Problemáticos
4 Adivinha quem veio para o jantar
Notas iniciais
— Ah é, eu esqueci de avisar… — Hugo coçou a parte de trás da cabeça, desviando o olhar. — Ahn.. Katrina, esse é o Castiel, o filho do amigo que eu falei, ele mora aqui também. Castiel, essa é a minha irmã mais nova que eu falei.
— Como é que você esquece de avisar que tem mais gente morando numa casa? — Perguntei incrédula.
Hugo riu constrangido, culpou o trabalho e disse que ia pedir comida pra janta. Eu e o tal Castiel nos olhamos confusos e exasperados. Até aquele momento estivemos brigando: sobre quem de nós é que morava na casa, sobre eu ter deixado o cachorro fugir e imagina se ele corre pra rua e é atropelado, sobre a inexistência do treinamento do cachorro que estava pulando nas pessoas, sobre o esbarrão de antes, sobre de onde, afinal, tinha saído o cachorro, sobre o triciclo amarelo que Castiel tinha atropelado na corrida até a porta para acudir o cachorro, sobre quem ia comer o quê. A única coisa em que parecíamos concordar era que Hugo tinha apenas dois neurônios, cada um preocupado demais em controlar os braços e pernas para ter tempo de formar pensamentos.
— Sabe, seria legal avisar que você vai trazer uma pessoa nova pra casa… — Disse Castiel, indo atrás de Hugo.
— Eu avisei os seus pais, achei que eles tinham falado pra você. — Hugo respondeu, ainda se fazendo de doido. — E você voltou antes, não deu nem tempo de eu contar pra ela também.
— Ué, como você esperava me contar? Não é como se fosse uma coisa super delicada, era só falar “Ah, tem mais uma pessoa aqui na casa, não se assusta se a porta abrir e não for eu”! — Eu intervi.
— Olha, quando vocês forem adultos cansados, explorados pelo capitalismo, sem força e sem tempo vocês vão entender que às vezes a gente simplesmente esquece das coisas. — Hugo disse, fazendo uma pose dramática com as costas de uma mão apoiada na testa, como fazem os personagens de teatro.
— E de onde veio esse cachorro? E onde que você estava esse tempo todo pra não ter visto uma pessoa a mais morando na sua casa? — Perguntei a Castiel.
— Não que seja da sua conta, mas eu estava viajando antes das aulas começarem e o meu cachorro estava num hotel. Pedi para deixarem ele aqui de manhã. — Respondeu de má vontade.
— Jovens, sejam mais amigáveis! Mal se conheceram já tão brigando… — Hugo disse e logo se encolheu com os olhares de raiva que eu e Castiel lançamos em sua direção. — Meu deus, que aura tóxica, tinha até que acender um incenso aqui pra limpar. — Ele disse gesticulando vagamente pra sala e saiu de fininho em direção à cozinha.
Castiel logo saiu também, indo para o segundo andar. Dragon, o cachorro, o seguiu feliz escada acima. Respirei fundo. O dia tinha realmente mudado nas últimas horas. Pensei como seria morar com um desmiolado e um pavio curto. Meu celular vibrou e vi que Hugo tinha feito um grupo chamado “CASA DO CLEITINHO” comigo, ele mesmo e Castiel. “Quem diabos é Cleitinho?”. Meu irmão mandou uma mensagem avisando que ia no mercado comprar comida e perguntou se a gente queria alguma coisa. Castiel respondeu que receberia amigos e eles iam cozinhar, então não queria nada. “Ótimo, provavelmente mais gente doida que nem ele”.
Subi para o meu quarto, troquei o uniforme sujo com patas de cachorro por roupas confortáveis. Pela parede conseguia ouvir música, que assumi vir do quarto de Castiel, parecia ser uma guitarra. Ouvi Hugo sair para o mercado, seguido por Dragon. O som das unhas do cachorro batendo no chão conforme ele descia a escada era engraçado e os latidos abafados quando a porta se fechou me lembraram dos chihuahuas e pinscher da tia Verônica, que os chamou de Lilica, Malandro e Pipoca. Grandes dedos-duros que sempre avisavam quando eu voltava da escola mais tarde do que o normal ou saia pra dar uma volta sem pedir permissão.
