Problemático
1 Problemático - Capítulo único
Notas iniciais
Quero agradecer aos leitores de O Herói do Mundo Ninja, que me ajudaram a escolher o próximo casal a ser abordado em One-shot. Valeu a todos (todos, não só aqueles que optaram por ShikaTema) pela participação!
E, falando com todos, meus já leitores e aqueles que estão me conhecendo agora, espero muito que gostem. Boa leitura para todos o/
Vila Oculta da Areia.
Finalmente tudo havia acabado. Depois de quase dois meses, aquele tinha sido o último dia do Exame Chunnin. Era tradição que na terceira fase houvesse batalhas individuais, e, para Temari — uma das pessoas responsáveis pelos exames —, não foi surpresa nenhuma ver Naruto Uzumaki se tornar o indubitável vencedor de todos os combates; ele era um herói de guerra consagrado, nenhum outro oponente teria chance de combatê-lo.
Quieta, ela andava acompanhada de seu típico parceiro e, assim como ela, examinador do Exame Chunnin ocorrido na Areia. Temari gostava do fato de Shikamaru ser uma pessoa reservada, achava isso algo atraente nele, além, obviamente, da inteligência sobre-humana. Também a indiscutível tendência ao tédio, que ocorria, geralmente, quando uma tarefa relativamente trabalhosa era posta à frente do rapaz. As reações de Shikamaru, via de regra, faziam Temari revirar os olhos, ralhar com ele e, também, achar certa graça.
— Ah, olha lá. Parece que o fã-clube do Naruto se estendeu à sua vila também. — Temari acompanhou o dedo de Shikamaru indicar um grupo de meninas, que, pelas ruas, suspiravam com ar pateticamente apaixonado. Elas erguiam faixas com os dizeres: “Naruto-sama, amor eterno”, “Naruto-kun, case comigo”, “Naruto, eu te amo” dentre outras baboseiras que quase fizeram Temari ter ânsia de vômito.
— Essas oferecidas... — resmungou Temari.
— Estão esperando o Naruto passar por aqui. — Já tinha passado pelo bando de fãs do loiro, o que pareceu um alívio à Temari e Shikamaru. — Tsc. O Naruto vai ter uma surpresa e tanto quando estiver voltando para os aposentos dele
— Surpresa? Com o barulho que aquelas destrambelhadas estão fazendo duvido muito que o Naruto irá se surpreender. — Temari revirou os olhos.
— É o que acontece quando se é um herói de guerra famoso — comentou Shikamaru, sacudindo os ombros.
— Forte e bonito também. — Temari riu da careta desentendida de Shikamaru. — Apesar de ser bem idiota às vezes.
— Ah, é verdade. — Shikamaru riu também.
Para Temari, Naruto Uzumaki foi, indiscutivelmente, o maior nome da Quarta Grande Guerra Ninja, o trunfo da Aliança Shinobi; merecia ser venerado. Além disso, ela também o achava um rapaz carismático, criativo, engraçado, forte e bem atraente; o tipo de garoto que muitas gostariam de ter por namorado. Ela, porém, via em Naruto nada além de um bom amigo de longa data, assim como muitos outros que ela conhecera na Vila da Folha. Naruto não fazia o tipo de garoto ideal para Temari; apesar de todas as qualidades, ele era bem escandaloso e um pouco idiota, e ela não valorizava tais características.
Dobraram outra esquina, e Temari viu a grande muralha que circundava a Vila da Areia; estava quase chegando a sua casa.
— Nunca aprendi a andar pela Areia sem me perder — comentou Shikamaru.
— É sério? Fico admirada em ouvir isso de um cara como você.
— Por quê?
— Porque você é inteligente, oras.
Shikamaru bocejou.
— Isso não tem muito a ver. Na verdade sempre tive preguiça de prestar atenção nos caminhos.
— Desleixado. Por isso foi o examinador que mais se atrasou durante o Exame Chunnin.
— Que já terminou, inclusive. Pare de ser tão problemáti...
Por mais brilhante que Shikamaru pudesse ser, ele sempre era pego de surpresa quando Temari queria lhe aplicar um soco no estômago. Faltou ar a Shikamaru Nara, que, por pouco, não caiu de joelhos sobre o chão arenoso. Severa, a garota observava-o.
— Quem é problemática, Shikamaru Nara? — indagou; a voz rígida.
