Probleminha peludo
1 Capítulo único
Notas iniciais

Tinha uma semana que Lily ignorava James. Sirius não suportava mais ouvir os lamentos do amigo. Até porque se Lily havia sido capaz de perdoar ele, Sirius Black, ela também seria capaz de perdoar James. Mas ela não parecia estar muito disposta a isso.
Ele não entendia muito o porquê de parecer tão difícil que James pudesse ter feito a brincadeira sem pensar que o idiota do Snape iria xingar a garota. James era caidinho por ela, e todo mundo sabia. Ele nunca faria algo com o intuito de machucar a ruiva.
Moony tentava explicar a James que Lily precisava de um tempo. Afinal uma de suas amizades mais antigas havia acabado, e de certa forma a culpa era dos dois marotos. Apesar de entender, o James de quinze anos era mestre em fazer drama, e aumentar suas emoções, como todo adolescente tem costume de fazer. Ele estava destruído, não conseguia dormir, e havia entrado no estágio de não querer comer, tudo porque ela não dirigia uma palavra sequer a ele. Pelo menos, isso era o que os amigos viam acontecer, porque para o resto de Hogwarts, as olheiras e as sumidas nos banquetes eram sinal de que James estava muito ocupado com alguma pegadinha.
Mas uma semana se passou. Era a semana da lua cheia, e isso já começava a afetar Remus. Os marotos agora contavam com dois “doentes”, e Remus sabia que precisava fazer algo em relação ao estado do amigo enquanto podia ajudar. Mas durante os primeiros dias da semana ele percebeu que Lily havia adquirido a habilidade de evitar qualquer um deles a todo custo. Ela utilizava passagens secretas que só ele e seus amigos sabiam existir, entrava no banheiro feminino e demorava, parava um professor no corredor para conversar e assim ia a longa lista de escapadas que ela planejava.
No dia da lua cheia, Remus acordou decidido a falar com ela a qualquer custo. Mas para seu desapontamento, logo no inicio do dia recebeu a informação de que Lily encontrava-se muito indisposta e tinha ficado de repouso em seu dormitório.
O garoto se arrastou pelas aulas, tentando se manter firme o máximo que conseguia para não perder nenhuma. No final do dia, Remus foi até o lago. Estava cansado dos olhares assustados que seus colegas dirigiam a ele. Tudo bem que ele estava extremamente pálido e sem forças, mas se eles soubessem a verdadeira razão dele estar assim veriam que a situação em que Remus se encontrava era até boa. Pelo menos era o que ele pensava, até ser traído por seus próprios pensamentos. Com o inverno que havia chegado, a noite vinha muito mais cedo, e quando estava perto do lago suas pernas começaram a ceder. Remus sentia suas forças serem drenadas. Entrando em pânico ele tentou se levantar e passar pela passagem do salgueiro, mas de todo jeito ele sabia que seria inútil se não tivesse alguém com ele para abrir passagem.
“Remus!”- ele ouviu a voz de alguém conhecido, e logo em seguida sentiu duas mãos pequenas em seu rosto e duas orbes verdes o encarando.
“Chame o James! Por favor!”- ele sussurrou, e com a voz assustada implorou.- “Vai embora Lily. Chame o James!”
Ele não sabia se ela ia acatar ao pedido/ordem que ele havia feito, Lily sempre fora muito cabeça dura. Mas o medo de que ela visse o monstro que ele era, era muito grande. Ele não conseguiu perceber se a garota ainda estava ali, sua visão começou a ficar turva, e o instinto inumano o consumiu antes que pudesse perceber.
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Remus abriu os olhos. Levou alguns segundos para lembrar do que havia ocorrido ontem. Então levantou desesperado, caindo com tudo no chão. Alguém o ajudou a levantar.
“Uou! Vai com calma cara, a noite foi um pouco conturbada.- Remus reconheceu a voz de Padfoot.
“Mas o que...”
“Cara, você perdeu. Lily ameaçou um menininho do primeiro ano para saber qual era o nosso dormitório, e depois invadiu nosso quarto. Tudo isso procurando pelo James. Então ela falou que você estava se transformando e que de alguma forma bizarra que ela não sabia o porque você estava chamando pela gente...”
“Ela sabe?”- Remus interrompeu o amigo.
“Não sei. Ela fez James prometer que iria explicar tudo para ela de manhã. Ele saiu já a uma meia hora para falar com ela.”- Sirius explicou.
“Sim. Você acredita que ela sabia desde o primeiro ano? Ela descobriu antes da gente.”- uma terceira voz respondeu.
Remus olhou para trás, dando de cara com um James cheio de curativos e um sorriso maroto no rosto. De detrás dele surgiu uma figura ruiva com a cara preocupada. Lily correu até Remus o envolvendo em um abraço. Atônito ele retornou o carinho com cuidado, sem entender muito bem porque ela não correra dele. Quando ele lhe fez a pergunta, ela apenas deu de ombros.
“Você não é um monstro, está muito longe de ser. Como seu amigo ali me explicou, você só tem um probleminha peludo.’
“Então você continuará sendo minha amiga?”
“Mas é claro! Que pergunta boba! Não trocaria sua amizade por nada.”- ela sorriu para ele. Então direcionou sua atenção para Sirius que tinha a blusa empapada de sangue.- “Quer alguma ajuda com o machucado, Black?”
Não era possível adivinhar qual dos três amigos ali tinha a expressão mais chocada. James era o único que já tinha passado por isso, alguns minutos antes de leva-la até a Casa dos Gritos.
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Foi assim que Lily descobriu o maior segredo dos marotos, e se tornou amiga de cada um dos quatro, ( com exceção do James, porque dele, ela virou muito mais do que amiga). Foi assim também que Remus percebeu que haviam pessoas dispostas a julga-lo pelo seu caráter, suas ações e atitudes e não por seu “pequeno probleminha peludo”.
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