Depois de um tempo ouvi Dragon latindo de novo. A campainha tocou e Castiel desceu para abrir a porta. Os barulhos abafados de pessoas falando se moviam, ficando mais altos ou mais baixos conforme eles andavam. Decidi colocar meus fones de ouvido e ouvir algum podcast.
No meio do programa, ouvi uma batida na porta.
— Hugo? — Falei alto. A porta se abriu.
— Menina eu não acredito que é você! — Pra minha surpresa, Alexy estava lá, sorrindo. — A gente tá cozinhando lá embaixo, vem também! — Com isso ele me puxou pelo braço em direção a porta.
Sentados na sala, todos conversavam alegremente. Menos eu e ele. Ele estava sentado no chão, sobre o tapete felpudo, com o tronco encostado no sofá, digitando em seu celular, fazendo carinho em Dragon com uma das mãos. Eu estava sentada de frente pra ele, em uma das poltronas da sala. As vezes nossos olhares se cruzavam e em seguida os dois desviavam. Infantil, no mínimo. Me senti ridícula por não dizer nada.
— Ei, sobre mais cedo… — Ele me cutucou com o pé, me fazendo olhar pra ele. — Foi mal, eu estava de mau-humor.
— É, eu reparei. — Respondi tentando manter a pose. — É, acho que eu também não fui muito legal.
— Iris e os gêmeos não param de falar do show de talentos. O que foi aquele seu malabarismo, inclusive? Patético. Melhore.
— O que a gente não faz por comida grátis, não é mesmo?
— Você parece o Hugo. Ele é esquisito também. — E com isso voltou a mexer no celular. “A audácia da pessoa de falar uma coisa dessas”.
— VENHAM JANTAR! — Armin gritou da cozinha. Todos se levantaram e foram até a mesa. — Hoje nós teremos um delicioso arroz levemente queimado com hambúrgueres congelados e uma saladinha show, de alface com tomate. Não sejam tímidos, podem atacar!
— Olha só! Armin nunca fez nada tão complexo antes. — Castiel disse com desdém.
— Não é? — Iris riu, se apoiando na bancada da cozinha. — Estou impressionada! O que foi que fez você decidir cozinhar qualquer coisa que não fosse miojo com salsicha?
— Respeita a minha culinária! — Armin bateu em Iris com um pano de prato.Ela riu e voltou para a sala, sentando-se perto da mesa de centro. — Eu quis comemorar que estamos todos juntos… Castiel finalmente chegou, a Katrina teve o seu primeiro dia na escola e virou amiga dos melhores, ou seja, nós… e eu fiz uma aposta com o Alexy que eu conseguia cozinhar outras coisas também.
— Ah! — Disse Iris, rindo da cara vermelha dele. — Então tá explicado!
— Mas saiba que o senhor não ganhou. — Disse Alexy, levantando a tampa das panelas. — Você carbonizou o arroz e olha só esses hambúrgueres! — Ele disse levantando um pedaço de hambúrguer, escuro e seco. — Sinceramente, você conseguiu queimar tudo… Me surpreende que não tenha queimado a salada também.
— Mas eu cozinhei! — Respondeu Armin. — Você não disse que tinha que estar delicioso, só que eu tinha que cozinhar.
— Ah, quer dizer que é mais importante que o bonito ganhe a aposta do que a gente comer?- Provoquei.
— Ela tá certa! EU ganhei! — Alexy disse e correu para trás de Castiel enquanto Armin balançava furiosamente um pano de prato em sua direção. — Vamos pedir uma pizza minha gente, porque eu que não vou comer esse carvão aí!
— Hugo foi no mercado, podemos pedir pra ele trazer alguma coisa! — Sugeri.
— Olha, não é por nada não, mas não confie muito na memória do Hugo viu. Ele é meio atrapalhado das ideias. A minha família tem uma vendinha e toda vez que o Hugo vai lá ele volta pelo menos mais duas vezes depois, porque esqueceu alguma coisa. — Iris disse, da sala.
— É eu tenho percebido mesmo…
— Vamos pedir a pizza então? — Disse Alexy, com o celular já na mão. Ninguém se opôs.
Hugo chegou pouco depois do entregador de pizza, com várias sacolas e uma cara de derrota.
— Que demora! — Eu disse, enquanto ele tirava as coisas das sacolas. — Mas que bom que você veio, você pode pagar a minha parte da pizza?