Foram necessários alguns minutos até Shikamaru conseguir respirar decentemente mais uma vez. Ele pensou que, a partir daquele momento, jamais deveria desconsiderar quão durona e assustadora poderia ser Temari. Ela lembrava-lhe Yoshino Nara, sua mãe que, assim como a Jounin da Areia, era absurdamente medonha.
“Pai, acho que entendo o que você dizia a respeito das mulheres... Elas são complicadas de entender. Aterrorizantes também, muito” pensou.
— Ah, pare de fazer essa cara. Eu não soquei com tanta força — ela reclamou.
— Não, claro que não...
Andaram mais alguns metros. A porta de casa já estava à vista de Temari quando outra pessoa, um rapaz um pouco mais baixo que Shikamaru, apareceu diante dos dois.
— Que bom que achei vocês! Aquelas garotas são verdadeiras taradas! — disse apavorado.
— Naruto! — Temari exclamou, sobressaltando-se. — Não apareça assim na frente dos outros, idiota!
Imediatamente, Temari se virou para Shikamaru, como se esperasse dele um apoio. Contudo, ele apenas cumprimentou o companheiro de vila.
— Estou dizendo. Preciso fugir delas e... — Naruto parou, observou com extrema atenção os dois à frente dele, e apontando acusadoramente para ambos, exclamou:
— Eu sabia! Eu sabia que vocês estavam saindo!
Tudo ao redor pareceu congelar no tempo. Os olhos arregalados, as faces confusas, os corpos rígidos, os corações recém-recuperados de uma rápida palpitação; Shikamaru e Temari olharam para Naruto estupefatos, depois um para o outro, e novamente para o Uzumaki.
— Francamente, seu imbecil. — Temari suspirou irritada. — Você falou a mesma coisa uns tempos atrás.
— Mas é que vocês dois estão sempre juntos e...
— Tsc. Sempre tirando conclusões precipitadas. Até parece que eu sairia com alguém como o Shikamaru. — Ela virou o rosto para o rapaz ao lado. — Não é verdade, Shikamaru?
— Hum? Ah, é, você diz.
— Viu, Naruto? Não saio com alguém como ele. — E apontou o dedo para Shikamaru.
— Tsc. Mulheres... Sempre tão complicadas — murmurou Shikamaru baixo o bastante para não ser ouvido por Temari.
— Quer dizer que vocês dois... Vocês não...? — Naruto perguntou desconcertado.
— Não, Naruto. Eu já disse.
— Ah, descul... NÃO ACREDITO! ELAS DE NOVO!
O grupo estava muito maior do que o primeiro, o visto por Shikamaru e Temari. Falar em uma centena de garotas fanáticas e apaixonadas por Naruto não seria exagero. Elas vinham na direção do loiro como um enxame de abelhas. Os gritinhos delas causavam dores do estômago de Naruto, que, amedrontado, desapareceu dali às pressas, para o desapontamento das fãs.
— Rápido! O Naruto-sama não deve estar longe! — gritou uma delas para as demais.
Desesperadas, dispersaram-se dali em questão de segundos.
— Incrível, não acha? O Naruto lutou ferozmente na guerra, mas está fugindo de um bando de garotinhas — disse Temari já recuperando o humor.
— Mulheres conseguem ser assustadoras.
— O que quer dizer com isso?
— Deixa pra lá.
— Tsc. Homens... Sempre tão complicados. — Shikamaru sobressaltou-se e virou o rosto para Temari, que sorria travessamente para o rapaz.
“Ela ouviu o meu sussurro?” admirou-se silenciosamente.
Finalmente ela chegou a casa. Já podia sentir, mesmo do lado de fora, os cheiros doces do quarto arrumado e dos lençóis perfumados; dormiria o resto da tarde, pensou consigo. No portão, virou-se para Shikamaru.
— Foi bom conversar com você, senhor examinador.
— Idem — ele disse preguiçosamente. Temari enrijeceu a feição.
— Você consegue voltar sem se perder? Se não estou enganada, você não costuma prestar atenção no caminho.
Shikamaru deu um sorriso descontraído.
— Não se preocupe. Desta vez prestei atenção.
— Ah, prestou, é? — Temari arqueou a sobrancelha, sorrindo amistosa. — Posso saber por quê?
— É aqui que você mora, não é? — Temari se calou ao ouvi-lo confessar. Por alguma razão, achou que as próprias bochechas estavam ficando vermelhas.
