Problemas
48 Sorry
Notas iniciais
Yeah, is it too late now to say sorry?
Cause I'm missing more than just your body
Is it too late now to say sorry?
Yeah I know that I let you down
Is it too late to say I'm sorry now?
Meu irmão tira o foninnho do meu ouvido.
— Você está cantando alto. — Ele diz. — Bem alto....
— Desculpa. — Digo envergonhada.
Olho para o lado e vejo Joy que estava claramente adorando conhecer a floresta, parecia que sua metade lobo estava no comando agora, ela cheirava tudo e até uivava algumas vezes.
Vou correndo atrás dela que sai correndo feliz por alguém ter lembrado de brincar com ela. Joy adorava atenção e se não conseguia de ninguém vinha até mim como segunda opção.
Depois de meia hora estou exausta e pela primeira vez na frente de todo mundo. Sento no chão e encosto numa árvore. Joy deita no meu colo e me encara por um tempo.
— É bom que olhe bem pra mim e aprenda que eu sou sua dona. Não o Ethan! Não quero você correndo atrás dele. Ele é meu namorado!
De repente começo a gargalhar e Joy me olha como se fosse louca. Talvez eu fosse mesmo, estava conversando com uma cadela.
— Não acredito que estou com ciúmes de uma cadela!
Algum tempo depois escuto sons de passos.
— Falando sozinha? — Pergunta Ethan.
— Não. Só desabafando com Joy.
— E ela te dá bons conselhos?
— Não... Acho que ela até dormiu aqui.
Ethan abaixa a cabeça para olhar ela.
— É... Sabe uma coisa que percebi. — Viro um pouco o corpo pra olhar nos olhos de Ethan. — A gente se distanciou bastante nesses últimos meses.
— Acho que a gente tá ficando que nem aqueles casais que depois de tanto tempo de namoro só conversam.
— Eu não quero ficar assim.
— Nem eu.
Ethan me beija como se quisesse me devorar e a cada segundo parecia que sua fome aumentava. De repente sinto algo molhado no meu queixo, sinto uma língua e me afasto um pouco dele rindo.
— Você ta babando?
— Não! — Percebo que Joy agora está lambendo todo o rosto de Ethan. — Acho que estou sendo atacado.
Ele empurra o focinho dela que começa a mordê-lo de brincadeira.
— Onde a gente parou?
— Que tal continuarmos andando? — Grita Rhidian para nós.
Ele para na nossa frente e estende os dois braços para nos ajudar a levantar.
— Obrigada.
— De nada, mas agora temos que continuar.
— Mas e o nosso pai?
— Tá só se aliviando aqui perto, ele vai alcançar a gente daqui a pouco.
***
Estava começando a perceber os sinais que mostravam que estávamos chegando perto da clareira onde os outros wolfbloods ficavam. Dava para perceber que tinha diversos galhos quebrados pelo chão, como se alguém tivesse pisado neles e também marcas de pegadas.
— Zoe?
Olho para o lado e encontro Noah com um coelho morto na mão.
— Você matou ele?
— Eu sinceramente esperava um abraço ou um estava morrendo de saudade.
— Solta isso!
— Isso é o quê você vai comer, mas tudo bem.
Noah coloca o coelho no chão e estende os braços. Corro até ele é sinto seus braços me apertarem.
— Estava morrendo de saudades.
— Agora sim! — Noah se afasta de mim o bastante para poder olhar em meus olhos.
— Kim está bem?
— Sim.
— E aí? — Diz meu irmão e cumprimenta Noah. — Você tá fazendo falta lá na escola. Sabe quantas meninas já me perguntaram se você mudou de escola?
— Aposto que muitas.
— Oi. — Diz Ethan, dou uma cutucada para ele falar algo mais. — Então... Como vão seus pais?
— Bem. Pelo menos o meu pai está ótimo, já minha mãe deu uma melhorada nos últimos dias, mas isso sempre acontece na semana de lua cheia.
Meu pai chega e abraça Noah.
— Você não imagina como a casa fica sem graça sem você.
Noah sorri.
— Cadê a Maya? — Pergunto.
— Com a nossa mãe. Vem vou levar vocês.
Pela primeira vez eu estava vendo a caverna na qual a alcatéia ficava nas épocas de chuvas. Ela parecia enorme e diferente do que eu pensei não era nem um pouco sombria. Os corredores eram cheios de tochas e também vagalumes voando. Parecia um lugar mágico, mas com um cheiro meio esquisito.
— Não era pra ser época de seca agora? — Pergunta meu pai.
— O tempo tá maluco nos últimos meses. Jana decidiu ficar mais um pouco aqui.
A primeira coisa que vejo é o cabelo castanho de Maya, quando ouve nossos passos ela se vira e sorri.
— Oi gente.
— Quem tá aí filha?
— São meus amigos, mãe. Eles vieram te ver.
A mãe da Maya e do Noah se levanta com esforço.
Ela tem uma crise de tosse.
— Ethan. Achei que não fosse te ver mais.
— Credo, mãe. — Diz Noah.
— Depois que sua vó morreu, você mudou. — Vejo Ethan se mover desconfortável. — Ficou distante de todo mundo até que foi embora e volta só às vezes.
— Sinto que não tenho mais nada pra fazer aqui.
— Eu sabia. Eu sempre soube.
— Sabia o quê?
— Que você não ama este lugar só as pessoas e quando a única pessoa que você ainda amava aqui morreu, você foi embora para outro lugar.
Olho preocupada para meu irmão.
— Não quero mais falar com ela, vai que ela começa a falar todos os meus segredos! — Sussurro em seu ouvido.
— Você tem algum?
— Alguns...
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