Problemas
11 Sheffield
Notas iniciais
– Primeira coisa é fazer o check in. — Ele responde e depois boceja.
– Uma pergunta como você conseguiu comprar duas passagens para menores desacompanhados?
– De acordo com os documentos que seu pai me deu sou emancipado*.
– Meu pai deixou você ser emancipado. Acho que ele não esta totalmente sã.
– Aposto que vai se arrepender quando acordar.
Nós dois rimos. Noah entrega nossas passagens e documentos para a atendente, ela não pergunta nada apenas nos devolve os documentos mais as passagens agora carimbadas. Sentamos num banco para esperar nosso horário.
– Outra pergunta como você conseguiu dinheiro? Tráfico de drogas? Prostituição?
Noah ri.
– O que você acha que eu fazia o dia inteiro fora?
– Ficava dando em cima das meninas.
– Também, mas eu trabalhava.
– Trabalhava? E em duas semanas você conseguiu dinheiro pra ficar uma semana fora?
– Eu tenho dois empregos, quer dizer tinha aposto que agora vou perder os dois.
– Mas você só recebe o salário no final do mês.
– Eu ainda tenho charme. — Agora eu começo a rir. — Convenci minhas supervisoras a adiantarem meu salário.
– Noah, o garoto que para não precisar fazer os trabalhos na floresta dava em cima das meninas, agora tem dois empregos?
– Agora eu preciso de dinheiro.
Depois de um tempo já podemos entrar dentro do nosso ônibus, somos os primeiros a entrar e sentamos lá no fundão. Quando me sentei nos bancos razoavelmente confortáveis do ônibus, senti todo o sono que a ansiedade escondera de mim, encostei a cabeça na janela e dormi.
***
– Zoe, acorda já chegamos. — Ouço a voz de Noah no meu ouvido.
Levanto meio cambaleante e percebo que estava deitada no colo dele.
– Como eu vim parar aqui? — Pergunto indo em direção a saída.
– Sempre que ônibus passava por um buraco você batia a cabeça no vidro, por isso eu falei pra você deitar em mim. Você não se lembra?
– Não.
– Nossa que sono pesado.
Me lembro de quando Ethan falou a mesma coisa, sinto até um aperto no peito só de lembrar. Parece que estou traindo ele, só de mentir... Agora não era o momento de ficar me remoendo.
– Vamos logo.
A primeira coisa que percebo quando ponho o pé no chão é o tamanho do lugar.
– E eu achava que Stonebridge tinha muita gente. — Comenta Noah quando desse do ônibus. A estação rodoviária de Sheffield estava cheia mesmo sendo seis horas da manhã.
– Bem, Sheffield é a sexta cidade mais populosa da Inglaterra nada que algo tão grandioso como ela.
– Como você sabe disso?
– Era nossa próxima matéria de Geografia.
Saímos da estação calmamente, não como adolescentes que fugiram de casa. O céu estava tomado por diversos tons de vermelho e laranja.
– Estou morrendo de fome e você?
– Também, mas a essa hora só da pra comer em lanchonetes 24 horas.
– Bem, vamos procurar.
Depois de quase uma hora andando pelas ruas e perguntando para bêbados e trabalhadores achamos um restaurante.
– O que vocês vão querer? — Pergunta a garçonete depois que sentamos na mesa. Pela sua cara dava para perceber que ela não gostava muito de receber clientes tão cedo.
– Panquecas. — Peço.
– Duas porções, então. — Fala Noah.
A atendente sai arrastando os pés
– Atendimento de qualidade. — Comento.
Felizmente para ajudar as panquecas não demoram muito (talvez porque éramos os únicos clientes) e depois de comer fomos passear.
– Eu não sei se é a fome ou se é realmente verdade, mas acho essas as melhores panquecas que já comi. — Fala Noah entre uma mordida e outra.
– Isso deve ser porque você só comeu as panquecas do meu pai. Por que essas estão longe de ser as melhores que já comi.
Depois de comer e pagar a conta, fomos andar um pouco por aí. Em uma das milhões de publicidades espalhadas pelas ruas, uma me chamou atenção:
– Sheffield Winter Garden, há mais de 2.500 plantas de todo o mundo, criando uma exibição soberba. O edifício em si é de 70 metros de comprimento e 22 metros de altura, grande o suficiente para abrigar 5.000 estufas domésticas.
– Por favor não me diga que você quer ir a esse lugar.
– Vamos Noah, já são quase 8 horas, vai abrir daqui a pouco.
– Ta bom, só porque aonde eu quero ir hoje só abre as 10.
– Olhe pelo lado bom, vamos ser os primeiros a entrar.
– Nossa que legal.
Noah resmunga todo o trajeto até o Winter Garden, quando estamos na entrada ele segue algo com o olhar. Viro-me e vejo uma linda garota ruiva com aproximadamente a idade de Noah carregando uma câmera semi profissional na mão.
– Ela não vai te dar bola. — Digo já pra acabar com as falsas esperanças dele.
– Ah é? Esta duvidando de mim?
– Olha eu até apostaria com você, só não faço isso porque odiaria descobrir que alguém ficou comigo só por causa de uma aposta.
– Com ou sem aposta eu vou tentar, qual o problema de por um dinheirinho no meio? — Ele pergunta com aquele sorriso que não consigo falar não.
– 10 dólares que você não fica com ela.
– 20.
– 15 e não se fala mais disso.
– Apostado.
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