Voltou à realidade quando viu Shikamaru acenar-lhe.
— Bem, é isso. Amanhã vai ser um dia longo de viagem de volta à Folha — falou com a voz cansada. — Até mais, Temari. Espero vê-la em outra oportunidade.
E deu as costas para a loira.
Ela poderia ficar ali, parada, observando-o sumir de seu campo de visão, mas não o fez. Algo dentro dela a impulsionou a falar.
— Idiota — disse em voz alta, fazendo Shikamaru parar de andar. — Estarei com você quando a comitiva da Folha deixar esta vila. Como irmã do Godaime Kazekage esse é meu dever.
Shikamaru balançou a cabeça, divertido, e se virou, tornando até o portão de Temari.
— Claro que é.
— Vê? Eu sou uma diplomata, Shikamaru. Aprenda comigo, já que deseja ser o conselheiro do Naruto quando ele for o Hokage.
Então pairou o silêncio. Tanto Temari quanto Shikamaru acharam que o outro diria algo a mais, justamente para não deixar a conversa tão prazerosa entre eles morrer. Ele pareceu encontrar algo interessantíssimo nos próprios pés; ela, no céu.
— Estou esperando, Shikamaru — resmungou.
— Esperando?
— Você me convidar para sair. — A voz dela sugeria que aquela resposta era óbvia. — Eu gosto de doces de castanha e sopa Kenchin — acrescentou.
— Sair? Mas você não disse que...? Quer dizer...
Temari balançou a cabeça negativamente, revirando os olhos impacientes. Já estava bem à frente de Shikamaru, observando-o sem piscar. Para Shikamaru, o olhar inexpressivo de Temari era indecifrável. Por mais perspicaz que fosse, naquele instante, diante de Temari, ele pareceu confuso, perdido.
Ela aproximou o rosto do dele de uma forma que Shikamaru não compreendeu. Desconcertado, ele a aguardou agir; talvez pudesse entender melhor o que estava acontecendo ali.
Mas aqueles olhos azuis escuros eram tão problemáticos...
Ele já podia sentir a respiração dela. Os lábios tão próximos, quase se tocando. Shikamaru, por instinto, fechou os olhos...
E aguardou algo que não aconteceu.
— Às sete horas no meu portão. Esteja elegante. E não se atrase, senão mato você. Ouviu bem, bebê chorão? — ela disse bem próxima do rosto dele, sorrindo e dando-lhe as costas, respectivamente.
Sem dúvida, aquela foi uma sensação estranha. Tudo foi muito confuso e problemático, extremamente problemático. Um soco fortíssimo na boca do estômago, um fora, uma “ordem” para sair, uma aproximação tão calorosa que quase resultou em beijo... Tudo no mesmo dia, tudo causado pela mesma garota. Shikamaru poderia ficar li parado por horas tentando compreender o ocorrido, mas resumiu-se em uma simples pergunta:
— “Bebê chorão”?
Temari, que já tinha aberto a porta de casa, se virou e respondeu:
— Depois que eu te salvei daquela garota da flauta, lembra? Na sua missão de resgatar o Sasuke do Orochimaru. Eu me lembro de que seu pai reclamou muito com você sobre seu fracasso, ao ponto de te fazer chorar e tudo. Eu estava lá com você, eu vi.
A lembrança voltou rapidamente à memória do ninja.
— Não acredito. Pensei que você tivesse se esquecido disso. Aconteceu há tanto tempo.
Temari riu.
— É verdade. Mas, pensando bem, até que você estava bonitinho, sabe. — Ela virou as costas mais uma vez para Shikamaru, que, estranhando tudo aquilo, perguntou:
— Bonitinho?
Temari, de costas, sorriu timidamente. Depois, já com a feição mais rígida, virou-se para Shikamaru e, franzindo a testa, perguntou:
— Ainda está aqui, Shikamaru? Não se esqueça: sem atraso, ou mato você. — Ela, por fim, entro em casa e fechou a porta.
Sozinho diante da porta de madeira, Shikamaru suspirou, arrastou o pé direito sobre a areia do chão, pôs as mãos nos bolsos da calça e tomou o caminho de volta, olhando para o céu ensolarado.
— Ela é tão problemática...
Notas finais
Nos vemos em outra oportunidade!
Até mais o/
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