos o percurso. De carro as coisas passam tão rápido que não tem a graça de si viver.

E ali, embaixo daquela chuva torrencial quando tudo parecia não dar certo foi que eu encontrei ele, a pessoa que se tornou tão especial na minha vida, aquela de qual todos os meus colegas falavam pelas costas, fofocando e criando mentiras para serem espalhadas. Foi naquele passeio próximo ao meu colégio que notei que eu queria ver aquele sorriso na minha frente mais vezes. Mal sabia eu que aquele sorriso seria o meu alguém para quando eu precisar ligar no futuro no meio da madrugada para dizer “tá doendo pra caralho, vem me ver”, Noah seria o alguém que atravessaria a cidade por mim e isso fez aquela segunda-feira mais feliz.

Notas finais
Gostaram? Noah atrevido? Diferente? q Quero saber tudo o que acharam de como eles se conheceram. Se eu decepcionei alguém, me desculpe, mas aqui é uma história "real" não quero fazer algo que seria impossível de acontecer na vida real. Bem, quero muitos comentários, bem grandes para que eu me sinta inspirada para escrever o epílogo. Para quem não sabe o epílogo vai ser o que aconteceu depois do prólogo, quando a Claire vai atrás do Noah quando ele está no hospital. PS: O trecho no final foi uma "paródia" a um trecho de Caio F. Abreu muito conhecido. Quem quiser conhecer o original só pedir no comentário que eu mando.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.