Problemas
22 Pessoas inesquecíveis
Notas iniciais
– E se eu...
– Não. Nada que envolva dinheiro nem mudanças de uniforme, a escola não vai aceitar nada disso.
– Merda! Eu estava contando com isso.
Enquanto Allan e Ethan foram jogar futebol com outros garotos da nossa sala, eu tentava convencer Laureen que suas ideias não eram muito aceitáveis. Foi difícil, mas no fim ela percebeu.
– Você tem que propor coisas que ajude na educação, mas que também sejam divertidas para os alunos.
– Daí, complica um pouco.
– Não é tão difícil.
– Tem certeza?
– Nem tanta.
– Ah... Zoe cade a Maya?
– Ela saiu.
– Foi assistir o jogo de futebol?
– Foi. — Respondo com um longo suspiro.
– Relaxa, eu tenho certeza que não vai acontecer nada.
– Eu confio no meu namorado, só não confio nela. Mas não se preocupe com isso, porque vamos acabar com ela na votação.
– É assim que eu gosto. E quer saber porque eu tenho tanta certeza? — Concordo com a cabeça. — O único motivo pelo qual votariam na Maya é o Noah, eu mesma faria isso se não estivesse namorando.
Rimos juntas.
– Eu te adoro.
– Eu sei, eu sou adorável.
***
Quando não se pode sair de casa, ás vezes o que você menos espera pode ser sua maior diversão. Uma das coisas que eu mais gostava de fazer em casa era o esconde-esconde, Bryn que deu a ideia no começo não gostaram muito, mas depois de um tempo ninguém todos começaram a participar.
– 48, 49, 50. Lá vou eu.
Viro-me e vejo a sala vazia, o que é um verdadeiro milagre. Por causa da casa sempre estar cheia de wolfbloods e andamos em todos o lugares a casa inteira tem o cheiro de todos, o que significa um sentido a menos para mim poder usar. Também decidimos colocar uma música bem alta para não ouvirmos nem a respiração nem os batimentos cardíacos de ninguém. Estava me sentindo como uma humana.
O primeiro lugar que eu procuro é a cozinha, mas só vejo meu pai preparando o jantar.
– Bem que você podia me dizer aonde eles estão.
– Daí não vai ter graça.
Os primeiros quartos são meu e do Rhidian. Abro a porta do quarto do meu irmão primeiro, não vejo nada. Me abaixo e olho embaixo da cama, nada. De repente sinto duas mãos em minhas costas me empurrando para o chão, é Bryn, ele estava dentro do armário.
Corro atrás dele passando pela porta, cozinha e só na sala consigo pegá-lo pelo braço e passar na sua frente, mas Bryn não desiste tão fácil ele me empurra para o lado e acabo batendo na mesa de centro.
Ela cai e junto meu iPod. A música para e a casa fica silenciosa de repente. Bryn para de correr e olha desesperado para o iPod quebrado no chão.
– Meu...
– Zoe, me desculpa. Eu não queria...
– Ei! Cade a música? — Pergunta Noah saindo do quintal. — Minha nossa!
– Acabou a brincadeira? — Pergunta Jana em um dos quartos.
– Tudo bem, Bryn. Eu sei que não era sua intenção. — Digo, mesmo o iPod sendo só um objeto significava muito para mim. — Eu vou parar por aqui, vou no meu quarto.
Pego o iPod no chão, na porta do meu quarto vejo Ethan parado me esperando. É claro que ele tinha ouvido.
– Você pode conserta-lo não fique tão triste. — Diz Ethan fechando a porta.
Estou sentada na cama ainda olhando para o iPod.
– Você não entende é a única coisa que eu tenho da vida que eu tinha com minha mãe. — Viro ele de costas logo abaixo da câmera tem uma mensagem gravada por pedido da minha mãe Te amo e nunca se esqueça disso. — Não vai ser o mesmo que a minha mãe me deu.
– Eu sei, mas...
– As vezes só as lembranças não bastam, você precisa de algo sólido, algo que você possa tocar...
– ...Uma prova para mostrar que tudo aquilo realmente aconteceu.
– Como você sabe?
– Se esqueceu que eu também perdi uma pessoa que eu amo muito?
– Não... mas o que você tem da sua vó?
– Vem.
Ethan me puxa para fora da cama e me leva para seu quarto. Ele levanta o colchão da cama e lá tem uma folha de papel, Ethan pega a folha de papel e me mostra é um desenho da sua vó, sorrindo, uma Elizabeth que eu nuca conheci.
– Foi seu irmão que desenhou, antes mesmo da gente se conhecer. Ta vendo essa digital aqui no canto? — Confirmo com a cabeça. — Minha vó fez quando pegou o desenho pela primeira vez, ela estava com a mão suja.
– Do que? — Pergunto.
– Sangue. — Ele responde um pouco encabulado.
Olho um pouco mais para o desenho.
– Queria ter a conhecido de outra forma.
– E eu queria ver pelo menos uma vez sua mãe.
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