— Eu tive que voltar porque no meio do caminho lembrei que tinha esquecido de pegar os sacos de lixo… — Ele explicou.
— Eu disse… — Iris falou baixinho, piscando pra mim.
— Quantas pizzas vocês pediram? — Hugo se virou para nós.
— Pedimos 3, uma de frango com catupiry, uma marguerita e uma de rúcula com tomate seco e um queijo aí. — Armin respondeu, pegando os pratos e colocando na mesa. — Gorgonzola eu acho…
— Hum, eu vou querer também! — Hugo pareceu ficar mais animado. — Me incluam na conta também.
Comemos, tomamos os refrigerantes trazidos pelo Hugo da sua longa peregrinação para o mercado e os gêmeos importunaram Castiel até que ele fosse buscar em algum lugar da casa um jogo de tabuleiro. Iris se divertia com a dinâmica e Hugo parecia mais focado em comer do que qualquer coisa. Eu estava me divertindo também, apesar de estar meio deslocada do grupo, já que todos já se conheciam.
— Que bom que agora você vai ter amigos e sair do meu pé. — Disse meu irmão, com a boca cheia. Joguei uma azeitona nele. — Muito legal da sua parte compartilhar seus amigos Castiel, ta virando um mocinho muito gentil, que orgulho.
— E você acha mesmo que foi ele que apresentou a gente? A gente chegou aqui ele tava parecendo que ia pegar alguém na porrada, reclamou um monte da diretora, da escola, da sua irmã.Eu, com meu brilhante cérebro, tive que ligar os pontos e entender que era ela que tava morando aqui. — Disse Alexy, na sala de estar, abrindo o tabuleiro e recolhendo as cartas. Castiel bufou. — A gente se conheceu no show de talentos da escola.
— Show de talentos? Eles ainda fazem isso? — Hugo perguntou, se levantando e levando o prato sujo para a pia. Como ele era o último a terminar de comer, fomos todos juntos para a sala, onde Alexy e Castiel montavam o jogo.
— Ôh se fazem! Esse ano teve até sorteio de bicicleta. — Armin disse. — Bem que eles podiam sortear algum videogame.
— E o que a minha querida irmã fez, contem com detalhes por favor! — Hugo disse, lançando um sorriso maléfico para mim.
— Malabarismo. Sabe, foi um trabalho em equipe. Ela subiu lá e não sabia o que fazer, daí tiraram na roda das sugestões e saiu malabarismo. O Nathaniel perguntou se ela tinha alguma coisa pra fazer o malabarismo e ela disse que ia fazer com as meias, mas como só tinha duas eu emprestei a minha pra ela. — Continuou Alexy. “Ah, então o loirinho é Nathaniel”.
— Poxa, podia ter saído alguma dança bem complexa. Malabarismo com meia não é lá essas coisas.
— Bom, me chamaram de nojenta por usar as meias, então acho que depende do público. — Respondi, me lembrando da menina loira no bicicletário.
— Mas são só meias e são suas ainda! E a minha tava limpinha com cheiro de chiclete. — Alexy disse. — Quem é que acha isso nojento?
— Uma menina loira, estilo patricinha? Acho que eu a vi mais cedo intimidando um menino menor.
— Ah, essa é a Ambre! — Disseram todos.
— Costumávamos ter uma Ambre no meu tempo também… — Hugo nos olhou de um jeito divertido.
— Diga que ela sofreu as terríveis consequências de seus atos, por favor! — Disse Armin. — Nós precisamos nos agarrar a alguma coisa, sabe?
— O último que eu soube é que ela começou a namorar um cara podre de rico e estava passando um tempo nas Bahamas. Vamos torcer pra que a de vocês tenha um pouco menos de sorte.
— O mundo é realmente um lugar injusto… — Disse Alexy, jogando os braços para o alto.
— Vocês dão muita atenção pra sem-noção. — Castiel disse, ainda montando o tabuleiro no chão. “Parece ser um jogo elaborado”.
— Pra você é fácil falar! — Armin estava exasperado. — A insuportável está apaixonada por você, ela não te perturba nem 10% como perturba o resto de nós plebeus.
— Eu sou perturbado de uma forma diferente. Acho que é a bênção e a maldição de ter uma beleza abaladora como a minha, sabe? — Castiel respondeu com um sorriso sarcástico. Hugo ria como os idosos que olham para crianças brincando no parque. “Quantos anos ele acha que tem de diferença entre nós e ele?”.
Terminamos a noite jogando, Armin venceu todos nós no jogo e entrou em uma discussão com Alexy sobre como seu “grande triunfo” valia o dinheiro da aposta do jantar. Alexy, claro, o mandou tomar num local onde o sol não bate. Castiel temperava a conversa com comentários sarcásticos aqui e ali enquanto Iris se lamentava de ter perdido, Hugo jazia deitado no braço do sofá babando sobre uma almofada, de alguma forma imperturbado pela ruidosa conversa e Dragon, semelhante a Hugo, se deitava sobre o colo de Castiel, que lhe alisava o pelo. Em algum momento uma moto passou na rua, acordando Dragon, que se levantou bruscamente e começou a latir, acordando também meu irmão, que levantou num pulo e enxugou a baba de seu queixo, assustado. Esse foi o sinal pra que Hugo sugerisse que cada um tomasse seu rumo, ainda era uma plena segunda-feira. Os gêmeos saíram, após arrumar o tabuleiro e acompanharam Iris de volta pra sua casa.
— Vocês dois também! Muito importante ter o sono de beleza na idade de vocês. — Hugo disse, meio desorientado ainda de sono, caminhando para a escada. — Poxa, num dia a gente é jovem e vira a noite toda jogando e no outro dorme no sofá antes da meia-noite… Que triste é ser adulto…
— Ele resmunga como um velho. — Castiel disse, se levantando e subindo também. Então ele virou pra mim. — Olha, não entenda mal. Eu não sou seu fã, mas eu vou tentar manter uma convivência ok porque eu quero sossego em casa e também porque eu tenho muita consideração pelo seu irmão, mas nós não vamos andar juntos e agir como melhores amigos só porque você mora aqui, ok?
— O que te faz pensar que eu esperava isso? — Perguntei indignada. — Eu vou fazer tudo respeitosamente dentro de casa, já que sou uma convidada, mas também nunca pedi sua compaixão. Não sei se Hugo pediu que você me desse uma força ou quê, mas fique tranquilo que eu sei me virar.
— Ótimo, então estamos entendidos.
E com isso ele subiu e eu fiquei contemplando a sala vazia com um pouco de raiva. “Que pessoa mais desagradável esse menino. E arrogante!”
Durante essa semana conheci a escola, mais alguns alunos, esbarrei com a famosa Ambre e suas minions algumas vezes, assisti aulas e mais aulas e evitei o contato com Castiel, que de qualquer forma nunca estar em lugar nenhum na escola, mesmo que todos tivessem algo a dizer sobre ele.
— Ele tem esse dom de sumir, mesmo com aquele cabelo vermelho. Eu acho bem impressionante pra falar a verdade… — Disse Armin, certa vez.
Na sexta-feira a diretora anunciou pelos megafones da escola que durante o intervalo seriam mostrados os resultados da votação do show de talentos.
— Quem será que ganhou esse ano? — Iris perguntou de boca cheia, comendo um sanduíche.
— Bom, certamente que não fui eu… — Respondi, me lembrando do fiasco com as meias.
— Uma pena, seria bem útil ter uma amiga que tem passe livre na cantina. — Armin disse, sem tirar os olhos do seu jogo.
— Pra mim seria útil a bicicleta isso sim, não aguento mais aquele triciclo do Hugo! De onde diabos ele tirou aquilo?
Todos riram, ninguém sabia também de onde Hugo tirava essas coisas. Andamos até o auditório de antes, passando por alunos animados e tagarelas. Ficamos perto da porta já que o lugar já estava lotado e vimos o menino loiro de antes novamente subir ao palco para falar.
— Bom dia a todos! Hoje finalmente vamos divulgar os resultados do show de talentos, mas antes precisamos fazer alguns avisos da direção. Primeiro, é importante lembrar que comparecer às aulas é obrigatório, essa semana já tivemos muitos alunos andando pelos corredores fugindo da aula, vamos ficar atentos a isso. Segundo, ainda sobre a fuga às aulas, não se esqueçam que vocês tem um número limitado de faltas sem justificativa que podem ter se não quiserem reprovar nas materias ou serem expulsos, fiquem atentos pra não gastar tudo no começo do ano letivo. Mais uma coisa, para os alunos novos, procurem se inscrever em um dos clubes até o final do mês, caso haja dúvidas podem passar na sala do grêmio. Por fim então, vamos aos resultados! Nós tivemos dois ganhadores então vamos ter que dividir os prêmios.
— Como ele é chato! — Disse alguém próximo de nós.
— O que tem de bonitinho tem de super apegado com as regras da escola, bleh! — Respondeu outra voz.
— Que maldade com o Nathaniel… — Iris murmurou do meu lado. — Ele só está fazendo a função dele.
O tal do Nathaniel desceu do palco e voltou com um envelope. Anunciou alguém como vencedor da bicicleta e um segundo lugar com um ano grátis de um lanche por dia na cantina. Os ganhadores subiram ao palco, animadíssimos, e foram orientados a passar na secretaria no fim do dia para retirada dos prêmios. Fomos todos dispensados e voltamos para o pátio.
— Clubes é? Que clubes têm aqui? — Perguntei.
— Ah, temos vários! Eu pessoalmente sou do clube de música. — Iris respondeu.
— E vocês dois?
— Nenhum. — Alexy respondeu. — Eu não gosto de nada e o Armin só falta sair correndo pra chegar em casa e passar a tarde jogando.
— E você pode me culpar? — Armin respondeu. — Eu to quase zerando o The call of darkness and blood.
— Bom, acho que eu vou passar pra ver isso mais tarde então. Quem sabe né?
No final do dia eu passei na sala do grêmio. Nathaniel estava lá dentro, junto com uma menina de cabelos longos e castanhos. Ele veio me cumprimentar.
— Oi, posso ajudar?
— Ah oi, eu queria saber mais sobre os clubes da escola. — Respondi.
— Ah sim. Melody, você pode pegar as pastas dos clubes pra mim?
— Claro! — A menina se virou para um arquivo no final da sala e puxou algumas pastas, depois entregou-as para Nathaniel. — Aqui. Eu vou ter que ir agora, tenho dentista agora de tarde.
— Obrigado, Melody. Boa consulta. — Ele pegou as pastas e as espalhou pela mesa. — Aqui, esses são os clubes que nós temos: Jardinagem, basquete, música, artes, vôlei, teatro e debate.
— Debate? O que é que eles fazem?
— Bom, é um clube organizado pelos professores de filosofia e sociologia. É pra conversar sobre tópicos polêmicos e aprender a argumentar.
— Ah, entendi.
— Não é um clube, mas você também pode entrar pro conselho estudantil, sempre aceitamos novas pessoas. O trabalho por aqui nunca acaba. — Ele deu um riso simpático.
— Dá pra ver. Isso não é trabalho da secretaria? — Comentei, olhando em volta da sala cheia de arquivos, papéis e pastas.
— Bom, eles fazem a maioria das coisas, mas nós ajudamos com coisas como o contato com os alunos, o intermédio entre o corpo docente e o discente e os clubes, entre outras coisinhas.
— Quantas vezes por semana a gente tem que participar?
— Varia bastante do clube. Os clubes de basquete e vôlei revezam os dias, já que eles usam o mesmo lugar. Acho que eles usam o clube duas vezes por semana cada e um dia fica livre pra uso dos alunos caso queiram fazer alguma coisa na quadra. O de jardinagem é umas três vezes por semana, já que as plantas precisam de cuidado. Os outros são uma vez ou duas por semana, dependendo da disposição dos professores responsáveis e dos alunos.
— Nossa é bastante tempo…
— Isso é. A parte legal é que você pode fazer amigos e participar de competições com as outras escolas do estado. Muitos clubes fazem intercâmbio de alunos pra competições e parcerias. Fora que os clubes ajudam a dar uma melhorada nas notas no final dos semestres, cada clube dá meio ponto nas médias.
— Eu posso ir conhecer os clubes?
— Claro! Você não é obrigada a escolher nada fixo por enquanto. O aviso de escolher até o fim do mês é porque tem alguns clubes que tendem a lotar antes que outros, daí o resto do ano a gente tem que ficar regulando o número de alunos.
Na volta para casa, no meu incrível triciclo amarelo, pensei sobre os clubes. Artes, jardinagem e debate até pareciam interessantes. “Vamos ver isso semana que vem”.
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